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  • Edgar conta bancários

    Trinta anos da história do Sindicato dos Bancários (1933/1963) desenhados por Edgar Vasques, sob roteiro de Paulo César Teixeira, estão na primeira publicação de uma série que será lançada na próxima terça-feira.
    A intenção é contar em “quadrinhos” os 80 anos da participação do sindicato na vida brasileira. O SindBancários é uma referência na história sindical brasileira e a galeria de seus personagens inclui Olívio Dutra, Tarso Genro e José Fortunati.

  • Usuários do parque buscam informações

    O Conselho dos Usuários do Parque Farroupilha (Redenção) vai pedir informações à Secretaria de Meio Ambiente sobre a estrutura montada no parque para divulgar a reforma gráfica e editorial do jornal Zero Hora, que completa 50 anos.
    Querem saber: quanto tempo as instalações vão ficar no local e quais as contrapartidas para o parque, que vive à mingua de recursos.
    Segundo uma fonte não oficial, a permissão é por 90 dias e o processo não passou pela SMAM.

  • Laudo sobre árvores já está pronto

    Já está pronto há mais de mes o relatório dos técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo que fizeram “análise interna” de 150 árvores em Porto Alegre, mais da metade no Parque da Redenção.
    O IPT só está aguardando o pagamento do serviço, orçado em R$ 97 mil, para entregar o documento à secretaria de Meio Ambiente do Município.   No ano passado, um eucalipto aparentemente sadio desabou repentinamente,  matando uma pessoa no parque.  O acidente revelou que não havia informações sobre a situação das 9 mil árvores do parque, muitas delas com mais de 70 anos.
    Os Técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) fizeram das 150 árvores de grande porte selecionadas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) em fevereiro. Três técnicos paulistas se deslocaram para Porto Alegre. Fizeram inicialmente uma análise visual depois avaliaram os níveis de deterioração dos troncos utilizando um tomógrafo, que fornece uma imagem da região interna da árvore, e um penetrógrafo, uma espécie de broca que ao ser inserida na madeira pode determinar a ausência de materiais e tecidos.
    Com base nos dados colhidos, a equipe fezx um “laudo probabilístico de ruptura do tronco” com orientações para que a Smam tome as medidas cabíveis em relação a cada árvore. Técnicos da Smam acompanharam todo o trabalho do IPT para se apropriar da metodologia de avaliação. Além da análise, o Instituto realizou curso de uma semana com cerca de 20 técnicos municipais, para atualizar seus conhecimentos sobre avaliação de risco.
    Dos 150 vegetais, 86 situam-se na Redenção, 13 na Praça Dom Feliciano, 13 na rua Padre Tomé, 12 na Praça da Alfândega, 11 na Praça da Matriz, dois na Praça XV de Novembro e dois na Guilherme Alves. No Parque Moinhos de Vento (Parcão), na Praça José Comunal e nas vias João Pessoa, Gonçalo de Carvalho, Andradas, Barão do Gravataí, João Alfredo, Teresópolis, Saicã, Felizardo Furtado e Protásio Alves. vegetal.

  • Cais Mauá: além do horizonte

    Sensação de quem esteve no Tá na Mesa (Federasul) desta quarta-feira: um novo Cais Mauá é coisa para 2024.
    O projeto para revitalização de 3.500 metros do antigo porto de Porto Alegre já tem cinco anos, mas ainda não saiu do chão. Os sócios espanhóis do empreendimento se afastaram por razões que não ficam claras e entregaram a gestão a seus parceiros brasileiros (minoritários) que agora tentam reanimá-lo com novos investidores.
    Mas pelo que disse Luiz Eduardo Franco Abreu em sua palestra ainda não há um horizonte previsível. Ele classificou de “estratosféricas” as exigências para a concessão da Licença de Instalação, etapa inicial do licenciamento ambiental.

  • Caso Riocentro foi "ação articulada" do Estado

    A Comissão Nacional da Verdade apresentou hoje (29) o relatório preliminar sobre o caso do Riocentro, em que um militar morreu na explosão de uma bomba dentro de um carro no estacionamento do complexo de eventos, que sediava um show que reuniu mais de 20 mil jovens em 30 de abril de 1981. Para o coordenador da CNV, Pedro Dallari, as conclusões deixam claro que autoridades militares recorreram a atentados como política de Estado e o do Riocentro foi uma “ação articulada” do Estado.
    “Os documentos demonstram que esse atentado [do Riocentro] não foi obra de lunáticos nem de agentes que agiram por conta própria. Foi uma ação articulada do Estado brasileiro”, disse Dallari.”A mesma estrutura que nos anos 70 usou como política de Estado a tortura e o extermínio de pessoas, nos anos 80, patrocinou atentados a bomba. Foram pelo menos 40 nesse período. Número que mostra que havia uma estratégia política, que é uso desses atentados para inibir o processo de abertura política que começava a ocorrer no Brasil”, disse.
    Em um período de 16 meses, entre 1980 e 1981, bombas explodiram em veículos de imprensa, livrarias, bancas de jornal, prédios públicos, escritórios de advogados que defendiam opositores do regime e até em comícios políticos.
    O próprio show, que se repetiu em 1981 no Riocentro, já tinha sido alvo em 1980, quando um artefato foi detonado em uma loja que vendia ingressos.
    Saiba Mais
    MPF denuncia seis pessoas por atentado no Riocentro
    No atentado do Riocentro, uma bomba explodiu prematuramente entre 21h15 e 21h20 no interior de um veículo Puma, matando o sargento Guilherme Pereira Rosário e o capitão Wilson Luiz Machado ficou gravemente ferido. O artefato seria instalado no pavilhão de eventos, onde ocorria o show com vários nomes da Música Popular Brasileira, organizado pelo Centro Brasileiro Democrático, entidade cultural ligada ao Partido Comunista Brasileiro e presidido pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Outra bomba explodiu na subestação elétrica do complexo, e mais duas bombas, que não foram confirmadas, foram citadas por testemunhas.
    Os dois militares eram lotados no Destacamento de Operações de Informações (DOI) do 1º Exército e foram tratados como vítimas no primeiro Inquérito Policial Militar, aberto em 1981. Esse inquérito, como consta no relatório, foi acompanhado pelo Serviço Nacional de Inteligência. O primeiro encarregado pelo inquérito, o coronel Luiz Antônio do Prado Ribeiro, ao tomar providências para apurar o caso, sofreu pressões e foi substituído após 15 dias de investigação pelo coronel Job Lorena de Sant’Anna. No novo inquérito, aberto em 1999, Prado Ribeiro afirmou que foi pressionado a conduzir “direitinho” o IPM, inclusive com tentativas de influenciar sua linha de raciocínio.
    As tentativas de inverter os fatos foram contadas também pelo ministro aposentado do Superior Tribunal Militar (STM) Júlio de Sá Bierrenbach, hoje com 94 anos. Quando o caso chegou ao STM, o almirante Bierrenbach se opôs ao arquivamento, pediu vista do processo e foi criticado publicamente pelos representantes do Exército que compunham o colegiado. “Eles escolheram a dedo em qual auditoria deveria cair, e não apuraram”, disse em um depoimento gravado em vídeo pela CNV. O magistrado disse que “o inquérito foi uma vergonha”. “O capitão [Machado] não foi ouvido nem como testemunha e acabou promovido e mandado para o Colégio Militar de Brasília. Com o ferimento que ele tinha, não seria promovido a major da ativa de jeito nenhum”.
    Imprescritível
    A comissão tentou convocar hoje o coronel reformado Wilson Luiz Machado, por meio da condução coercitiva, mas, ao chegar a sua casa, a Polícia Federal constatou que ele havia viajado. O general reformado Newton Cruz, ex-chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações, também foi convocado a depor, mas alegou motivos médicos para não ir. Ele teria tomado conhecimento do plano antes de ser executado. Os dois estão entre os seis denunciados pelo Ministério Público Federal este ano. A punição ainda é discutida porque o caso ocorreu depois do período incluído na Lei da Anistia, que vai até 1979, e, como crime contra os direitos humanos, é imprescritível.
    O relatório aponta a movimentação nos dias antes do atentado: um mês antes do show, o coronel Dickson Grael foi demitido da diretoria do Riocentro; um dia antes do show, o coronel do 18º Batalhão de Polícia Militar é substituído, e o policiamento do Riocentro é suspenso por ordem do comandante-geral da PMERJ, que estava em viagem a Brasília; horas antes da apresentação, a chefia de segurança do show é trocada, assumindo uma suposta agente do SNI, que determina o fechamento de 28 dos 30 portões do complexo de eventos antes do show.
    “Seria uma tragédia de proporções catastróficas, com uma multidão de 20 mil jovens assistindo a um show com a explosão de bombas – uma explodiu prematuramente, outras que a gente investiga e que não explodiram, possivelmente sob o próprio palco do show, e uma na casa de força que chegou a explodir e não teve o efeito desejado de causar a queda de energia. Isso sem o policiamento da PM e com portões fechados por uma ordem daquele dia”, disse o delegado da Polícia Federal, Daniel Lerner, que é assessor da CNV

  • 1964: o fator Meneghetti

    Meneghetti colocou o Rio Grande do Sul na contramão do projeto desenvolvimentista, que concentrou os investimentos no centro-sul (rio-são paulo-minas). A maior obra arrolada nas realizações de seu primeiro governo foi a construção da ponte sobre o Guaíba, iniciada no governo anterior e feita com recursos federais.
    Não conseguiu fazer seu sucessor e teve que passar o cargo a Leonel Brizola, que derrotou o coronel Peracchi Barcellos, ex-comandante da Brigada Militar, por mais de 100 mil votos.
    Mas Meneguetti voltou e foi eleito governador em 1962, num momento igualmente conturbado e que desembocaria no golpe de 1964. Com Meneghetti, eleito pela aliança anti-trabalhista (PSD/UDN/PL), o Rio Grande do Sul se alinhou aos governadores de Minas, Rio e São Paulo que estavam na conspiração contra João Goulart.
    Um ponto decisivo para o sucesso do golpe, que esvaziou as chances de resistência, foi o comando da Brigada Militar. Com o comando da Brigada, em 1961, Brizola montou a base militar da Legalidade. Em 1964, Brizola era deputado federal. A Brigada obedece ao governador.
    E o governador era Meneghetti, que na manhã do primeiro de abril se mandou para Passo Fundo onde se “aquartelou” no regimento da Brigada. Enquanto isso, em Porto Alegre a Brigada Militar estava nas ruas dispersando a população para impedir a adesão popular à resistência.
    A Brigada era a mesma. Mudara o governador.
    Ildo Meneghetti entrou na política aos 52 anos e em apenas sete anos chegou ao Piratini. Foi o primeiro filho de italianos a ser governador em 1954.
    Na contramão
    Na eleição ocorrida três meses da comoção causada pelo suicídio de Vargas, ele derrotou Alberto Pasqualini, o grande teórico do trabalhismo. Já havia derrotado Leonel Brizola na eleição para prefeito de Porto Alegre quatro ano antes.
    Filho de um alfaiate do vêneto, que veio da Itália nas primeiras levas de migrantes, Menehghetti nasceu em Porto Alegre. Se elegeu vereador em 1947,com os votos dos torcedores do Inter do qual era dirigente e foi, depois, patrono.
    Na oposição a Juscelino Kubistchek, eleito presidente, com João Goulart de vice, Meneghetti colocou o Rio Grande do Sul na contramão do projeto desenvolvimentista, que concentrou os investimentos no centro-sul (rio são paulo minas).
    A maior obra arrolada nas realizações de Meneghetti nesse primeiro governo foi a construção da ponte sobre o Guaiba, iniciada no governo anterior e feita com recursos federais.
    Brizola vence
    Meneghetti não conseguiu fazer seu sucessor e teve que passar o cargo a Leonel Brizola que derrotou o coronel Peracchi Barcellos, ex-comandante da Brigada Militar, por mais de 100 mil votos.
    Mas voltou e foi eleito governador em 1962, num momento igualmente conturbado e que desembocaria no golpe de 1964. Com Meneghetti, eleito pela aliança anti-trabalhista (PSD/UDN/PL), o Rio Grande do Sul se alinhou aos governadores de Minas, Rio e São Paulo que estavam na conspiração contra João Goulart.
    Um ponto decisivo, que esvaziou as chances de resistência, foi o comando da Brigada Militar. Com o comando da Brigada, em 1961, Brizola montou a base militar da Legalidade. Em 1964, Brizola era deputado federal. A Brigada obedece ao governador. E o governador era Meneghetti que na manhã do primeiro de abril se mandou para Passo Fundo onde se “aquartelou” no regimento da Brigada. Enquanto isso em Porto Alegre a Brigada Militar estava nas ruas dispersando a população para impedir a adesão popular à resistência.
    A Brigada era a mesma. Mudara o governador.

  • Revista JÁ – História conta como foi o golpe de 1964

    Promoção de lançamento: dez reais. Só hoje, para quem for ao Tutti Giorni pegar seu exemplar.
    A partir de amanhã, nas bancas e boas casas do ramo.

  • O golpe avança sem resistência

    Na manhã de 1 de abril, os jornais trazem a notícia: há um golpe em andamento. Mas não se sabe direito o que está acontecendo. As aulas, que já haviam começado, são suspensas. Os bancos, que abririam às dez horas, fazem feriado forçado. As ruas se enchem de soldados. Brizola fala no rádio, pede aos sargentos que “prendam os gorilas que querem dar o golpe”.
    O novo comandante do III Exército, que chegara a Porto Alegre de madrugada, para organizar a resistência, desde cedo tenta requisitar a Brigada Militar, a força estadual que fora decisiva na reação ao golpe em 1961. O comandante da Brigada diz que só cumpre ordens do governador.
    O governador Ildo Meneghetti, alinhado com o golpe, decide sair de Porto Alegre. Deixa o palácio Piratini pelos fundos e segue num fusca verde. Quem dirige é o proprietário do carro, o capitão Jesus Linares Guimarães, ajudante de ordens da Casa Militar. Sairam antes do meio dia com destino a Passo Fundo.
    Apoiando a “Revolução”
    Antes de partir deixou folhas em branco assinadas. Uma delas seria usada para responder ao comandante do III Exército, que estava requisitando a Brigada Militar, para ficar sob o comando federal . O secretário do Interior, Mario Mondino, datilografou na folha assinada por Meneghetti uma resposta evasiva e não cumpriu a ordem.
    No fim da tarde, o governador chegava ao 2º Batalhão de Caçadores da Brigada Militar em Passo Fundo. Requisitou a rádio local e divulgou notas incitando o povo a “apoiar a revolução”.
    Em Porto Alegre, no mesmo horário, os brizolistas faziam um comício na frente da prefeitura, chamando o povo para a resistência. Os discursos são furiosos, pedem paredón para os golpistas. Brizola segue pedindo aos cabos e sargentos que “tomem os quartéis a unha”. Mas não reuniram mais do que três mil pessoas. O feriado bancário, a suspensão das aulas e a truculência da polícia reprimindo qualquer aglomeração, esvaziaram o centro bem cedo.
    Além disso, havia a expectativa da chegada de João Goulart, o presidente que voara do Rio para Brasilia e era esperado em Porto Alegre no início da noite (acabou chegando às 3h15 da madrugada).
    Um momento de tensão ocorreu no final do comício, quando chegou a informação de que o Palácio Piratini estava abandonado. Com o governador em Passo Fundo, apenas os guardas na portaria e alguns secretários estavam lá. Um grupo decidiu tomar o prédio e saíram pela rua da Praia. Com um megafone, o prefeito Sereno Chaise começou a gritar que era precipitação, que não podia ser assim… e o grupo se dispersou antes de chegar à Ladeira.
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  • Primeira tentativa de golpe falhou

    Ministros militares vetaram a posse de Jango em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. Mas o movimento da Legalidade frustrou o golpe.
    João Goulart ainda dormia quando o telefone tocou no quarto do Hotel Raffles, em Singapura, no amanhecer do dia 26 de agosto de 1961. Era um repórter da Associated Press, agência de notícias norte-americana. Ligava de Nova Iorque para ouví-lo sobre a renúncia do presidente Jânio Quadros, no dia anterior.
    Na condição de vice-presidente, Goulart presidia uma missão comercial que percorria o Extremo Oriente, em busca de negócios e investimentos para o Brasil. Estivera na República Popular da China, o maior país comunista do mundo e, na véspera, chegara a Singapura, “a esquina do mundo”.
    Jantara com parlamentares integrantes da missão num restaurante malaio, perto do hotel e se recolheu. Acordou com o telefone do repórter da AP. Disse que ia se informar para depois falar.
    Brinde com champanhe
    À hora do café, o senador Barros de Carvalho, pediu uma garrafa de champanhe para “brindar ao novo presidente do Brasil”. Jango atalhou: “Vamos brindar ao imprevisível”.
    Jango sabia que para assumir a presidência, como mandava a Constituição, teria que vencer “antigas e arraigadas resistências”.
    Os coronéis golpistas que o haviam derrubado do Ministério do Trabalho, em 1953, eram todos generais engajados no mesmo movimento que já levara Getúlio Vargas ao suicídio.
    Logo chegou a informação que de que os três ministros militares – Exército, Marinha e Aeronáutica – tinham divulgado uma nota conjunta dizendo que ele não poderia tomar posse.
    Em seguida chegou o telegrama com a íntegra da mensagem lida em sessão extraordinária do Congresso Nacional, pelo deputado Rainieri Mazzilli, presidente da Câmara:
    “Exmo. Sr. Presidente do Congresso Nacional
    Tenho a honra de comunicar a V.Exca. que na apreciação da atual situação política criada pela renúncia do Presidente Jânio Quadros, os Ministros Militares, na qualidade de Chefes das Forças Armadas, responsáveis pela ordem interna, me manifestaram a absoluta inconveniência, por motivos de segurança nacional, do regresso do vice-presidente João Goulart. Brasilia, 28 de agosto de 1961”.
    Acontecera o que era bem previsível. Desde que um manifesto de 300 coronéis o derrubara do Ministério do Trabalho, em 1953, Jango não era bem visto por certos setores militares. Aqueles coronéis, que estavam entre os que levaram Vargas ao suicídio em 1954, eram agora generais e não toleravam ver o “herdeiro de Vargas” no poder.
    Por algumas horas Jango ficou ao telefone tentando saber o que fazer. Até que chegou o chamado de Brizola. Estava analisando as possibilidades de resistir ao golpe. Combinaram que Jango se deslocaria para Montevidéu e aí aguardaria os acontecimentos.
    Aconteceu o que se sabe: com o apoio do comandante do III Exército (hoje Comando Militar do Sul) e da Brigada Militar, Brizola levantou o Rio Grande do Sul no movimento da Legalidade e garantiu a posse de Jango, ainda que com poderes limitados por uma emenda parlamentarista.
    Raul Riff, seu secretário de imprensa, registrou a frase de um entusiasmado parlamentar udenista: “Vamos fazer de Jango uma Rainha da Inglaterra. Sentará no trono mas não governará”.
    Um presidente sem forças querendo fazer reformas
    Jango tomou posse como presidente no dia 7 de setembro de 1961. Mas era um presidente sem força, pois o regime havia mudado para o parlamentarismo, onde quem governa é o primeiro-ministro e seu gabinete. Remendo para tirar os poderes de Goulart, o parlamentarismo foi uma sucessão de crises. Quatro primeiros-ministros foram nomeados em pouco mais de ano. Foi um período em que o país ficou praticamente paralisado pela crise política.
    Em janeiro de 1963, o Congresso aprovou a realização de um plebiscito, para o povo decidir se queria continuar no parlamentarismo ou preferia voltar ao presidencialismo. Sem aguentar mais aquela confusãoa, 80% dos eleitores votaram a favor do presidente.
    Jango se sentiu fortalecido e começou a trabalhar numa plataforma de reformas, que incluíam alguns temas explosivos, como o controle da remessa de lucros pelas empresas estrangeiras e a reforma agrária. Estes eram os principais pontos do programa de reformas:
    – controle dos investimentos estrangeiros e da remessa de seus lucros para o exterior
    -encampação das refinarias de petróleo pertencentes ao capital privado
    -monopólio da Petrobrás para importação de petróleo e seus derivados
    -novas normas para toda e qualquer concessão para exploração de riquezas minerais no país
    -desapropriação de latifúndios improdutivos
    -regras para o arrendamento, aforamento, parceria ou quaisquer outras formas de locação agrícola
    -incentivo à sindicalização rural
    -implantação da Eletrobrás
    -Lei de telecomunicações
    – Relações diplomáticas com a URSS e China
    -controle pelo Banco do Brasil dos preços das matérias primas importadas para a fabricação de medicamentos no país
    -reforma urbana
    -direito de voto ao analfabeto
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  • Ninguém acreditou, mas o golpe estava nas ruas

    O general Mourão Filho botou o golpe na rua às cinco hora da manhã de dia 31 de março de 1964. Ele ainda vestia seu roupão vermelho, (Diário) quando anunciou por telefone que ia marchar de Juiz de Fora com suas tropas para destituir o presidente da República no Rio de Janeiro.
    Como os jornais diários, que começaram a circular à hora em que Mourão disparava seus telefonemas, não traziam a notícia, o dia foi de muitos de boatos e escassas informações. Em Porto Alegre a primeira informação confiável de que havia um golpe em andamento chegou as 16h30 (Hélio Silva), através do rádio ao comando do III Exército, que reservadamente colocou suas unidades em prontidão. A notícia ficou restrita, no entanto.
    A tal ponto, que a festa de aniversário do prefeito da cidade, Sereno Chaise, iniciou por volta das 19 horas numa churrascaria e só foi interrompida por volta das dez da noite, quando alguém cochichou ao ouvido do aniversariante a informação recebida do Rio. Ele tomou o microfone, deu o aviso e convocou a todos para se deslocarem até a Prefeitura no centro da cidade e acompanhar os acontecimentos.
    Comício improvisado
    Um comício foi improvisado na frente da Prefeitura, mas como pouco se sabia do que estava acontecendo, rapidamente ele se esvaziou. Um grupo que se dirigiu à sede do governo estadual encontrou a praça vazia, o Palácio Piratini fechado, luzes apagadas, sem sinais de anormalidade. Foram todos para casa. Afinal, boato de que haveria um golpe não era novidade.
    Àquela altura o major Confúcio Pamplona, à paisana, entregava ao general Adalberto Pereira dos Santos um papel pardo escrito de próprio punho pelo general Castello Branco com os objetivos da “revolução”:
    a) restaurar a legalidade,
    b)restabelecer a Federação,
    c) eliminar o plano comunista da posse do poder, em desenvolvimento; defender as instituições militares, estabelecer a ordem para o advento das reformas legais.
    Comandante da 6ª Divisão de Infantaria, a principal força do III Exército no Sul, Adalberto era o chefe militar da conspiração no Estado. Pressionava inclusive o comandante geral, general Benjamin Galhardo, para que não reconhecesse o novo comandante que Jango havia nomeado naquela tarde para o III Exército, o general Ladário Telles. Telles deveria chegar a Porto Alegre na noite de 31 de março. Em vez de passar o cargo, Galhardo deveria prendê-lo.
    Perto da meia-noite, quando já estava para chegar o avião, Galhardo voltou atrás: “Eu não tomo uma decisão”, foi a frase que Krieger ouviu. O general Adalberto Pereira dos Santos passou a informação a Poty Medeiros, Secretário de Segurança, e este informou o governador Meneghetti, que decidiu deixar a capital.
    “Poucas são as possibilidades de resistência em Porto Alegre, cujo bravo povo está ameaçado pelas forças da violência e da opressão”, dizia o manifesto que Meneghetti deixou ao sair, para se pôr a salvo em Passo Fundo, a mais de 300 quilômetros da capital.
    O general Telles chegou a Porto Alegre a 1h20 da manhã, já no dia primeiro de abril. Enfrentou resistências, mas por fim conseguiu assumir o comando, na madrugada. As chances de resistência se esgotavam rapidamente.
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