O Uruguai foi o primeiro país do mundo a legalizar a produção e a venda de maconha em dezembro de 2013, um papel pioneiro que tem seu preço no momento de colocá-lo em prática.
A distribuição de cannabis está prevista por três vias: o autocultivo, a inscrição em um registro que dá acesso à substância nas farmácias e a entrada em um clube de maconha.
O Governo uruguaio ainda não regularizou nenhuma dessas formas de consumo, mas, na prática, o autocultivo da planta está em pleno auge à espera que a lei ganhe forma.
As autoridades uruguaias acabam de fazer a primeira chamada para a licitação dos cultivadores que fornecerão para o Estado, segundo fontes próximas ao Executivo. A maconha produzida será enviada às farmácias e estará à disposição dos consumidores registrados.
As empresas trabalharão em campos de propriedade do Estado, preferencialmente distantes das zonas de fronteira com o Brasil e com a Argentina.
Serão selecionadas cinco firmas nacionais ou estrangeiras cuja “produção será realizada em instalações como estufas ou recintos fechados com condições controladas de temperatura, luz e umidade”, detalharam as autoridades.
A Federação Nacional de Cultivadores de Cannabis do Uruguai calcula que o investimento para iniciar uma plantação em grande escala totalize cerca de 3,4 milhões de reais.
O Governo espera que a maconha esteja disponível nas farmácias em dezembro, mas muitos estimam apenas em janeiro de 2015, já que os plantadores terão que construir instalações e esperar a colheita.
Outro assunto pendente é o registro de consumidores no qual deverão estar inscritos todos os que queiram ter acesso à substância nas farmácias.
Uma empresa de informática trabalha no desenvolvimento de uma rede protegida contra qualquer intervenção externa, já que a lei garante a privacidade dos usuários.
As agências de correios em localidades com mais de 100.000 habitantes terão autorização para inscrever os cidadãos que desejem ter acesso à maconha, com limites de consumo semanais e mensais.
O capítulo mais avançado da legalização é a criação de clubes de consumidores de maconha. As pré-inscrições para o registro legal já começaram e em breve serão oficiais.
As unidades do clube Associação de Estudos da Cannabis do Uruguai(AECU), com sede em Montevidéu, estão em fase de construção e o ritmo é frenético. O número de cultivadores aumentou, como demonstrou um evento de degustação de maconha realizado no último dia 20 de junho, ao qual estiveram presentes 104 produtores para a votação de 155 amostras. Estas reuniões, que antes eram clandestinas, agora são apenas privadas. Os cultivadores, acostumados a ter problemas com a Justiça e com a Polícia, continuam cautelosos e por isso o clube AECU terá um local secreto ao qual terão acesso apenas os 45 sócios autorizados. Cada um pagará 350 dólares (cerca de 800 reais) de inscrição e uma cota mensal de 65 dólares (148 reais).
Laura Blanco, presidenta da AECU, avalia que agora começa o trabalho de capacitação: “São necessários de três a quatro anos para formar um cultivador que possa se abastecer durante todo o ano”
Não são todos os clubes que funcionam com as portas fechadas. A Hoja Roja, também entre os pré-inscritos, planeja atender a população. Julio Rey, um dos membros do clube e presidente da Federação Nacional de Cultivadores de Cannabis, confirma que há uma “explosão” do cultivo que inunda os bares de Montevidéu com flores de maconha “melhores do que qualquer prensado paraguaio”.
A maconha ilegal, que vem do Paraguai, está sendo substituída em grande velocidade pelos gomos de cânhamo provenientes do autocultivo doméstico. Os consumidores assíduos afirmam que a maconha “caseira” tem muito mais aroma e um efeito mais forte, além de ser quase gratuita. Este método de produção e consumo encontra-se num limbo jurídico: o Executivo não concretizou ainda seu desenvolvimento legal na prática, mas o cultivo é tolerado sempre que não entre no circuito de venda ao público. Os cultivadores projetam que no verão haverá uma grande quantidade de flores e cânhamos disponíveis, com a lei em vigor ou não. (Reportagem de El Pais)
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Clubes de consumidores já plantam maconha no Uruguai
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“Instâncias” entra em exposição no Solar dos Câmara
A fotografia contemporânea entra em destaque a partir desta quinta-feira (7) no Solar dos Câmara da Assembleia Legislativa. A Sala J.B. Scalco recebe, até o dia 29 de agosto, “Instâncias”, mostra fotográfica de Richie Reta. Os visitantes podem conferir as fotografias de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 8h30 às 18h30, com acesso pelo prédio principal da Assembleia Legislativa (Praça Marechal Deodoro, 101, Centro Histórico). Entrada gratuita.
O trabalho reúne imagens que capturam, em cores vibrantes e ângulos singulares, a essência de locais insólitos, históricos e com grande potencial plástico. Richie destaca que, com a exposição, propõe ao público desvendar a fotografia não só como objeto, mas como uma maneira de ver e pensar.
Nascido em Coronel Suarez (Argentina), Richie Reta é graduado em Artes Visuais pela Escola Nacional de Belas Artes de seu país de origem. Em seu currículo, constam experiências em quase todas as ocupações da área: produção gráfica em estúdio de design industrial, assistente de fotografia, fotógrafo e programador visual em assessoria de imprensa, direção de fotografia em curta metragem, criação de logomarcas e identidades visuais, além de publicações free lancer em jornais e revistas
Em Porto Alegre, Richie também realizou workshops, trabalhando especialmente questões ligadas à alfabetização visual. Algumas das exposições já realizadas por ele são “O Olhar de Cada Um” (1993), na Casa de Cultura Mário Quintana, e “Por Porto” (2004), no Espaço Cultural CEEE. -
Parcão de Esteio: no meio do jogo político
As PPPs (parcerias público-privadas) propostas pelo governo gaúcho para dinamizar o Parque Assis Brasil, palco da Expointer, em Esteio, devem ficar em banho-maria até o desfecho das eleições de 5 de outubro ou, quem sabe, até que tome posse o novo governo, em janeiro.
Nitidamente, os protagonistas das mudanças estão pisando em ovos.
Os dois contratos de longo prazo (25 anos) assinados este ano entre o Parque e seus dois principais usuários – a Associação dos Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) e o Sindicato da Industria de Máquinas (Simers) — foram passos importantes no sentido de um novo modelo operacional. Mas só redundarão em obras a partir de 2015, pois dependem de investimentos em infraestrutura do governo estadual.
Por baixo das mudanças já iniciadas pelo subsecretário Adeli Sell, diretor do parque, há uma polarização política mal disfarçada pelo PT e seus adversários, especialmente o PP, cuja candidata Ana Amélia Lemos lidera as pesquisas de intenção de voto para o Palácio Piratini.
Se o governador for reeleito, é provável que as PPPs decolem definitivamente e, em 2018, o Parque Assis Brasil já tenha se tornado o Parcão de Esteio, com funcionamento o tempo todo e não apenas na época da Expointer. Se vingar outro nome na disputa, a troteada pode mudar de ritmo. E de rumo. (Geraldo Hasse) -
Cortes na RBS podem chegar a 250
Este texto resume diversas conversas com jornalistas da RBS que, por razões óbvias, preferem não ser identificados:
- A crise na RBS começou a dar sinais mais evidentes há um mês, com movimentos internos que mostravam aos editores e repórteres que se formava uma tormenta no horizonte.
- Decisões que eram vendidas externamente como cases de sucesso, internamente viravam pesadelos empresariais. O melhor exemplo é o da TV Rural. Começou mal, com uma turbulenta negociação com Nizan Guanaes, e acabou ainda pior, sendo vendida a preço de banana para a Friboi do Joesley Batista, hoje mais conhecido como o marido da Ticiana Villas Boas.
- A atual leva de demissões, 130 agora, terá uma segunda onda, de mais 120 em novembro. O número mágico de 250 degolas é o patamar estabelecido pelos mestres da tesoura da RBS, que precisam fazer caixa. Quedas de tiragem nos jornais do grupo, incluindo ZH e Diário Gaúcho, recomendam as demissões.
- A degola só não chegou a 250, agora, por conta das eleições. Era preciso mão-de-obra agora para enfrentar os desafios de uma campanha pesada. Fechadas as urnas, mais 120 serão sacrificados. Ordens da matemática financeira.
- A ordem para economizar centrou fogo no time de executivos, funcionários que, além dos altos salários, acumulavam bônus de rendimento ou gratificações que chegavam a 5 ou 10 salários extras no ano. Como a ideia é fazer caixa, mandaram fogo nos caixa-alta.
- A demissão dos dois comandantes de dois jornais importantes, Alexandre Bach (Diário Gaúcho) e Ricardo Stefanelli (Diário Catarinense) confirmam esta orientação.
- O corte dos dois cargos maiores da mais importante sucursal da RBS – o diretor corporativo Alexandre Kruel Jobim, filho de Nelson Jobim, e Klécio Santos, editor-chefe da empresa – reforça a informação.
- Além da economia com os dois executivos de Brasília, a RBS vai economizar com a remoção de Porto Alegre do diretor de Jornalismo, Marcelo Rech, que ocupou a vaga de Augusto Nunes na direção da redação quando o paulista deixou o jornal.
- Rech deve assumir, em Brasilia, a dupla função de Jobim e Klécio.
- O Diário Gaúcho, que já trabalhava no osso com apenas 20 jornalistas na redação, agora ficará reduzido a 12.
- O nome em ascensão na empresa é o de Fábio Bruggioni, que comanda a louvada e.Bricks, decantada por Duda em sua nota de Pandora como a saída de futuro para a RBS.
- Na nova ordem, ganha força a atual diretora de redação, Marta Gleich, que agora paira sobre o Diário Gaúcho e o Diário Catarinense. Os editores de ZH suspeitam que o desenho da degola foi rascunhado por Marta e seu marido, Cézar Freitas, homem forte da RBS TV e que está voltando para a rádio Gaúcha, uma das poucas unidades que dá lucro na organização.
- Os cortes só não foram maiores na base, na redação, porque os salários já são muito baixos, por volta de R$ 2 mil em Porto Alegre.
- O clima na RBS é de estarrecimento, com a fórmula desastrada para anunciar os cortes. Uma vídeo-conferência e uma nota oficial anunciando na segunda-feira o corte iminente de 130 postos para a quarta-feira. Criou-se um clima de terror durante 48 horas sobre uma comunidade de 6 mil pessoas, desinformadas sobre quem seria ou não demitido.
- Na vídeo-conferência, Duda chegou a responder perguntas anônimas. Uma delas indagava porque a comida nos restaurantes da casa era “ruim e fria”, arrancando gargalhadas em meio à tensão.
- Num certo momento, traindo a irritação, Duda reclamou dos boatos que infestavam a RBS pela ‘rádio corredor’, que sempre entra no ar em momentos de crise: “Isso não monetiza nada”, reclamou.
- No embalo da insensibilidade, Duda misturou o drama das demissões com os mirabolantes projetos do futuro, incluindo as estimativas otimistas sobre os negócios de vinho e cerveja, pouco comuns a empresas de comunicação. “Espero que vocês se tornem sócios da Wine”, conclamou Duda, sem qualquer senso de oportunidade, tentando vender ações da empresa a pessoas atormentadas pela demissão iminente.
- Para culminar, a nota oficial do presidente-executivo do grupo e vídeo-conferencista Eduardo Sirotsky Melzer era assinada informalmente por ‘Duda’, com um sentido íntimo e fofo que não cabe num documento assustador.
- O vexame de comunicação da RBS, ao anunciar de forma tão desastrada seus ajustes financeiros e seu drama trabalhista, quebra a imagem nacional do grupo como uma empresa modelar, moderna, pujante, inovadora. Num único dia, a alta direção da RBS escancarou sua fragilidade, sua desorientação estratégica e sua desumana política trabalhista.
- As demissões de hoje e de novembro próximo lançam uma sombra sobre o futuro do maior grupo de comunicação do sul do país.
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A Filarmônica de Israel e Bombardeios sobre Gaza
Enio Squeff
As cordas da Filarmônica de Israel já foram consideradas as melhores do mundo. O estatuto de Israel como país civilizado passava necessariamente pela grande música e não foram poucos os grandes regentes do mundo, entre eles o inesquecível Arturo Toscanini – o maior entre os maiores da primeira metade do século XX – que subiram ao pódio da orquestra, também pela honra de a regerem. Difícil prever o que tais músicos diriam da ofensiva de Israel pela Faixa de Gaza num dos massacres mais assustadores de um país que nem por isso se julga menos civilizado.
Um deles, o argentino israelense Daniel Barenboim, igualmente um grande pianista e regente, já expôs a sua inconformidade com o tratamento que Israel vem dispensando aos palestinos. Muitos israelenses o consideram um “traidor”. Nem por isso, entretanto, apesar da polêmica, o governo de Israel julga que deva qualquer explicação à civilização pelo que está fazendo.

Maestro Daniel Barenboim
A alegação, como sempre, vai na rasteira da política norte-americana da qual Israel é caudatária: nada do que Israel faz, não se faz à imagem e semelhança das ações inauguradas no mundo como a doutrina “made in USA” de combate ao terrorismo – seja o que for que se entenda por tal.
O comentarista internacional Emir Sader disse há dias na TV Brasil que era impossível tratar a mediação do conflito da Faixa de Gaza, pelos Estados Unidos, como coisa realmente séria. De fato, o tempo que os EUA concedem a Israel para um cessar fogo, vem sendo contada menos pelos dias ou pelo horror provocado no mundo, do que pelo número de árabes mortos.
Parece haver um consenso de que a razzia israelense tem de ser dura o suficiente para mostrar que os pogroms contra os árabes são meticulosamente programados com o Império. O castigo tem que ser cruel e inesquecível para que a afronta de qualquer resistência dos palestinos nunca se repita.
Um massacre programado e prorrogável até o limite do genocídio? Pode ser.
Sob a alegação da extirpação do terrorismo, os EUA mataram dezenas de milhares de iraquianos – que não tinha nada a ver com o chocante atentado às Torres Gêmeas. Valeu, no entanto, pelo exemplo. Nunca se terá qualquer justificativa para que o Hamas mate indiscriminadamente civis israelenses. Mas sua ameaça latente será sempre uma justificativa para que Israel enterre qualquer veleidade de país civilizado.
E faça as vezes de país terrorista, por sua vez, “preventivamente” digamos, matando milhares de palestinos da Faixa de Gaza. Que, se não têm nada a ver com o Hamas, quem sabe devam ser mortos por ostentarem os mesmos nomes de alguns deles, ou pior, a cor amorenado dos árabes: “Se não foste tu, foi teu pai”: é isto que o lobo diz ao cordeiro na fábula de La Fontaine, não é mesmo?
Há uma relutância – deve-se reconhecer – normalmente inspirada no medo global aos Estados Unidos, em condenar a ação do Estado Hebreu. Aqui e ali, uma ou outra voz tenta uma desculpa. A de que Israel precisa se defender chega às raias da imbecilidade: imaginem as polícias do Rio, de São Paulo ou de Porto Alegre a bombardear favelas e vilas para livrá-las dos bandidos.
Todos concordam que é um absurdo. Mas, no fundo, é exatamente a mesma coisa. Ah, dizem alguns defensores de Israel – lamentavelmente, morreram algumas crianças (em Gaza já são centenas): paciência, que se vai fazer? Israel tem o direito de defender as suas.
Mas a morte de crianças não justifica a morte de outras. Ou justifica?
Outra tese – essa mais estapafúrdia, confere à indústria bélica a culpa pelo conflito. O Hamas, com seus foguetes busca-pés, alimentaria parte da indústria que, por sua vez, cumularia os israelenses de armas de destruição em massa – mas tudo dentro da lógica de que, quanto mais destruição, melhor. Israel, com mais dinheiro, provindo principalmente dos EUA, levaria mais armas, as mais sofisticadas – quanto ao Hamas, com seus traques, ficaria patente que são todos celerados. Eles venceram, as eleições em Gaza, ao que se diz, legitimamente.
Mesmo assim, não duvidariam um só instante de deixarem que seus filhos, mulheres, irmãos e irmãs morressem sob os bombardeios israelenses – ou seja, uma estultice. Mas assim como alguns rabinos de extrema direita insistem em que os palestinos gostam de expor seus parentes aos alvos das bombas de Israel, há quem retome as teses genocidas dos nazistas. E tudo para argumentar que Israel tem de ser destruída a qualquer preço.
Não parece haver o que argumentar enquanto a ideia de civilização não for prevalente. Uma coisa é certa. Enquanto Estado, com a sua bela Filarmônica, para ficar apenas na grande música, cabe a Israel cumprir as leis que a direita fascista de seus atuais dirigentes teima em ignorar e que tem a respaldá-los justamente os Estados Unidos, um país que, por sua vez, bem que poderia mostrar que suas portentosas instituições culturais são índices de civilidade e não de mero marketing. Ou propaganda “para inglês ver”.
Elias Canetti, judeu, um dos maiores escritores contemporâneos, parece ter entrevisto o que Israel e todos os países que se julgam acima da humanidade, podem fazer e fazem. E em nome, não da sua preservação, mas da sanha de alguns de seus dirigentes. Em sua trilogia autobiográfica, conta Elias Canetti, de um judeu vienense que ele considerava acima de tudo um homem justo e bom. E que, ao saber que na primeira Guerra Mundial os aviões começaram a ser usados para bombardeios, teria exclamado: “ E as cidades, meu Deus, que será das cidades?”
Os Estados Unidos mostraram, em primeira mão, o que o pior pesadelo não poderia engendrar, ao destruírem, sob bombas atômicas, as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Talvez não tivessem feito mais do que os nazistas e os ingleses fizeram, respectivamente, com Londres, Berlim, Dresden e Leipzig. Mas os israelenses não estão fazendo menos, ao bombardearam criminosamente a Faixa de Gaza.
Em tempo: nunca o Brasil foi tão digno quanto no episódio em que chamou seu embaixador de Israel ao Brasil. O governo de Israel que vocifere à vontade pela afronta. Mas não contará com o Brasil na passividade vergonhosa do resto do mundo, com os atos criminosos perpetrados por sua cúpula dirigente. É uma boa nova, digna de um grande país. -
A Revolução Eólica (46) – Mais três parques eólicos no Pampa
Começa esta semana a construção de mais três parques eólicos na região do Cerro Chato, em Santana do Livramento (RS), na fronteira com o Uruguai, em pleno pampa.
O projeto, fase 2 do Complexo Eólico Livramento, que prevê quatro parques, com 34 aerogeradores numa área de 4.380 hectares, e capacidade instalada de 68 megawatts (MW) de energia.
Por enquanto, três foram contemplados no último leilão realizado pelo governo federal. São eles: Galpões (8MW), Capão do Inglês (10MW) e Coxilha Seca (30MW). Apenas Ibirapuitã II (20MW) ficou de fora.
Os contratos preveem o início de suprimento em 1º de setembro de 2015, com prazo de vinte anos. O investimento é de R$ 270 milhões.
Assim como a fase 1 do Complexo Eólico Livramento, estes também são gerenciados pela Eletrosul Centrais Elétricas, que detém 49% do investimento, em parceria com a Fundação Eletrosul de Previdência e Assistência Social – Elos, com 10%, a Renobrax, empresa de engenharia de Porto Alegre, e o Fundo de Investimento Privado (FIP) Rio Bravo , com 41% das ações. A estatal e as parceiras constituíram a Livramento Holding S.A para gerenciar as usinas.
Três empresas formam o consórcio construtor: a fabricante argentina de aerogeradores IMPSA; o grupo português Efacec, especializado em equipamentos eletromecânicos; e a Iccila, empreiteira local da construção civil, que está executando os trabalhos de infraestrutura da área – abertura das vias de acesso aos locais onde serão instalados o canteiro de obras e as turbinas.

No Cerro Chato, apenas Ibirapuitã II (parte superior, em rosa) ainda não foi contratado
Leilão teve recorde de projetos
O Leilão de Reserva que o governo federal promoveu em 23 de agosto do ano passado, exclusivo para fonte eólica, teve cadastrados na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) 655 projetos em nove estados, somando capacidade instalada de 16.040 megawatts (MW).
“É recorde, o maior número de projetos já inscritos em um leilão para energia eólica no mundo”, entusiasmou-se o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.
A Bahia foi a campeã em inscrições com 238 parques, que somam 5.854 MW. Em segundo aparece o Rio Grande do Sul, com 153 projetos para produzir 3.437 MW.
O leilão apresentou duas novidades: a primeira é que atrela a contratação de parques eólicos à garantia de conexão na rede de transmissão, que elimina o risco de os empreendimentos ficarem prontos e não terem como escoar a produção. A segunda, é que a energia negociável será calculada com base em um critério de pelo menos 90% de chance de a produção dos empreendimentos eólicos ser igual à quantidade vendida. “Haverá apenas 10% de probabilidade de o parque gerar menos energia do que o volume vendido no leilão”, explicou Tolmasquim. (Cleber Dioni Tentardini)
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Minha Casa Minha Vida: 54 mil inscritos, nem dois mil contemplados
Com 54 mil inscritos, desde maio de 2009, o programa Minha Casa Minha Vida não deslanchou em Porto Alegre.
Menos de duas mil famílias foram contempladas até agora.
Há oito projetos, para a construção de 11 mil unidades habitacionais, tramitando na burocracia municipal há dois anos.
As áreas para a construção já foram compradas pela Caixa, o financiamento já está aprovado, falta apenas a aprovação dos projetos pela prefeitura.
Um desses projetos é o da Juca Batista (Zona Sul), que prevê um condomínio com 1080 unidades.
PARCERIA
No portal da prefeitura está escrito que “muitos projetos são realizados pelo DEMHAB em parceria com o programa Minha Casa Minha Vida entre o governo federal e o município de Porto Alegre”.
Sem dar qualquer informação desses “muitos projetos”, o texto salta para as metas nacionais do programa que “pretende construir dois milhões de casas em todo o país, onde famílias que recebem até dez salários mínimos”.
Em seguida, explica que “as inscrições para a faixa de renda de zero a três salários mínimos foram realizadas pelo Departamento de 17 de abril a 8 de maio de 2009”.
E que “na capital, se inscreveram cerca de 54 mil pessoas nessa faixa salarial”.
“Até o momento foram entregues 1.408 unidades” habitacionais para essa faixa salarial.
Informa também que “não há inscrições abertas”. A atendente, pelo telefone, informa que não há previsão para abertura de novas inscrições. (E.B.)
Informações para quem se inscreveu em 2009 poderão ser obtidas nos telefones 3289-7293, 3289-7294, 3289-7295 e 3289-7296.
Para quem tem renda de 3 a 6 salários mínimos
Maiores informações sobre os imóveis disponíveis e condições para adquiri-los podem ser obtidas no telefone 3289-7255 ou na sede do Departamento (Avenida Princesa Isabel, 1115, térreo).
Horário de atendimento: segunda à sexta-feira, das 9h às 11h30m e das 13h30m às 17h30m.
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Uma homenagem ao mestre do humor e da literatura
Escritor, jornalista, humorista, cartunista, artista plástico, blogueiro, editor, tradutor (de Shakespeare, inclusive), dramaturgo… É difícil dizer em qual dessas áreas Millor Fernandes se destacou. Foi original e insuperável em quase tudo o que fez.
Morto em março de 2012, agora foi homenageado no Festival Literário Internacional de Parati, encerrado neste domingo,3.
Hoje consagrado internacionalmente, o Festival de Parati teve em Millor um de seus primeiros participantes e um apoiador entusiasta. Justa homenagem e justa lembrança de um dos mais lúcidos intelectuais que o Brasil já teve.

A obra de Millôr é extensa e diversificada: poemas, desenhos, narrativas, fábulas, contos, sempre marcados pelo humor e ironia.
No livro “Millôr definitivo – A Bíblia do caos”, (Editora L&PM pocket), encontram-se mais de 5 mil aforismos e pensamentos, apresentados por temas em ordem alfabética.
Outra obra interessante é “A verdadeira história do Paraíso” (Editora Desiderata). O livro, que contém ilustrações do próprio autor, é uma narrativa bem-humorada a respeito da origem da vida e o papel (nem sempre edificante) da humanidade no planeta terra.
– Além dos livros, os textos de Millôr Fernandes podem ser acessados em http://www2.uol.com.br/millor.
Cronologia:
Em 1956, dividiu com Saul Steinberg (1914-1999) o primeiro prêmio na Exposição Internacional do Museu de Caricatura de Buenos Aires. Nascido na Romênia e consagrado nos EUA, Steinberg tem uma trajetória comparável à de Millôr: ambos publicaram seus desenhos e ilustrações periodicamente em jornais e revistas, em Nova York e no Rio de Janeiro, e foram reconhecidos por suas impressões muitas vezes sagazes, críticos e mordazes, mas sempre repletas de um humor ímpar, sobre o cotidiano de seus respectivos países.
Na década de 1960, junto com Jaguar, Ziraldo, Fortuna, entre outros, funda o jornal “O Pasquim”, que marcaria o humor político num período obscuro da história nacional. Colaborou com vários periódicos, entre eles a revista Veja, em dois períodos, entre 1968-1982 e 2004 -2009.
Ao longo de sua vida, publicou mais de 40 livros de prosa, poesia, reflexões, teatro, traduções, crítica e desenhos. Sem jamais deixar de produzir – afirmou, no fim da vida, que continuava a fazer “dez coisas ao mesmo tempo”, todos os dias – mesmo com problemas de saúde, manteve na internet a página Millôr Online. Publicado desde 2000, o site era um canal de acesso periódico ao seu pensamento e humor peculiares. (Com Claudio Willer) -
Mamaço reúne mães, pais e bebês no Parcão
Cláudia Rodrigues
O mamaço realizado no Parcão nesse sábado contou com cerca de 20 mães, alguns pais, bebês, crianças em fase lúdica e o sol que ficou firme o tempo todo sob uma temperatura primaveril em pleno inverno.
O evento que iniciou em São Paulo, em maio de 2011, como protesto a uma nutriz que foi impedida de amamentar livremente no Espaço Cultural Itaú, tornou-se popular e hoje já não tem o objetivo de protestar, mas de reacostumar a sociedade brasileira à presença do hábito ancestral e biológico que foi substituído pela mamadeira e leites artificiais.
O Brasil detém um dos maiores índices de desmame precoce do mundo desde a introdução maciça de leites artificiais na década de 1960, o que acabou interferindo no comportamento das mães, avós e pediatras, que muitas vezes receitam papinhas antes dos seis meses de vida dos bebês.
O leite humano, segundo a Organização Mundial de Saúde, deve ser o alimento exclusivo dos bebês até os seis meses e a alimentação deve entrar a partir dessa fase de maneira gradual mantendo-se a criança ao peito sem introdução de outros leites ou de mamadeira até cerca de dois anos.
Entre as conversas das mulheres no evento de hoje estavam os transtornos comuns da amamentação ao peito, como problemas de pega nos primeiros meses, dúvidas sobre o peso do bebê e aspectos emocionais dessa relação que não se encerra no alimento, mas no intenso vínculo estabelecido quando se decide ter um bebê de peito.
O bom ou mau olhar social que recai sobre a nutriz também pode interferir na amamentação. A sociedade machista com seus aspectos religiosos costuma boicotar os atos fisiológicos da sexualidade humana e a amamentação é um deles. Daí os estranhos comportamentos de instituições como restaurantes e espaços culturais que acabam por definir que as mulheres devem se esconder para amamentar em cantinhos, com panos que escondam os seios, como se estivessem fazendo sexo em público.
No Parcão foi tudo muito natural hoje, poucos olhares estranhos para essas jovens senhoras que carregam seus bebês em wraps e slings e têm na maternidade um foco de prazer e não de sacrifício.
E o melhor de tudo, livres, sem necessidade de carregarem fogareiros para aquecer mamadeiras no passeio no parque. Todos os bebês tiveram leite quentinho in natura enquanto suas mães riam e conversavam alegremente.

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Ana Amélia: "Conselho de Comunicação não é prioridade"
A senadora e jornalista Ana Amélia Lemos, candidata da coligação “Esperança que une o Rio Grande” (PP, PSDB, PRB e Solidariedade) disse nesta quarta-feira, que a criação de um Conselho Estadual de Comunicação não é prioridade para o Rio Grande do Sul:
“A margem para discussão no Estado nesta área é muito pequena, mais em questões técnicas. As concessões dos canais de televisão, por exemplo, estão a cargo do governo federal”. Para ela, o que interessa ao cidadão atualmente são as estradas, saúde, segurança. “O governo precisa ter foco”, explicou. Ana Amélia foi questionada na Federasul, no tradicional Tá Na Mesa.
PROJETO ESTÁ PARADO
O Conselho Estadual de Comunicação foi tema do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – o Conselhão gaúcho – de 26 de maio de 2011 até o final de 2012.
Nos debates para a comunicação pública um dos temas mais polêmicos foi como evitar que o órgão fosse um ‘fiscalizador’ da imprensa.
O relatório aprovado pela Câmara Temática sugere um Conselho de Comunicação apenas consultivo.
Na ocasião, os conselheiros recomendaram o envio da proposta via Projeto de Lei para aprovação na Assembleia Legislativa RS. No entanto, desde 2012 o projeto está parado na Casa Civil.
Na época, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Celso Schröder, disse ao site Sul 21 que o projeto que cria o Conselho Estadual de Comunicação reforça o desejo dos profissionais da área, de um órgão com “absoluta autonomia e a garantia de existência”. “Temos que ter capacidade orçamentária e de atuação, mas, não podemos ser um órgão de estado”, acrescentou.
Schröder salienta que o consenso entre os atores que vem discutindo o tema é de que a representatividade do Conselho de Comunicação tem que dar peso para a área de comunicação do RS. “Os empresários, sindicatos, setores dos ‘consumidores’ e da universidade estarão representados também”, alerta.
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O Tá na Mesa, da Federasul, terá ainda como palestrantes para falar sobre os desafios do Rio Grande: o governador Tarso Genro, candidato à reeleição pela “Unidade Popular” (PT – PTB – PCdoB – PPL – PR – PTC – PROS) em 6 de agosto; José Ivo Sartori, candidato ao Governo do Estado pela coligação “O novo caminho para o Rio Grande” (PMDB / PSD / PPS / PSB / PHS / PT do B / PSL / PSDC), em 13 de agosto. Nas quatro semanas seguintes os palestrantes serão os candidatos ao Senado pelas mesmas coligações: Olívio Dutra (PT), Lasier Martins (PDT). Simone Leite (PP), Beto Albuquerque(PMDB).
Sérgio Lagranha








