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  • O enigma Romário, senador com 4,6 milhões de votos

    Um dos maiores fenômenos destas eleições é o ex-jogador  Romário, do Flamengo e da seleção brasileira.
    Eleito senador pelo Rio de Janeiro com a votação recorde  de 4,6 milhões de votos, Romário é um corpo estranho dentro do PSB, do qual esteve por se desfiliar. Recuou por intervençao de Eduardo Campos, o ex-governador de Pernambuco, candidto à presidência morto  num acidente aéreo.
    Romário  diz que o acordo firmado com Campos não tem sido cumprido pelo partido e se mostra descontente. Diz que ficou sozinho na campanha e dá a entender que vai decidir seu apoio no segundo turno de forma independente. Ele foi um crítico da organização da Copa do Mundo.
     

  • Política: Vice de Lasier Martins é o neto de João Goulart

    Não mereceu atenção o detalhe que pode ter feito a diferença na surpreendente e apertada vitória de Lasier Martins sobre Olívio Dutra: seu suplente é o advogado Christopher Goulart, neto do ex-presidente´João Goulart, deposto pelo golpe de 1964.
    Estreante na política, Lasier candidatou-se pelo PDT em homenagem ao pai, o mecânico de locomotivas  Antônio Pereira Martins, eleitor de Getulio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, os pais do trabalhismo. E levou como vice o neto de Jango.
    Esse detalhe do vínculo com o trabalhismo histórico talvez explique a vitória de Lasier, um politico estreante, aos 72 anos, sobre a grande liderança popular do Rio Grande do Sul que é Olívio Dutra, ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro, cujas origens políticas também se encontram nas vertentes do trabalhismo.

  • Eleitor tem 30 dias para justificar ausência nas urnas

    O eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral e que não se cadastrou para votar em trânsito tem até o dia 4 de dezembro para justificar sua ausência no pleito. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a orientação, neste caso, é preencher o Requerimento de Justificativa Eleitoral e entregá-lo em um dos locais destinados ao recebimento.
    O formulário pode ser obtido gratuitamente nos cartórios eleitorais, nos postos de atendimento ao eleitor, no site do TSE e no site dos tribunais regionais eleitorais. Hoje (5), o eleitor ainda pode conseguir o formulário nos locais de votação ou de justificativa. É necessário apresentar um documento oficial com foto e o número do título eleitoral.
    O TSE ressalta que, se o requerimento for entregue com dados incorretos ou que não permitam a identificação do eleitor, o documento não será considerado válido para justificar a ausência nas urnas. Quem não estiver em dia com a Justiça Eleitoral não poderá, por exemplo, obter passaporte ou carteira de identidade; participar de concursos públicos; e obter empréstimos em estabelecimentos mantidos pelo governo.
    (Paula Laboissière – Agência Brasil)

  • Nova Lei das Antenas em Porto Alegre ignora “princípio da precaução”

    A legislação ambiental de Porto Alegre sofreu um revés com a alteração da Lei das Antenas, proposta pelo Executivo, aprovada pela Câmara Municipal em julho e sancionada pelo prefeito José Fortunati dia 30 de setembro.
    Como tem sido comum quando os assuntos são polêmicos, o prefeito desapareceu e deixou o secretário Edemar Tutikian, do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais, atendendo a imprensa.  Antes de sair, o prefeito declarou: “Não tenho dúvidas de que Porto Alegre está à frente nesta área da telefonia”.
    Para Tutikian, “a principal e grande mudança apontada na lei é a garantia da proteção à saúde das pessoas”, porque o texto restringe os níveis de emissão das ondas eletromagnéticas em apenas 10% dos índices permitidos pela lei federal para locais críticos como escolas, creches, hospitais e clínicas médicas.

    Secretário Tutikian e técnicos consultados para novo texto / Foto Evandro Oliveira/PMPA
    Secretário Tutikian e técnicos consultados para novo texto / Foto Evandro Oliveira/PMPA

    A lei anterior de Porto Alegre, de 2002, simplesmente proibia a instalação de antenas em locais como esses, pois crianças e doentes são os mais vulneráveis aos riscos da radiação.
    A nova lei prevê medição a cada seis meses dos níveis de radiação nos locais críticos, tanto pelas operadoras, como pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, responsável pela fiscalização, a qualquer momento.
    A realidade, porém, não está na lei: a Sman não tem pessoal nem equipamentos suficientes para cumprir este papel. Nem é papel da Prefeitura “exigir das operadoras mais investimentos no setor”, como quer o prefeito.
    De acordo com Tutikian, uma das preocupações do projeto foi facilitar o acesso ao cidadão às informações do sistema, o que poderá ser feito num hot site na página da Smam na internet.
    Tanto a regulamentação da lei como este sistema de informações têm 90 dias para acontecer, prazo que acaba às vésperas do Ano Novo.
    Outra mudança na lei foi quanto ao licenciamento. “Para agilizar o processo”, as consultas administrativas foram reduzidas de sete para três etapas. O pedido vai passar pela Comissão de Análise Urbanística e Ambiental das Estações de Rádio Base (Cauae), formada por técnicos de diversas secretarias municipais, responsável por autorizar a instalação de novas antenas. A previsão é que uma licença única seja emitida pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente em no máximo 90 dias. Pura teoria. Há muito mais antenas do que a Sman consegue fiscalizar.
    Os cientistas contestam a nova lei
    O secretário Edemar Tutikian destacou a orientação da Organização Mundial da Saúde, desde 2011, para seguir o princípio da precaução, devido às conclusões da comunidade acadêmica em vários países, de que tais radiações aumentam o risco de câncer. “O risco provável não está no número de antenas, mas no índice de radiação”, entende ele.
    Porém, as pesquisas mais consistentes no mundo associam um aumento significativo de risco à proximidade das antenas por longos períodos de tempo. E não se referem “apenas” a diversos tipos de câncer, mas também a insônia, depressão e outros distúrbios. Como as operadoras pagam pelo espaço, muitos condomínios aceitam uma antena no topo dos prédios.
    Em comparação com a lei anterior, algumas mudanças na lei de Fortunati sintetizam que o princípio da precaução recomendado pela OMS está sendo desprezado.
    Antes, as antenas tinham que estar a no mínimo 500 metros umas das outras, e no mínimo a 50 metros de qualquer lado do terreno. Também não podiam em hipótese alguma ser instaladas em terrenos de creches, escolas, hospitais, geriatrias.
    A nova lei diz que pode, sim, e mais: agora só é considerada “torre” a antena que estiver a 20 metros de altura ou mais. Ou seja, basta às operadoras deixá-la alguns centímetros abaixo e já descem para outra classificação.
    O engenheiro elétrico e pesquisador da UFRGS, Álvaro Salles, faz a pergunta que o governo municipal não responde: “Se as reclamações dos usuários de celular devem-se à lei de Porto Alegre, equiparável à da Suíça, então porque os telefones também não funcionam direito nas cidades que não criaram legislação própria?”

  • Loja mais antiga do Bom Fim ameaçada por demolição

    A demolição de um prédio antigo na avenida Osvaldo Aranha está ameaçando o edifício ao lado, em cujo térreo funciona a loja “Ao Crochet” a mais antiga do Bom Fim, fundada em 1935.
    As proprietárias do Ao Crochet, as irmãs  Raquel e Regina Katz, que moram no edifício, estão preocupadas. Temem até que a estrutura do prédio possa ser abalada, tal o impacto da demolição, inclusive com rachaduras nas paredes, avarias no telhado e no encanamento.
    A construção já demolida tinha dois andares espremidos entre dois prédios semelhantes, numa nesga de terreno, de cinco metros de frente por 50 metros de comprimento. Abrigava no térreo a loja Dennys, de moda feminina.

    Terreno da antiga loja Dennys
    Terreno da antiga loja Dennys

    Um cartaz indica que a obra está sob a responsabilidade da Fundasolos, uma empresa de 37 anos, com 8 mil obras em seu currículo.
    Até o fechamento da edição não conseguimos contato com a empresa.

  • Tiroteio no Bom Fim: Polícia ainda não tem pista da quadrilha

    A Polícia não tem qualquer pista do grupo que atacou na sexta-feira passada os caixas eletrônicos no Supermercados Zaffari, na rua Fernandes Vieira, bairro Bom Fim, em Porto Alegre
    O delegado Joel Wagner, que comanda as investigações, disse ao JÁ que “talvez demore um pouco”.
    As imagens colhidas pelas câmeras internas, até o momento, não permitiram qualquer reconhecimento.
    Mesmo as imagens que vazaram para a imprensa não renderam nenhuma informação que pudesse levar à identificação de qualquer um dos quatro homens que aparecem.
    Isso reforça a hipótese que o grupo, ou pelo menos os líderes, sejam de fora. O delegado Wagner acredita nisso. “Alguns deles, pelo menos”. O delegado Abílio Pereira concorda e acha que a precipitação na abordagem, que acabou frustrando o assalto, pode ser sinal de inexperiência.
    O ataque ocorreu no início da manhã de sexta-feira, 27 de setembro.
    Mais de cem tiros e armas pesadas foram disparados no confronto entre os assaltantes e  os vigilantes que escoltavam os malotes de dinheiro.

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    Marcas de tiros nos…

    2014-09-27 15.11.50
    … caixas eletrônicos

    Marcas de tiros na entrada e nos caixas eletrônicos
    … e numa das entradas do supermercado

    A polícia diz que o assalto foi frustrado, os bandidos nada levaram. “Eles erraram o bote”, diz um investigador. “Foi a reação do colega que surpreendeu eles”, disse o vigilante que na terça feira reforçava a segurança no local.
    Segundo ele, quando os homens avançaram atirando, um dos vigilantes atirou e acertou no peito de um deles. O colete à prova de bala salvou-o, mas o bandido recuou. Os vigilantes então se entrincheiraram atrás dos caixas eletrônicos e o tiroteio foi ouvido em toda a rua.
    O delegado Abílio Pereira, que ouviu os guardas da Prossegur no dia, confirma: os bandidos se precipitaram e começaram a atirar ainda de dentro da garagem, os guardas tiveram tempo de se proteger e revidar. “Se eles tivessem chegado em cima, os guardas não teriam como reagir”, diz o delegado.
    Ele foi a primeira autoridade a chegar ao local.  Por casualidade, estava chegando ao supermercado, para comprar café. Estava com o carro da polícia, com o motorista, não quis entrar no estacionamento.
    Estacionou na calçada vinte metros antes. Desceu, andou uns metros, ouviu o pipocar dos tiros. Correu de volta ao carro para pegar uma arma, mas já os dois carros dos assaltantes saiam cantando os pneus.
    Pouco antes das nove horas, um Focus prata subiu a rampa da garagem do Zaffari. O motorista manobrou e deixou-o ao fundo, bem de frente para a rampa de saída. Tinha cinco homens dentro, mas os vidros escuros não deixavam ver. Um deles desceu e foi checar o banheiro, do outro lado. Encontrou a faxineira lavando o chão.  Mostrou a arma e disse: “Fica aí e não sai”. Ela se encostou na parede e ficou tremendo. Em seguida ouviu os tiros, os gritos, a correria.
    O carro forte da Prossegur encostou minutos antes das nove horas na frente do supermercado. O chaveiro “Gaúcho”, do seu quiosque na esquina, viu tudo. Saltou um guarda com a escopeta, olhou ao redor, em seguida desceram outros três com revólveres, um com o malote de dinheiro na mão. Tensos, olhando pros lados, atravessaram a rua e entraram no supermercado para alcançar a escadinha que leva ao primeiro andar, onde funcionam um café, uma loja de telefones e uma loja de chaves e fechaduras, junto à porta que dá para a garagem e os caixas eletrônicos, três do lado de dentro, um do lado de fora.
    Estima-se que no mínimo 100 mil reais seriam colocados nos caixas, para o fim de semana. O chaveiro prestou atenção num homem encostado numa árvore que falou ao celular e se afastou rapidamente. Ele acredita que aquele era um dos comparsas avisando que os guardas estavam subindo com o dinheiro.
    São quatro caixas eletrônicos: Banrisul, Banco do Brasil e Banco 24 Horas na parte interna, separada da garagem por uma porta pantográfica automática, e um do Bradesco junto à parede da garagem.
    “Pressenti qualquer coisa errada nele”
    Os policiais da Delegacia de Roubo procuram um homem de 1,70 m, mulato, magro, musculoso, “com cabeça de nordestino”. Ele é, possivelmente, o chefe do grupo.
    Assaltante não foi identificado
    Assaltante não foi identificado

    A descrição do suspeito foi montada a partir de diversos testemunhos de pessoas que o viram (algumas falaram com ele) nos dias anteriores ao tiroteio que apavorou o Bom Fim.
    A imagem do assaltante, captada pelas câmeras de segurança, está um pouco deformada, parece gordo, tem o rosto parcialmente encoberto, até agora tem sido insuficiente para a identificação.
    Na véspera, à tarde, ele circulou numa moto pelas ruas no entorno do supermercado, usava um capacete velho e um surrado colete de motoboy. Fez perguntas sobre o trânsito (como se procurasse um endereço), queria saber onde havia um posto da Brigada Militar.
    “Pressenti alguma coisa errada nele, tinha um olhar de mau”, diz o chaveiro Gaúcho, que há 30 anos é uma referência na esquina defronte ao Zaffari.
    Rotina violenta
    Às onze da manhã o sargento Mello já registrava a sexta ocorrência do dia. O furto de um celular, um homem com uma pedra que ameaçava os transeuntes, dois rapazes em atitude suspeita que os guardas do parque da Redenção trouxeram algemados…
    O sargento comanda o postinho da Brigada Militar no parque. É um cubículo construído pela comunidade, junto ao mercadinho Bom Fim.
    Ele dispõe de um rádio, para falar com a central do policiamento da capital, um telefone por onde recebe as denúncias e um computador, que no momento não está funcionando.
    “Está bem tranquilo”, diz o sargento enquanto finaliza a anotação no boletim de ocorrência.
    Num sábado assim, de sol, em que o parque se enche de gente, seis ocorrências até as onze horas “é pouco”, repete o sargento, do alto de seus 23 anos de policiamento ostensivo da Brigada Militar.
    A redução das ocorrências começou há um mês, com a vinda reforços do interior, em rodízio. A cada mês vem um contingente de 200 homens para a capital.
    Isso permite, por exemplo, colocar mais duas viaturas no entorno e mais duas duplas de policiais com bicicleta ou moto no interior do parque.  É o que fez diminuir as ocorrências na área no último mês.
    É um cobertor curto, porque no interior também falta policiamento, Mas não há melhor solução à vista.
    Uma unidade como o 9º  Batalhão, que responde pelo policiamento em 14 bairros, onde vivem quase 300 mil pessoas,  tem  300 homens para um serviço que é exigido 24 horas por dia.
    Há dez anos o 9º Batalhão tinha mais de mil soldados.
    A falta de policiais não é privilégio do Bom Fim ou da região atendida    pelo 9º BPM.
    Estima-se que o contingente da Brigada Militar está desfalcado em cinco mil homens.
    Depois de quatro anos, a Brigada Militar, que responde pelo policiamento ostensivo em todo o Rio Grande do Sul, está fazendo um concurso para admitir mais dois mil soldados, menos da metade do que precisa para completar seu efetivo.
    Inscreveram-se vinte mil candidatos, 17.400 compareceram, porém apenas 2.500 foram aprovados nas provas de conhecimentos.
    Desses, mais de 400 caíram no exame físico, ainda falta o psicotécnico e outros.
    Provavelmente restarão pouco mais de mil, que serão incorporados em janeiro de 2015. Quando forem para as ruas, depois de oito meses de treinamento, já não preencherão sequer as vagas dos que se aposentaram ou se afastaram naquele ano.
    POLÍCIA CIVIL
    Três investigadores para dez bairros
    A Décima Delegacia, um prediozinho de tijolo aparente na tranquila rua Jacinto Gomes, é para convergem todas as ocorrências de dez bairros, que abrigam mais de 200 mil moradores.
    Há dez anos, a Décima tinha 34 funcionários, hoje tem 14, dos quais somente três são investigadores.
    Nos três cartórios que ali funcionam, atendidos por seis funcionários, tramitam dez mil processos. As salas são cubículos, com móveis velhos, cadeiras quebradas. Há carência de gente, de equipamentos, de espaço.
    “Esse prédio é uma vergonha. Isso aqui seria uma bela casa para um casal de idosos, mas uma delegacia…”, diz o titular da Décima, delegado Abílio Pereira, que já anunciou sua aposentadoria no fim do ano, depois de 36 anos na polícia.
    O delegado considera que a situação da segurança está “fora de controle”. “Nessa região aqui tem uma legião de delinquentes, de todo o tipo, de todo o lado, aplicando golpes, roubando, agredindo.”
    O delegado acha que, além da precariedade do aparato de segurança, há uma causa fundamental no aumento da delinquência: a impunidade. “Essa é a lenha da fogueira”, diz.
    Muitos já nem procuram a polícia
    O comissário Gerson está de pé atrás da mesa. Tem um ar cansado, mas é gentil. “Me diga um lugar onde a violência não está aumentando que eu vou pra lá”, brinca ele.
    O comissário Gerson tem 53 anos, entrou aos 16 para polícia. Já trabalhou em todas as delegacias de Porto Alegre. Cristal e Glória foram as últimas, antes da Décima. “Não dá pra comparar: aqui é mais tranquilo”.
    Ele diz que um foco de tensão se localiza na Vila Planetário, que resultou da regularização de uma antiga invasão. “Mas é pequeno, sob controle”.
    O comissário diz que viveu duas polícias: uma até 1988, autoritária, arbitrária muitas vezes; outra depois da nova Constituição, mais limitada. Tem dúvidas se houve melhoras.
    Hoje, ele deixou as ruas e como burocrata percebe que a violência se banalizou: o serviço interno diminuiu porque as pessoas, sabendo que a polícia não vai conseguir fazer nada, já não se dão ao trabalho de registrar as pequenas ocorrências.

  • Pepsi está fora dos parques da Redenção e do Gasômetro

    Contrato de adoção do parque  vence em 1º de outubro. A empresa já informou que não vai renovar.
    Quando foi assinado, em abril de 2008, o acordo mereceu discursos e notícias.
    Agora, está sendo desfeito, em silêncio. Nesta segunda-feira 29, nem a assessoria de imprensa da SMAM tinha a informação.
    O contrato envolvia a Secretaria Municipal de Meio Ambiente  e a Pepsico, fabricante de refrigerante, que assumiu a manutenção do Parque da Redenção, através do programa  “Adote uma Praça”.
    Foi anunciado que, no primeiro ano, a empresa investiria 600 mil reais na iluminação e outras melhorias do parque, entre elas uma “academia de ginástica para a terceira idade”, com dez aparelhos para exercícios físicos ao ar livre,  e a instalação de dois “chimarródromos”, equipamentos que fornecem automaticamente água quente para o chimarrão dos frequentadores do parque.
    Em contrapartida a Pepsi ganhou um espaço no mercado Bom Fim, onde funciona um café sob franquia,  colocou sua marca nos equipamentos instalados dentro do parque e  ganhou um ponto de vendas na área central.
    A “academia da terceira idade” é um sucesso, os equipamentos atraem também a criançada ( apesar da advertência de que são impróprios para crianças) e tem uso permanente. Agora talvez fiquem sem manutenção.
    Os chimarródromos, que fornecem água quente para o chimarrão, são também muito demandados, mas tem problemas de funcionamento na parte eletrônica que regula a temperatura a água, que certamente vão se agravar.
    Um dos problemas mais sérios com o fim do contrato de adoção do parque pela PepsiCola será o corte  de seis operários da Cootravipa, que trabalham na limpeza do parque, pagos pela empresa.
    Com isso, os serviços de manutenção do parque, para os quais já falta gente, podem ficar precários.
    Também o parque do Gasômetro, adotado no mesmo contrato, fica sem patrocinador.
    A Sinergy, empresa de mídia externa que intermédia o contrato entre a Pepsico e a Prefeitura, pretende continuar no negócio, buscando um outro patrocinador para adotar o parque. “Ainda não temos ninguém em vista, mas vamos prospectar novos parceiros”, disse ao JÁ o diretor da Sinergy, Aloisio Dias.
    É previsível que um dos interessados seja a Coca Cola, que já havia instalado uma trincheira na Redenção ao associar-se à Opus no Auditório Araújo Viana, junto com a OI.
    (Elmar Bones)

  • Panfletagem em Copacabana alerta que maconha também é remédio

    Pais e parentes de pessoas que poderiam ser tratadas com medicamentos derivados da maconha andaram por Copacabana, no Rio, na tarde de domingo, em ato pelo acesso aos remédios, com a legalização das substâncias pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, a importação de medicamentos sujeitos a controle especial, sem registro no país, por pessoa física, só é possível por meio de pedido excepcional de importação para uso pessoal.
    O grupo distribuiu cartilhas que abordam casos em que os remédios podem auxiliar o tratamento de algumas doenças e conversou com as pessoas que passavam, pela orla de Copacabana, sobre os argumentos em defesa de medidas que facilitem o comércio e diminuam os preços. Segundo o engenheiro Marcos Fernandes, de 31 anos, a liberação da importação para uso pessoal não resolve o problema, pois o gasto que se tem com a compra é muito elevado para grande parte dos brasileiros.
    “O importante é regulamentar não só o uso medicinal, mas também o plantio e a produção dos derivados da maconha. Gasto R$ 1 mil por mês importando. A maioria das pessoas não tem a condição de pagar, e a gente pode conseguir baratear plantando no Brasil”, defendeu.
    Ele conta que sua filha, de 6 anos, sofre de síndrome de Rett e parou de ter convulsões fortes desde que começou a tomar o canabidiol. Antes, as crises eram constantes: “Ela está melhorando muito”, comemora.
    A empresária Deolinda da Rocha Rodrigues, de 49 anos, também conseguiu autorização de uso pessoal para importar o remédio para a filha de 23 anos, que sofre convulsões de difícil controle há 20 anos. Desde que o remédio passou a ser administrado, há menos de um mês, a jovem não teve mais consulsões: “Minha filha não conseguia ir ao banheiro sozinha.” Ela chegava a ter de 30 a 50 crises convulsivas por dia. “Ela é especial, estava chateada e se sentia prisioneira.”
    Durante os 20 anos com tratamentos convencionais, ela conta que a filha sofria com queda de cabelo, perda de apetite, enjoo e outros efeitos colaterais. “Quando as pessoas ouvem que é derivado da maconha, elas se assustam, mas quando você explica, elas entendem. O importante é explicar”, argumenta ela, que defende que o governo federal custeie a importação do canabidiol, enquanto não regulamenta a produção em território nacional.
    No Senado, a Comissão de Direitos Humanos está fazendo uma rodada de audiências públicas para avaliar a legalização da maconha no Brasil. (Com informações da Agência Brasil/EBC)

  • Um novo Brasil no "País Chamado Favela"

    No turbilhão das campanhas eleitorais no país, um novo Brasil foi apresentado aos brasileiros na semana que passou, com o lançamento do livro Um País Chamado Favela, de autoria do publicitário Renato Meirelles e do empreendedor social Celso Athayde (Ed. Gente).
    Athayde, carioca, é fundador da Central Única das Favelas – CUFA, instituição reconhecida pelo trabalho com jovens de periferias de mais de 300 cidades e 17 países; autor de três livros com grandes tiragens – “Falcão – Menino do Tráfico”, “Mulheres e o Tráfico” e “Cabeça de Porco” e, hoje, diretor executivo da Favela Holding Participações, um grupo de empresas que investe em negócios para desenvolver as comunidades carentes.
    Considerado um dos maiores empreendedores sociais do país, Celso lançou recentemente o conceito do “Setor F”, que reflete sobre a economia da favela como uma revolução social. “O modelo social adequado não é aquele que todos são ricos, mas que todos têm oportunidades”, analisa.
    Meirelles, diretor do Instituto Data Favela, instituição referência em pesquisas das classes C, D e E. Considerado um dos maiores especialistas em mercados emergentes do Brasil, foi colaborador do livro “Varejo para Baixa Renda”, publicado pela Fundação Getúlio Vargas, e conduziu mais de 300 estudos sobre o comportamento do consumidor tendo atendido empresas como P&G, Febraban, TAM, C&A, Vivo, Caixa, SEBRAE e Ambev.
    Em setembro do ano passado, o publicitário coordenou a maior pesquisa já feita sobre as favelas brasileiras, que incluem também bairros de periferia. Sua equipe percorreu 63 favelas e entrevistou dois mil moradores para mapear a visão de mundo e os padrões de consumo destes milhões de brasileiros que, agrupados, formariam o quinto maior estado brasileiro, maior que a população do Rio Grande do Sul. O resultado revela outros números impressionantes, e desconhecidos sobre “uma nova classe média brasileira”.

    O livro/Edissa Waldow/FamecosPUCRS
    Livro traz dados da pesquisa/Edissa Waldow/FamecosPUCRS

    Os dados foram apresentados de forma resumida no dia 22 de setembro na PUC de Porto Alegre, durante a realização do SET Universitário que a Faculdade de Comunicação Social (Famecos) realiza todos os anos. Já está na 27ª edição.
    Os autores foram os palestrantes da abertura do SET com o tema Que Brasil é esse que construímos? Tiveram a companhia de Eduardo Lyra, 26 anos, cujo depoimento ilustrou a revolução social que ocorre nas favelas. Filho de um ex-drogado e ex-criminoso, Lyra não se deixou levar pelo ambiente ruim que o cercava desde o nascimento, tomou como exemplo de vida as lições de sua mãe, tornou-se jornalista e escritor, autor de Jovens Falcões. Fundou o Instituto Gerando Falcões e por meio do hip hop, dança de rua, teatro e literatura, já tocou a vida de mais de 200 mil jovens de comunidades. Se não bastasse, foi eleito pelo Fórum Econômico Mundial, um dos 15 jovens brasileiros que pode melhorar o mundo e saiu na lista da revista Forbes Brasil como um dos 30 jovens mais influentes do País, sendo o único de periferia.
    Palestrantes /Edissa Waldow/FamecosPUCRS
    Palestrantes na abertura do SET/Edissa Waldow/FamecosPUCRS

    Meirelles apresentou a nova classe média brasileira, mais rica que 54% da população mundial. Disse que o Brasil mudou muito nos últimos dez anos, sendo que a renda dos 25% mais ricos cresceu 12,8%, enquanto a renda dos 25% mais pobres cresceu 44%. A estrutura do país passou da pirâmide social para um losango social, com mais gente nas classes C, D e E, a nova classe média. Isso significou uma enorme transformação no perfil do consumidor e no mercado de comunicação.
    “O controle da inflação e o crescimento dos empregos formais no país deram origem à nova classe média, ou classe C, que tem renda de R$ 320 a R$ 1.120 por pessoa da família”, afirmou.
    Outra questão interessante levantada pelo publicitário é que as classes ricas A e B, que representam 5% da população com renda de R$ 10 mil, não se reconhecem como ricas. Se veem como classe média e, por isso, se sentem incomodadas quando percebem a ascensão das classes C, D e E.
    Ele ressalta que a mobilidade de classes econômicas no Brasil aconteceu de baixo para cima. “Hoje, 44% das classes A e B representam a primeira geração com dinheiro da família. Os avós e os pais não tinham uma boa renda, mas ele tem. São milhões de brasileiros que têm o modo de pensar da classe C e o bolso da classe A”, disse.
    Athayde e Meirelles, atualizam as informações a respeito deste universo gigantesco / Foto Divulgação
    Athayde e Meirelles, os autores / Foto Divulgação

    “Renda dos moradores das favelas brasileiras é de R$ 64,5 bilhões, quase o consumo do Paraguai e Bolívia, juntos”
    Nesse contexto, segundo Meirelles, os territórios que eram completamente invisíveis ganharam força. “As favelas, locais de exclusão, de ocupações, são os consumidores antes invisíveis que agora tem poder de compra. Nas favelas, 53% das pessoas já passaram fome. Mas o quadro está mudando. O Brasil tem 14 milhões de pessoas morando em favelas. Se existisse um estado da federação chamado Favela, seria o 5º maior do país. Há mais favelado do que pessoas morando aqui no Rio Grande do Sul. A renda anual desses moradores de favelas é de R$ 64,5 bilhões. Essa renda é quase o consumo total do Paraguai e Bolívia. E, acreditem, ainda é invisível para muitas empresas, inclusive veículos de comunicação. As empresas não sabem se aproximar desse novo consumidor”, revelou.
    A expectativa é de que a favela continue melhorando porque a vontade de empreender lá dentro é muito grande, segundo o publicitário. “Nas favelas, 28% dos moradores têm intenção de um dia abrir seu próprio negócio, 81% gostam de viver na favela onde estão, 62% declaram ter orgulho de pertencer à comunidade onde moram e 2/3 não gostariam de mudar para outro bairro, sendo que apenas 16% acham que a favela onde moram vai ficar mais violenta e 76% acreditam ela vá melhorar”, completa.
    Cleber Dioni Tentardini

  • Globo X Dilma: antítese da postura profissional correta

    SILVANA ASSUMPÇÃO*
    É imprescindível, para quem não fez isso na hora pela TV, assistir ao vídeo da entrevista com Dilma Rousseff no Bom Dia Brasil, dia 27/9. Foi um (mais um) espetáculo deplorável da miséria intelectual dos jornalistas da Globo e, sobretudo, de sua falta de educação para com a presidente da República – que aliás deu brilhante volta na determinação deles de desqualificá-la.
    Ressalto, de saída, a grosseria de Miriam Leitão, que já começou cumprimentando secamente a entrevistada com um “olá”, como faria com uma vizinha não muito apreciada que encontrasse no elevador. Uma entrevista jornalística exige certa formalidade, especialmente se feita com um/a chefe de Estado e pela TV, para milhões de espectadores. Mas Miriam deu-se até mesmo à liberdade de dizer na lata para a presidente Dilma, ao fim de uma resposta desta, que o argumento dela “não fazia sentido”; desferiu assim de chofre um juízo de valor sobre o raciocínio da interlocutora. Dilma acabava então de expor seus argumentos para sustentar o tom que vem adotando contra Marina em sua campanha (e com o qual, de resto, eu também não tenho concordado, mas gostei muito de ouvir o ponto de vista da presidente e jamais o desqualificaria como fez a jornalista).
    Uma boa entrevista é aquela que, com perguntas bem colocadas, leva a pessoa que responde a se contradizer, se for o caso, a ir mais longe do que pretenderia e a se revelar mais do que gostaria. Um bom jornalista sempre procura tirar mais do entrevistado do que este estaria disposto a dizer, mas faz isso sem extrapolar os limites de seu papel como entrevistador, proferindo julgamentos sobre as respostas recebidas.
    Existem os espaços adequados para o jornalista manifestar sua opinião – no texto de abertura da entrevista, seja impresso ou falado, ele pode dizer, por exemplo, que o entrevistado titubeou, se contradisse, se irritou, fugiu da resposta, ficou nervoso etc, fazer enfim as observações que achar pertinentes. Mas agir como agiu Miriam Leitão, cara a cara com a presidente, foi de suma petulância e grosseria, a antítese do que seria uma postura profissional correta. A jornalista assumiu-se como se estivesse ali para “debater com” e não para entrevistar a convidada do programa, o que significaria em primeiro lugar ouvi-la sem a destratar.
    Miriam inclusive tem espaços de sobra para manifestar suas opiniões, em sua coluna impressa e programas de rádio e TV, muito frequentados por quem tem estômago para suportar sua indigência intelectual, suas análises pífias, seus lugares comuns sobre economia. Só continua a haver tão pouco entendimento no Brasil sobre a crise econômica global porque predomina entre os chamados formadores de opinião, sobretudo entre os jornalistas pretensamente “especializados”, a recusa mais obstinada a enxergar o que está diante de todos os olhos. Tais “especialistas” continuam a exercer sua pseudocrítica refugiando-se na operacionalidade dos movimentos diários da economia e das finanças, sempre dispostos a transformar o discurso sobre a crise numa cantilena redutora, repetindo o blá-blá-blá dos “consultores de prontidão” sobre os “humores” do mercado e outras baboseiras. Com suas “análises”, a jornalista tentou vir pra cima da presidente com a tese ridícula de que a economia mundial vai muito bem (!), e só mesmo o Brasil, por culpa do governo dela, enfrenta problemas de crescimento!
    Eu sempre considerei a presidente Dilma péssima de comunicação, confusa e truncada em suas falas, e tenho também muitas críticas ao governo do PT. Mas nessa entrevista a presidente se mostrou melhor articulada do que nunca e deu um banho de conhecimento da situação real do Brasil e do mundo nos jornalistas ali postados para bombardeá-la. Dilma argumentou muito bem, brigou pelo espaço, interrompeu as perguntas capciosas tanto quanto os jornalistas tentaram interromper suas respostas, e nesse sentido a entrevista afinal funcionou otimamente. A presidente se expôs mais, inclusive seu lado mais briguento e impositivo, falou mais e melhor do que em qualquer outra entrevista ou debate que eu tenha visto, e no meu entender sua imagem só se engrandeceu. O tiro da Globo saiu pela culatra (mais um).
    A entrevista: http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/t/edicoes/v/bom-dia-brasil-entrevista-dilma-rousseff-primeiro-bloco/3645043/
    * Jornalista