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  • FEE publica novo retrato da economia gaúcha

    A Fundação de Economia e Estatística (FEE) apresentou na última quinta-feira (27/11) a Matriz Insumo-Produto do Estado do Rio Grande do Sul referente ao ano de 2008, aquele em que estourou a crise financeira internacional cujas “marolinhas” estão chegando ao Brasil mais intensamente neste ano de 2014.
    Além de um livrinho de 52 páginas, o MIP 2008 da FEE vem com um CD-ROM recheado de tabelas com dados riquíssimos sobre a economia gaúcha.
    A tabela abaixo, por exemplo, mostra o valor bruto da produção e o valor adicionado bruto por setores.
    Vê-se por ali que o setor com maior valor bruto (R$ 47,2 bilhões) é o de refino de petróleo e produtos químicos (Petrobras e Copesul, atual Braskem), seguido pelo comércio e serviços (R$ 39,1 bilhões), a administração pública (R$ 35,9 bilhões), o setor agropecuário (R$ 33 bilhões) e a indústria de alimentos e bebidas).
    Esta foi a quarta MIP gaúcha: as anteriores foram feitas com base nos dados econômicos de 2003, 1998 e 1991. O trabalho exigiu quatro anos de trabalho de uma equipe formada por uma dezena de técnicos.
    O estudo é inovador porque cruza dados da FEE, do IBGE, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria da Receita Federal.
    O conceito de MIP foi criado pelo economista Vassily Leontief (1906-1999), ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1973. Enriqueceu  especialmente o antigo sistema de contas nacionais. Como disse o estatístico Roberto Olinto, diretor de pesquisa do IBGE, o MIP permite olhar a economia a partir das necessidades das cadeias produtivas.(GH)
    Matriz de Insumo Produto do Rio Grande do Sul — 2008
    Tabela 2
    Valor Bruto da Produção (VBP), consumo intermediário (CI) e Valor Adicionado Bruto (VAB), por atividades, no Rio Grande do Sul — 2008
    ATIVIDADES                                                                        VBP           CI         VAB
    Agricultura, silvicultura e exploração florestal ………………… 20.287     8.136    12.151
    Pecuária e pesca ………………………………………………………. 12.700     6.734      5.966
    Indústria extrativa ………………………………………………………. 772          436         336
    Alimentos e bebidas …………………………………………………… 32.061    27.771    4.290
    Produtos do fumo ………………………………………………………. 6.382     5.793        590
    Têxteis, artefatos do vestuário e do couro, acessórios e
    calçados …………………………………………………………………… 14.334    9.584     4.750
    Produtos de madeira — exclusive móveis …………………….. 1.767         974        793
    Celulose e produtos de papel ……………………………………… 2.084      1.507        578
    Jornais, revistas, discos ……………………………………………… 2.169         959      1.209
    Refino de petróleo e gás e produtos químicos ………………. 47.260     44.091    3.169
    Álcool ………………………………………………………………………. – – –
    Artigos de borracha e plástico ……………………………………… 5.113       3.836     1.277
    Produtos de minerais não metálicos …………………………….. 2.764       1.746      1.018
    Fabricação de aço e derivados ……………………………………. 3.943        2.967        976
    Metalurgia de metais não ferrosos ………………………………..   897            586        311
    Produtos de metal, exlcusive máquinas e equipamentos     7.139         4.214     2.925
    Máquinas e equipamentos, inclusive manutenção e reparos
    ……………………………………………………………………………      15.384      11.339      4.044
    Eletrodomésticos ……………………………………………………….      115            84           31
    Máquinas para escritório e equipamentos de informática         336          201         135
    Máquinas, aparelhos e materiais elétricos …………………….. 2.385        1.724          661
    Material eletrônico e equipamentos de comunicações ……      778          467          311
    Aparelhos/instrumentos médico-hospitalar, medida e óptico    892          401          491
    Indústria automobilística …………………………………………….. 15.435      12.004      3.431
    Outros equipamentos de transporte ……………………………..      807           582         225
    Móveis e produtos das indústrias diversas …………………….    7.897       4.822       3.075
    Produção e distribuição de eletricidade e gás, água, esgoto
    e limpeza urbana ………………………………………………..            8.500       4.958       3.542
    Construção civil …………………………………………………………. 14.326       6.784       7.542
    Comércio e serviços de manutenção e reparação ………….  39.186      11.500    27.686
    Serviços de alojamento e alimentação ………………………….    6.177        3.943      2.234
    Transporte, armazenagem e correio …………………………….. 18.576         9.801     8.775
    Serviços de informação ……………………………………………….   9.899         4.962     4.937
    Intermediação financeira, seguros e previdência complementar
    e serviços relacionados ……………………………………             15.693          5.797      9.895
    Serviços prestados as empresas …………………………………. 10.738        4.623       6.115
    Atividades imobiliárias e aluguéis ………………………………… 13.444            629     12.815
    Administração, saúde e educação públicas e seguridade
    social ……………………………………………………………………….. 35.944          12.674    3.270
    Serviços prestados as famílias e associativa …………………    8.697            4.296    4.401
    Outros serviços ………………………………………………………….  13.196            4.896    8.301
    Total da economia ……………………………………………………   398.076     225.824  172.252
    FONTE: Fundação de Economia e Estatística/ Centro de Informações Estatísticas.

  • Lava Jato: a imprensa abre o leque

    Luciano Martins Costa / Observatório da Imprensa
    Ainda que timidamente, os jornais começam a revelar o envolvimento de representantes de outros partidos, além daqueles que formam a aliança governista, no escândalo da Petrobras.
    Também de maneira discreta, colunistas já se referem à possibilidade de a “Operação Lava-Jato” ser ampliada para os níveis de uma “Operação Mãos Limpas”, como a força-tarefa que restringiu as ações da máfia na Itália nos anos 1980 e 1990.
    Embora o PT e o PMDB apareçam no centro da cena, há citações ao PP, ao PSDB e ao Partido Democratas.
    Como no histórico processo comandado pelos procuradores Giovanni Falcone e Paolo Borsellino – que acabaram assassinados pelos mafiosos –, o inquérito brasileiro é montado como uma árvore, e tem potencial para se desmembrar em uma variedade de ações judiciais específicas, que podem ser referenciadas entre si.
    Esse sistema permitiu à justiça italiana chegar ao topo do poder corrupto, desmascarando as mais altas patentes do governo do país, como os primeiros-ministros Bettino Craxi e Giulio Andreotti, e ao mesmo tempo alcançar o sistema capilarizado da Cosa Nostra.
    Essa é, aparentemente, a estratégia elaborada pelo juiz Sergio Moro no caso da Petrobras, como se pode depreender do noticiário.
    Embora o conjunto das provas e suspeitas indique a existência de uma rede envolvendo todas as grandes empreiteiras que realizam obras de infraestrutura para o poder público, o esquema é mais simples porque repete o mesmo modus operandi há muitos anos, mudando apenas os nomes de alguns dos protagonistas.
    O resultado do esforço de investigação vai depender de certos elementos que não são muito visíveis a olho nu.
    Um deles é o papel da imprensa, que produz um efeito espelho e influencia a ação das autoridades que conduzem o processo.
    Na Itália, a mídia demorou a se incorporar ao esforço contra a invasão da política pelo crime organizado, em parte porque muitos jornais estavam mancomunados com o governo do Partido Socialista Italiano e pelo fato de a mídia regional ser submissa ao poder terrorista da máfia. Mas o exame do noticiário da época mostra que não houve um movimento homogêneo e corporativista da imprensa.
    O risco da leniência
    O desembargador aposentado Walter Maierovitch, certamente o brasileiro que estudou com mais profundidade a “Operação Mãos Limpas” e foi amigo pessoal do procurador Giovanni Falcone, costuma dizer que a melhor estratégia para combater o crime organizado é expor e atacar seu sistema econômico.
    O processo na Itália permitiu retirar das contas da Cosa Nostra cerca de 60 bilhões de euros em vinte anos.
    Esse é, aparentemente, um dos objetivos no caso da Petrobras, mas os jornais têm dado espaço para algumas propostas restritivas.
    A ameaça de perda de receita poderia levar as empresas envolvidas a aderir a um programa de colaboração com a Justiça, e a imprensa tem dado voz a alguns protagonistas que parecem jogar nesse sentido.
    Não se pode ignorar, por exemplo, aparições recentes do presidente do Tribunal de Contas da União, João Augusto Nardes, do ministro-chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
    Todos eles se referem à possibilidade de um “acordo de leniência” com as empreiteiras, mas não se deve perder de vista que isso pode limitar o alcance do processo.
    É de se questionar, por exemplo, o papel do TCU, a quem caberia examinar os contratos que agora se revelam irregulares.
    Uma das citações à omissão do órgão foi feita pelo colunista Janio de Freitas  em outubro, lembrando que os ministros da instituição, bem como outras entidades responsáveis pelo bom funcionamento do Estado, só se movem em episódios que “animam as redações”.
    Nardes, indicado pelo Partido Progressista para o TCU, transita pelo noticiário como o ilustre magistrado que defende a repactuação dos contratos sob suspeita, sob a alegação de que, se as empreiteiras forem consideradas inidôneas, suas obras terão que ser interrompidas e “o país será paralisado”.
    A preocupação faz sentido, mas, nesta altura dos acontecimentos, com depoimentos e provas suficientes para desmascarar a associação entre partidos e empresas, qualquer sinal de “leniência” por parte das autoridades encarregadas do processo será visto pela sociedade em seu significado estrito, conforme aparece nos dicionários: “excessiva tolerância”.

  • RBS: direção suspende novos cortes

    Em video-conferência no início da semana, o presidente do grupo RBS, Eduardo Melzer tranquilizou o público interno, agitado com a perspectiva de uma nova tesourada neste final de ano.
    O vazamento das informações sobre demissões, com ampla repercussão, e a mobilização do sindicato dos jornalistas, que recorre à Justiça questionando a substituição de funcionários contratados por terceirizados, são as razões da suspensão da medida, que faz parte de um plano de ajuste que a empresa está adotando para enfrentar a nova realidade do mercado da comunicação.
    Informações não oficiais, dão conta de que o plano não foi modificado, apenas as medidas mais drásticas foram adiadas.
    O plano de ajuste, concebido pelo administrador Claudio Galleazzi, prevê uma redução de 10% no quadro de mais de 6 mil funcionários. Cerca de 200 já foram demitidos.

    Cláudio Galeazzi orquestra os cortes e a "reestruturação" do grupo
    Cláudio Galeazzi orquestra os cortes e a “reestruturação” do grupo

    A péssima repercussão das demissões em massa de agosto fez a empresa recuar, sem desistir da execução a conta-gotas, realizada semanalmente em todas as unidades do grupo.

  • África: imperialismo ocidental segue ditando as regras

    Mariano Senna*
    Em novembro 1978, o lendário músico e ativista nigeriano Fela Kuti se apresentava pela primeira vez em solo germânico, no Festival de Jazz de Berlin (Berliner Jazztage).
    Antes do show na famosa filarmônica de Berlin, Fela, como de costume, fez um discurso político. Entre as muitas mensagens e provocações, uma das mais contundentes foi: “99,9% das informações que chegam aqui na Europa sobre a África estão erradas”.
    Na época o ícone da música africana estava com 40 anos. Um ano antes quase havia sido morto em represália pelo exército nigeriano.
    Apesar disso, continuava desafiando poderosos e os conselhos de amigos que lhe diziam para cessar suas atividades políticas. “Quanto mais tentarem me calar, mais e mais eu vou falar a verdade, até que eles não possam mais ouvir”.
    Passados exatos 36 anos do show revolucionário, a captial alemã voltou a receber uma série de eventos sobre as intermináveis crises de países africanos.

    Fela Kuti em Lagos, início da década de 1990
    Fela Kuti em Lagos, início da década de 1990

    Além de atualizações, as palestras, encontros e diálogos mostram que o discurso de Fela Kuti na filarmônica de Berlin continua atual.
    Mais, lançam luz sobre o “paradigma das boas intenções”, termo utilizado pelo intelectual norte-americano Noam Chomsky em sua crítica à política imperialista de países ditos desenvolvidos.
    No início de novembro o escritor e professor universitário senegalês, Boubacar Boris Diop, veio a Berlin para falar de seu último livro, A Glória dos Impostores (La Gloire des Imposteurs, 2014).
    boubacar-boris-diop
    A obra, baseada na troca de correspondências com a ativista e crítica do processo de globalização, Aminata Traoré, fala da real situação política e social do Mali, terra natal de Aminata.
    O gancho das 230 páginas do livro foi a última interenção militar francesa no país do noroeste africano.
    Batizada como “operação Serval” em dezembro de 2012, ela foi alardeada como uma necessidade humanitária, devido ao avanço de grupos radicais islâmicos que dominavam o norte do Mali e ameacavam derrubar o governo da capital Bamako.
    Diante da plateia de 100 pessoas que o recebeu no salão principal da Universidade Humboldt de Berlin, Boubacar lembrou que essa foi a 49a  intervenção militar da França na região desde a independência em 1960.
    “De fato houve alívio para muitos no Mali, inclusive progressistas, com a chegada dos soldados franceses. Mas dizer que a operação foi um sucesso é desrespeitar a história e os fatos”, ponderou ele.
    No evento promovido com o apoio da fundação Rosa Luxemburgo, o professor senegalês foi categórico em afirmar que a mentalidade colonialista européia continua mais viva do que nunca.
    Apesar da necessidade real de combater o extremismo, ele afirma que os países africanos de forma geral precisam de reformas mais profundas e apoios sitemáticos se quiserem realmente transformar suas realidades. “Mas não é isso que vemos”, disse ele.
    Segundo Boubacar Diop, a verdadeira razão da intervenção francesa foi, entre outros interesses, garantir a exploração das minas de urânio no vizinho Niger.
    Localizadas próximas à fronteira com o Mali, as minas hoje são um dos principais fornecedores de matéria prima para a gigante nuclear francesa Areva.
    Um monstro corporativo empregando 45 mil pessoas em 30 países, e faturando 9,2 bilhões de euros por ano.
    A situação hoje no Mali é a prova de que o interesse dos franceses passa longe da verdadeira estabilização social e política do país.
    “Assim como na Líbia, no Egito e em muitos outros lugares da África o que vemos é um país dividido, geografica e socialmente. Grupos de pessoas cometendo represálias mutuamente, e regiões inteiras sem nenhum controle ou influência do Estado Maliense”, afirmou ele.
    Nesse contexto, a palavra “terrorismo” vira apenas pretexto para intervenções violentas. A discussão ganha cada vez mais espaco, especialmente entre ativistas e em veículos marginais ao mainstream ocidental. Um exemplo recente ajuda a contextualizar a questão.
    Em entrevista à rede Aljazeera sobre imperialismo e intervenções humanitárias (http://www.aljazeera.com/programmes/headtohead/2014/11/humanitarian-intervention-imperialism-2014111093042592427.html), o ex-ministro das relações exteriores francês, Bernard Kouchner, insistiu: “Pacifismo é uma ideia muito boa. Infelizmente ela não funciona”.
    Ex-ministro francês Bernard Kouchner
    Ex-ministro francês Bernard Kouchner

    Também co-fundador da ONG Médicos Sem Fronteiras, Kouchner porém admitiu pela primeira vez que a França deveria desculpar-se por sua responsabilidade no genocídio em Ruanda nos anos 90. Apesar de ter treinado o exército ruandês, cujos membros participaram do genocídio, a França e nenhum país europeu interveio em Ruanda durante os 100 dias de matança.
    Como um dos arquitetos do conceito do “direito de interferir”, ele defende a ideia de que o ocidente tem o dever de proteger vidas humanas, independentemente dos meios e das fronteiras nacionais.
    Vale lembrar que tal “direito” também foi usado no fim dos anos 80 pelo governo francês para apoiar o golpe que destituiu e matou o presidente de Burkina Fasso, Thomas Sankara.
    O golpista que tomou seu lugar, um megalômano chamado Blaise Compaoré, foi finalmente deposto em revolta popular no final do mês passado.
    Ao fundo dessa noção de “direito de intervir”, há um conceito velado do que é ser humano, civilizado, correto.
    Algo parcial, sempre vendido como verdade universal, sem espaço para outras perspectivas. Sob tal ponto de vista, conceitos importantes como “desenvolvimento”, “progresso” e “prosperidade” acabam também instrumentalizados.
    No último fim de semana Mwangi Waituru, conterrâneo de Fela Kuti e vice-presidente da ONG Beyond 2015 (www.beyond2015.org), apresentou sua crítica à forma como países ricos padronizaram a noção de bem estar social.
    E a usam para impor sua agenda de interesses, fazendo isso com o aval da ONU. Afinal, quem vai ser contra o bem estar?
    Um desses instrumentos são os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (http://www.un.org/millenniumgoals/). Eles englobam oito objetivos, mensurados em 21 indicadores aplicados de forma homogênea e linear a todos os países.
    Para Mwangi Waituru, aplicar uma única medida para todos os contextos gera invariavelmente distorções e outras injustiças.
    Mwangi Waituru
    Mwangi Waituru

    “Nos dedicamos à criação de uma nova agenda de desenvolvimento que considere responsabilidades compartilhadas, mas que respeite as diferentes realidades e capacidades, especialmente históricas”, declarou ele em um diálogo promovido pela Fundação Africavenir (www.africavenir.org) e patrocinado pela Prefeitura de Berlim e pelo Ministério para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ).
    * Mariano Senna é jornalista, mora em Berlin.

  • Mentiras na internet fomentam o golpe

    GERALDO HASSE
    Está em curso na Internet uma campanha marota intitulada “Obras Concluídas do PT”.
    Exibe fotos de ferrovias, portos, usinas hidrelétricas, pontes e outras construções realizadas em países latino-americanos e africanos com financiamento integral ou parcial do BNDES.
    O nome do banco aparece sobre as fotos das obras com uma tarja dando conta do CUSTO do empreendimento em dólares, como se o Brasil estivesse bancando o Pai João na Argentina, Bolívia, Venezuela, Panamá, Angola etc.

    Campanha anti-PT confunde o BNDES com o partido
    Campanha anti-PT confunde o BNDES com o partido

    À jornalista de Brasília que me enviou o material venenoso, respondi que a campanha é fruto da ignorância e da má fé.
    Mal sabem os ignorantes e mafiosos difusores dessas informações que desde a ditadura militar o Brasil financia obras em outros países, não para bancar o bacana, mas para que as construtoras brasileiras aumentem seu mercado de trabalho e os fabricantes nacionais de equipamentos, idem.
    Já vai para meio século que a engenharia brasileira tem alto nível técnico na construção de hidrelétricas, portos, rodovias, pontes e metrôs.
    A indústria de equipamentos caminha junto.
    É uma grande bobagem achar que, ao financiar uma obra num país qualquer, o BNDES estaria “desviando recursos” do Brasil.
    Ao ver as fotos da campanha anti-PT, lembrei-me de que em setembro de 1972, quando era repórter de economia da revista Veja, fui à Bolívia com um grupo de jornalistas brasileiros.
    Fomos conhecer uma pequena hidrelétrica construída no meio dos Andes pela mineira Mendes Junior, que dava os primeiros passos no exterior (depois ela foi construir estradas no Iraque, onde quebrou a cara por confiar demasiadamente no ditador Sadam Hussein).
    Não preciso dizer quem a financiava. Essas obras geravam empregos lá fora e aqui dentro, pois uma usina exige desenhos, insumos, equipamentos.
    Depois, entre 1979 e 1981, repórter da revista Exame, fui duas vezes à Venezuela para ver o início e o fim da construção da grande Hidrelétrica de Guri, erguida num afluente do rio Orenoco, no meio das montanhas venezuelanas.
    A construção era da Camargo Correa, que mantinha lá engenheiros e técnicos. As turbinas e outros equipamentos foram feitos no Brasil.
    Ou, seja, Guri gerou empregos na indústria brasileira.
    Uma obra desse porte, que custou cerca de US$ 500 milhões, gera encomendas e empregos em diversos setores. Nos setores de transporte, siderurgia e bancos, por exemplo.
    Para emprestar dinheiro, o BNDES, como qualquer banco, exige garantias aos responsáveis pela obra, sejam os donos ou os empreiteiros.
    Então é má fé achar que o banco nacional está custeando obras a fundo perdido nos países vizinhos.  Se fizesse isso, o BNDES não estaria líquido como está.
    O que o BNDES faz é financiar o desenvolvimento da economia brasileira. Ao fomentar uma obra num país vizinho ou distante, aprimora as condições para a melhoria das relações de trocas com o Brasil.
    Portanto, restam duas conclusões, que ficam como LEMBRETES DE OCASIÃO:
    1 – as pessoas que repassam acriticamente tais mensagens malévolas são ingênuas ou inocentes úteis, como se dizia antigamente
    2 – os autores e editores dessas mensagens e campanhas é que são maldosos a serviço da indústria de um golpe antidemocrático que se tenta aplicar no Brasil.
     

  • Governador eleito do Maranhão compara Lava Jato a Mãos Limpas

    GERALDO HASSE 
    Profundo conhecedor dos mecanismos judiciários – além de juiz, foi secretário do primeiro Conselho Nacional da Justiça –, o governador eleito do Maranhão, Flavio Dino, acredita que a Operação Lava Jato, se continuar sendo bem conduzida pela Polícia Federal e o Ministério Público, pode equiparar-se à  Operação Mãos Limpas, que esterilizou a Máfia na Itália, nos anos 1990.
    A Operação Lava Jato investiga a corrupção no âmbito da Petrobras e, na semana passada, prendeu uma dezena de dirigentes de empreiteiras de obras públicas. A analogia Brasil-Itália foi feita na segunda-feira (17/11) no programa Roda Viva, que a TV Cultura de São Paulo transmite em rede com as emissoras educativas estaduais.
    Flávio Dino governador eleito do Maranhão no roda viva
    Talvez a maior surpresa eleitoral de 2014, pois derrotou o grupo político do ex-presidente José Sarney, o atual deputado Flavio Dino (PCdoB) não é um aventureiro ou fantoche, como se poderia imaginar. Na entrevista das 22h às 23h30, diante de uma bancada de cinco repórteres escolados, entre eles Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, o novo governador maranhense deu um show de conhecimento histórico, articulação política e visão econômica.
    “O senhor acha que a presidenta Dilma pode não estar envolvida no escândalo da Petrobras?”, perguntou o apresentador Augusto Nunes, que não esconde seu desprezo pela sucessora de Lula, nem pelo ex-presidente petista, em seu blog na Veja online.
    “Dilma é uma pessoa honesta. Acho que ela não está envolvida”, disse Dino, que por contingências políticas regionais não recebeu o apoio do PT no Maranhão, onde o partido da presidenta apoiou o PMDB. Com a vitória no primeiro turno, Flavio Dino está com dois terços da equipe de secretários formada. Entre os convidados, figuram técnicos do PMDB, do PSDB e de outros sete partidos aliados, fora o PT.

  • Livro resgata a história da AP, que nasceu católica e morreu guerrilheira

    O jornalista Otto Filgueiras lançou no segundo semestre de 2014 o primeiro volume do livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular, da Editora Caio Prado, do Rio. Com 400 páginas, o primeiro volume abrange o período 1930-68. O volume 2, com outras tantas páginas, vai até 1986,mas ainda não tem data de lançamento.
    Baseado principalmente na história documental, mas também em depoimentos orais de 200 antigos dirigentes, militantes, simpatizantes, advogados de presos políticos e ativistas de outras organizações, o livro narra a trajetória teórica, política, ideológica e prática da Ação Popular e de seus personagens.
    A AP foi uma das principais siglas políticas engajadas na resistência à ditadura militar de 1964-85, ao lado da ALN, do PCdoB e da VPR. Entre seus militantes originais, destacaram-se o sociólogo mineiro Herbert de Souza (Betinho, já falecido) e o líder estudantil José Serra, que lidera uma facção do PSDB paulista.
    Relativamente popular no seu tempo, a AP é pouco conhecida pelas novas gerações. De origem cristã, principalmente com influência de pensadores católicos humanistas como Emmanuel Mounier, Teilhard de Chardin, Jacques Maritain, o padre Louis-Joseph Lebret e o padre brasileiro Henrique Lima Vaz, mas também influenciada por pensadores teóricos progressistas da igreja presbiteriana como o pastor estadunidense Richard Shaull, a AP começou a ser articulada pela esquerda católica a partir de 1961, em Minas Gerais, onde surgiu o jornal Ação Popular, editado por Vinicius Caldeira Brant.
    Inicialmente, a Ação Popular era considerada apenas um movimento, mas logo em 1962 seus articuladores realizaram duas reuniões nacionais, primeiro em Belo Horizonte e depois em São Paulo, quando esboçaram seu estatuto ideológico. Seu congresso de fundação só aconteceu no carnaval de 1963, em Salvador, na Escola de Veterinária da Universidade Federal da Bahia (UFBA), quando foi aprovado seu documento-base. A partir de então, a AP passou a ter um referencial teórico e se constituiu nacionalmente como organização política, embora sem registro legal jurídico.
    Ao longo de sua trajetória, a Ação Popular aglutinou mais de 25 mil militantes, simpatizantes e pelo menos um milhar deles foi deslocado para trabalhar em fábricas e no campo a partir de 1968, na chamada “fase maoísta”, que atendia à orientação do PC chinês liderado por Mao Tse Tung.
    Uma das principais bases políticas da resistência ao regime militar, a AP defendeu a luta armada para derrubar a ditadura, mas era contra as ações foquistas. Mesmo se esforçando para manter seus vínculos sociais, inclusive com militância política dentro de partidos (PTB e PSB), terminou isolada e esfacelada pela repressão da ditadura militar.
    O livro esmiuça os embates internos que levaram a Ação Popular a migrar do cristianismo esquerdista ao marxismo-leninismo e, também, a história de seus principais militantes e dirigentes, entre eles Jair Ferreira de Sá, um dos fundadores da organização, que esteve  no comando desde o começo e foi seu principal dirigente nos anos mais duros do regime militar.
    Jair já estava clandestino em 1968, quando coordenou os protestos populares durante as comemorações oficiais do dia 1 de maio em São Paulo, episódio que levou o governador Abreu Sodré a submeter-se aos militares. Além de pesquisar o arquivo de Jair Ferreira de Sá, depositado no Arquivo Público do Rio de Janeiro, Otto recebeu da família o seu arquivo pessoal.
    Entre as mais de 200 entrevistas realizadas, destacam-se os depoimentos de personagens históricos, como o Padre Henrique Lima Vaz (já falecido), na época filósofo e principal teórico da esquerda católica, cujas ideias foram decisivas na fundação da organização e na redação do documento-base aprovado em 1963, época que esteve em alta o humanismo do Concílio Vaticano II, liderado pelo Papa João XXIII (1881-1963), um dos inspiradores da Teologia da Libertação. Lançada em 1968 na Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellín, na Colômbia, a TL exigia da Igreja Católica a “opção preferencial pelos pobres”, ou seja, a volta do cristianismo original.
    Otto Filgueiras também registra o depoimento de outras figuras:
    + o operário Ênio Seabra, que liderou as greves de Contagem (MG), em 1968;
    + o operário José Barbosa (já falecido), um dos líderes da manifestação contra a ditadura no 1 de maio de 1968, na Praça da Sé, em São Paulo;
    + o mineiro José Gomes Dazinho (já falecido), líder operário nas minas de ouro e prata, em Nova Lima (MG), e deputado até 1964, quando foi preso e torturado;
    + o líder camponês Manoel Conceição Santos, dirigente da organização;
    + Jean Marc, ex-presidente da UNE;
    + Doralina Rodrigues Carvalho, José Fidelis Sarno, José Luiz Moreira Guedes, Maria Nazaré Pedrosa,  ex-dirigentes da UNE;
    + Maria Auxiliadora Arantes, Anete Rabelo, Aldo Arantes, Haroldo Lima e Renato Rabelo, dirigentes do PCdoB;
    + O pessoal que participava do Movimento de Educação de Base (MEB) no governo João Goulart, entre eles Nilson Batista e Zélia Rezende;
    + Felícia Andrade de Moraes, militante da AP e companheira de Rui Frazão, dirigente  da AP morto pela ditadura.
    + Tibério Canuto e Emiliano José, ex-dirigentes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).
    Com esses e outros, o pesquisador reuniu dados sobre a presença da AP nos movimentos estudantil, camponês e operário, particularmente de Contagem (MG), Osasco, São Paulo e no ABC paulista nas décadas de 1960 e 1970.
    Com base na documentação encontrada nos arquivos foi possível esclarecer também a prisão e morte dos militantes e dirigentes da AP Jorge Leal Gonçalves, Raimundo Eduardo da Silva, Luiz Hirata, Paulo Stuart Wright, Umberto Câmara, Honestino Guimarães, José Carlos da Mata Machado, Gildo Macedo, Eduardo Collier, Fernando Santa Cruz e Paulo Stuart Wright.
    Eles foram presos em agosto, setembro  e outubro de 1973 durante uma operação executada pelo Centro de Informações do Exército (CIE), que capturou mais de 40 pessoas da organização. Morto no DOI-CODI de São Paulo, o dirigente Paulo Stuart Wright, de origem norte-americana e religião presbiteriana, foi enterrado no Cemitério de Perus com o nome de Pedro Tim, mas seu corpo nunca foi encontrado.
    O relato de Otto Filgueiras configura uma das mais perturbadoras viagens às prisões do governo militar, pois revela grandezas e misérias do comportamento dos dois lados da história. O repórter achou nos arquivos policiais um documento do Ministério da Justiça que orienta como interrogar e torturar os militantes da AP.
    Segundo o documento, o pessoal da AP era bem preparado ideologicamente, resistia para “falar” mesmo sob tortura e, quando dava depoimento, “inventava estória”. Por outro lado, alguns capítulos se referem à colaboração de pessoas ligadas à AP com os órgãos da repressão. Foi a partir dessas delações que o CIE promoveu o cruel desmantelamento da AP em 1973.
    O pano de fundo da história escrita por Otto Filgueiras é a luta pelo socialismo em face do processo capitalista no Brasil, que vem crescendo enquanto a maioria dos regimes comunistas perdeu-se na voragem da História.

  • Uma versão para a São Paulo sem água

    Circula pelas redes sociais esta versão, em desenho, com a explicação do PSOL para a escassez de água em São Paulo. Vem assinada pelo presidente nacional do partido e deputado estadual paulista Ivan Valente.
    Não faltou quem perguntasse: “Se a culpa da seca é da falta de chuvas, o que o governador Geraldo Alckmin vai fazer com os R$ 3 bilhões que pediu ao governo federal? Subornar São Pedro?”

  • Aécio Neves e o comportamento da oposição

    Luis Nassif
    Aécio reassumiu sua cadeira no Senado prometendo cobrar “violentamente” os compromissos de campanha de Dilma. Não basta cobrar assertivamente, persistentemente. Tinha que ser “violentamente”.
    Depois, registrou seu repúdio “mais violento e radical” aos manifestantes que pedem a volta da ditadura militar.
    Finalmente, repetiu o mantra da “campanha honrada” que teria feito em contraposição à “campanha perversa” de Dilma. Corta! O baixo nível da campanha foi similar nas duas pontas. O figurino de “moralista honrado” não cabe em quem, nos debates, tratava as adversárias – Dilma e Luciana Genro – como “levianas”.
    Com sua agressividade reiterada, Aécio abriu a guarda para Dilma, oirtentada por João Santana, encaixar meia dúzia de uppercuts fatais.
    ***
    Com a morte de Eduardo Campos e o posterior esvaziamento de Marina Silva, Aécio saltou de quase nada para quase tudo. Tornou-se conhecido no curtíssimo período a partir dos dois últimos debates do primeiro turno.
    Mais natural na televisão, durante alguns dias Aécio incorporou a imagem do bom moço de família mineira. Perdeu até o olhar malicioso-agressivo que o perseguia em todas as fotos na fase inicial da campanha.
    Retomou o segundo turno na liderança. Aí incorporou a euforia bélica de seu guru, FHC.  Foi o estilo bélico que o fez perder a liderança e as eleições.
    Agora, novamente mostra uma notável falta de timming político, ao pretender manter o estilo bélico durante a trégua que se segue a toda campanha encarniçada.
    Não entendeu nada.
    A grande marca política de Aécio parecia ser a arte da composição, a habilidade política que demonstrou quando se compôs com Fernando Pimentel, do PT, para o pacto mineiro. Ali aparentemente desenhava-se o futuro grande político nacional, o estadista da conciliação, herdeiro da tradição política mineira.
    Engano.
    Em um momento em que a disputa deveria se dar na conquista do público novo, não alinhado, cansado da política tradicional, Aécio incorporou em si a pior cara do PSDB: a de José Serra e sua tropa de vikings da terceira idade, Aloysio Nunes, Alberto Goldman, e do inexcedível Roberto Freire.
    Não se vá exigir de Aécio o que escapa à sua compreensão.
    Assim como no varguismo, o lulismo é composto de duas partes: o lulismo e o antilulismo. O antilulismo não tem vida própria, não tem projeto próprio, é apenas um apêndice do lulismo.
    O próximo momento político brasileiro é o do pós-lulismo. Para a história, FHC sempre será o apenas anti-Lula, a parte derrotada do passado. Grupos de mídia, mercado, o establishment só investiram em sua imagem porque o antil-ulismo precisava de uma cara. Apenas isso.
    Assim como o mito Marina, o personagem FHC é muito menor do que o mito criado em torno dele.
    Ao contrário de Aécio, Alckmin é duríssimo na ação, conservador até a medula, anacrônico até o fundo da alma; mas cordato nas palavras e gestos.
    Seu aceno para uma trégua visou não apenas reduzir as críticas contra as barbeiragens da Sabesp, mas ocupar o espaço na oposição.
    Quando acontecer o segundo tempo do jogo – na tentativa futura de tentar alijar Dilma no rastro da Operação Lava-Jato – a liderança será de quem simulou o entendimento inicial; não de quem se comportou violentamente antes da hora.

  • Uruguai pede ajuda do Brasil para construir porto

    O presidente do Uruguai, José Mujica, defendeu a construção de um porto regional no Rio da Prata, com o apoio do Brasil, país que qualificou de espinha dorsal da integração continental.
    A proposta, duramente criticada por empresários portuários brasileiros, foi apresentada por Mujica à presidente Dilma Rousseff na sexta-feira (7), quando foi recebido no Palácio do Planalto.
    “Sobre a região, conversamos com a visão de promover (a construção de) um porto regional, que não pretende ser um porto uruguaio, mas sim da região. O Rio da Prata está se transformando em um cortiço de barcos. É um rio complicado e necessitamos dar respostas”, disse Mujica.
    O presidente destacou que não foi abordado o tema do financiamento da obra. “Não falamos do financiamento, e sim de outras coisas, de como vai favorecer o Brasil, Paraguai e Bolívia, que são companheiros que estão envolvidos, e a Argentina, que é imprescindível”.
    Desde 2010, Mujica defende a construção de um complexo portuário no Rio da Prata. No início do ano, ele afirmou que seu governo e o da presidente Dilma Rousseff iriam implantar o empreendimento, avaliado em US$ 500 milhões, e que o Brasil arcaria com 80% dos custos, através do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul.
    O projeto prevê a instalação de um complexo de águas profundas em Rocha, às margens do rio, no Uruguai.
    A cidade fica 210 quilômetros a nordeste de Montevidéu, a capital do país, e a 321 quilômetros do porto brasileiro de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
    Em fevereiro passado, essa ideia levou diretores da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) e da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec) a se reunirem com o então ministro dos Portos, Antônio Henrique Silveira, a fim de questioná-lo sobre o empreendimento, que foi duramente criticado.
    “O Uruguai tem direito a ter novos portos e esse não é o problema. O fato é que nós não podemos financiar um concorrente, enquanto temos grandes carências em acessos terrestres e aquaviários e na infraestrutura portuária”, destacou o presidente da ABTP, Wilen Manteli, em entrevista publicada em A Tribuna na edição de 25 de fevereiro deste ano. (Fonte: Tribuna de Santos)