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  • Farsul na Expointer: "O futuro vamos discutir depois"

    Aberta oficialmente pelo governador Tarso Genro, na manhã deste sábado, a 37a. Expointer já começou contaminada pela campanha política.
    No tradicional almoço que a Farsul promove com as associações de produtores, depois do lançamento das etapas finais de Modernização e Revitalização do Parque Assis Brasil, o presidente da entidade, Carlos Sperotto evitou entrar detalhes sobre o projeto, que preve parceria com grupos privados para investir R$ 280 milhões até 2020 para que o parque possa funcionar o ano inteiro como um centro de negócios e lazer.
    O secretário da Agricultura, Cláudio Fioreze, disse que muitas ações foram realizadas para melhorar a Expointer deste ano. “Muito já foi feito graças às parcerias que foram firmadas”, disse. O subsecretário Adeli Sell, ressaltou a autonomia dada à administração pela Secretaria da Agricultura, Pecuário e Agronegócio (SEAPA). “A atual gestão nos deu carta branca para tornar essa edição da Expointer a melhor de todos os tempos”, salientou.
    Na sua vez,  o presidente da Farsul  preferiu não falar do futuro. Ressaltou que o encontro abordaria apenas situações que poderiam ser solucionadas ainda durante o andamento da feira. “Qualquer outra demanda para eventos futuros deverá ser analisada em outra ocasião”, observou.
    Este ano a feira, que já é considerada uma das cinco maiores do mundo, tem tudo para ser uma das melhores de todos os tempos. O Rio Grande do Sul está colhendo uma safra recorde, culminando uma sequência de três safras excelentes. O agronegócio é o carro chefe de um crescimento que chegou a 6,3% no ano passado.
    As instalações onde ocorre a feira também foram melhoradas. Desde 2011, já somam R$ 12 milhões em investimentos em melhorias no parque. “Resultado de uma profunda transformação articulada pelo Governo do Estado com produtores, agricultores, pecuaristas e entidades que se revela nessa exuberante demonstração de parceria”, afirmou o governador Tarso Genro.
    Neste momento, no entanto, com a campanha política fervendo não escapa a ninguém que o governador é candidato à reeleição e que a sua principal adversária é a senadora Ana Amélia, tradicional aliada da Farsul e do Agronegócio.
    Sugestões
    Os representantes das associações de criadores, em sua maioria, destacaram o bom funcionamento do parque. Paulo Werle, presidente da Associação dos Criadores de Caprinos do Rio Grande do Sul (Caprisul), elogiou as obras no seu setor, mas ponderou a necessidade de uma melhor sinalização do Pavilhão dos Ovinos. Segundo ele, há necessidade de colocação de mais indicações de que ali há ovinos.
    Já Nilton Zirbs, presidente da Associação de Pôneis, reclamou de supostos vandalismo em suas instalações. De acordo com ele, durante uma noite da semana passada, alguém teria invadido e danificado equipamentos.
    Outras reclamações foram sobre a falta de vagas em estacionamento e pequenos reparos nas dependências dos pavilhões.
    Como resposta, o subsecretário Adeli Sell afirmou que a administração verificará todas demandas.
    Segundo Adeli, já foram investidos R$ 50 milhões, num sistema de Parceria Público-Privada (PPP), dos quais o governo estadual entrou com R$ 15 milhões (até o final deste ano).
    Além dos investimentos das entidades parceiras, foram realizadas obras de contenção de alagamentos junto ao Arroio de Esteio. A proposta da PPP para o Centro de Eventos já foi encaminhada para análise do governador Tarso Genro.
    “Faremos uma licitação da urbanização de 27 hectares, com direito real de uso por 25 anos. O investidor fará a ubranização da área do agroshopping previsto e poderá estabelecer parceria com uma rede hoteleira para a operação tanto do hotel como do centro de eventos. Todas as instituições pagarão aluguel anual ao investidor responsável pela infraestrutura”, explicou Adeli Sell. A área total do parque, onde ocorrerá a revitalização e modernização, é de 140 hectares, mais o entorno.
    Conforme Maurênio Stortti, da empresa contratada pela Farsul, Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas (Simers), e Associação dos Criadores de Cavalo Crioulo, em parceria com o Governo do Estado, para elaborar o plano de negócios, o Plano de Mobilidade envolverá obras nas vias laterais do parque, com integração ao Trensurb, às BRs 448 e 116. Também haverá a utilização das hidrovias para a rota Parque Assis Brasil-Porto Alegre.
    Já o Museu da Agricultura e Pecuária terá um plano de negócios diferenciado, contemplando a história do Rio Grande do Sul, do parque, da Expointer, do agronegócio e agricultura familiar. Será desenvolvido em parceira com universidades e ficará localizado onde atualmente é a Casa do Gaúcho. Servirá de roteiro para visitas escolares próximo às três esferas e com acesso direto à BR-116, na entrada do parque.
    Após a apresentação, o secretário da Agricultura, Cláudio Fioreze, o prefeito de Esteio, Gilmar Rinaldi, e o Instituto Federal de Educação e Ciências assinaram protocolo de intenções para a implentação do Centro Educacional.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Marina Silva: o mundo de olho no Brasil

    Por JOSÉ ANTONIO SEVERO
    A eleição de Marina Silva seria a vitória do antipetismo, e a chegada ao governo de uma terceira via, pois levaria junto de roldão o PSDB, que é a versão acadêmica da mesma vertente da antiga esquerda paulista, que domina e divide o eleitorado do Brasil em dois.
    Não haveria nada de mais num sistema democrático liberal, pois a alternância do poder não é apenas uma teoria, mas resultado natural e previsível da exaustão de uma corrente majoritária, substituída por outra. Isto já era preconizado pelos cientistas políticos. Só que se esperava isto para 2018 ou 22.
    No Império o bipartidarismo alternativo assegurou a estabilidade política do Brasil, que foi uma ilha de jogo político eleitoral na América Latina convulsionada pelas rebeliões armadas, gerando seus produtos costumeiros, as ditaduras mais ou menos caudilhistas, comandadas por generais vencedores de batalhas.
    No Brasil, do alto de sua legitimidade monárquica, Dom Pedro II promovia a alternância por decreto. Quando percebia que a corrente governante se exaurira, dissolvia o parlamento, convocava eleições e favorecia a formação de governos ora liberais ora conservadores.
    Na República essa alternância não se deu. A mudança de hegemonias sempre foi tumultuada.
    Os cafés com leite da República Velha foram apeados por uma revolução, em 1930. A vertente castilhista de Getúlio Vargas só foi cair de fato em 1964. Dutra era caudatário de Vargas e Jânio não chegou a governar. A UDN subiu ao poder pelo golpe de 1964, mas tampouco ficou muito tempo, pois já em 1969, com o AI-5, nada sobrou dos conspiradores que derrubaram João Goulart. Depois vieram os originários da antiga oposição reunida no MDB e fracionada no pluripartidarismo atual.
    Marina vai mudar esse quadro, se vencer.
    A novidade será que ela traz para o governo uma nova maioria desagregada, unida em torno de teses desconexas e hostis à política convencional. Compõem uma formidável força eleitoral, mas sem representação política. É uma manifestação da democracia de massa, que se esgota no fenômeno eleitoral.
    Entretanto, passada a eleição, o regime demanda a representação organizada, que ficará ainda nas mãos das forças derrotadas nas urnas majoritárias, mas maciçamente vitoriosas na eleição parlamentar. O mesmo eleitorado elege dois animais diferentes. Como isto vai funcionar na prática para gerir o estado ninguém pode ainda dizer com certeza.
    GOVERNO MARINA
    Num exercício de cenário futuro, que se poderia dizer a olho nu? Marina poderá montar precariamente uma base parlamentar com pequenos partidos de esquerda e alguns segmentos religiosos.
    Dificilmente atingira um terço da Câmara e quase nada no Senado Federal. Teria, em tese, um governo algemado. A alternativa seria compor uma coalisão no estilo PT/PSDB, ou como dizia José Genoíno, ex-presidente do PT, uma coalização para governabilidade. Então de nada valeria sua pregação. Seria o passo atrás, a traição do eleitorado, tal qual Fernando Collor. Pode ser, isto já vimos.
    No entanto, na área internacional, Marina poderá ser a maior estrela do cenário mundial devido ao apoio entusiástico que arrancará de todas as militâncias ambientalistas, pacifistas e defensores das chamadas minorias discriminadas.
    Não foi por nada que ela foi convidada pelas autoridades do Comitê Olímpico Internacional para desfilar na abertura das Olimpíadas de Londres.
    A presidente Dilma, presente ao evento, quase teve um treco quando a viu marchando entre as celebridades mundiais. É uma boa pista para se previr como ela aparecerá na mídia: ambientalista famosa, figura amazônica, líder de uma potência mundial, a primeira presidente da nova política que deverá dominar o Ocidente neste século XXI.
    Lula foi muito famoso e popular mundo a fora, mas ainda era uma expressão do Século XX: operário da indústria, esquerdista moderado e nascido na pobreza. Marina é pobre de família, mas não foi isto que a projetou. Muitos pobres chegaram ao cume no Brasil.
    Ela é a herdeira de Chico Mendes, ícone mundial. Também diferente do líder petista, ela tem formação universitária, historiadora e psicopedagoga, formada na Universidade Federal do Acre e pós-graduada na federal e na PUC de Brasília, além de ter iniciado estudos na Universidade de Buenos Aires. Não é pouco. Ela faz parte da elite intelectual.
    Como ambientalista ganhou uma dezena de prêmios internacionais de primeira linha. Ela foi chamada pelo New York Times de “Ícone do Movimento Ambientalista Mundial” e uma das dez personalidades brasileira mais influente. É a musa do aquecimento global. Marina será uma presidente com muita mídia. Há que ver como ela conciliaria se eleita, sua fraqueza política interna com essa expressão global. De qualquer forma o mundo está de olho no Brasil.

  • FGTAS/SINE abrirão 28 mil vagas em cursos gratuitos do Pronatec

    As Agências FGTAS/SINE iniciam a realização de pré-matrícula para 28.043 vagas de cursos gratuitos do Pronatec em 111 Agências FGTAS/SINE a partir de setembro. Os cursos serão abertos gradualmente, conforme cronograma das instituições que operacionalizam as qualificações. As capacitações são gratuitas para trabalhadores, empregados e desempregados, com idades a partir de 16 anos. Pessoas com deficiência e trabalhadores que solicitam seguro-desemprego pela segunda vez em 10 anos são público prioritário. Interessados devem se dirigir à Agência FGTAS/SINE de seu município, portando Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Menores de 18 anos devem estar acompanhados de responsável.
    As Agências FGTAS/SINE com maior número de vagas são Erechim (1040), Pelotas (1002), Santa Maria (1121), Uruguaiana (1135), Rio Grande (1427), Novo Hamburgo (1703) e Porto Alegre (2262).
    As 28.043 vagas estão distribuídas em 111 Agências FGTAS/SINE: Alegrete, Alvorada, Arroio dos Ratos, Arroio Grande, Bagé, Bento Gonçalves, Caçapava do Sul, Cachoerinha, Cachoeira do Sul, Camaquã, Campo Bom, Candiota, Canela, Canguçu, Canoas, Capão da Canoa, Capão do Leão, Capela de Santana, Carazinho, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Crissiumal, Dom Pedrito, Encruzilhada do Sul, Erechim, Estância Velha, Esteio, Estrela, Farroupilha, Frederico Westphalen, Garibaldi, Getúlio Vargas, Giruá, Gramado, Gravataí, Guaíba, Guaporé, Horizontina, Igrejinha, Ijuí, Iraí, Itaqui, Jaguarão, Lagoa Vermelha, Lajeado, Marau, Montenegro, Nonoai, Nova Prata, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Osório, Palmeira das Missões, Panambi, Pantano Grande, Parobé, Passo Fundo, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Portão, Porto Alegre, Quaraí, Rio Grande, Rio Pardo, Rolante, Ronda Alta, Rosário do Sul, Salto do Jacuí, Salvador do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Rosa, Santa Vitória do Palmar, Santana do Livramento, Santiago, Santo Ângelo, Santo Antônio da Patrulha, Santo Augusto, São Borja, São Francisco de Assis, São Francisco de Paula, São Gabriel, São José do Norte, São Leopoldo, São Lourenço do Sul, São Luiz Gonzaga, São Sebastião do Caí, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Sarandi, Seberi, Serafina Correa, Sobradinho, Soledade, Tapejara, Taquara, Taquari, Teutônia, Torres, Tramandaí, Três Coroas, Três de Maio, Três Passos, Triunfo, Uruguaiana, Vacaria, Venâncio Aires, Veranópolis e Viamão. O endereço e horário de funcionamento das agências estão disponíveis no site da FGTAS, órgão vinculado à Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social (www.fgtas.rs.gov.br).
    O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) objetiva ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. As capacitações são realizados nas unidades de ensino do Sistema S (SENAI, SENAC, SENAR e SENAT) e em instituições federais de ensino superior.

  • Brasil pode colher a maior safra de trigo este ano

    Fim de agosto e os técnicos já anunciam a possibilidade de o Brasil colher este ano a maior safra de trigo da história. Ainda faltando três ou quatro semanas para o início da colheita no Paraná, onde o cereal é plantado mais cedo, as estimativas falam de 7,5 milhões de toneladas, uns 40% acima do ano passado.
    A confirmar-se a boa safra, que se estende normalmente até novembro no Rio Grande do Sul, que planta mais tarde, o Brasil vai precisar importar “apenas” cerca de 4,5 milhões de toneladas de trigo para atender as necessidades nacionais de consumo de farinha, pão, biscoitos, massas e rações.
    A queda das importações também é boa notícia, ainda mais num ano em que a Argentina, tradicional fornecedora de trigo, decidiu racionar as exportações para ajudar no combate à inflação interna. Em 2013, o Brasil importou 7,3 milhões de toneladas, pagando 332 dólares por tonelada, a média mais alta dos últimos cinco anos (a mais baixa foi em 2009, quando o Brasil importou 5,4 milhões de toneladas a 221 dólares a tonelada).
    O que poderia ser motivo de festa – garantia de pão barato para a população num ano em que o circo foi derrubado pelo furacão alemão – começa a se tornar uma dor de cabeça para os produtores, que vêem os preços caírem abaixo do valor mínimo garantido pelo governo. A Expointer 2014, a partir de sábado (30/8), pode se tornar o muro de lamentações dos triticultores, pois as cenas se repetem.
    Um levantamento da Fecoagro/RS reproduzido no volume Radiografia da Agropecuária Gaúcha, publicado pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, mostra que entre 1997 e 2012, apenas em duas safras – 2001/2002 e 2009/2010, os preços mínimos superaram os custos de produção do trigo nacional, cuja cotação segue os valores internacionais, historicamente baixos.
    Com o sucesso do trigo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumentou para 193,5 milhões de toneladas a estimativa da produção nacional de grãos na safra 2013/14. Também um recorde.

  • Lei que tira general da avenida está na mão de Fortunati

    A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou nesta quarta-feira, 27, a mudança do nome da avenida Presidente Castelo Branco, principal acesso rodoviário à cidade, para avenida da Legalidade e da Democracia.
    O projeto teve 21 votos a favor e 5 contrários. Foi aprovado por maioria simples (50% mais um).
    Falta ainda a sanção do prefeito José Fortunati, para a lei entrar em vigor. Até agora, ele não quis comentar a medida.
    Militantes dos movimentos de direitos humanos, como o Comitê Carlos De Ré, acompanharam a votação com vaias e aplausos, conforme a posição dos oradores. A sessão teve quatro vereadores ausentes e cinco abstenções.
    A proposta é assinada pelos vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSOL. “Entre outros atos contrários ao Estado Democrático de Direito brasileiro, o presidente Castelo Branco determinou o fechamento do Congresso Nacional em outubro de 1966 e editou o Ato Institucional nº 2 – que extinguiu os partidos políticos e cassou os seus registros – e a Lei de Segurança Nacional, que possibilitava julgamentos de civis por militares. A alteração do nome da Avenida Presidente Castelo Branco para Avenida da Legalidade garantirá, no mínimo, uma reflexão da sociedade sobre as violações perpetradas pelo regime civil-militar”, dizem os autores.
    O novo nome homenageia o movimento liderado pelo ex-governador Leonel Brizola em 1961, que permitiu a posse de João Goulart na presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros.
    Projeto com o mesmo teor foi apresentado em 2011 e rejeitado pelo plenário em 14 de dezembro do mesmo ano, por 16 votos contrários e 12 favoráveis.
    Veja abaixo os votos dos vereadores hoje:
    Bancada do DEM
    Reginaldo Pujol: Não
    Bancada do PCdoB
    João Derly:  Ausente
    Jussara Cony:  Sim
    Bancada do PDT
    Delegado Cleiton:  Sim
    Dr. Thiago:   Não votou
    Márcio Bins Ely:  Sim
    Mario Fraga:  Sim
    Nereu D’Avila:  Ausente
    Bancada do PMDB
    Idenir Cecchim:  Sim
    Lourdes Sprenger:  Ausente
    Professor Garcia:  Não votou
    Valter Nagelstein:  Sim
    Bancada do PP
    Guilherme Socias Villela: Não
    João Carlos Nedel:  Não
    Kevin Krieger:  Ausente
    Mônica Leal:  Não
    Bancada do PPS
    Any Ortiz:  Sim
    Bancada do PRB
    Séfora Mota:  Sim
    Waldir Canal:  Sim
    Bancada do PROS
    Bernardino Vendruscolo:  Não votou
    Bancada do PSB
    Airto Ferronato:  Não votou
    Paulinho Motorista:  Sim
    Bancada do PSD
    Tarciso Flecha Negra: Sim
    Bancada do PSDB
    Mario Manfro:  Não
    Bancada do PSOL
    Fernanda Melchionna: Sim
    Pedro Ruas:  Sim
    Bancada do PT
    Alberto Kopittke Sim
    Engº Comassetto Sim
    Marcelo Sgarbossa Sim
    Mauro Pinheiro Sim
    Sofia Cavedon Sim
    Bancada do PTB
    Alceu Brasinha Não votou
    Cassio Trogildo Sim
    Elizandro Sabino Sim
    Paulo Brum Sim
     

  • Lasier Martins: "Nunca me censuraram na RBS"

    O candidato ao Senado pela coligação O Rio Grande Merece Mais (PDT\DEM\PSC\PV\PEN), Lasier Martins, disse que não entende bem como seria a regulamentação dos artigos sobre Comunicação que constam na Constituição aprovada em 1988.
    Eles nunca foram regulamentados por pressão dos donos dos jornais e redes de TV, muitos deles atuando no Congresso. O parágrafo quinto do artigo 220, por exemplo, diz que os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio, mas não foi regulamentado.
    Lasier afirmou nesta quarta-feira, 27, durante entrevista à imprensa antes do tradicional Tá na Mesa promovido pela Federasul, que sempre teve total liberdade para trabalhar tanto na Caldas Júnior como depois na RBS, lugar que ficou por 27 anos. “Eles nunca me censuraram.”
    Para ele, a formação de oligopólios na mídia nacional é uma questão de competência, “mas estou disposto a repensar este conceito”, completou. E ainda fez uma provocação: “por que não regulamentam o patrocínio oficial? A maior parte da verba publicitária do governo Dilma Rousseff é dirigida para a Rede Globo.”
    O candidato não comentou o histórico de perseguições que líderes trabalhistas sofreram pela mídia conservadora. Os ataques de Carlos Lacerda na sua Tribuna da Imprensa, jornal do Rio de Janeiro, levaram Getúlio Vargas ao suicídio.  João Goulart também foi perseguido pelos jornalões de São Paulo e rede Globo, assim como Leonel Brizola, que acabou ganhando na Justiça um antológico direito de resposta no Jornal Nacional.
    Lasier também respondeu ao candidato Olívio Dutra, do PT, que o chamou de puxa saco dos empresários. “Ele só acredita na agricultura familiar, que é importante, mas não é a única. A economia brasileira depende intensamente dos empresários e de empresas fortes.” (Sergio Lagranha)

  • Especialistas e procuradores de Justiça debatem medidas para humanizar o parto

    Audiência pública sobre a humanização no parto, realizada em conjunto pelo Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF/RS) e Ministério Público Estadual, reuniu cerca de 200 pessoas no auditório do Memorial do Ministério Público nesta quinta-feira (21), em Porto Alegre. O objetivo foi discutir medidas de humanização do parto e de prevenção da violência obstétrica. Todos os encaminhamentos que foram relatados pelos participantes do evento serão avaliados para assegurar a participação da sociedade civil na instrução de inquérito civil que tramita no MPF (Inquérito Civil nº 1.29.000.000975/2013-97).
    As procuradoras da República Ana Paula Carvalho de Medeiros e Suzete Bragagnolo, titulares do 1º e 2º Ofícios do Núcleo da Seguridade Social da Procuradoria da República no Estado, estiveram presentes. “A verificação do cumprimento da lei do acompanhante, da aplicação da portaria que recomenda a primeira hora de vida do bebê com a sua mãe – quando a condição clínica assim o permitir, a adoção de indicadores hospitalares relacionados ao parto e o encaminhamento das denúncias de violência contra a mulher aos conselhos de fiscalização profissional foram alguns dos encaminhamentos da audiência”, afirmou Ana Paula.
    Na avaliação de Suzete, o evento também serviu para consolidar muitos pontos convergentes dos atores envolvidos na discussão e tornar clara a necessidade de continuar o debate nos pontos divergentes. Mauro Silva e Souza, do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MP/RS, lembrou que o Brasil está fora dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação à quantidade de partos cirúrgicos realizados. A OMS recomenda que o percentual fique na casa de 15%, enquanto na prática o Brasil registra um índice de 40% em média. Também participou o procurador regional da República Paulo Leivas, coordenador do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região. “Humanização é um conceito polissêmico, e um dos aspectos é a defesa dos direitos reprodutivos das mulheres e dos direitos das crianças. Aí se insere o MPF, na defesa dos direitos humanos”, explicou o procurador da República.
    Especialistas no assunto, representantes de ONGs, conselhos e órgãos públicos além de um bom público com a presença de mães e pais com suas crianças também tiveram a palavra. Sérgio Martins-Costa, chefe da área de obstetrícia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, trouxe dados de pesquisas internacionais em países tidos como referência. Um dos principais é de que, até 2000, no Brasil, verificou-se uma relação direta entre o aumento do percentual de cesarianas e a queda da taxa de mortalidade nos partos.
    No entanto, de lá para cá, embora o percentual de cesarianas siga aumentando, a taxa de mortalidade se manteve, o que significa, segundo Costa, que a partir de um certo percentual o aumento das intervenções cirúrgicas não favorece a redução da mortalidade materna. Para Maria Helena Bastos, consultora em Saúde da Mulher do Ministério da Saúde e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz, “é fundamental que se faça uma releitura da medicina, da obstetrícia e da saúde da mulher”.
    Ela ressaltou a necessidade de capacitação dos profissionais, elaboração de diretrizes clínicas e implementação de estratégias para melhoria da qualidade do atendimento às parturientes como algumas medidas de combate à violência obstétrica. Antônio Celso Koehler Ayub, representante do Conselho Federal de Medicina, alertou para importância da fiscalização. “Conselhos federais e regionais, que têm a missão de fiscalizar a atividade da medicina, procuram cumprir sua função da maneira mais correta possível, buscando sempre, em primeiro lugar, o benefício da população”, sustentou.

    Críticas contra violênia obstétrica/Tânia Rêgo /ABr
    Críticas contra violênia obstétrica/Tânia Rêgo /ABr

    Recado de uma particpante da Marcha /Tânia Rêgo/ABr
    Recado de uma participante da Marcha /Tânia Rêgo/ABr

    Os procuradores da República Ana Carolina Previtalli Nascimento (SP) e Maurício Pessutto (SC) também participaram da audiência pública, que teve como expositores Maria Esther de Albuquerque Vilela, Coordenadora-Geral da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, o obstetra Ricardo Jones, Nadiane Albuquerque Lemos, Coordenadora da Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, e o médico do Hospital Sofia Feldman, de Belo Horizonte, João Batista Marinho de Castro Lima.
    “Há alguns anos, quando falávamos sobre violência obstétrica, dizia-se que isso era lenda. Iniciou-se uma investigação em 2001 na Argentina, a partir de denúncia de uma mulher. Foi quando o termo começou a ganhar sentido. É uma das muitas formas de violência contra as mulheres. A Venezuela já tem dispositivo legal de reconhecimento da violência obstétrica desde 2004. Na Argentina, há uma lei em 2009. Precisamos avançar também no Brasil”, enfatizou Lara Werner, representante da rede Parto do Princípio.
    (Assessoria do MP/RS)

  • Farsul vai desossar 40 carcaças na “vitrine da carne”

    Pelo sexto ano consecutivo a Farsul vai realizar no pavilhão internacional da Expointer 2014 a Vitrine da Carne Gaúcha, demonstração de desossa de bovinos, bubalinos, ovinos e suínos que costuma ser seguida de sessões de degustação abertas ao público assistente. São 40 “aulas” de desossa das melhores carnes gaúchas que começam no dia 30 de agosto (sábado) às 10h30 e terminam às 16h30 do dia 6 de setembro (sábado).
    Coordenada pela assessor técnico da Farsul, Luiz Alberto Pitta Pinheiro, a Vitrine da Carne Gaúcha foi realizada pela primeira vez na edição de 2009 com o objetivo de mostrar que a carne de qualidade é resultado de um processo que começa no campo e depende de cuidados agronômicos (bons pastos) e veterinários (sanidade animal). Participam da vitrine, técnicos das associações de criadores das raças angus, braford, brangus, devon, hereford, simental e zebu, além da Cooperbúfalo, Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs).
    A parceria entre a Farsul, o Senar-RS e o Sebrae/RS põe dentro da vitrine o consultor de carnes Marcelo Bolinha, que vai fazendo os cortes, explicando de onde saem o filé, a picanha, a alcatra e outras partes dos traseiros e dianteiros. Do lado de fora, separado por um vidro, o público acompanha o espetáculo. Da sala de desossa, uma prova dos cortes é preparada pela chef Fernanda Moreira em uma cozinha contígua. Os diversos pratos são finalmente levados ao público, sustentando uma “boca livre” bastante concorrida mas pouco farta, pois o evento é antes de tudo educativo.

  • Os cinco segredos da Amazônia, segundo Antonio Nobre

    O repórter Ramiro Escobar, correspondente do El País em Lima, acompanhou o III Encontro Panamazônico realizado na capital peruana, nos dias 6 e 7 de agosto e destacou a participação do cientista brasileiro Antônio Nobre, que abriu a reunião. Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) Nobre é um dos maiores conhecedores da floresta e falou dos cinco segredos que fazem dela “o pulmão, o fígado e o coração do planeta”. Reproduzimos a entrevista que Escobar fez com o cientista sobre os perigos que rondam a Amazônia e as consequências disso para o clima. Já estamos no ‘Dia depois de amanhã’ das mudanças climáticas? Estamos em uma situação bastante grave. A ponto de a comunidade científica, que não costuma concordar entre si, ter formado um bloco com uma convicção homogênea sobre o assunto. As mudanças climáticas não são mais só uma projeção. E como essa situação de gravidade se manifesta na Amazônia? No desmatamento, que remove a capacidade de a floresta se manter. Ela conseguiu se manter por milhões de anos, em condições adversas. Mas hoje sua capacidade está reduzida. Antes havia duas estações na Amazônia, a úmida e a mais úmida. Que eram facilmente reconhecíveis. Agora temos uma estação úmida moderada e uma estação seca. E a seca tem um efeito muito perverso. Porque quando não chove as árvores se tornam inflamáveis. O fogo entra e já não existe mais uma floresta tropical. Apesar de tudo, a Amazônia ainda guarda cinco segredos. É algo que os povos indígenas sempre souberam e que a nossa civilização não percebeu. Mas, nos últimos 30 anos, a Ciência revelou esses cinco segredos. O primeiro é como a floresta Amazônia mantém a atmosfera úmida mesmo estando a 3.000 quilômetros do oceano… …E fazer com a que a chuva chegue até a Patagônia. E aos Andes, por 3.000 ou quase 4.000 quilômetros. Outras partes do mundo que estão longe do oceano, como o deserto do Saara, não recebem água. Mas na América do Sul não há esse problema, e isso se deve ao primeiro segredo: os jatos de água verticais. E qual é o segredo desse segredo? É que as árvores da Amazônia são bombas que lançam no ar 1.000 litros de água por dia. Elas a retiram do solo, a evaporam e a transferem para a atmosfera. A floresta amazônica inteira coloca 20 bilhões de toneladas de água na atmosfera a cada dia. O rio Amazonas, o mais volumoso do mundo, joga no Atlântico 17 bilhões de toneladas de água doce no mesmo intervalo de tempo. É incrível. Como isso foi descoberto? Fazendo medições. Com torres de estudo, com satélites que detectavam esse transporte de vapor d’água, que é um vapor invisível. Produzido pelas árvores quase que por magia. A magia vem no segundo segredo. Como é possível que caia tanta chuva, se o ar da Amazônia é tão limpo, já que o tapete verde cobre o solo? O oceano também ter um ar limpo, mas não chove muito sobre ele. Nós, cientistas, desvendamos um mistério. Qual? Para formar uma nuvem de chuva, que são gotas de água em suspensão, é preciso transformar o vapor baixando a temperatura. Mas se você não tem uma superfície de partículas, sólida ou líquida, para gerar essas nuvens, o processo não começa. Então o que é que a floresta faz? Produz o que chamamos de pó de fadas. São gases que saem das árvores e que se oxidam na atmosfera úmida para precipitar um pó finíssimo que é muito eficiente para formar chuva. Parece uma fábula. É que a floresta manipula a atmosfera constantemente e produz chuvas para si própria, uma coisa quase mágica. Os gases saem das árvores. São como perfumes e se volatilizam. Uma espécie de grande fragrância sustentável. É um oceano verde, diferente do azul. O azul não tem esse mecanismo porque carece de árvores. Tem as algas, que produzem um pouco, mas não como o verde. Vamos ao terceiro segredo. Vamos. Na Amazônia, o ar que vem do hemisfério norte cruza do Equador, entra e vai até a Patagônia. Até lá chega esse ar úmido, que vem do Atlântico equatorial. Com os ventos alísios. Sim, com os ventos alísios que trouxeram as caravelas dos europeus, há 500 anos. Mas os alísios do oceano sul sopram para o norte. O que faz esses ventos irem contra a tendência de circulação global? Dois físicos russos com quem eu colaboro responderam a essa pergunta ao estudar o efeito do vapor dos jorros verticais amazônicos. Mais uma vez os jatos verticais. Eles descobriram que, pela física fundamental dos gases, essas condensações de vapor puxam o ar dos oceanos para dentro do continente e criam uma espécie de buraco de água. É como uma bomba natural. A floresta traz sua própria umidade do oceano. “Onde há florestas não há seca, nem excesso de água, nem furacões, nem tornados. É como uma apólice de seguros” E ainda tem mais… O quarto segredo é a transferência dessa umidade amazônica para outras regiões: os Andes no Peru, os páramos da Colômbia… Se você olhar o mapa do mundo, vai descobrir que existe um cinturão úmido que passa pelo Equador, pela África e pelo sudeste asiático. É a linha do Equador... Sim, mas é na linha dos trópicos, o de Câncer ao norte e o de Capricórnio, ao sul, que estão todos os desertos. O do Atacama, no Chile, o da Namíbia, na África. Mas essa área que concentra 70% do PIB da América do Sul que vai de Cuiabá a Buenos Aires, de São Paulo aos Andes – é úmida! Apesar de estar na linha dos desertos. E qual o mistério dessa área? Chama-se rios voadores. É uma grande massa de ar úmido bombeada pela Amazônia contra os Andes, que são uma parede de mais de 6.000 metros de altura. É assim que essa massa chega a áreas onde deveria haver deserto. Por isso chove na Bolívia e no Paraguai. Falta, finalmente, o quinto segredo… O quinto segredo é que, se você colocar em um gráfico todos os furacões que já aconteceram na história – e a NASA já fez isso – na região das florestas equatoriais não há nenhum deles. E essa região é a que tem mais energia porque a radiação solar é muito intensa. Deveria haver ciclones, como na Índia e no Paquistão… Eles não existem porque o topo da floresta, onde estão as copas das árvores, é áspero e faz com que os ventos sejam obrigados a dissipar sua energia, o que acalma a atmosfera. Mas ocorrem tempestades… Claro, mas elas não costumam ser destruidoras. Onde há florestas não há secas, nem excesso de água, nem furacões, nem tornados. É como uma apólice de seguros contra os fenômenos atmosféricos extremos. Agora esses cinco segredos estão em risco… O problema se chama desmatamento. Se tirarem a metade do fígado de um bêbado, vai ser difícil para ele lidar com o álcool. É isso o que está acontecendo com a Amazônia. Estamos retirando um órgão do sistema terrestre. Então a Amazônia não é o pulmão, mas sim o fígado do planeta? É o pulmão, o fígado, o coração… É tudo! Essa bomba natural da qual falei é um coração que pulsa constantemente. O pó de fadas também funciona como uma vassoura química contra substâncias poluentes, como o óxido de enxofre. O melhor ar é o da Amazônia. E, apesar disso, continuamos destruindo a floresta. Se você chega com uma motosserra, com um trator ou com fogo, a Amazônia não pode se defender. As intervenções do homem podem ser
    benéficas, como na medicina, mas também terríveis, como a motosserra. Por isso eu proponho um esforço de guerra. No que consistiria esse esforço? Seria uma concentração de forças para resolver um problema que ameaça tudo. Hoje a ciência nos permite saber que a situação é gravíssima. E o que eu proponho é lutar contra a ignorância, o principal motivo da destruição da floresta amazônica. Parece que as prioridades mundiais são outras... Em 2008, os bancos foram salvos em 15 dias. Foram gastos trilhões de dólares nisso. A crise financeira não é nada comparada à crise ambiental. O que está acontecendo? Estamos embriagados com a civilização? É uma embriaguez primitiva. Quando você vai ao médico e ele diz que você tem uma doença em estágio avançado, o que você faz? Continua fumando? O sistema terrestre é um organismo e está muito doente. A parte contaminante é a parte mais degenerada do ser humano. Podemos curar a Amazônia dessa doença? Eu acredito que se tivermos uma capacidade semelhante à que tivemos para salvar os bancos, sim. Porque a floresta tem um poder de regeneração impressionante. E, além disso, ela deveria ser importante para todo o mundo. A atmosfera tem uma coisa chamada teleconexões. Um modelo climático pode demonstrar que as mudanças na Amazônia vão afetar os ciclones na Indonésia. Então, o maior segredo é acordar… E saber que o que fazemos agora é determinante. As gerações posteriores vão sofrer com as más escolhas de hoje. A geração que está na Terra hoje tem nas mãos os comandos de um trem que pode ir para o abismo ou uma oportunidade para se viver muito mais.

  • Carne de cordeiro reanima a ovinocultura

    Por Geraldo Hasse
    Ainda é possível avistar placas rústicas anunciando “Temos Ovelha” na entrada de sítios e chácaras perto de cidades do interior gaúcho, mas o que era (e não deixou de ser, em muitas regiões) uma oferta mais ligada ao Natal está passando por uma mudança mercadológica visível até em anúncios na Internet, onde o reclame antigo vai sendo substituído por outro bem mais preciso e atemporal: CARNE DE CORDEIRO.
    Talvez se possa conferir a intensidade da mudança nos restaurantes da Expointer 2014.
    Dependendo da região do Estado, os preços da carne de cordeiro vivo oscilam entre R$ 4 e R$ 4,80 por quilo. Há cinco anos, esse valor girava em torno de R$ 3.
    Um cordeiro-mamão de três a quatro meses pesa de 30 a 40 quilos; o rendimento da carcaça vai de 42% a 50%. Nos açougues, uma paleta de cordeiro sai por R$ 10 o quilo. Nos supermercados de Porto Alegre, até poucos anos, só se encontrava carne ovina congelada do Uruguai. E não era barata. Ultimamente, o consumidor encontra carne de frigoríficos do interior. Este mês, na rede Zaffari, estiveram em oferta – por R$ 30 o quilo – cortes congelados de cordeiros abatidos em Pântano Grande pelo ComeSul. Sabe-se de abatedouros de ovinos ativos em Caçapava do Sul, Encruzilhada do Sul e Lavras do Sul, mas a oferta ainda não parece suficientemente organizada para atender a um mercado em expansão.
    Iguaria antes reservada aos patrões das fazendas e/ou oferecida em finais de churrascadas para agradar autoridades e visitas importantes, a carne de cordeiro está construindo um nicho especial no mercado de carnes vermelhas, embora talvez esteja por merecer uma classificação diferente, pois se trata de uma carne mais rosada, pouco picante e até levemente adocicada.
    E, eis a grande diferença, sem o excesso de sebo que fez a fama negativa da carne de ovelha ou carneiro (animais com mais de um ano), tradicionalmente consumida nas fazendas pelos peões e descartada em açougues de periferia ou quartéis da fronteira. Quanto à carne ovina, eram esses os costumes na época em que as grandes fazendas de gado mantinham milhares de ovinos para a produção de lã, mercadoria que, segundo a lenda centenária, pagava todo o custeio das fazendas de gado.
    Com a ascensão das fibras sintéticas, feitas de nafta, os fios naturais como a seda e a lã se desvalorizaram. Em consequência, o rebanho ovino gaúcho caiu de 12 milhões de cabeças em 1980 para 4 milhões atualmente. Se está se levantando, uma das alavancas é a carne de cordeiro. A lã deu uma melhorada, mas continua sendo um negócio encardido, cheio de altos e baixos determinados por importadores europeus que contam com intermediários plantados no Uruguai e com livre circulação no pampa riograndense.
    Quem mais vem se beneficiando dessa metamorfose são os pecuaristas familiares, estabelecidos em pequenas propriedades e que operam avulsos ou organizados em associações comunitárias, como ocorre há sete anos no terço superior da bacia do rio Camaquã, no pampa de maior altitude, na Serra do Sudeste. Nos 800 mil hectares dessa região dominada pelos chamados campos sujos, que se caracterizam pela existência de pastos entremeados de matos e rochas, vive uma população campeira (40 mil habitantes) que foi praticamente deixada de lado pela agricultura moderna, intensamente mecanizada e dependente de insumos químicos.
    Não por acaso os técnicos da Embrapa Pecuária Sul, de Bagé, viram nesse “atraso” a oportunidade para executar um projeto de produção de alimentos ecológicos, pois 70% da vegetação nativa (campos ou matos) nunca foram mexidos. O coordenador do projeto é o pesquisador Marcos Borba, que não esconde o orgulho pelos resultados já alcançados.
    Segundo o último levantamento, o Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Alto Camaquã reúne 413 famílias organizadas em 21 diferentes associações comunitárias em oito municípios: Bagé, Caçapava, Lavras, Piratini, Pinheiro Machado, Santana da Boa Vista, Encruzilhada do Sul e Canguçu.
    Nas propriedades rurais que variam de 25 hectares a 300 hectares, como não há espaço para a agricultura de larga escala nem para a pecuária extensiva, o que parece ser mais sustentável é uma mescla de atividades que tem a carne de cordeiro como o carro-chefe mas inclui outros produtos como o leite/queijo, o mel, o artesanato de lã e couro, frutas, pães, bolos e geléias. Ou, seja, o projeto envolve os familiares dos produtores. Até o turismo rústico começa a ser incentivado nessa região tipicamente serrana.

    Mais do que lã o que mais se espera das ovelhas são cordeiros / foto Divulgação
    Mais do que lã o que mais se espera das ovelhas são cordeiros / foto Divulgação

    REMÉDIO CONTRA O ABIGEATO
    Criar carneiros e ovelhas ao redor de casa nas pequenas propriedades familiares é o melhor remédio contra o abigeato, a mais antiga e resistente praga da ovinocultura gaúcha. Em busca de carne boa para abastecer festas familiares, os ladrões sempre contaram com a escuridão da noite e o isolamento dos animais longe das casas para fazer sua faina.
    Para evitar furtos, a regra agora é manter os lanudos à vista dos donos e ficar de olho em movimentos noturnos estranhos. Esse é mais um dos motivos do aquerenciamento da ovinocultura em pequenas e médias propriedades do da Serra do Sudeste, onde se concentram atualmente pelo menos 20% do rebanho gaúcho, segundo o pesquisador Marcos Borba, da Embrapa de Bagé.
    O abate furtivo de animais é um problema tão grande quanto as doenças mais graves da ovinocultura, como a verminose e a clostridiose. Ainda sem remédio ou vacina, o abigeato exaspera e desanima os criadores porque supera de longe as chamadas perdas naturais, provocadas por gaviões, lobos campestres e cães vadios de cidades ou fazendas.
    Esses predadores, reforçados recentemente pelos temíveis javalis, fazem uma espécie de limpeza ecológica, pois geralmente abatem os cordeirinhos doentes ou mais fracos. Os abigeatários não: mesmo operando no escuro, só pegam os animais mais saudáveis.
    As denúncias à Brigada Militar desencadeiam operações que reduzem temporariamente as ocorrências, mas o relaxamento da vigilância logo resulta em novos desfalques nos rebanhos. Por isso a última moda em fazendas mais organizadas é a contratação de serviços de vigilância eletrônica e de patrulhas privadas que a horas incertas percorrem a propriedade duas ou três vezes por jornada noturna.
    Ao contrário do que se supõe, o abigeato não se esgota em si mesmo. Por estar intimamente ligado aos abates clandestinos e ao comércio informal de carne de ovelha, ele impede que o mercado se organize. Em anos passados, matadouros tradicionais pararam de abater ovinos e frigoríficos planejados não operam senão esporadicamente suas linhas de ovinos por falta de regularidade na oferta de animais. Talvez porque os criadores se contentem em fazer vendas avulsas para atender a consumidores que preferem fazer encomendas diretamente na fonte, o mercado formal de carne de cordeiro demora a deslanchar.
    No início do século XX, chamou a atenção um ensaio de organização feito por pecuaristas de Herval do Sul. Eles criaram o Herval Premium. Em Caçapava do Sul um grupo de criadores lançou o Cordeiros da Província. Recentemente, inspirada nesses exemplos, a associação dos agricultores familiares do Alto Camaquã criou um selo para identificar seus próprios produtos.
    O cordeiro continua sendo seu alvo preferencial. Para sustentar o contrato para garantir 40 cordeiros por mês ao Shopping da Carne, de Porto Alegre, os criadores do Alto Camaquã compraram um caminhão-boiadeiro e um caminhão-frigorífico com financiamento favorecido pelo governo do Estado, que tem um apreço especial pela agricultura familiar.
    TOSQUIA MODERNA
    Dentro de um mês começa em algumas fazendas do interior a produção precoce de lã, que em alguns casos pode estender-se até o final do verão. Mas já se foi o tempo em que a tosquia quebrava a rotina das fazendas, quando um grupo de alegres forasteiros suava o topete para tirar a lã dos animais com as chamadas tesouras-martelo. Eram os tosquiadores ou esquiladores organizados em comparsas.
    “As tesouras cortam em um só compasso/enrijecendo o braço do esquilador”, diz o clássico Esquilador, de Telmo de Lima Freiras, vencedor da 9ª Califórnia da Canção Nativa, de 1979, em Uruguaiana, o município onde se concentravam os maiores rebanhos, com até 20 mil ovelhas numa única fazenda.
    Hoje em dia, mesmo em pequenas propriedades rurais, a tosquia é feita predominantemente com máquinas elétricas. Órgãos técnicos como o Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar) disseminam a tosquia australiana (Tally Hi), introduzida no Brasil em 1972. Não é preciso manear o animal, como no método tradicional.
    Sem precisar de ajuda, o tosador coloca o animal sentado sobre os quartos e o segura pela queixada contra as próprias pernas. A esquila moderna acaba em menos de cinco minutos. Além de não ferir os bichos e exigir menos esforço do esquilador, facilita a classificação da lã. Pena que a produção esteja reduzida a um terço do que já foi.
    Cobertores e ponchos mostardeiros ofertados na beira de estradas do Pampa / foto Divulgação
    Cobertores e ponchos mostardeiros ofertados na beira de estradas do Pampa / foto Divulgação

    MOSTARDEIROS NO PAMPA
    Enquanto a região do Alto Camaquã luta para regularizar a oferta de carne de cordeiro especialmente no mercado de Porto Alegre, a região costeira que vai de Torres a São José do Norte pela costa leste da Laguna dos Patos desfruta de uma demanda que se aquece especialmente no verão. Quem a sustenta são os milhares de veranistas que não passam a temporada sem degustar os decantados cordeiros-mamões em rituais quase sagrados.
    Como sobra dessa safra de verão, os criadores litorâneos, que contam com pouco pasto e muito vento, ficam com os pelegos e a grossa lã ovina menos valorizada por conter areia e sal da maresia, mas habilmente transformada em ponchos e cobertores mostardeiros, típicos de Mostardas, a cidade povoada por descendentes de açorianos. Há cerca de duas décadas, essa região exportou artesãos para pequenas cidades do interior, onde eles trabalham com o restolho da pura lã do pampa. Seus artigos aparecem em oferta na beira das rodovias e nas lojas de artigos gauchescos.
    CRENÇAS COM VALIDADE VENCIDA
    Ainda há quem acredite que, segundo pregavam técnicos em pecuária ovina, seja altamente recomendável criar ovelhas junto com bois, porque os ovinos assimilam e reciclam os vermes dos bovinos. Hoje em dia na Faculdade Veterinária da UFRGS se aprende que os ovinos precisam ficar sozinhos para dar conta das próprias verminoses.
    Outra lenda em fase de revisão é que as ovelhas podiam viver misturadas aos bois porque se contentariam com a “rapa” dos pastos comidos pelos bovinos. Na realidade, isso acontece em campos pobres em alimentação. Onde há comida à vontade, a ovelha só consome a pontinha dos filés das pastagens.
    Também é falsa a idéia de que, quanto mais retardada a esquila, maior será a produção de lã. A lã cortada no fim do verão pesará mais, mas renderá menos dinheiro. Na classificação final, a lã do tarde perde valor por causa do excesso de cera acumulada durante o auge do calor.