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  • Comunicadores convocam ato em defesa da democracia

    Os profissionais de comunicação estão se mobilizando em defesa da democracia. Nesta sexta-feira, dia 1º, o movimento “comunicação pela democracia” realiza um ato no bar Parafernália, na rua João Alfredo, 425, bairro Cidade Baixa. A atividade está marcada para as 19h30.
    O grupo lançou um manifesto “em defesa da democracia, contra a desinformação e o ódio”, que já conta com mais de 180 assinaturas de jornalistas, publicitários, relações públicas e outros profissionais de imprensa, além de professores e estudantes.
    O texto afirma que há “uma grande batalha de comunicação acontecendo” e critica o posicionamento dos veículos da grande imprensa, por “espalhar o ódio entre a população”.
    “O Brasil vive uma crise política profunda que ameaça a nossa democracia ainda jovem” afirma a nota, que defende que “setores conservadores, aliados a uma parcela partidarizada do judiciário e a grandes meios de comunicação” tentam impor um “golpe em pleno século 21”, através de um processo de impeachment “sem base legal, sem provas e sem crime de responsabilidade cometido pela presidenta Dilma”.
    O grupo acredita que “a liberdade de comunicação passa necessariamente pelo fortalecimento da democracia.” E Conclui “Na última vez que a democracia foi tolhida no Brasil, demorou mais de 20 anos para que comunicadores pudessem exercer livremente suas profissões.”
    Leia a íntegra do manifesto aqui.

  • Defesa da democracia e da legalidade lota o salão de atos da UFRGS

    O Salão de Atos da UFRGS lotou na tarde desta quarta-feira para o Grande Ato em Defesa da Democracia e da Legalidade.
    O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular, ligada a PT e PC do B, e pelo Povo sem Medo, ligada ao PSol, e contou com apoio da reitoria da universidade.
    A defesa da democracia e da legalidade, acima de interesses partidários, foi a tônica das falas. Bernardete Menezes, do Psol, defendeu a importância de se unir e formar “uma trincheira”.
    “O Psol tem posição e lado nessa questão. Somos oposição de esquerda ao governo Dilma. Mas o que está em jogo não é partido A ou B.”
    O governo de Dilma Rousseff não foi poupado de críticas pontuais. Bernardete citou a sanção recente da lei anti terrorismo por Dilma. “Nunca teve terrorismo no Brasil, essa lei é para movimento social.”
    Ary Vannazi, presidente estadual do PT, também defendeu que o momento é de se deixar questões partidárias de lados.
    “Não precisa gostar do PT, basta gostar do Brasil e da democracia, porque quem já viveu sob uma ditadura sabe  a importância disso.” Vannazi afirmou que o objetivo é colocar 100 mil pessoas na esquina democrática no ato desta quinta.
    Na ausência do reitor, que cumpre agenda fora do país, o vice-reitor, Rui Oppermann, foi quem abriu as falas. Oppermann leu uma carta da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior).
    Na nota, os dirigentes repudiam “argumentos pseudo-jurídicos utilizados para encobrir interesses político-partidários, com a divulgação seletiva de elementos processuais antes da conclusão dos processos, ignorando o princípio da presunção de inocência.”
    IMG_20160330_172646718_HDRPaulo de Tarso, do Comitê Carlos da Ré, defendeu que há um golpe em curso, dado “pela mesma elite que esteve em 1954, em 61 e em 64. E o discurso agora é o mesmo.”
    Ele, que foi militante da VAR Palmares durante a ditadura lamentou a necessidade de se lutar pela democracia depois de tantos anos. “Eu estava a ponto de ficar na praia, aposentado, pescando e tomando meu mate, mas a direita não quer nos deixar parados,” brincou.
    “O golpe já foi dado”, afirma procurador
    Domingos Dresch, procurador da República e professor de direito da UFRGS afirmou que “o golpe já foi dado, estamos vivendo um estado de excessão.”
    Ele defendeu a “coragem cívica que a universidade não nega ao país.” O procurador afirmou que toda a sociedade ficou feliz ao ver, pela primeira vez na história do país, corruptos e corruptores sendo julgados e punidos por seus crimes, mas que, em algum momento, “os fins passaram a justificar os meios e passamos a ter desrespeitados direitos básicos.”
    Dresch criticou ainda a ideia, difundida pela grande imprensa, de um Ministério Público unificado e afirmou que mais de mil promotores e procuradores assinaram um manifesto em defesa da democracia. “O MP da constituição de 88 não morreu na Lava Jato”, afirmou.
    Pont PEDe fim do monopólio das comunicações
    Raul Pont fez uma das últimas falas do evento. Ele recordou que entrou na universidade em 1964, um mês antes do golpe, que trouxe expurgos de professores e jogou na ilegalidade entidades representativas dos estudantes.
    O ex-prefeito reiterou que o momento política brasileiro se constitui em golpe. “Mesmo que não tenhamos militares na rua, um golpe clássico pela força, é um golpe contra o resultado das eleições.”
    Ele criticou também a condução do processo de impeachment. “Mais da metade da comissão processante se elegeu financiada por empresas investigadas na Lava Jato”, afirmou, além de defender que “delação premiada é uma vergonha.”
    Para Pont, o problema maior é o sistema eleitoral brasileiro, que considerou “o principal estimulador da corrupção.” Ele criticou o voto nominal e o financiamento empresarial das campanhas.
    Raul Pont encerrou sua participação afirmando que “temos que avançar na construção da democracia”. Para isso, defendeu o fim do monopólio das comunicações e criticou a rede Globo e o grupo RBS, “que são o maior câncer do país.”

  • The Beetles volta ao RS com o melhor tributo ao lendário quarteto inglês

    O Rio Grande do Sul volta a se aproximar de Liverpool a partir do dia 13 de abril, quando o quarteto argentino do The Beetles, considerado o melhor tributo da América Latina aos Beatles, sobe ao palco do Teatro Renascença, em Porto Alegre, para mais um espetáculo. A partir das 20 horas o oceano que existe de distância entre Brasil e Inglaterra deixará de existir e os porto-alegrenses vão regressar à década de 60 para relembrar este fenômeno musical da Terra da Rainha. Os ingressos podem ser adquiridos no site bit.ly/beetlespoa
    Assim como a capital dos gaúchos, São Leopoldo (15/4) e Uruguaiana (17/4) também serão contempladas com a magia do espetáculo do “The Beetles – O espírito de The Beatles”, que proporciona uma verdadeira imersão na atmosfera da Era Beatlemaníaca, comandada pelo quarteto formado por Francisco Desalvo (John Lennon), Marcos Gonzatto (George Harrison), Nilo Zalazar (Paul McCartney) e Jackson Bendik (Ringo Starr).
    Criado em 2008, o grupo argentino traz aos palcos interpretações, figurinos, instrumentos, aparência física e técnica vocal fiéis ao que os Beatles apresentavam às plateias, replicando os mínimos detalhes em respeito ao grupo de Liverpool e aos “fãs de carteirinha” dos Beatles.
    Para isso, são realizadas três trocas de figurinos da época como, por exemplo, os clássicos ternos pretos com o colarinho de veludo e os casacos marrons do famoso show do Shea Stadium, em 1965. O repertório ainda apresenta roupas mais informais, como as utilizadas na capa do álbum Abbey Road, fase na qual os Beatles se vestiam de acordo com seus gostos individuais, mesclados com trajes utilizados nas fases solistas de cada um deles, tais como a jaqueta militar do John e o colete da World Tour do Paul, usado no Estádio do Maracanã.
    Também são utilizados os clássicos baixo em forma de violino Hofner de Paul McCartney até hoje; a guitarra Gretsch Country Gentleman de George Harrison; a guitarra Rickenbacker 325 de John Lennon; e a bateria Ludwig Tigrada de Ringo Starr, entre outros.
    Os garotos da Argentina já encantaram o público gaúcho em suas passagens anteriores, sendo a mais recente no ano passado, durante o Beatles Festival, em Porto Alegre. Na estrada desde 2008, o show do tributo argentino traz ao público 35 músicas, como os clássicos Let It Be, Help! e Twist & Shout, sem esquecer de relembrar temas da carreira solo dos componentes, como Imagine, de John Lennon, todas fielmente interpretadas com respeito à cultura Beatlemaníaca e com riqueza de detalhes.
    Serviço
    Turnê gaúcha do “The Beetles – O espírito de The Beatles”
    Porto Alegre
    Quando: quarta-feira, 13/04, às 20h
    Onde: Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307 – Menino Deus)
    Ingressos online: R$ 33,00 (meia entrada) e R$ 44,00 (promocional)
    Compre pelo site: bit.ly/beetlespoa
     
    Pontos de venda (disponíveis a partir de quarta-feira, 23/03):
    Ingressos: R$ 30,00 (meia entrada) e R$ 40,00 (promocional)
    La Mafia Barbearia (Av. João Wallig, 154 e Av. Praia de Belas, 596)
    BarAca (Prédio D da Uniritter – Rua Orfanotrófio, 555 – Alto Teresópolis)
     
    São Leopoldo
    Quando: Sexta-feira, 15/04, às 20h
    Onde: Teatro Municipal (Rua Osvaldo Aranha, 934 – Centro)
    Ingressos: R$ 20,00 (meia entrada) e R$ 40,00 (inteira).
    Compre seu ingresso antecipado no site bit.ly/beetlessaoleo
    Uruguaiana
    Quando: Domingo, 17/04, às 20h
    Onde: Teatro Municipal Rosalina Pandolfo Lisboa (Rua XV de Novembro, 1844)
    Ingressos: – R$ 10,00 (comerciários e dependentes do Cartão Sesc/Senac), estudantes, professores e idosos);
    – R$ 15,00 para empresários e dependentes do Cartão Sesc/Senac e funcionários municipais (mediante identificação formal);
    – R$ 20,00 para o público geral.
    Ingressos à venda no Sesc Uruguaiana (Rua Flores da Cunha, 1984)
    Telefone: (55) 3412.4624
     
     
     

  • Passagem em Porto Alegre volta aos R$ 3,75 nesta quarta-feira

    A partir das primeira horas desta quarta-feira a passagem de ônibus de Porto Alegre passa a custar novamente R$ 3,75. A tarifa da lotação passa para R$ 5,60. As recargas feitas em cartão TRI têm validade de 60 dias, durante este período, o usuário paga o valor vigente no momento da recarga.
    Na noite de segunda, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) derrubou a liminar que mantinha a tarifa em R$ 3,25. Na tarde da terça,a Eptc comunicou a ATP do início da vigência da nova tarifa.
    O presidente do STJ, ministro Francisco Falcão, acolheu o pedido de suspensão da liminar, protocolado pela Procuradoria Geral do Município (PGM) de Porto Alegre. A limina foi  concedida pela juíza Karla Aveline de Oliveira, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, no dia 24 de fevereiro após ação protocolada pelo Psol.
    A argumentação era que o Comtu (Conselho Municipal de Transporte urbano) não havia sido consultado sobre o aumento da passagem. A prefeitura argumenta que não há aumento, pois a licitação seria o marco zero, e que não haveria necessidade de consulta ao conselho.
    Atualização do sistema será feita em uma noite
    A Eptc notificou a ATP (Associação dos Transportadores de Passageiros) na tarde desta terça-feira e o aumento já passa a valer a partir nas primeiras corridas desta da quarta. O mesmo não ocorreu em fevereiro, quando o valor da passagem foi reduzido pela liminar. Na ocasião, a alegação das empresas era de que não havia tempo hábil para atualizar o sistema com os novos valores e colar os adesivos nos ônibus.
    A ATP alega que quando a liminar suspendeu o aumento, em fevereiro, o anúncio foi feito repentinamente e por isso não foi possível fazer a alteração da noite para o dia. Desta vez, já se sabia de aumento desde a noite de segunda.
     

  • Ecobarreira vai reduzir despejo de lixo no Guaiba

    O Arroio Dilúvio ganha nesta segunda-feira, 28, uma ecobarreira que vai reduzir a a entrada de lixo no Guaiba.
    O equipamento, colocado no trecho onde o arroio desagua no Guaiba vai reter os resíduos sólidos e o lixo flutuante, que pela ação da corrente e dos ventos se acumulam nas margens.
    A barreira está localizada na avenida Ipiranga, entre as avenidas Borges de Medeiros e Edvaldo Pereira Paiva.
    A construção, que iniciou em janeiro deste ano, terá um periodo de testes O engenheiro ambiental responsável pela execução da obra é Gino Gehling, professor de Resíduos Sólidos e Sistema de Água e Esgoto do IPH da UFRGS.
    Somente em 2015 o Departamento retirou 71 mil toneladas de material como lodo, areia e entulhos do leito nas ações de dragagem.
    O trabalho é feito ao longo dos quase 12 quilômetros de extensão do Dilúvio e consiste na remoção do sedimento acumulado devido à grande quantidade de despejo que os afluentes descarregam no arroio.
    Após a inauguração da barreira, com a presença do prefeito José Fortunati, inicia-se mais uma operação de limpeza do material flutuante do Arroio Dilúvio com o apoio de dois barcos, 25 garis e caminhões de apoio.
    O diretor-geral do DMLU, André Carús, destaca que o principal objetivo da limpeza é sensibilizar a população para o descarte adequado dos detritos. “Com a implantação da ecobarreira, vamos tentar reduzir a quantidade de resíduos que acabam caindo no Lago Guaíba.
    Conforme o Novo Código de Limpeza Urbana, jogar, descartar ou abandonar resíduos nas margens ou dentro de rios, córregos e arroios é considerado multa gravíssima, e o infrator fica sujeito à multa de até R$ 5.256,14.
    Nos últimos três, foram retiradas mais de 500 de materiais como pneus, garrafas pets, sofás, sacolas plásticas, chinelos, sapatos, carrinho de bebê, cadeiras de rodas, piscina plástica, fogão, geladeira, carcaça de computador, de televisor, de ventilador e de orelhão, embalagens longa vida, roupas, colchões, isopor, lonas, mamadeira, bicicletas, panelas, canos de PVC, vasos de plantas e até uma banheira de hidromassagem.
    O projeto da Ecobarreira, cuja implantação custou 250 mil, foi criado por Luiz Carlos Zancanella Júnior, vice-presidente da empresa Safeweb Segurança da Informação Ltda. “Tivemos esta iniciativa a partir de um vídeo que mostrava construção similar executada na cidade de Baltimore, nos Estados Unidos”, explica Zancanella Júnior.
    A barreira ecológica deverá operar por um máximo de cinco anos, conforme acordo previsto entre a Prefeitura de Porto Alegre e a empresa Safeweb. Ao fim do primeiro ano de funcionamento, no qual ocorrerão ajustes operacionais, a municipalidade optará por desativar a obra, ou mantê-la em operação até o fim do quinto ano, caso julgue-a adequada.
     

  • Movimento de artistas faz grande ato-show em defesa da democracia

    Artistas de diversos grupos se reúnem, a partir das 17h, no largo Zumbi dos Palmares para o terceiro encontro do recém-criado movimento Cultura pela Democracia.
    O movimento é formado por atores, cineastas, produtores, músicos, jornalistas, escritores, sociólogos, filósofos e professores universitários. Um grupo de 140 agentes culturais se reuniu no último sábado, 19, no bar Ocidente, e elaborou um manifesto (leia abaixo). No domingo, realizaram um ato no parque da Redenção.
    Na concentração, a partir das 17h, os grupos teatrais Ói Nóis Aqui Traveiz e Falos e Stercus farão intervenções. Para as 18h, está marcada a apresentação do grupo de rap Front LR. A caminhada deve partir às 19h, chegando no Teatro Renascença às 20h.
    Lá acontecerá um grande ato-show. Kátia Suman e Zé Adão Barbosa comandam o palco onde Nei Lisboa, Richard Serraria, Nelson Coelho de Castro, Flu e muitos outros nomes da música do estado se revezam em pocket shows.
    O evento já tem mais de três mil confirmados no Facebook.
     
    MANIFESTO DA CULTURA PELA DEMOCRACIA
    Não é a tua janela, a minha rua, esta esquina ou aquela avenida – o problema é manter o horizonte aberto da democracia.
    Por ela lutamos e continuamos a lutar.
    Para que seja preservada, contra todos os autoritarismos, como os que nos rondam agora, nessa grave crise política.
    Não queremos privilégios para fulano ou beltrana, não estamos aqui para defender um deputado ou qualquer líder – queremos justiça equânime para todos.
    Investigação dentro da lei, sem livrar a cara de qualquer um.
    O país precisa sair dessa melhor do que entrou.
    Não é a favor do marasmo, nem da balbúrdia – é a favor da vida livre, contra as discriminações de opinião, classe, gênero, etnia, gosto.
    Para isso chegamos até aqui, e para preservar o já conquistado é que vamos adiante.

  • Artigo: Quem é, afinal, o ‘mercado’?

    Rodrigo de Azevedo Weimer
    Historiador, Pesquisador da FEE
    Em 4 de dezembro de 2015, diante da abertura de processo de impeachment contra a Presidente Dilma Rousseff, o ‘mercado’ ficou ‘tão feliz’, informava a revista Exame. Já em 18 de dezembro, os ânimos haviam mudado: ao menos de acordo com o mesmo periódico, havia ‘apreensão’ no ‘mercado’ pela iminência de saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda.
    Conforme o sítio G1, em 22 de dezembro, com a assunção da pasta por Nelson Barbosa, o ‘mercado’ teve uma ‘reação negativa’, mas de acordo com o Valor econômico do dia 30, ‘deu o benefício da dúvida’ ao novo ministro. Segundo, a Folha de São Paulo, o novo titular da pasta despertava ‘temores’ no ‘mercado’.
    Em 22 de janeiro de 2016, o mesmo jornal afirmava que a manutenção das taxas de juros em 14,25% ‘arranhou a confiança’ do ‘mercado’ no Banco Central. Em 24 de fevereiro, a perda do grau de investimento do Brasil por parte da agência Moody’s implicou em um humor ‘mais negativo’; ao longo do dia, graças à recuperação do preço do petróleo, segundo o site Exame.com, seus ânimos ‘melhoraram’, em uma rara demonstração de resiliência.
    A efervescente conjuntura política do mês de março levou o ‘mercado’ a uma frenética etapa de ciclotimia. Conforme o site UOL no dia 10, as acusações contra o Partido dos Trabalhadores geravam ‘otimismo’ no ‘mercado’. Vejamos. No dia 3, o ‘mercado’ ‘gostou’ e ‘comemorou’ o primeiro vazamento da delação premiada do senador Delcídio Amaral, ao que assevera o sítio InfoMoney. No dia seguinte, conforme o mesmo site, a condução coercitiva do ex-Presidente Lula e a busca e apreensão em seus imóveis ‘agitou’ o ‘mercado’ que, de acordo com o Estado de São Paulo, entrou em ‘euforia’.
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    Retorno de Lula ao governo sacode o humor do mercado
    O pedido de prisão preventiva de Lula gerou ‘otimismo’ no ‘mercado’, conforme o site UOL do dia 10, ainda que a Veja reportasse, no dia seguinte, que seus efeitos não foram ‘convincentes’. Conforme a CBN, a ‘reação do mercado’ deveria ser positiva às manifestações anti-Dilma do dia 13; o ‘recado’ das ruas ao governo era algo que o ‘mercado’ procurava mapear, de acordo com notícia do dia seguinte do sítio Valor Investe.
    Como alegria de ‘mercado’ dura pouco, diante das especulações quanto à ida de Lula ao ministério de Dilma, ele vivenciou um ‘movimento de incerteza’, dava conta o site UOL do dia 15, certamente em virtude de possibilidades de mudanças na política econômica, conforme a Folha de São Paulo do mesmo dia.
    Ainda que a nomeação de Lula ministro tenha sido ‘recebida com cautela’ – afirmava o jornal UOL, em 16 –, a expectativa de um impeachment a partir do grampo vazado pelo juiz Sérgio Moro e da suspensão para o ex-Presidente assumisse a Casa Civil devolveu sua ‘euforia’, reportava a Folha de São Paulo em 17. No dia seguinte ocorreram manifestações favoráveis à Presidente da República, apesar das quais o ‘mercado’ mantinha a expectativa por um novo governo, conforme a Exame.
    Antropomorfização do ‘mercado’ mascara influência de seres humanos reais
    Essas rápidas e constantes flutuações nos seus humores, bem como a atribuição de características humanas, merecem ser problematizadas. Existem, é claro, definições técnicas de mercado, originárias da economia e da sociologia econômica. À parte a verificação de que essas conceituações não são levadas em conta em uma concepção vulgarizada, não cabe aqui analisá-las propriamente.
    Tampouco nos interessam, aqui, analisar as conjunturas específicas que levaram àquelas flutuações e os efeitos dos processos políticos na economia, ou mesmo as muito claras inclinações políticas do ‘mercado’. Limitamo-nos à constatação das práticas discursivas que levam o jornalismo econômico – de diferentes matizes – a naturalizá-lo como entidade de feições, comportamentos e mesmo sentimentos humanos, bem como suas consequências.
    O ‘mercado’ dorme e desperta. ‘Reage’ a estímulos positivos e negativos. Nutre ‘expectativas’ e ‘faz previsões’. Fica ‘inseguro’, ‘nervoso’, ‘inquieto’, ‘pessimista’ ou ‘disperso’ e, até mesmo, ‘triste’. Muito raramente, ‘otimista’ ou ‘feliz’. Em algumas circunstâncias ‘confia’ e, no mais das vezes, ‘desconfia’ ou ‘teme’. ‘Comemora’, ‘se assusta’ e fica ‘apreensivo’.
    Figuras de linguagem são recursos fundamentais da comunicação humana; contudo, a encarnação de disposições afetivas neste ente abstrato não é inocente. Dentre elas, está o ocultamento das reais atitudes e a eventual isenção de responsabilidades de sujeitos econômicos específicos: economistas de diversas orientações, investidores, especuladores, lobistas. Quer dizer, na antropomorfização do ‘mercado’, mascara-se a agência de seres humanos reais que efetivamente conformam seu funcionamento, mesmo que de forma difusa. Cria-se, ainda, uma ilusão de uniformidade de interesses de atores econômicos de fato heterogêneos.
    Há uma dissonância com as falas que propugnam a livre atuação dos agentes econômicos, já que na imprensa seu desempenho é representado como iniciativa de uma personagem coletiva e não de indivíduos atomizados. É desnecessário dizer que não há qualquer institucionalização ou regulação em sua ação. Contraditoriamente, aqueles que prosperam no ‘mercado’ apresentam sua riqueza como meritória conquista individual.
    Seu funcionamento é apresentado como algo um tanto misterioso, mas de difícil questionamento pelos cidadãos, já que mecanismos complexos são ocultos sob essa figura genérica. Ele se torna incontestável em virtude de ‘vontades’ e ‘ânimos’ bastante inflexíveis. Produz-se um discurso alarmista em que o ‘descontentamento’ de tal ente teria potenciais verdadeiramente aniquiladores.
    Assim, uma característica do ‘mercado’, tal como nos é apresentado pelo noticiário econômico, é a sucessão de humores e sentimentos. Fica evidente nesta prática discursiva a representação do ‘mercado’ como um ser temperamental e arisco. Qualquer movimento em falso pode contrariá-lo. Isso cria efeitos reais.
    Aqueles que o essencializam conforme as ditas características procuram, em suma, encorajar o cortejo e o agrado ao ‘mercado’ que, caso contrário, poderá ficar ‘instável’ ou ‘irritado’. Esses discursos difundidos nos meios de comunicação encontram repercussão na opinião pública, à qual os governantes procuram dar alguma satisfação. É certo que o Estado encontra-se assessorado por especialistas, mas também fica claro que necessita dar conta dos mais diferentes tipos de pressão.
    Grandes capitalistas emergem como entidade abstrata
    Vejamos: em outubro de 2015, os prazos da dívida pública foram encurtados com a finalidade de satisfazer um mercado considerado ‘instável’, conforme a Folha de São Paulo. No dia 16 de dezembro de 2015, as conjecturas em relação à saída do ministro Levy da pasta da Fazenda levaram a Presidente à cautela, visando não ‘assustar o mercado’, asseverava o jornal Sul21. Segundo a revista Época, ao assumir a pasta, em 2 de janeiro de 2016, Barbosa fez um discurso ‘formatado para agradar ao Planalto e ao mercado’.
    Exatamente um mês após, o site Exame.com anunciava que, diante do desgaste do ex-Presidente Lula, o governo teria ‘de acender duas velas, uma para o mercado, outra para a esquerda.’
    Em suma, a própria prática governativa acaba por levar em conta essa concepção essencializada e vulgar de um mercado abstrato, mesmo como representação genérica de agentes econômicos mais palpáveis. É claro que os grandes capitalistas são conhecidos, mas, como coletividade, emergem como entidade abstrata detentora de grande poder, exatamente porque oculto.
    Não convém naturalizar acriticamente uma entidade que consiste em uma construção discursiva. São necessários cuidados a fim de evitar um descolamento entre a ‘vontade de mercado’ ideologicamente produzida e outros interesses sociais, que são necessariamente plurais diante da concepção unitária implícita nos textos aqui analisados.

  • Em 60 dias, Dilma estará nas mãos do Cunha

    P.C. de Lester
    Num prazo de mais ou menos 60 dias o pedido de impeachment contra a presidente Dilma chegará ao plenário do congresso “que é onde tudo se decidirá”, como já disse o impoluto Eduardo Cunha.
    O roteiro foi traçado pelo próprio Cunha numa entrevista que a Globo repetiu à exaustão em todos os seus noticiários, sem qualquer contradita.
    A comissão que vai decidir se instala ou não o processo de impeachment recém havia sido formada e Cunha minimizava. “A comissão é só um rito de passagem, é muito rápido, isso é uma coisa que todos querem. No plenário é que se vai decidir”
    Claro uma reviravolta pode ocorrer, o Cunha pode ser preso qualquer momento. Aí ele vai dizer que é manobra da Dilma para escapar do impeachment.
    Na entrevista, ele fala como um intocável. Parece que já se vê sentado na cadeira, presidindo a sessão que vai votar o  impeachment da presidente Dilma Rousseff. Quem duvida, nesse “vale tudo para derrubar Dilma?”
    Com o controle que ele tem do plenário, nem milagre salva o mandato da presidente.
    Quem duvidar leia aqui.

  • Programa Cidades Sustentáveis traz novas metas aos gestores públicos

    Dez oficinas temáticas abriram ontem a 13ª edição do Programa Cultivando Água Boa, evento promovido pela Itaipu Binacional e parceiros de 29 municípios que fazem parte da iniciativa socioambiental.
    Ainda pela manhã, duas apresentações culturais deram as boas vindas a um grande público – cerca de duas mil pessoas – que, em seguida, dividiu-se para assistir as atividades.
    Com as salas muito concorridas, algumas nem fecharam suas portas para que pudessem ser dispostas cadeiras no lado de fora das salas. A oficina Cidades Sustentáveis e Eficiência Energética foi uma delas. Reuniu cinco palestrantes para tratar de dois temas.
    A coordenadora de Mobilização do Programa Cidades Sustentáveis, Zuleica Goulart, falou sobre a nova plataforma do programa, que incorpora os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovado pela ONU, e o Guia GPS – Gestão Pública Sustentável, e será lançada no dia 6 de abril.
    O Programa Cidades Sustentáveis é uma iniciativa da sociedade civil, hoje mantida por três entidades: a Rede Nossa São Paulo, Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis e o Instituto Ethos. Propõe o levantamento de indicadores sociais, econômicos, políticos, ambientais e culturais para a elaboração de um diagnóstico detalhado das cidades, a fim de facilitar o planejamento e gestão pública municipal.
    Zuleica explicou que a plataforma contém doze eixos temáticos para gestão municipal. São eles: Governança, Bens Naturais Comuns, Equidade, Justiça Social e Cultural de Paz, Gestão Local para a Sustentabilidade, Planejamento e Desenho Urbano, Cultura para a Sustentabilidade, educação para a Sustentabilidade e qualidade de Vida, Economia Social Dinâmica, Criativa a Sustentável, Consumo Responsável e Opções de Estilo de Vida, Melhor Qualidade, Menos Tráfego, Ação Local para a Saúde, Do local para o Global.
    O novo Guia GPS reúne 17 macro objetivos e 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e de parcerias globais, e um arcabouço para acompanhamento e revisão. Todos com o propósito de acabar com a pobreza até 2030 e promover universalmente a prosperidade econômica, o desenvolvimento social e a proteção ambiental.
    Fonte de informação para planejamento, gestão e tomada de decisões na administração pública, a publicação visa ainda contribuir para a capacitação de gestores públicos municipais e organizações da sociedade civil em diversas cidades brasileiras, para implementarem indicadores e planos de metas que contemplem o desenvolvimento sustentável.
    O diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich, falou sobre as práticas ambientais locais e a necessidade de engajamento de todos na sociedade. “Cidade sustentável implica em entender, por exemplo, que 70% das emissões de CO2 acontecem nas cidades, e são estas mesmas que consomem 70% de toda energia produzida. E para que as cidades brasileiras possam atingir as metas assumidas na COP-21, quanto à redução da emissão dos gases efeito estufa, é preciso que as metas sejam amenizadas, na indústria, no comércio, nas residências, é preciso estabelecer uma responsabilidade compartilhada, uma agenda de interesse comum”, destacou.
    Friedrich lembrou que o Brasil estabeleceu que 90% das emissões dos gases efeito estufa correspondem a cinco questões: uso da terra, energia, agroindústria, resíduos de toda ordem e desmatamento da Amazônia. A meta do Brasil é reduzir 43% das emissões. “Então é preciso haver uma mudança de mentalidade, de cultura, porque o nome dessa agenda é ‘transformando o mundo’”, completou.

  • Após divulgação de grampos, milhares nas ruas pedem a renúncia de Dilma

    Matheus Chaparini
    Logo após o Jornal Nacional mostrar as gravações, obtidas através de um grampo e divulgadas na tarde de hoje, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar em várias cidades brasileiras.
    Em Porto Alegre, a manifestação reuniu cerca de 20 mil pessoas. A Brigada Militar falava em 2 mil no início, depois 10 mil e por fim 25 mil.
    Conforme a marcha percorria as ruas de Porto Alegre, outros manifestantes desciam de suas casas para se somar ao ato.
    A caminhada iniciou na avenida Goethe, bairro Moinhos de Vento, e seguiu rumo à Praça da Matriz, no centro da capital.
    Trajados de verde e amarelo nas camisas – e branco na pele – os manifestantes pediam a renúncia da presidente Dilma Rousseff e cantavam “vamos fechar o PT” e “a nossa bandeira nunca foi vermelha”. Apenas uma pessoa negra foi localizada pela reportagem.
    Nos áudios, a presidente Dilma teria afirmado que enviaria a Lula um termo de posse de ministro para que usasse caso fosse necessário.
    As gravações foram realizadas pela Polícia Federal, segundo o site Uol, após o juíz Sérgio Moro ter suspendido as interceptações telefônicas de Lula.
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