MATHEUS CHAPARINI
A notícia de que o governo havia reconhecido a derrota na votação pelo prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff – papel desempenhado pelo líder da Câmara, José Guimarães, por volta das 22h – não ecoou com força na Praça da Matriz.
Ainda faltavam mais de cem votos para serem contabilizados e a agitação ia diminuindo gradualmente, pelo cansaço do dia longo e quente.
Às 22h23, a bateria da organização A Marighella levantou. A atitude lembrava as torcidas barras bravas do futebol argentino (prática hoje amplamente disseminada no Brasil e no Rio Grande do Sul), não somente pelos ritmos e instrumentos, mas pela animação da festa independente da derrota, ou, até mesmo estimulado por ela – é o que os torcedores chamam de apoio incondicional.
Com bumbos, caixas, sinalizadores e foguetes, cantavam “acabou o amor, o Brasil vai virar um inferno” e “não vai ter golpe olê olê olê”.
Quando algum deputado da oposição falava, o grupo respondia com “não se escuta golpista”.
A festa durou cerca de 20 minutos. O clima de arquibancada, entretanto, não contagiou os milhares de militantes que acompanhavam a votação em dois telões na Praça da Matriz.
CUT-RS sugere reação com greve geral
Faltava apenas um voto para a definição do resultado da votação que determinou o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff quando os dois telões instalados na Praça da Matriz foram desligados e do microfone uma voz anunciou a abertura da assembleia popular dos movimentos sociais. Eram onze horas da noite do domingo (17).
O primeiro a falar foi Claudir Nespolo, presidente estadual da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Pediu que os telões fossem ligados novamente, sem áudio, para que o público pudesse continuar acompanhando a votação e começou seu discurso.
Nespolo afirmou que o domingo ficará marcado na história como “o dia em que a elite brasileira, associada ao capital internacional começou a impor uma derrota à esquerda”.
O sindicalista atribuiu o revés principalmente ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, mas garantiu que há possibilidades de reação. “Um juiz viciado deu a vitória no primeiro tempo, mas este jogo ainda não acabou, é o jogo da luta de classes”, defendeu.
E concluiu: “Vocês vão ouvir falar em greve geral!”
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Praça da Matriz: na derrota, uma festa de arquibancada
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Prefeitura publica lista dos dez terrenos públicos que serão vendidos
A prefeitura de Porto Alegre divulgou o endereço dos dez imóveis que serão vendidos em um pregão no dia 17 de maio.
A lista está no site da prefeitura.
As vendas serão feitas por meio de licitação e a prefeitura espera arrecadar em torno de R$ 4 milhões. A abertura do certame, com entrega dos envelopes com as propostas, está marcada para as 14h30.
Entre os imóveis, está um terreno localizado na avenida Érico Veríssimo, 631, com valor mínimo de R$ 1,1 milhão.
A medida faz parte de um decreto de contenção de despesas em todos os setores e autarquias da prefeitura, lançado pelo prefeito Fortunati em março. Além da venda de imóveis, o decreto suspende a realização de concurso público, as nomeações e a contratação de serviços terceirizados.
Um segundo lote já está sendo preparado. A princípio, serão mais oito terrenos, que podem render cerca de R$ 7 milhões aos cofres da prefeitura. Entretanto, esta fase depende ainda da aprovação Câmara de Vereadores. -
UFRGS cobra audiência pública para debater manifestações de ódio
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul se manifestou por meio de nota em relação aos “cartazes com discursos machistas e ofensivos” que apareceram colados em paredes da instituição de ensino superior na última segunda-feira.
No texto, a universidade repudia a atitude e afirma que já solicitou à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa a realização de uma audiência pública para discutir o considera “manifestações de ódio e intolerância”.
A nota afirma ainda que a universidade está tentando identificar os responsáveis, através de imagens das câmeras de segurança.
A universidade lamenta o ocorrido e reafirma seu compromisso “com os direitos humanos, a diversidade e a respeitosa pluralidade de ideias.”
Leia a íntegra da nota
“A Universidade Federal do Rio Grande do Sul reitera seu repúdio à divulgação de cartazes com discursos machistas e ofensivos em espaços acadêmicos e esclarece que, desde que tomou conhecimento do ocorrido, está adotando as devidas providências. A UFRGS reafirma seu compromisso com os direitos humanos, a diversidade e a respeitosa pluralidade de ideias.
Na tentativa de identificar os responsáveis por essa atitude condenável, as imagens de câmeras próximas aos locais onde foram afixados os cartazes estão sendo analisadas pela Coordenadoria de Segurança da Universidade, para que sejam tomadas as medidas cabíveis.
Com a finalidade de discutir as manifestações de ódio e intolerância, a UFRGS, por meio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e do Departamento de História, propôs à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado a realização de uma audiência pública.
Lamenta-se profundamente o ocorrido e espera-se que a sociedade como um todo saiba rejeitar com veemência ataques à dignidade humana.” -
Oficina vai discutir projeto de recuperação do Gasômetro
Uma oficina colaborativa vai colher sugestões da população para o projeto de revitalização da Usina do Gasômetro. A atividade acontece na próxima segunda-feira, 18, a partir das 17h30 na própria Usina.
A atividade é organizada pelo escritório 3C Arquitetura e Urbanismo, vencedor de licitação da Prefeitura de Porto Alegre, que promove o evento através da Secretaria Municipal da Cultura.
A oficina será realizada na própria Usina e são esperadas cerca de 80 pessoas, que serão divididas em grupos para o trabalho. A atividade faz parte da etapa de anteprojeto da recuperação do espaço.
A ideia é que funcionários, artistas e usuários do espaço possam contribuir no processo. Ao final, as discussões e sugestões serão consolidadas e, de acordo com a viabilidade, integradas ao projeto.
Estão confirmadas as presenças do secretário da Cultura de Porto Alegre, Roque Jacoby, do coordenador da Memória da Secretaria Municipal da Cultural, Luiz Custódio, e do arquiteto Tiago Holzmann da Silva, do escritório 3C. -
Resenha: Uma noite nos anos 90 com a Nação Zumbi
Tiago Jucá
Quando uma banda faz um show pra comemorar duas décadas de um disco, é impossível não lembrar como era 1996.
A internet recém engatinhava em baixíssima velocidade, portanto, consumíamos música em formato Compact Disc. O velho Long Play já era tratado como obsoleto.
A falecida Ipanema FM era a única emissora de rádio que tocava algumas músicas do Da Lama Ao Caos, primeiro álbum da Nação Zumbi e antecessor do Afrociberdelia. A curiosidade a respeito de uma banda que não tinha bateria já despertava nossa atenção pelos pátios da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Ufrgs). E por causa disso comprei os dois discos de uma só vez.
Mas Afrociberdelia veio pra arrebentar e tornar-se o melhor álbum musical da história deste país. Duas mudanças contribuíram para isso: a produção saiu do preto e branco Liminha e passou pro colorido BiD; e a banda passou a ter bateria, com a entrada de Pupilo.
A Nação Zumbi subiu ao palco do Bar Opinião, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira (7) com o que restou da formação original: Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue, Toca Ogan, e, claro, Pupilo e mais dois percussionistas nos tambores de maracatu.
Tocaram o álbum na íntegra e na ordem. A lamentar, apenas que o Bar Opinião permitiu a entrada de mias gente do que cabia. Estava excessivamente lotado, e pra fugir do empurra-empurra, cotoveladas e banhos de cerveja (que custava entre 14 e 16 reais!), a alternativa era ficar no mezanino, onde era possível se mexer, apesar de não ser possível ver o show.
Uma pena, pois mirar de perto Lúcio Maia tocar fogo na guitarra é uma das sete maravilhas da música brasileira atual.
Mas valeu pelos reencontros com vários amigos dos anos 90 que vivenciaram aquele boom sonoro que eclodia no país com Nação, Mundo Livre S/A, O Rappa, Planet Hemp, Cidade Negra, Skank, Jota Quest, Raimundos, Mestre Ambrósio e outros. Assim como eles, eu também…
“Eu vim com a Nação Zumbi
Ao seu ouvido falar
Quero ver a poeira subir
E muita fumaça no ar
Cheguei com meu universo
e aterrisso no seu pensamento
Trago as luzes dos postes nos olhos
Rios e pontes no coração”.

Jorge Du Peixe, vocalista da Nação Zumbi / Fernando Halal -
Bom Fim: comunidade vai ao governador pedir reabertura de posto da BM
Matheus Chaparini
O fechamento de um posto da Brigada Militar no parque Farroupilha está gerando uma mobilização intensa entre moradores e comerciantes do Bom Fim, em Porto Alegre.
Houve uma manifestação no final da tarde de quinta-feira (08) e um pedido de reunião com o governador já foi encaminhado ao Piratini para tentar achar uma saída para o problema.
“O bairro tem uma circulação de 90 mil pessoas durante a semana e mais de 140 mil aos sábados e domingos. Só isso já justifica a necessidade de se ter um posto fixo. É uma população maior do que muita cidade do interior”, comparou o presidente da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim, Carlos Alexandre Randazzo.
A BM designou uma unidade móvel para o parque, porém a reportagem do JÁ constatou que ela enfrenta os mesmos problemas argumentados pela corporação para encerrar as atividades do posto fixo – possui apenas um policial de plantão que utiliza o telefone particular para chamar uma viatura em caso de necessidade.
Pior, no micro-ônibus adaptado não há banheiro para o guarda, que sofre também com o calor no interior do veículo.
Diante da situação, a saída da comunidade foi um protesto que reuniu dezenas diante do prédio que abrigava a antiga unidade na quinta-feira para pedir a “reabertura já!”, que eram as palavras de ordem ditas no ato.
Os manifestantes colocaram uma lona preta ao redor do posto, em sinal de luto, e deram um abraço simbólico ao posto policial, desativado no dia anterior.
Motoristas foram solidários ao ato

Grupo promoveu um abraço ao prédio e interrompeu o trânsito da Osvaldo Aranha | JÁ
Durante alguns minutos, o grupo de manifestantes trancou o trânsito da avenida Osvaldo Aranha para chamar atenção da população. A intervenção contou com a compreensão dos motoristas. Vários passavam buzinando e gritando mensagens de apoio.
Apenas um motociclista impaciente tentou furar o bloqueio. “Se quiser, pode passar por cima”, argumentou Cláudio Freitas, conselheiro da região centro do Orçamento Participativo.
O impasse foi resolvido pacificamente.
A principal queixa da comunidade foi a falta de diálogo do poder público, que não comunicou previamente sobre o fim das atividades do posto.
Para Nara Maria Jurkfitz, moradora do bairro desde 1967, o fechamento foi arbitrário. “É mais um ato que demonstra a falta de ação do governo com relação à segurança.”
Guarda Municipal pode ser alternativa
Durante a manifestação, algumas ideias surgiram em relação ao que fazer com o prédio, que pertence à prefeitura de Porto Alegre. Uma saída possível seria a Guarda Municipal assumir o posto.
“É uma alternativa, mas não é a melhor. A solução é o retorno da Brigada”, opinou o vereador Valter Nagelstein (PMDB), cuja base eleitoral é a comunidade judaica do bairro.
Representante da Associação dos Amigos do Parque Farroupilha, Roberto Jakubaszko, fez coro à ideia e levantou ainda outras possibilidades, como a própria comunidade assumir o posto, através das associações. “Não podemos é ficar com esse posto parado e desocupado”, observou.
Nagelstein disse que a Câmara de Vereadores está à disposição para tentar uma solução no âmbito municipal, mas não descartou buscar medidas judiciais que obriguem o Governo do Estado a alocar recursos na Segurança Pública.
Posto foi conquista da comunidade

Nara contribuiu com a obra | JÁ
Durante a manifestação, eram distribuídos panfletos informando a população sobre o fechamento. Para além da questão da segurança, havia um desconforto com o fim das atividades porque o posto policial era “o marco do movimento comunitário do bairro”, segundo o texto.
O prédio foi erguido em 1987, através da mobilização dos moradores e comerciantes. “Construímos com o dinheiro da comunidade, o pessoal se cotizou, não teve quem não participasse”, afirmou a moradora Nara Maria Jurkfitz.
Em 2004, a unidade foi reformada, novamente com recursos da população local. Até mesmo um telefone celular foi doado, criando uma linha direta com os policiais de serviço.
“Muitas ocorrências eram atendidas diretamente, sem passar pelo 190”, recordou o presidente da associação, Carlos Alexandre Randazzo.
Bairros vizinhos se somam à pressão
Além das associações de amigos do bairro de do Parque Farroupilha, o movimento é composto por diversas entidades do Bom Fim e até de outros bairros.
“O posto era uma referência, oferecia segurança não só do Bom Fim, mas aos bairros do entorno”, argumentava o presidente da associação, Carlos Alexandre Randazzo.
Veja a lista completa dos integrantes do movimento:
Associação dos Amigos do Bom Fim
Associação dos Amigos do Parque Farroupilha
Associação dos Permissionários do Mercado Bom Fim
Associação dos Amigos da Avenida Venâncio Aires
Grupo Vizinhança na Calçada (Cidade Baixa)
Associação dos Amigos da Cidade Baixa
Conselho Tutelar (Micro 8)
Conselho de Usuários do Parque Farroupilha
Conselho Comunitário de Segurança do Bairro Bom Fim
Direção da Escola Estadual Anne Frank
Conselho Escolar do Anne Frank
Grupo de Moradores da Avenida Cauduro
Grupo de Empresários e Moradores do Bom Fim -
Segurança na Redenção: nova Unidade Móvel é precária e tem apenas um policial
Matheus Chaparini
Instalada há cerca de uma semana em frente ao auditório Araújo Viana, no Parque da Redenção, uma unidade móvel da Brigada Militar é elemento central na nova estratégia da corporação, que quer dar mais visibilidade às suas ações e trabalhar para atender mais rapidamente a população.
O micro-ônibus, que antes de chegar ao parque itinerava por Porto Alegre, é uma das contrapartidas da BM para a região diante do fechamento do posto de policiamento que ficava no estacionamento do Mercado Bom Fim. A outra é colocar os policiais anteriormente lotados no local a circular pelas ruas do bairro.
Segundo o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Marcus Vinicius Oliveira, a troca é benéfica para a comunidade, uma vez que o posto móvel permite que o guarda se desloque para atender chamados, o que era impossível no sistema anterior, pois o policial não podia abandonar o armamento guardado no local, precisando utilizar o telefone para chamar viaturas em caso de necessidade.
Mas na prática, o que a reportagem do JÁ constatou visitando o novo posto móvel é que pouca coisa muda na ação do brigadiano, que além de tudo, precisa lidar com a falta de infraestrutura do veículo adaptado para servir de base.
Por exemplo, embora o comandante da BM assegure que em emergências o plantonista pode passar a chave no veículo e sair para atender a ocorrência, o policial da unidade afirma que a orientação é para chamar reforço.
Mas é preciso usar o telefone pessoal, afinal, a corporação não fornece aparelho e linha funcionais, segundo o guarda, que não quis se identificar. “Também não tem rádio”, complementa.
Calor sem refresco
No dia em que o JÁ esteve na unidade, as rádios de Porto Alegre anunciavam sensação térmica em torno dos 35°C. Ao se aproximar, o repórter nota que o único brigadiano no interior do veículo está suando muito.
Recostado no assento, ele colocara uma garrafa plástica com um resto de gelo atrás da nuca para resfriar o corpo. “Pode entrar, só não repara o calor”, convidou.
No interior do micro-ônibus, a sensação passava tranquilamente dos 40°C.
Uma saída seria abrigar-se sob o toldo do micro-ônibus, na parte externa, onde há sombra e a temperatura é um pouco mais baixa. “Mas meu turno é de 12h, das não vou ficar todo o tempo de pé do lado fora”, contesta o policial.
Há outros problemas: “Não tem banheiro nem geladeira. Para tomar uma água, eu preciso ir até um bar e comprar”, exemplifica. -
Comunidade condena fechamento de posto da Brigada na Redenção
Matheus Chaparini
O fechamento do posto da Brigada Militar na esquina da avenida Osvaldo Aranha com a rua José Bonifácio – no estacionamento do Mercado Bom Fim – está gerando reclamações por parte dos moradores e comerciantes do entorno.
A unidade encerrou suas atividades nesta quarta, e segundo a comunidade, já vinha sendo pouco utilizada e não funcionava durante as 24 horas do dia há mais tempo.
Na tarde desta quarta-feira, a reportagem do JÁ foi até o posto e já não havia nenhum policial. A porta estava encostada lá dentro, sobrou apenas por parte da mobília. O prédio pertence à prefeitura e deve ser devolvido nos próximos dias.
O argumento do comandante do 9º BPM, tenente-coronel Marcus Vinícius Oliveira, para o fim das atividades é que o posto representa uma falsa sensação de segurança, pois o policial fica sozinho e não pode abandonar a estrutura para atender qualquer chamado.
“Ele vai ligar para o 190 ou chamar uma viatura, coisas que qualquer cidadão pode fazer pelo celular, sem precisar se deslocar até o posto”, observa.
Segundo o oficial, os quatro policiais que trabalhavam fixos no posto serão designados para o policiamento de rua ao longo da Osvaldo Aranha. “Quando criaram estes postos, eles eram o centro de referencia do bairro. Hoje, perdeu-se a função social deste modelo. Eu preciso que o policial esteja na rua, abordando, identificando pessoas em situação suspeita”, compara.
A mudança faz parte de um conjunto de medidas da BM que visa dar mais visibilidade às ações da corporação, além de permitir o pronto atendimento no policiamento.
Frequentadores não foram informados
Para Roberto Jakubaszko, da Associação dos Amigos do Parque Farroupilha, o principal motivo de descontentamento é a falta de comunicação prévia à comunidade.
“Estamos perplexos! Este posto foi concebido com apoio da comunidade, que se juntou, fez vaquinha, investiu e de repente fecha assim sem avisar? Merecemos um tratamento melhor”, condena.
Jakubaszko afirma que os moradores compreendem que há uma mudança na lógica do policiamento, mas sentiram excluídos do processo de decisão. “A Brigada está dando preferência a uma lógica de patrulhamento ostensivo. A gente até entende, mas gostaríamos de ter participado da discussão ou ao menos sermos avisados”, defende.
Para mostrar o descontentamento, moradores e comerciantes do Bom Fim e de bairros do entorno estão organizando um abraço ao posto nesta quinta-feira, 7, com concentração a partir das 18h.
Os manifestantes planejam também enrolar o prédio com lona preta, em sinal de luto. Está prevista ainda a interrupção do trânsito da avenida Osvaldo Aranha por cinco minutos para chamar a atenção de quem passa de carro.
O ato está sendo convocada por diversas entidades representativas dos moradores e comerciantes do Bom Fim, Rio Branco e Cidade Baixa.
Comerciantes se sentem inseguros

Bruno Zuanazzi acredita que o posto traz sensação de segurança ao comércio local | JÁ
No posto de combustíveis que fica em frente ao antigo posto da BM a certeza é que a simples presença dos policias já coibia ações criminosas. “Só de cortarem caminho com a viatura por dentro do posto ou virem tomar um café na loja de conveniência já dava uma sensação de segurança, se via que tinha polícia por perto”, comenta um funcionário.
Rhyan de Assis é funcionário da floricultura Flora do Sul, localizada no mercado do Bom Fim, há cerca de três anos. Ele diz que a presença do posto sempre trouxe uma sensação de segurança ao local, ainda que não desse conta de cuidar do restante do parque.
“Aqui sempre foi seguro, mas na Redenção é comum ter assaltos. Meu tio já foi assaltado quatro vezes vindo para cá”, afirma Rhyan.
Na última segunda-feira, após uma tentativa de assalto na Osvaldo Aranha, o assaltante fugiu correndo armado. Na fuga, passou pelos fundos do mercado do Bom Fim e acabou sendo preso no interior do parque.
Bruno Zuanazzi trabalha no restaurante Equilibrium e conta que um policial estava começando o almoço e teve de sair correndo para ajudar na busca.
Para Zuanazzi, o fechamento do posto policial prejudica os comerciantes locais. “Vai piorar bastante. Antes o assaltante sabia que aqui ia ter polícia e não agia. Agora ele já sabe que não vai ter”, lamenta. -
Projeto cultural vai recuperar 20 monumentos da Redenção
O Sinduscon-RS (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul) lançou em uma reunião-almoço, nesta terça-feira, 5, a terceira fase do projeto Construção Cultural, realizado em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre e o Ministério Público Estadual.
A exemplo do que aconteceu em edições anteriores, em 2016, o destaque do projeto será a restauração de monumentos no Parque Farroupilha. Dessa vez, está prevista a recuperação de 20 obras na Redenção incluindo estátuas bem conhecidas, como a do Gaúcho Oriental, que será também deslocada para a área do espelho d’água, e outras pouco lembradas, caso do Marco contra as Armas de Brinquedo.
O restauro dos 20 monumentos deve estar pronto até o meio do ano e vai custar R$ 247 mil, pagos pelas empresas Gerdau e Braskem através do abatimento em impostos feito via Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado.
O projeto cultural do Sinduscon possui ainda outras duas frentes de ação – a recuperação dos monumentos da Redenção é chamada de Resgate do Patrimônio Histórico.
As outras duas são Vidas em Construção, que promove uma série de debates sobre os conceitos de viver e habitar; e o SinduSom (que tem ainda uma versão jovem, o SinduSom Júnior), que traz uma agenda mensal de shows gratuitos no Teatro Sinduscon-RS.
Essa parte do projeto cultural é financiada diretamente por outros dois grupos empresariais, Nex Group, Melnick Even, além do próprio Sinduscon-RS, que desembolsarão R$ 250 mil.
A envergadura dos investimentos levou autoridades e empresários ao evento, incluindo o prefeito José Fortunati, que elogiou a iniciativa: “Não se pode pensar apenas sob a ótica do poder público. Para a construção de uma cidade melhor, o sentimento de pertencimento deve partir do indivíduo e das entidades”.
lista de Monumentos
Marco com as designações do Parque Farroupilha
Homenagem ao Esporte
Busto Luis Englert
Herma Alberto Bins
Marco contra as Armas de Brinquedo
Busto Jaime Pereira da Costa
Monumento a João Wesley
Monumento a Assis Brasil
Monumento Francisco Brochado
Imperatriz Leopoldina
Busto José Fainca Lubianca
Totem José Bonifácio
Marco Exposição Farroupilha
Busto Almirante Tamandaré
Busto Duque de Caxias
Busto Mascarenhas de Moraes
Busto Santos Dumont
Gaúcho Oriental
Marcos não catalogados (dois) -
Prefeitura lança edital para vender dez terrenos em Porto Alegre
Um grupo de trabalho está selecionando terrenos públicos pertencentes à prefeitura de Porto Alegre que serão postos à venda para reforçar o caixa do município.
O primeiro edital deve sair na próxima semana, mas o secretário da Fazenda, Jorge Luis Tonetto, adiantou ao JÁ que, neste primeiro lote, serão vendidos dez terrenos.
As vendas serão feitas por meio de licitação e a prefeitura espera arrecadar em torno de R$ 4 milhões.
O maior imóvel é um terreno de 1.800 m² no bairro Ponta Grossa.
Mas o lote inclui três terrenos no centro e áreas em outros bairros como Menino Deus, Camaquã e Vila Petrópolis.
O grupo de trabalho foi criado na metade do mês de março, quando o prefeito José Fortunati lançou um decreto de contenção de despesas em todos os setores e autarquias da prefeitura.
Além da venda de imóveis, o decreto suspende a realização de concurso público, as nomeações e a contratação de serviços terceirizados.
O GT é formado pelas secretarias municipais de Planejamento e Orçamento (SMPEO), de Gestão (SMGES) e da Fazenda (SMF), pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) e pelo Gabinete do Prefeito.
Um segundo lote já está sendo preparado. A princípio, serão mais oito terrenos, que podem render cerca de R$ 7 milhões aos cofres da prefeitura.
Entretanto, esta fase depende ainda da aprovação Câmara de Vereadores. Tonetto afirmou que espera que no segundo lote as vendas possam ser feitas por meio de leilão. “É muito mais rápido”, defendeu o secretário.
