Categoria: X.Categorias velhas

  • Dilma diz que regulação da mídia será tema do segundo mandato

    (Do FNDC)
    Afirmação foi feita durante entrevista coletiva concedida a blogueiros progressistas na tarde desta sexta (26/9). Para ela, o setor, como qualquer outro, tem que ser regulado.
    A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, afirmou há pouco, durante entrevista coletiva a blogueiros progressistas no Palácio do Planalto, que a regulação econômica da mídia será um dos temas do seu segundo governo. “É um setor como qualquer outro, que tem que ser regulado”, defendeu. Ela já havia sinalizado essa intenção anteriormente, mas a assertiva durante a coletiva dá um novo ânimo aos movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação no Brasil.
    A regulação econômica da mídia visa a limitar a concentração da propriedade dos meios de comunicação, conforme estabelece o Art. 220, § 5º, da Constituição, evitando a formação de oligopólios e desativando os já existentes. No Brasil, apenas seis famílias controlam 90% do mercado de comunicação. “Isso já foi feito em outros países democráticos. No Brasil, tenta-se confundir a regulação econômica com controle de conteúdo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, enfatizou a presidenta.
    Dilma ainda se comprometeu a fazer a regulamentação de outros dispositivos constitucionais da comunicação, como o Art. 221, que no inciso II prevê estabelece a promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente. Nesse ponto, a presidenta citou como referência a Lei da TV por Assinatura (Lei 12.485/2011), que entre outras coisas estabelece cotas de conteúdo nacional e audiovisual independente nos canais pagos. “Existe diversidade cultural e regional que precisa ser respeitada. Isso é comum em diversos países democráticos”, observou.
    Para Rosane Bertotti, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a declaração da presidenta representa um avanço por pautar novamente o tema. “Ela já tinha, inclusive, falado sobre isso durante o debate promovido pela campanha Banda Larga é um Direito Seu. Essa disposição do governo em fazer a regulação é bem-vinda, principalmente se tiver participação social e, mais ainda, se for além do aspecto econômico. Nos dá um ânimo novo para nos articular e pressionar o governo pela garantia dos princípios constituições  relativo a comunicação”.
    Bia Barbosa, coordenadora do Intervozes e membro da Comissão Executiva do FNDC, a declaração também é positiva, mas é preciso avançar também na regulação de conteúdo, determinando, por exemplo, o tempo máximo de publicidade na grade da programação, o tempo mínimo de duração do conteúdo jornalístico e outras questões, como a programação regional já mencionada por Dilma Rousseff. “Isso não tem nada a ver com censura”, ressalta.
    Luciana Genro defende Lei da Mídia Democrática
    A também candidata à presidência Luciana Genro (PSOL) gravou depoimento em apoio à campanha Para Expressar a Liberdade, que propõe a aprovação de um projeto de lei de iniciativa popular da Comunicação Eletrônica, a Lei da Mídia Democrática. O projeto estabelece mecanismos para combater o oligopólio na mídia, garantir diversidade de conteúdo e pluralidade de vozes e assegurar liberdade de expressão de todos e todas.
    Assista aqui ao depoimento
    Acesse aqui o PLIP da Mídia Democrática

  • Seringueiro diz que florestas públicas foram privatizadas por 70 anos

    Luiz Carlos Azenha (*)
    Osmarino Amâncio não é tão conhecido como Chico Mendes. Mas, se há alguém que manteve seu contato com a floresta desde o assassinato do companheiro de lutas, em dezembro de 1988, em Xapuri, no Acre, foi ele. Ainda hoje Osmarino ocupa uma casa de madeira, coberta com palha, no interior de uma reserva extrativista criada como resultado da luta travada por toda uma geração de acreanos. A casa não tem energia elétrica, nem água corrente. O celular não pega. É num lugar de difícil acesso, na região de Brasileia.
    Osmarino ganhou uma certa visibilidade recentemente. Estávamos jantando em um restaurante, na cidade, quando a imagem dele apareceu na propaganda eleitoral do PSTU, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, em apoio a Zé Maria, candidato do partido ao Planalto. O seringueiro do século 21 viaja constantemente para participar de debates e palestras sobre a Amazônia, dentro e fora do Brasil.
    Osmarino passou toda a sua vida na floresta. Conta que sobrevive com uma renda anual de 15 mil reais. A maior parte vem da coleta de castanhas e da produção de borracha, que acontecem em épocas distintas do ano.
    Ele vive sozinho. O vizinho mais próximo está a uma hora e meia de caminhada. Para caçar e se defender, tem um espingarda comum e uma calibre 12.
    Quando nos guiou pelo entorno de sua casa, Osmarino mostrou o roçado onde cultiva frutas, feijão e milho. Reconhece todas as árvores e os cantos dos pássaros. Quando anoitece, lê sob a luz de um candeeiro ou ouve rádio. Enfrenta o mal de Chagas com receitas locais (uma amiga prometeu tratá-lo com um extrato que exige a captura de dois jabutis, um macho e uma fêmea), mas recentemente esteve em São Paulo para fazer exames e tentar conter o que define como “inchaço do coração”.
    Como Chico Mendes e Marina Silva, Osmarino é descendente de um soldado da borracha. Nos anos 40, para cumprir um acordo fechado com Washington durante a Segunda Guerra Mundial, o Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (Semta) despachou cerca de 50 mil homens, boa parte deles do Ceará, para extrair borracha dos seringais do Acre. Depois da guerra, os que sobreviveram continuaram por lá. Durante a ditadura militar, nos anos 70, preocupados com a possibilidade de perder a Amazônia, os militares decidiram oferecer vantagens econômicas a colonizadores saídos especialmente do Sul e Sudeste brasileiros, conhecidos até hoje genericamente no Acre como “paulistas”.
    Os “paulistas” chegaram desmatando e trazendo gado. Deram de frente com os seringueiros, para eles “invisíveis”. Houve dezenas de mortes e milhares de casas queimadas, no que Osmarino define como uma guerra de baixa intensidade. Foi em reação à invasão dos ruralistas que surgiram os sindicatos de Xapuri e Brasileia. Os sindicalistas de esquerda recebiam o apoio ativo de gente da cidade, especialmente de estudantes, como Marina Silva, ela mesma filha de seringueiros e à época integrante do Partido Revolucionário Comunista e abrigada no PT. Juntos, desenvolveram a tática do “empate”: cercar e expulsar os colonos trazidos pelos fazendeiros para fazer o desmatamento.
    Quase 40 anos depois, os companheiros de então tomaram caminhos distintos. Wilson Sousa Pinheiro e Chico Mendes foram assassinados. Lula, que esteve no Acre para dar apoio a Chico Mendes, um dos fundadores do PT, mais tarde viria a ocupar o Planalto. Marina Silva, que corajosamente participou de “empates”, agora é pretendente ao mesmo cargo. Osmarino, que continuou seringueiro, ficou onde sempre esteve e se tornou crítico da política de ambos para a Amazônia, especialmente pela promessa nunca realizada de uma reforma agrária sob controle dos trabalhadores.
    Osmarino diz que o Projeto de Lei 11.284, de gestão das florestas, assinado quando Marina Silva ocupava o Ministério do Meio Ambiente no governo Lula, se tornou uma herança maldita. A lei regulamentou o manejo, supostamente sustentável, de milhões de hectares de terras públicas.
    (*Viomundo)

  • O balão de Marina, a canoa de Aécio e a onda de Dilma

    O balão foi inflado pelo “antipetismo a qualquer preço” que largou Aécio Neves e se bandeou para Marina Silva, numa manobra tão oportunista quanto desastrada.
    Agora o balão de Marina desinfla, eles começam a desembarcar mas já não têm para onde voltar: Aécio Neves virou uma canoa furada.
    Enquanto isso Dilma surfa numa onda.
    Essa oposição está fazendo tudo para perder no primeiro turno.

  • Ana Amélia erra a mão ao lidar com a mídia eletrônica

    A veterana jornalista Ana Amélia Lemos sabe o que faz alguém que se sinta caluniado por um meio de comunicação: pedir direito de resposta ou processar o autor da notícia.
    A reação da senadora pelo PP e candidata ao governo gaúcho Ana Amélia Lemos foi outra: pedir à Justiça que tirasse do ar dois blogs que noticiaram a ausência de bens na declaração ao Tribunal Regional Eleitoral.
    A denúncia publicada pelos blogs Sociedade Política e Cloaca News é que não aparece na declaração uma fazenda de 1.700 hectares em Goiás. Segundo seus advogados, tal latifúndio foi declarado no imposto de renda do espólio do seu marido, o suplente de senador biônico Octávio Omar Cardoso, morto em 2011, quando ela já era senadora.
    Espólios por morte existem enquanto não são concluídos os trâmites jurídicos dos inventários, sempre morosos. Enquanto não for feita a partilha entre os herdeiros, é o espólio que declara ao fisco.
    Os juízes auxiliares do TRE/RS, Otávio Roberto Pamplona e Liselena Schifino Robles Ribeiro, que relataram as ações, estranharam a reação da candidata. Não viram necessidade de liminar. Deram cinco dias para os acusados e o Ministério Público Eleitoral se manifestarem.
    Os acusados, antes de serem notificados, ficaram sabendo das ações judiciais e dos prazos pela internet, no jornal Sul21.

  • Sete milhões pedem constituinte exclusiva para reforma política

    Eduardo Maretti*
    São Paulo – O Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, realizado entre dias 1° e 7 deste mês, chegou a quase 8 milhões de votos no país. Com cerca de 95% das urnas apuradas, o número de votantes atingiu 7.754.436 de votos, dos quais 97,05% votaram no “sim” e 2,57% disseram “não”. Brancos (0,2%) e nulos (0,17%) não chegaram a 0,5%. Os números foram divulgados na tarde de hoje (24), em entrevista coletiva que reuniu o presidente da CUT, Vagner Freitas, um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, e Paola Estrada, da Secretaria Operativa Nacional do movimento.
    Embora o objetivo inicial fosse atingir pelo menos 10 milhões de votos, marca do plebiscito contra a Alca em 2002, os organizadores consideraram que a consulta pela Constituinte foi vitorioso e superou as expectativas. “É um resultado extraordinário, principalmente por ter sido ignorado pela mídia”, disse Vagner Freitas.
    “O (governador Geraldo) Alckmin come um pastelzinho ou toma um cafezinho e vira notícia da mídia, e do plebiscito, que foi apoiado por vários candidatos a presidente da República, não saiu nada”, criticou Paola. Freitas lembrou que a consulta sobre a Área de Livre Comércio das Américas contou com apoio de parcela do empresariado e da igreja católica e não foi boicotado tão ostensivamente pela imprensa como o da reforma política.
    Rodrigues, do MST, ressaltou o caráter “pedagógico” da consulta. “Além disso, teve grande importância do ponto de vista organizativo.” Segundo ele, o resultado deve ser comemorado por três motivos: ficou demonstrado, pela participação, que a sociedade quer mudanças no sistema político; a realização, de acordo com o dirigente, bem-sucedida do movimento, foi decorrente das mobilizações de rua iniciadas em junho de 2013; e foi um incentivo para a continuidade das mobilizações pela constituinte exclusiva.
    Apesar de a convocação de um plebiscito ser atribuição do Congresso Nacional, cuja composição pode ficar ainda mais conservadora com a eleição de 2014, os organizadores acreditam que ele aconteça. “Nossa disputa será junto com a sociedade. Com as forças organizadas e mobilização vamos criar um clima e um debate por um novo processo constituinte e não deixar a questão só com o Congresso”, explicou João Paulo Rodrigues.
    O próximo passo dos movimentos reunidos em torno do plebiscito popular agora é levar os resultados para os principais representantes dos três poderes, nos próximos dias 14 e 15: a presidenta Dilma Rousseff; o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski; e o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros.
    Os organizadores lembraram que lideranças importantes, ao participar, deram legitimidade ao processo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos candidatos à presidência Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Luciana Genro (Psol) e até Pastor Everaldo (PSC) participaram da votação. Dilma, Lula e Luciana votaram “sim”. Marina e Everaldo não revelaram seus votos. “Ainda assim, é importante, porque eles participaram e assim também legitimaram o movimento”, disse Paola Estrada.
    Alckmin
    Os organizadores do plebiscito popular lembraram, na coletiva, que o governador Geraldo Alckmin impediu que as urnas entrassem nas escolas da rede estadual de ensino. Isso dificultou a participação da juventude da rede de ensino de São Paulo no processo. “Até entendo, porque ele deve ser defensor do financiamento privado de campanhas políticas”, ironizou o presidente da CUT. O governador enviou ofício às escolas estaduais para que os professores evitassem a discussão sobre o plebiscito em salas de aulas, além de ter solicitado que diretores não autorizassem as urnas, segundo os organizadores da consulta.
    O fim da participação de empresas privadas como financiadoras de candidatos e partidos é uma das principais bandeiras do movimento social.
    “Eu acho que se ele concordasse com as propostas do plebiscito ele teria facilitado a coleta de votos nas escolas. Só consigo imaginar por uma posição contrária dele ao que propunha o plebiscito. Como eu não sei a posição dele, penso que seja isso. Não acredito que o governador do estado tenha feito isso apenas por um ato de mesquinhez. Acho que ele deve ter mais coisas para fazer”, afirmou Vagner Freitas.
    *Maretti é jornalista da Rede Brasil Atual e do blog Fatos etc

  • Translab, laboratório cidadão, abre as portas em Porto Alegre

    O Translab começou a funcionar em agosto numa casa do bairro Rio Branco (Rua Prof. Duplan, 146). É o primeiro “laboratório cidadão” gaúcho.
    Internacionalmente conhecido como living lab, é um lugar onde qualquer pessoa pode assistir, discutir e experimentar a cocriação. O foco é a inovação social, cruzando arte, ciência e tecnologia.
    O conceito de laboratório cidadão foi difundido na Europa pela rede Enoll (European Network of Living Labs), que há sete anos articula a criação desse tipo de ambiente. Os espanhóis foram os que mais aderiram.  Segundo a Enoll, há 12 laboratórios cidadãos no Brasil, e o de Porto Alegre é o primeiro independente.
    O Translab venceu o edital de processos culturais colaborativos da Secretaria Estadual da Cultura, e com isso promove até dezembro o Circuito Montagem, começando pelo começo: oficinas e seminários para discutir e pôr em prática as intenções de um laboratório cidadão.
    “Um projeto de inovação social não deve ser confundido com voluntariado ou assistencialismo. É importante pensar a estratégia de sustentabilidade econômica”, adverte um dos coordenadores, o psicólogo Daniel Caminha.
    A ideia é que as pessoas, ao buscarem soluções inovadoras, aprendam fazendo, compartilhem conhecimento. Por isso o espaço parece um atelier para criação livre, para desenvolver protótipos que acolham processos de construção com madeira, plástico, papelão e eletrônicos.
    Colaboram empresas da economia criativa, como a Nômade (trabalha para aproximar as organizações das pessoas a partir de relacionamento colaborativo), Paxart (produção artística de marcas, produtos, campanhas e ambientes), Tecttum Design (projetos e consultoria em design de produto e tecnologia assistida) e Querosene Filmes (produtora audiovisual). O site do projeto é  www.translab.cc.

    Casa Duplan, um espaço para pensar e para fazer
    Casa Duplan, um espaço para pensar e fazer

    Um exemplo do que está acontecendo na Casa Duplan são os encontros quinzenais com o Raiz Urbana, que incentiva a produção de alimentos em ambiente urbano. Começou como uma experiência na escola estadual de ensino fundamental Ivo Corseuil, com uma oficina para ensinar a plantar. Hoje a educação ambiental está inserida na proposta pedagógica da escola, com grande envolvimento da comunidade.

  • Inventário no bairro Petrópolis vai recomeçar

    Proprietários contrários ao tombamento dos seus imóveis no bairro Petrópolis em Porto Alegre revoltam-se com o que o que chamam de “fúria inventariante da Prefeitura”. Em audiência pública no clube Grêmio Náutico União, na noite de 9 de setembro, conseguiram abrir um canal de comunicação.
    Ao final de quatro horas de discussão, o vice-prefeito Sebastião Melo decidiu que será mais uma vez revista a lista dos imóveis inventariados para preservação.
    Depois disso, os imóveis que não estejam listados sejam desbloqueados. Os atingidos pelo inventário terão 60 dias para questionar a inclusão do seu imóvel. Só então a lista será enviada à Câmara, para nova rodada de audiências públicas antes da lista ir para o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc), que a aprovará ou não. A palavra final será do prefeito.
    A Prefeitura já refez o processo uma vez, mas no meio do caminho a Câmara de Vereadores aprovou uma lei, do vereador Idenir Cecchim, que exige a aprovação do Legislativo antes de iniciar o inventário.
    O prefeito José Fortunati vetou a lei, mas a Câmara derrubou o veto e o texto, publicado no Diário Oficial, está em vigor desde o dia 6 de setembro. A lei é retroativa a 2013, o que significa a anulação de tudo o que foi feito em Petrópolis.
    O Instituto dos Arquitetos do Rio Grande do Sul se manifestou contra: a lei transfere para os vereadores decisões sobre questões técnicas. Vai propiciar um “balcão de negócios” envolvendo interesses culturais e urbanísticos da cidade. “Criaram uma instância a mais”, diz um a funcionário do Ephac.
    Bairro essencialmente residencial, de um tempo em que a classe média ascendente sonhava em viver em casas no centro de amplos terrenos ajardinados, Petrópolis é um dos maiores potenciais construtivos de Porto Alegre.
    E é o único bairro daquela região da cidade que está livre do limite de altura imposto pela proximidade do aeroporto Salgado Filho.
    Oito bairros já foram inventariados em Porto Alegre, desde 2011. Quando chegou em Petrópolis, ocorreu uma omissão que deu origem a toda a polêmica. Não foi feito o “bloqueio”, quando todos os proprietários são informados de que vai ser feito o inventário.
    Foi o que revoltou os proprietários dos imóveis arrolados em Petrópolis. Eles só ficaram sabendo quando o processo estava concluído. Por que não foi feito o “bloqueio”, que é procedimento regulamentar? Eis a pergunta sem resposta.

    Desde maio moradores se manifestam contrários ao inventário

    Os moradores estão divididos em relação ao assunto, embora seja notável o esforço de todos para manter as relações de vizinhança e camaradagem.
    Uma parte deles concorda com a preservação do patrimônio arquitetônico do bairro. Outra, lamenta a desvalorização dos seus imóveis, enquanto os terrenos em volta ficariam muito mais valorizados, com a garantia de que a vizinhança não mudará.

  • Redenção terá réplicas em plástico para evitar roubo de estátuas

    O trabalho de recuperação e restauração de 12 esculturas e monumentos do Parque da Redenção, furtados ou danificados, deve ser concluído apenas no final de novembro.
    Das peças artísticas, como bustos e coroas, serão feitas réplicas em resina plástica, em substituição ao bronze, metal valorizado e de fácil venda nos ferros-velhos.
    As placas de bronze com inscrições, que foram roubadas, serão refeitas em granito.

    Busto de Carlos Gomes
    Busto de Carlos Gomes

    O trabalho avança em quatro frentes, segundo a arquiteta e restauradora Veronica Di Benetti, que coordena o projeto, financiado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon).
    Começou na avenida João Pessoa, onde serão recolocados os bustos de dois importantes médicos da cidade – Annes Dias e Licínio Cardoso –  e de Samuel Hahnemann, o criador da homeopatia.
    Para fazer a réplica de alguns bustos roubados, os restauradores tiveram que localizar cópias.  As de Annes Dias e Hahnemann foram encontradas no pátio da Faculdade de Medicina; a de Licínio Cardoso em Lavras do Sul, sua terra natal.
    Em seguida serão recolocados os bustos dos músicos – Chopin, Beethoven e Carlos Gomes, na frente do auditório Araújo Vianna.  Uma terceira etapa envolve a recuperação dos obeliscos que foram oferecidos por outros países por ocasião do Centenário da Revolução Farroupilha, em 1935.
    Por último será restaurado o Monumento ao Expedicionário, que tem infiltrações, com arbustos nos rejuntes, que terão de ser refeitos.  Será impermeabilizado e limpo, com a remoção das pixações. Exemplar único em Porto Alegre, em homenagem aos soldados brasileiros que lutaram na II Guerra Mundial, é de autoria do escultor Antonio Caringi.
     BEETHOVEN
    O monumento mais antigo, entre os que serão restaurados, é o que homenageia Ludwig Von Beethoven. Foi colocado em 1927, junto ao antigo Auditório Araújo Vianna, ainda na Praça da Matriz, para marcar o centenário da morte do compositor alemão.
    Obra de autoria do pintor e escultor Fernando Corona, foi transferida para a Redenção junto com o auditório. É um obelisco em granito rosa, com 2 metros de altura, com uma máscara de bronze no topo (roubada em 2003) e uma placa (também roubada).
    “O objetivo é dar o ponta pé inicial para que outras empresas e instituições se mobilizem em torno da ideia, para que outras obras sejam resgatadas”, diz o vice-presidente do Sinduscon e coordenador do Projeto Cultural, Zalmir Chwartzmann.

  • A prisão de Dal Agnol e as ações da CRT

    A prisão do advogado Maurício Dal Agnol, acusado de fraudar seus clientes, seria gancho de uma reportagem que fosse contar como foram enganados os acionistas minoritários da extinta Companhia Riograndense de Telecomunicações, criada por Leonel Brizola, vendida para a Brasil Telecom, no programa de privatizações do governo de Antônio Britto.
    Chegaram a 80 mil as ações na Justiça (*), de minoritários reclamando seus direitos, que ficaram a descoberto na transferência do controle para a BR Telecom. Quem tinha telefone no Rio Grande do Sul tinha ações da CRT, que vinham embutidas na compra da linha.
    Num certo período, entre 2002/2007, com base numa “jurisprudência pacificada”, muitos minoritários tiveram seus direitos reconhecidos e foram indenizados.
    De repente, porém, houve uma decisão no STF que virou o jogo. “Inventaram um critério”, diz o advogado Mário Madureira, que participou de reuniões com centenas de colegas (inclusive Dal Agnol) que buscavam “unificar teses jurídicas” na defesa de seus clientes. Perderam.
    “Ainda há processos em liquidação, que vão se arrastar por cinco ou seis anos”, diz Madureira. São processos da primeira fase, quando a “jurisprudência era pacifica”.
    Depois, segundo advogado, “os poucos que ganharam ganharam quase nada. A Brasil Telecom foi favorecida”.
    Nota do editor:  Uma fonte nos diz que essa tungada nos minoritários da CRT foi que viabilizou a venda da Brasil Telecom para a OI.
    Leia também >> Ações da CRT – Porque eles preferem que você esqueça

  • A Revolução Eólica (49) – Usina Cerro Chato terá novo centro de visitações

    O Centro de Visitações da Usina Eólica Cerro Chato (UECC), em Santana do Livramento, deve ser inaugurado em janeiro, informa o coordenador, o guia turístico Nereo Rodrigues Mendes.
    O centro está sendo construído no topo de cerro que dá nome à região. Aliás, foi bem naquele ponto que D. Pedro II e familiares, acompanhados do Luis Filipe Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, genro do imperador, estiveram no dia 10 de outubro de 1865 em visita ao amigo ‘Machado’ (possivelmente trata-se do sesmeiro Silvano Machado do Couto). A comitiva vinha de Uruguaiana em direção à vila de Santana do Livramento.

    Casa terá telhado com jardim, painéis solares e aerogerador
    Casa terá telhado com jardim, painéis solares e aerogerador

    O projeto do Centro de Visitações é da arquiteta Claudia de Moura Incerti, 41 anos, Ela foi selecionada pelo arquiteto Sato Yoshiki, quem supervisionou as obras de construção da subestação coletora de energia Cerro Chato e da linha de transmissão. “Quando fui conhecer o Cerro Chato, já visualizei o centro como um cartão postal para a cidade, uma casa integrada àquela região e, principalmente, que não agredisse o meio ambiente”, diz.
    Claudia tomou como exemplo a casa inteligente da Eletrosul em Florianópolis, com telhado verde, painéis solares e incorporou outras ideias resultados de suas pesquisas e sugestões do próprio Sato. O terraço do prédio terá terá um jardim e o guarda-corpo será de vidro para facilitar a vista do parque eólico. Os painéis solares e um aerogerador que inicialmente iriam fornecer energia para os jardins, agora se prevê que possam abastecer pelo menos a metade da energia consumida no centro. Também irão ajudar a aquecer a água. O telhado verde que ajudará na captação da água da chuva.
    “Haverá tratamento de esgoto, será feito através de uma zona de raízes, que é ecologicamente correto. Não é simplesmente uma fossa e filtros. Então são vários sistemas que serão instalados ali. Uma casa autossustentável”, resume a arquiteta.
    A
    O projeto

    D6
    interno

    B4
    Externo

    Por enquanto, os visitantes dos parques eólicos são recepcionados por Mendes e auxiliares num posto de informações improvisado junto ao aerogerador nº 5 do Parque III. São visitantes do próprio município e da vizinha cidade de Rivera, Uruguai, assim como turistas vindos das mais diversas cidades do Estado e do País, e do Norte do Uruguai. Durante os dias de semana são programadas visitas escolares das mais diversas escolas da cidade, universitários de diversas universidades existentes no Estado. Ali, recebem orientações, cartilhas explicativas e são convidados a assistir a um vídeo sobre a Usina. As dicas são indispensáveis para quem quiser ir além do registro fotográfico.