A Comissão da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo, apresentou hoje (10) relatório que contradiz a versão oficial da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, na qual consta que ele foi vítima de um acidente de carro. Segundo as investigações da comissão,
Juscelino foi vítima de uma conspiração durante o período da ditadura militar, e sua morte foi planejada. O ex-presidente morreu em um acidente no dia 22 de agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro.
Conforme o relatório sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente, o motorista de Juscelino, Geraldo Ribeiro, estava debruçado, com a cabeça caída entre o volante e a porta do veículo, quando o carro perdeu o controle em uma curva e bateu na frente de uma carreta.
O relato foi feito pelo motorista aposentado Ademar Jahn, que conduzia um caminhão igual ao do amigo Ladislau Borges, no qual o carro bateu.
O acidente ocorreu cerca de três minutos depois que Juscelino e Ribeiro deixaram o Hotel-Fazenda Villa-Forte, do brigadeiro Newton Junqueira Villa-Forte, um dos criadores do Serviço Nacional de Informações (SNI), em Engenheiro Passos, Resende, no Rio de Janeiro.
O automóvel ia no sentido Rio de Janeiro, quando houve o acidente. Em depoimento na Comissão da Verdade, Josias Nunes de Oliveira, motorista do ônibus da Viação Cometa, que ultrapassou o Opala antes da batida, contou que, logo depois, o carro de Juscelino surgiu pela direita do ônibus, ultrapassando-o em velocidade excessiva e com manobra arriscada, descontrolado e desgovernado.
Além desses relatos, a Comissão da Verdade encontrou indícios de que os laudos de perícia do acidente e dos corpos das vítimas foram alterados. Um dos motivos pelos quais a comissão acredita nisso é o fato de o perito criminal Alberto Carlos de Minas ter dito que foi impedido por policiais e agentes de Estado de fotografar o crânio de Geraldo Ribeiro durante a exumação da ossada, em 14 de agosto de 1996.
O perito contou que viu um furo no crânio de Ribeiro, com características de perfuração por projétil, e que foi ameaçado para não vincular o acidente a um atentado político.
Prego do caixão
Há também relatos sobre um objeto metálico dentro do crânio, que os agentes disseram ser um prego do caixão.
O relatório mostra ainda que peritos foram substituídos, testemunhas sofreram ameaças e tentativas de suborno e que houve denúncias de que um tiro foi disparado de um automóvel emparelhou com o Opala.
De acordo com o relatório, testemunhas não foram procuradas para contribuir com as investigações na época e houve denúncia de que os telefones de Juscelino e de pessoas ligadas a ele estavam grampeados e, por isso, agentes do governo militar sabiam de todos os seus passos. Além disso, traz relatos da própria família do ex-presidente, que tinha informações sobre as suspeitas de assassinato.
O presidente da Comissão Municipal da Verdade, Gilberto Natalini, disse que o documento é oficial e será encaminhado às principais autoridades do país para que essa versão seja assumida como a verdadeira história do Brasil. “Se estiverem vivos, os que fizeram têm que ser punidos. Ninguém pode matar e ficar impune.
O crime prescreve com 20 anos, mas há alguns que defendemos que não seja assim, e esse foi um assassinato cruel de um dos presidentes da República mais queridos pelo povo.”
Natalini ressaltou que vários pontos do relatório são relevantes e indicam que o documento deve ser acatado pelas autoridades como a versão verdadeira da morte do ex-presidente. Entre esses pontos, ele destaca o depoimento do motorista que vinha atrás da carreta em que o carro bateu.
“Temos vários outros pontos relevantes, mas o orifício no crânio do motorista, que foi visto pelo perito, é importante; o fragmento de metal que estava no crânio ser descrito como prego do caixão. Como pode um prego ir parar dentro do crânio? Nós não acreditamos nisso. E [havia] toda a conjuntura política do Brasil, com Juscelino indo para uma candidatura indesejada por muitos.”
O vereador disse esperar que as autoridades entendam que o trabalho foi sério, porque a comissão enviará uma quantidade enorme de provas de tudo o que está escrito no relatório. O documento deve ser enviado para a presidenta Dilma Rousseff, entre outras autoridades.
“Vamos aguardar o relacionamento com as autoridades federais, que têm autoridade legal para fazer essa mudança. Nós temos autoridade moral pela forma como conduzimos a investigação”, concluiu Natalini.
Categoria: X.Categorias velhas
-
"O motorista de Juscelino foi baleado na cabeça"
-
DAER tenta controlar a rodoviária de POA
Paulo Ricardo Velho, diretor de transportes rodoviários do DAER, iniciou o mês de dezembro de 2013 com um calhamaço de 300 páginas em sua mesa: é a minuta do edital de concessão da Estação Rodoviária de Porto Alegre, documento que precisa ser revisto depois de passar pelo crivo da Procuradoria Geral do Estado, a Agergs e a Secretaria da Fazenda.
Após a publicação do edital, os candidatos terão 30 dias para apresentar suas propostas, mas parece pouco provável que haja concorrência para a Veppo & Cia, a empresa originária de Vacaria que desde 1954 detém a concessão de POA e há 11 anos obteve até 2015 uma renovação posteriormente revogada pelo Conselho Rodoviário, órgão máximo do DAER. Na prática, o assunto tem potencial para congestionar alguma vara da Justiça. Na defensiva, a Veppo não respondeu a questionamentos feitos pelo JÁ.
Assim, em vez dos 25 anos para as grandes rodoviárias do Estado, o prazo de renovação da concessão será de apenas cinco anos. Nesse período, embalado na nova onda da mobilidade urbana, o DAER premedita lançar as bases de transformação da rodoviária da capital num terminal multimodal de transportes que contemple não apenas os passageiros de ônibus interurbanos, mas também os de trem, metrô, aquavias e ciclovias, além dos passageiros de ônibus urbanos. Tudo isso depende da integração de vários órgãos públicos municipais, estaduais e federais naturalmente dispersos e divididos por múltiplos interesses partidários.
O DAER chegou a dar um passo nesse sentido ao lançar um concurso arquitetônico visando uma reforma (com ampliação) do prédio da rodoviária, que pertence ao DAER. Só apareceram dois candidatos – um com uma proposta modesta, outro mais sofisticado.
Pesados os projetos, concluiu-se que nenhum deles serviria às necessidades de modernização da estação rodoviária metropolitana. Afinal, o terminal cumpre satisfatoriamente sua missão de interligação rodoviária mas não tem condições de se transformar num grande centro de compras e serviços porque seu público, composto por uma média de 20 a 40 mil pessoas por dia, tem baixo poder aquisitivo. A renda média dos usuários da rodoviária é de 3 salários mínimos. Apenas 20% do público ganha mais do que 5 salários.
Ricardo Nunez, superintendente de terminais rodoviários do DAER, acredita que a Copa do Mundo de 2014 não deverá trazer maiores congestionamentos do que os provocados por feriadões, já que o turista cultural ou esportivo usa vans e ônibus de excursão que partem de outros pontos, como hoteis.
Das outras grandes rodoviárias do Estado, a de Santa Maria acaba de ser concedida ao mesmo concessionária (Irmãos Aita) que a explora desde 1942. A de Pelotas teve o edital de licitação revogado porque o terminal rodoviário pertence ao município que o explora por meio de uma autarquia. O DAER e a Prefeitura local negociam um acordo. O DAER tem direito a 3% do faturamento com passagens rodoviárias, mais uma taxa de manutenção variável. Na soma total, isso representa R$ 6 milhões que vão por ano para o caixa único do Estado.
LINHAS DE ÔNIBUS
Na última semana de novembro, o DAER assinou com a Gistran, de Brasília, o contrato para a elaboração da matriz do transporte intermunicipal de passageiros. A empresa brasiliense, que já prestou esse serviço a outros estados, vai fazer uma pesquisa de origem/destino de passageiros visando dimensionar mercados regionais e estudar a necessidade de criar novas linhas de ônibus ou mudar os atuais fluxos. Em 2015, portanto, o DAER estará apto a leiloar linhas rodoviárias por mercados, o que pode levar ao desmanche de monopólios estabelecidos há décadas. -
O Rio Grande movido a lenha, e com menos erva
O Rio Grande do Sul é o campeão nacional da lenha, diz a Pesquisa de Extração Vegetal e Silvícola do IBGE, que investiga 45 produtos (38 do extrativismo vegetal e sete da silvicultura), em todos os municípios brasileiros.
Açaí, látex, cera de carnaúba, piaçava, casca de angico, de acácia, babaçu, pequi, castanha-do-pará e urucum estão entre estes produtos que, muitas vezes, são a única fonte de renda das populações extrativistas.
Foram produzidas 14,5 milhões de metros cúbicos de lenha no Estado em 2012, ou 25% da produção nacional. Entre os vinte maiores produtores do país, oito municípios são gaúchos: Butiá, Santa Cruz do Sul, Encruzilhada do Sul, Pantano Grande, São Jeronimo, Vale Verde , Vale do Sol e Venâncio Aires.
Como era previsto, também aumentou a oferta de madeira em tora para celulose, de 2.4 milhões de metros cúbicos para 2.6 milhões em 2012, perfazendo 3.6% da produção nacional, o 8o fornecedor do país. Esta madeira vem de Tabaí, Barra do Ribeiro, Dom Feliciano e redondezas. A produção de madeira em tora para outras finalidades também aumentou, de cinco para quase 5,3 milhões de metros cúbicos, o 5o produtor, com participação de 9% na produção nacional.
Toda casca de acácia negra do Brasil sai da Serra gaúcha, mas a produção caiu de 105,5 mil toneladas em 2011 para 103 mil toneladas no ano passado. Serve especialmente para extrair tanino. Também caíram a produção de resina oriunda do litoral sul (de 21,6 para 20,8 mil toneladas, 2º produtor do Brasil, 28,2% da produção nacional), e de erva-mate. Ao contrário do que reza o imaginário popular, o Rio Grande do Sul é o 3o produtor do país, e respondeu por apenas 9% da produção em 2012: 22,7 mil toneladas. Haviam sido 23.6 mil toneladas em 2011. -
Quadrilha da Procempa ameaça testemunha
Arthur Danton
Ao apresentar-se à CPI da Procempa, uma testemunha revelou que recebeu ameaças se “falasse demais”. Um homem armado entrou no seu carro e falou de sua filha, um bebê. Por isso, não daria novas informações. Ela apenas confirmou informações que a CPI já tinha. Disse ter orientação de seus advogados para falar somente em juízo. Outra testemunha aguardada na sessão da manhã de hoje não compareceu.
O presidente da CPI, vereador Mauro Pinheiro, considerou o fato grave, mas não se surpreendeu. “É uma quadrilha”, disse. “É o primeiro caso de uma testemunha revelar ameaças publicamente, mas duas outras já tinham informado que não falariam tudo o que sabem em razão de terem sido ameaçadas.”
A revelação de uma testemunha de que havia sofrido ameaças de morte marcou a sessão da CPI da Procempa, realizada nesta quarta-feira (4) no plenário da Câmara Municipal. A sessão foi breve, já que Adriana Nunes Boniatti, ex-funcionária da estatal de tecnologia da informação de Porto Alegre, invocou o direito constitucional de permanecer calada. A outra depoente esperada não compareceu.
Boniatti disse aos vereadores que recebeu ameaças por telefone, mas que o episódio que a deixou mais assustada ocorreu em outubro, quando voltava para casa à noite. Um homem armado entrou no seu carro e lhe disse para ter muito cuidado, pois sofreria as conseqüências se falasse demais, mencionando inclusive sua filha de nove meses.
Só em juízo
O incidente ocorreu após ela ter comparecido ao Ministério Público para depor sobre o caso. Após procurar orientação legal, Boniatti decidiu que só falaria em juízo.
O vereador Mauro Pinheiro (PT), presidente da CPI, considerou o fato gravíssimo, mas diz não se surpreender diante do esquema de quadrilha que se está constatando nas investigações, o qual teria desviado em torno de R$ 50 milhões segundo avaliação do Ministério Público.
O vereador disse que este é o primeiro caso de uma testemunha revelar ameaças publicamente, mas duas outras já lhe tinham informado que não falariam tudo o que sabem em razão de terem sido ameaçadas.
Ainda assim, Boniatti dispôs-se a responder algumas perguntas dos vereadores. Ela confirmou o que havia sido revelado por outra depoente quanto ao modo como frequentemente eram realizados pagamentos de fornecedores na Procempa.
Em novembro, a supervisora de Licitações e Compras da Procempa, Clarisse Lemos da Costa, tinha revelado à CPI que licitações eram forjadas, por meio da elaboração e tramitação dos documentos após a realização dos serviços e seu pagamento.
Boniatti ressalvou que não era ordenadora de despesas. Afirmou que, na sua condição de funcionária com cargo em comissão, a pressão era muito grande no sentido de fazer o que lhe era ordenado sem questionar.
Quanto à depoente que faltou à sessão, Lucia Solassi Manfrói, também ex-funcionária da Procempa, Pinheiro disse que seu depoimento será remarcado. E no caso de não comparecer pela segunda vez, a Câmara solicitará auxílio à Justiça para que seja cumprida a convocação da CPI. -
Associação do Centro contra o Edifica POA
Paulo Guarnieri, Associação do Centro
A cidade pulsa, se arvora, e desabrocha em lutas pela vida, por todos os cantos. Nosso desafio é uni-las.
O Centro Histórico e a orla são os pontos mais vulneráveis, objetos de cobiça predatória da especulação imobiliária.
A prioridade atual da Associação do Centro é impedir que uma nova lei aprovada na Câmara, que incentiva a conclusão de obras inacabadas, venha a beneficiar dois empreendimentos ainda não iniciados na Rua Duque de Caxias, em terrenos localizados em ambos os lados do Museu Julio de Castilhos.
Serão quatro torres (uma para hotelaria), com demanda de construção de quatro pisos acima da garagem do Zaffari Fernando Machado, só para atender às vagas de estacionamento. Pólos geradores de trânsito serão implantados em região já saturada, o que levará o lugar a uma condição insustentável. O Impacto de Vizinhança e o dano ao Patrimônio Histórico e Cultural são incalculáveis.
Agora chega a fase da sanção da Lei. Na próxima segunda feira, dia 02/12, às 17h30, promoveremos um ato de entrega ao Prefeito de uma carta da comunidade do Centro Histórico, solicitando veto parcial, assinada por apoiadores de todas as lutas. A comunidade está desgastada por mais de um ano de embate frente ao parlamento, já esgotada e sem esperanças.
Precisamos da ajuda de tod@s!
Acreditamos firmemente que uma demonstração unitária de tod@s será fundamental para impedirmos que a intenção prospere com a validação integral da lei.
Solicito a tod@s que puderem colaborar que respondam esta mensagem, confirmando a presença na segunda feira e/ou assinando em apoio à comunidade.
Para assinar o documento, o mesmo (anexo) estará disponível na Câmara de Vereadores, sala 263 – Ala Sul. Em último caso posso recolher a assinatura, desde que seja na região mais central: Centro, Cidade Baixa, Farroupilha, Bom Fim, Independência, Floresta (estes últimos até a Ramiro).
Os apoiadores que quiserem, em seus círculos de contatos, poderão coletar assinaturas de apoio, levando posteriormente no ato de entrega da segunda feira.
Aproveitamos também para lembrar que na terça feira, dia 03/12, às 14h30, na Sede da Defensoria Pública, ocorrerá o ato de entrega, junto com Dr. Arno Carrard, do “PEDIDO DE APOIO PARA DEMANDAS DESTINADAS À TUTELA COLETIVA, ESPECIALMENTE LIGADAS AO MEIO AMBIENTE”. -
Cinema africano no Cine Bancários
Mazeko concentra a ação do filme nos anos 1950, tendo, como cenários, principalmente: a redação da revista Drum – fundada pelo inglês Jim Bailey, e que foi o primeiro veículo a tratar sobre o estilo de vida dos negros africanos; e o bairro Sophiatown, em Joanesburgo, um reduto cosmopolita, boêmio, violentíssimo, e insubmisso as leis do apartheid impostas a partir de 1948.
Nesses ambientes, reina uma atmosfera de puro jazz, filme noir e aventura, onde tudo aparenta ser um convite a escrever narrativas. É neles que, movidos a muito álcool, circulam Nxumalo (interpretado pelo ator americano Taye Diggs) e sua turma – jornalistas e escritores negros de Joanesburgo, entre os quais Can Themba (1924-1968). Todos brindam ao lema romântico: viver rápido, morrer jovem, ser um belo cadáver”.
Ditado que Nxumalo, não por sua vontade, cumpriu a risca. Natural da província de Natal, África do Sul, Henry Nxumalo viveu pouco, apenas 38 anos, tempo suficiente para se tornar um dos maiores ícones do jornalismo do continente negro e inspiração para qualquer jovem repórter.
Para fazer suas reportagens, Nxumalo colocava, literalmente, as mãos na merda. Empregou-se como camponês para poder investigar o trabalho semiescravo, que incluía castigos físicos, nas plantações. Noutra ocasião, fingindo-se de bêbado, desacatou as autoridades para ser preso e, através de sua experiência, denunciar o tratamento desumano e abjeto das prisões sul-africanas.
Matérias que têm como pano de fundo a luta antiapartheid. É neste contexto que, no filme, aparece o jovem Nelson Mandela (Lindane Nkosi), liderando uma passeata contra a exigência de salvo-condutos para circulação dos negros em certas zonas, e cuja sentença dita pelo policial encarregado de reprimir a manifestação resume o espírito colonial, não há negociação possível: “nós mandamos e vocês nos servem”.
Mazeko livrou-se dos clichês conhecidos do politicamente correto e coloca algumas mazelas existenciais – incluindo sexo inter-racial – pois, além da cor da pele há toda uma complexidade subjetiva gerada pelo colonialismo europeu, onde as vítimas também se deixam manusear por seus carrascos, como salienta o diálogo, no final do filme, entre Nxumalo e o gangster, seu suposto assassino.
Nxumalo, quando foi morto, fazia uma reportagem sobre a prática de abortos clandestinos. No filme, o crime ocorre após a denúncia sobre o que estava por trás da reurbanização bairro de Sophiatown, onde seus antigos moradores – negros, indianos – foram expulsos, suas casas destruídas, para dar lugar a um empreendimento imobiliário destinado à população branca.
Em muitos aspectos, Henry Nxumalo faz lembrar o jornalista gaúcho Tim Lopes, assassinado por narcotraficantes no Rio de Janeiro, em 2002, quando colhia elementos para uma reportagem sobre o comércio de drogas e o crime organizado nas favelas cariocas.
Tim, ganhador de um prêmio Esso – e que chegou a internar-se numa clínica de dependentes químicos para fazer uma matéria sobre o assunto – conhecia a arte da reportagem e também seus riscos. Como Nxumalo, pagou com a sua vida por aquilo que julgou, enquanto jornalista, ser a sua missão: narrar a vida, contar a verdade.
Programação: Mostra de Cinema Africano. Sessões gratuitas. Cine Bancários (Rua General Câmara, 424).
28 de novembro:
15h – Tabataba;
17h – Heremakono – à espera da felicidade;
19h – Minha voz
20h30min: debate com Mahomed Bamba, autor do livro “Filmes da África e da diáspora: objetos de discursos”, de 2012.
29 de novembro:
15h – Drum;
17h – Djeli;
19h – Tabataba
30 de novembro:
15h – Jom ou a história de um povo;
17h – O vento;
19h – Minha Voz
Primeiro de dezembro:
15h – Identidade;
17h – Buud Yam;
19h – Sessão Baobá de cinema: “Raça, Um filme sobre a igualdade”, de
Joel Zito Araújo e Mecan Mylan, 2012. -
Rodovia da soja fica com a Odebrecht
A Odebrecht Transport venceu hoje de manhã o leilão para explorar 850 quilômetros da BR-163, em Mato Grosso, ao oferecer deságio de 52% na tarifa de pedágio: 2,63 reais a cada 100 quilômetros, longe do teto de 5,50 reais. “O Mato Grosso cresce mais que o Brasil”, justificou a jornalistas o diretor de rodovias da empresa, Renato Mello.
A “rodovia da soja” transporta as commodities agrícolas para os portos do Sul e Sudeste e passa por Rondonópolis, onde este ano foi inaugurado o maior complexo intermodal no país, a principal vitrine do governo em logística de transportes. O contrato prevê investimentos de R$ 4,6 bilhões em 30 anos, incluindo a construção de um contorno de 10,9 km em Rondonópolis.
A segunda colocada no leilão foi a Triunfo Participações e Investimentos (deságio de 46%). Em seguida, a Invepar (43%), CCR (35%), o consórcio liderado por Fidens (31%), o consórcio da EcoRodovias (27,6%) e, por último, a Galvão Engenharia (deságio de 3%).
Com informações da Agência Brasil/Bovespa. -
Trem da ALL mata oito pessoas em São Paulo
Entre os oito mortos em São José do Rio Preto, uma criança e uma gestante. Outras oito pessoas ficaram feridas. O trem da América Latina Logística (ALL), com nove vagões carregados de milho atingiu quatro residências no final da tarde de ontem. As buscas por vítimas que ainda possam estar soterradas continua hoje. Três postes derrubados deixaram a região sem energia elétrica e telefone.
Peritos do Instituto de Criminalística suspeitam que as causas do acidente sejam falta de manutenção na via férrea (dormentes podres) e de um problema mecânico: defeito nos freios.
Em nota, a ALL disse que “prestará todo suporte e apoio”.
O descarrilamento de um trem ontem (24), na cidade de São José do Rio Preto (SP), provocou a morte de oito pessoas, sendo uma criança e uma gestante, além de oito feridos sem gravidade. Segundo a Defesa Civil do Estado, o trem de carga da empresa América Latina Logística (ALL) tinha nove vagões, que transportavam milho.
A composição atingiu quatro residências, por volta das 18 horas, deixando as vítimas soterradas. Equipes do Corpo de Bombeiros permanecem no local buscando vítimas que podem ainda estar soterradas.
Peritos do Instituto de Criminalística suspeitam que as causas do acidente podem ter sido falta de manutenção na via férrea, devido aos dormentes que estariam podres, e de um problema mecânico: defeito nos freios de uma das composições. A Polícia Civil vai instaurar inquérito para averiguar as causas do acidente.
As casas, localizadas entre as Ruas Osvaldo Aranha e Presidente Roosevelt, no Jardim Conceição, foram vistoriadas pela Defesa Civil, a qual constatou que duas delas estão completamente destruídas e duas estão parcialmente danificadas, e permanecerão interditadas até o término dos trabalhos de busca por vítimas. A queda de três postes também deixou os moradores da região sem energia elétrica e telefones.
A América Latina Logística, responsável pela operação no trecho, enviou nota lamentando a fatalidade e se solidarizando com as famílias e vítimas. A empresa informou que prestará todo suporte e apoio. A nota ainda nega o relato de testemunhas, de que o trem estivesse trafegando em alta
velocidade antes do acidente. “Por meio do centro que controla remotamente, via satélite, toda a operação, a empresa confirmou que a composição transitava dentro dos limites de velocidade do trecho. As causas do acidente serão investigadas por meio de sindicância”.
Da Agência Brasil -
Acabar com o crédito ou ressarcir os maiores de 50
Brasília – O procurador do Banco Central, Isaac Sidney Menezes Ferreira, disse hoje (22) que o sistema bancário deve ter prejuízo aproximadamente R$ 149 bilhões se o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que os bancos devem pagar diferença nas perdas no rendimento de cadernetas de poupança causadas pelos planos econômicos Cruzado (1986), Bresser (1998), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991).
O procurador, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reuniram-se com o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, e com outros ministros para defender a manutenção da validade dos planos.
O Supremo marcou para a próxima quarta-feira (27) o julgamento da ação na qual a Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif) pretende confirmar a constitucionalidade dos planos econômicos.
Na mesma ação, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) pede que os bancos paguem aos poupadores os prejuízos financeiros causados pelos índices de correção dos planos inflacionários. Ao todo, 390 mil processos estão parados em várias instâncias do Judiciário aguardando a decisão do Supremo.
De acordo com o procurador do BC, o governo federal prevê a retração de crédito nos bancos públicos e privados, com a redução de crédito no sistema financeiro. “Se a decisão for favorável à tese dos poupadores, isso vai significar perda de R$ 105 bilhões em valores de 2005 e R$ 149 bilhões em valores de 2013, atualizados.
Significa reduzir um quarto do capital do sistema financeiro nacional com impactos para concessão de crédito, significa uma retração de crédito na ordem de R$ 1 trilhão”, ressaltou.
Fonte: Agência Brasil -
Sem caixa, Dnit atrasa pagamento de obras
Longe dos holofotes, o general Jorge Ernesto Fraxe fez um relato preocupante sobre a situação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que ele chefia desde a “faxina ética” patrocinada pela presidente Dilma Rousseff em 2011: há atrasos nos pagamentos a empreiteiras responsáveis por serviços já executados nas rodovias federais, riscos de descumprimento no calendário de obras e ações nos tribunais contra a autarquia.
Fraxe, diretor-geral do Dnit, expôs esses problemas em ofício reservado que mandou ao ministro dos Transportes, César Borges, na terça-feira. Ele inicia o ofício com a informação de que o departamento tem R$ 499,9 milhões de obras com “medições já liquidadas”, mas se vê “impedido de emitir ordem bancária de pagamento” às empresas.
“Esta situação se repete há mais de três meses, o que vem a contribuir para o prejuízo na credibilidade do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] junto ao mercado construtor”, afirmou Fraxe no ofício, ao qual o Valor teve acesso.Com franqueza, o general deu sequência ao desabafo, fazendo um alerta:
“Considero tal situação grave e adianto que o Dnit já começou a receber ações judiciais por atraso em pagamentos de serviços utilizados. Além do mais, atrasos em pagamentos refletem-se em atrasos no cronograma de entrega das obras”.Para finalizar, Fraxe pediu o apoio do ministro para “sensibilizar os gestores governamentais” sobre a necessidade de “dispor de fluxo de caixa para fazer frente ao pagamento mensal dos mais de mil contratos ativos” do departamento.
O assunto do ofício reforça o tom de urgência: “necessidade de recursos financeiros para cumprimento das metas estabelecidas pelo PAC”.A carta do general deu a impressão, em executivos do setor privado que lidam rotineiramente com o Dnit, de que o departamento tornou-se a mais nova vítima do esforço governamental em conter gastos e dar ao mercado uma resposta de austeridade após o déficit primário de R$ 9 bilhões no mês de setembro – incluindo Estados e municípios.
Fonte: Folha.com
