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  • O elefante e os que não enxergam

    Destaco três fatos do noticiário que nos assola:
    -o reconhecimento da Globo de que errou ao apoiar o golpe militar de 1964;
    -o controle da natalidade que o povo (os mais pobres principalmente) está fazendo espontaneamente;
    -a extinção da votação secreta nos parlamentos, aprovada pela Câmara Federal.
    São três fatos que indicam um momento de ruptura – um tempo ficou velho, um novo tempo já foi inaugurado. Que tempo é esse?
    Diante dessa pergunta, me sinto como um aqueles cegos da piada, que apalpam um elefante. Sei que o negócio é grande, não sei se é um prédio, uma ponte ou uma mangueira que respira.

  • Câmara acaba com voto secreto. Falta o Senado

    A medida vale para as deliberações da Câmara, do Senado, das assembleias legislativas, da Câmara Legislativa do Distrito Federal e das câmaras de vereadores. Aprovada em segundo turno, a matéria será analisada ainda pelo Senado, também em dois turnos.
    No caso do Senado, por exemplo, o voto secreto não será mais usado na aprovação de indicações de ministros dos tribunais superiores; de ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) feitas pelo presidente da República; de presidente e diretores do Banco Central; do procurador-geral da República; de chefes de missão diplomática de caráter permanente; e da exoneração, de ofício, do procurador-geral da República antes do término do mandato.
    O voto aberto também valerá para a análise de vetos pelo Congresso Nacional (sessões conjuntas da Câmara e do Senado).
    Fonte: Agência Câmara

  • Estudantes da PUCRS assaltados na sala de aula

    Um grupo de alunos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) foi surpreendido por um homem que invadiu o recinto e anunciou o crime: “Seguinte, silêncio, não quero ninguém reagindo que isso aqui é um assalto”, avisou segundos antes de sacar um revolver preto da cintura e apontar para cerca de 20 jovens que assistiam ao trabalho de um grupo de colegas.
    Eram 22h15min de 02/09, segunda-feira. O crime aconteceu na sala 312, no terceiro andar do prédio do curso de Jornalismo da instituição. As vítimas foram obrigadas a depositar dinheiro, celulares e notebooks em uma mochila que o assaltante deixou em cima de uma mesa. O estrago poderia ter sido pior. A turma estava com a metade dos alunos, pois naquele instante acontecia uma palestra no auditório da universidade. A professora e jornalista Roberta Manica, que conduzia a turma, tentou acalmar os ânimos, mas houve momentos de tensão quando um estudante tentou se negar a entregar um notebook.
    Assim que roubou tudo o que podia, o bandido saiu da sala deixando instruções às vítimas e uma pontinha de racismo: “esperem 30 minutos, liguem pra polícia e digam que foram dois ‘negão’ que assaltaram vocês”. A professora Roberta Manica, que ficou com o celular, ligou para a PUCRS em consenso com os alunos. A resposta da instituição foi um segurança 10 minutos depois, achando que a história era brincadeira.
    Segundo os depoimentos, o homem teria 1,70m, pele parda, vestia um moletom cinza e carregava um revolver preto calibre 38. O aluno que discutiu com o assaltante por causa do notebook jura que a arma era de brinquedo.
    O fato é que o homem já perambulava livremente pelos corredores da universidade momentos antes do crime acontecer e levantava suspeitas de alunos: “Era um cara bem diferente do que estamos acostumados a ver na Famecos. Ele estava desde o inicio da aula no corredor andando de um lado pro outro”, explica uma estudante em sua página do Facebook. Ela conta que ficou desconfiada e tentou alertar a secretaria da instituição, mas desistiu devido a brincadeiras dos colegas. Se alguém abordava o sujeito ele dizia que estava “esperando o irmão”.
    A faculdade de comunicação social (Famecos), assim como diversas outras unidades da PUCRS, mantém acesso livre para transeuntes, o que facilitou a ação do assaltante. Seguranças não costumam circular dentro dos prédios e documentos de identificação só são exigidos para acessar os laboratórios. Este acesso acontece por meio de um cartão magnético, onde consta apenas o nome e matrícula do aluno, sem foto. Tanto que é comum colegas emprestarem seus cartões para terceiros, mesmo que exista punição quando a prática é flagrada.
    Até às 1h30min do dia 03/09 a PUCRS ainda não havia se manifestado oficialmente ou dado qualquer tipo de suporte aos estudantes, que foram aconselhados a registrar boletins de ocorrência em qualquer delegacia. O site da instituição marista era um mar de tranquilidade.
    O clima na universidade foi de surpresa, medo e indignação. Alunos e professores custam a acreditar no fato. Um grupo convoca manifestações nas redes sociais exigindo mais segurança e em poucas horas reúne mais de 500 membros. No meio deste tumulto de reações e sentimentos um estudante de 22 anos que presenciou o crime e pediu para não ser identificado desabafa: “A gente não sabe o que esperar, e acha que na sala de aula está seguro. Só que não está. Tenho medo de voltar pra aula”.
    (Texto: Tiago Lobo. Foto: câmeras de segurança da PUC))

  • Nota do Barão de Itararé sobre editorial de O Globo

    O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé lançou uma nota pública sobre o editorial de O Globo de sábado, 31/8, em que o jornal avalia que foi um erro ter apoiado o golpe de 1964. “Não foi apenas um apoio. Foi uma parceria simbiótica. Um crime. Um crime de uma organização que se transformou em ferramenta dos militares para consolidar sua hegemonia e que também tem em suas mãos o sangue de todos os mortos pelo regime autoritário”, diz a nota.
    “Quantos anos ainda serão precisos para a Globo fazer a autocrítica pela cobertura das greves de 1979? Quando vão fazer a autocrítica pelas movimentações contra Brizola em 1982? “Quando vão reconhecer o erro da edição do debate de Lula e Collor em 1989 e do apoio ao ‘caçador de marajás’?
    Quando farão a autocrítica por terem sido contra as cotas, por não terem noticiado os escândalos da Era FHC, pela construção da agenda das privatizações e pelos esforços na defesa da agenda neoliberal no Brasil? Quando as Organizações Globo farão a autocrítica pela maneira criminosa como cobrem os movimentos sociais?” Clique no título para ler a íntegra.
    O assunto da semana é o editorial do jornal O Globo de sábado, 31/8. No texto, a empresa reconhece o apoio ao Golpe de 1964 e afirma que essa postura foi um erro. O mesmo editorial também reconhece o que todo mundo já sabia: que o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Correio da Manhã e outros veículos também foram coniventes com a ditadura que se constituiu em um dos capítulos mais vergonhosos da história do Brasil.
    O que o Jornal O Globo fez durante a ditadura militar, não foi apenas um apoio. Foi uma parceria simbiótica. Um crime. Um crime de uma organização que se transformou em ferramenta dos militares para consolidar sua hegemonia e que também tem em suas mãos o sangue de todos os mortos pelo regime autoritário. Um crime que fez a família Marinho ter hoje três dos seus herdeiros entre os 10 homens mais ricos do Brasil.
    Um crime que acobertou outros crimes, como o impedimento da instalação de um CPI para investigar o acordo Globo-Time Life em 1966; que garantiu o aproveitamento da Embratel (uma das primeiras estatais criadas pelo Governo Militar) para desenvolvimento desse império das comunicações, que segue até hoje usando o poder construído através da colaboração com um dos regimes mais sangrentos da história do Brasil para tentar ditar os rumos da política no nosso País. Um crime que permite que essa empresa continue até hoje cometendo outros crimes, como por exemplo, usar do seu poder de comunicação para pautar a agenda política de governos, travestindo sua imposição de pautas e prioridades sob uma falsa prestação de serviço e capitalizando para si as ações realizadas pelo poder público em suas variadas esferas.
    Caçador de Marajás
    Quantos anos ainda serão precisos para a Globo fazer a autocrítica pela cobertura das greves de 1979? Quando vão fazer a autocrítica pelas movimentações contra Brizola em 1982? Quando vão reconhecer o erro da edição do debate de Lula e Collor em 1989 e do apoio ao “caçador de marajás”? Quando farão a autocrítica por terem sido contra as cotas, por não terem noticiado os escândalos da Era FHC, pela construção da agenda das privatizações e pelos esforços na defesa da agenda neoliberal no Brasil? Quando as Organizações Globo farão a autocrítica pela maneira criminosa como cobrem os movimentos sociais?
    As Organizações Globo fazem a autocrítica ao apoio à ditadura, mas não fazem a autocrítica de quanto esse apoio foi lucrativo. Em seu discurso ainda são presentes as velhas mentiras para justificar o injustificável. Reconhecem o que dizem ser um erro, mas justificam na base de mentiras, mais uma vez tentando escrever a História do Brasil através de deturpações que reafirmam sua falta de compromisso com o Brasil. Uma autocrítica forçada pelas ruas, que gritou a plenos pulmões não apenas que “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”, mas que também gritou “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.
    Com a credibilidade cada vez menor, as Organizações Globo tentam forjar uma autocrítica para se preparar para a disputa eleitoral que se avizinha, mas dessa vez o cenário será diferente. Não aceitaremos mais as velhas mentiras e nem permitiremos que mais uma vez essa máfia midiática use do seu poder para iludir a população brasileira.
    O Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé denuncia a falsa autocrítica publicada pelo Jornal O Globo e reafirma sua posição de lutar contra os impérios da comunicação que servem às elites conservadoras desse país, seguindo na busca pela construção de novas mídias que sejam capazes de representar esse novo momento vivido pelo País e que possam sepultar, de uma vez por todas, o espectro das mídias golpistas forjando assim uma nova comunicação no Brasil.
    A real autocritica sobre a relação promíscua das Organizações Globo com o nefasto Golpe Militar deve ser feita pelo Estado brasileiro, através da Comissão Nacional da Verdade, investigando a fundo o dia a dia de colaboração da Rede Globo e da grande mídia burguesa nacional com o regime assassino que derramou muito sangue, de brasileiros e brasileiras, no solo de nossa pátria. Trazer à luz da sociedade a verdade sobre o real papel da imprensa golpista no empenho contra a emancipação do povo brasileiro é dever do Estado, pois a memoria de um povo é fundamental para que se possa tentar evitar que os erros do passado se repitam.
    A verdade é mesmo muito dura, a Rede Globo apoiou e parasitou a ditadura!
    O Povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!

  • O Globo reconhece: apoio ao golpe foi um erro

    “A consciência não é de hoje, vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da História, o apoio se constituiu um equívoco”
    RIO – Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura. Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.
    Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.
    Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.
    Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.
    De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar:
    1964
    “Diante de qualquer reportagem ou editorial que lhes desagrade, é frequente que aqueles que se sintam contrariados lembrem que O GLOBO apoiou editorialmente o golpe militar de 1964.
    A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e o “Correio da Manhã”, para citar apenas alguns. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.
    Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos — Jango era criticado por tentar instalar uma “república sindical” — e de alguns segmentos das Forças Armadas.
    Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O GLOBO foi invadido por fuzileiros navais comandados pelo Almirante Cândido Aragão, do “dispositivo militar” de Jango, como se dizia na época. O jornal não pôde circular em 1º de abril. Sairia no dia seguinte, 2, quinta-feira, com o editorial impedido de ser impresso pelo almirante, “A decisão da Pátria”. Na primeira página, um novo editorial: “Ressurge a Democracia”.
    A divisão ideológica do mundo na Guerra Fria, entre Leste e Oeste, comunistas e capitalistas, se reproduzia, em maior ou menor medida, em cada país. No Brasil, ela era aguçada e aprofundada pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros.
    Militares exigem condições
    Obteve, então, os poderes plenos do presidencialismo. Transferir parcela substancial do poder do Executivo ao Congresso havia sido condição exigida pelos militares para a posse de Jango, um dos herdeiros do trabalhismo varguista. Naquele tempo, votava-se no vice-presidente separadamente. Daí o resultado de uma combinação ideológica contraditória e fonte permanente de tensões: o presidente da UDN e o vice do PTB. A renúncia de Jânio acendeu o rastilho da crise institucional.
    A situação política da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de “base” “na lei ou na marra”. Os quartéis ficaram intoxicados com a luta política, à esquerda e à direita. Veio, então, o movimento dos sargentos, liderado por marinheiros — Cabo Ancelmo à frente —, a hierarquia militar começou a ser quebrada e o oficialato reagiu.
    Naquele contexto, o golpe, chamado de “Revolução”, termo adotado pelo GLOBO durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter no Brasil uma democracia. Os militares prometiam uma intervenção passageira, cirúrgica. Na justificativa das Forças Armadas para a sua intervenção, ultrapassado o perigo de um golpe à esquerda, o poder voltaria aos civis. Tanto que, como prometido, foram mantidas, num primeiro momento, as eleições presidenciais de 1966.
    O desenrolar da “revolução” é conhecido. Não houve as eleições. Os militares ficaram no poder 21 anos, até saírem em 1985, com a posse de José Sarney, vice do presidente Tancredo Neves, eleito ainda pelo voto indireto, falecido antes de receber a faixa.
    No ano em que o movimento dos militares completou duas décadas, em 1984, Roberto Marinho publicou editorial assinado na primeira página. Trata-se de um documento revelador. Nele, ressaltava a atitude de Geisel, em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5, restabeleceu o habeas corpus e a independência da magistratura e revogou o Decreto-Lei 477, base das intervenções do regime no meio universitário.
    Destacava também os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar sua adesão aos militares em 1964, deixava clara a sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana. E, ainda, revelava que a relação de apoio editorial ao regime, embora duradoura, não fora todo o tempo tranquila.
    Nas palavras dele: “Temos permanecido fiéis aos seus objetivos [da revolução], embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir a autoria do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”
    Não eram palavras vazias. Em todas as encruzilhadas institucionais por que passou o país no período em que esteve à frente do jornal, Roberto Marinho sempre esteve ao lado da legalidade. Cobrou de Getúlio uma constituinte que institucionalizasse a Revolução de 30, foi contra o Estado Novo, apoiou com vigor a Constituição de 1946 e defendeu a posse de Juscelino Kubistchek em 1955, quando esta fora questionada por setores civis e militares.
    Cuide dos seus comunistas
    Durante a ditadura de 1964, sempre se posicionou com firmeza contra a perseguição a jornalistas de esquerda: como é notório, fez questão de abrigar muitos deles na redação do GLOBO. São muitos e conhecidos os depoimentos que dão conta de que ele fazia questão de acompanhar funcionários de O GLOBO chamados a depor: acompanhava-os pessoalmente para evitar que desaparecessem. Instado algumas vezes a dar a lista dos “comunistas” que trabalhavam no jornal, sempre se negou, de maneira desafiadora.
    Ficou famosa a sua frase ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do presidente Castello Branco: “Cuide de seus comunistas, que eu cuido dos meus”. Nos vinte anos durante os quais a ditadura perdurou, O GLOBO, nos períodos agudos de crise, mesmo sem retirar o apoio aos militares, sempre cobrou deles o restabelecimento, no menor prazo possível, da normalidade democrática.
    Contextos históricos são necessários na análise do posicionamento de pessoas e instituições, mais ainda em rupturas institucionais. A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los.
    Os homens e as instituições que viveram 1964 são, há muito, História, e devem ser entendidos nessa perspectiva. O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país.
    À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”
    Leia mais sobre esse assunto em O Globo

  • Petróleo e cana puxam a oferta de energia no Brasil

    Acaba de ser publicado pelo Ministério de Minas e Energia o balanço energético brasileiro de 2013, documento que se baseia nos dados de produção e consumo do ano passado. Na síntese de 55 páginas disponível no site do www.mme.gov.br, a Empresa de Pesquisa Energética-EPE dá ênfase à participação das fontes renováveis na oferta de energia: é de 43,2% no Brasil, três vezes mais do que a média mundial (13,2%).
    Entre as fontes energéticas renováveis, o que mais chama a atenção é que a oferta da cana-de-açúcar, com 15,4%, supera a fonte hidráulica (13,8%), seguindo-se lenha/carvão vegetal (9,1%) e “outros” (eólica, lixívia e solar) com 4,1%.
    Entre as fontes energéticas não renováveis, que representam 57,2% do total, destaca-se o petróleo com 39,2%, seguido pelo gás natural (11,2%), o carvão mineral (5,4%) e o urânio (1,5%). Os números delineiam uma tendência já perceptível pelo volume de investimentos da Petrobras: o petróleo e o gás natural são as fontes que mais crescem no Brasil e assim será nos próximos anos.
    O balanço indica que a oferta interna de energia cresceu 4,1% em 2012 enquanto o PIB não passou de 0,9%. A potência instalada para a produção de eletricidade é de 84 294 MW nas usinas hidrelétricas, de 32 778 MW nas usinas térmicas, de 2007 MW nas usinas nucleares e de 1894 MW nas usinas eólicas. Estas foram as que mais cresceram em 2012: 32,8%, contra 4,9% das térmicas e 2,2% das hidrelétricas..
    O maior consumidor de energia no Brasil é a indústria (35,1% do total), seguida dos transportes (31,3%), as residências (9,4%), o setor energético (9%), o setor de serviços (4,5%) e a agropecuária (4,1%). A diferença de 6,6% é representada pelo chamado consumo não energético.
    No setor de transportes, que representa quase um terço do consumo e 49% das emissões totais de CO², os principais combustíveis são o diesel (48,1% do total) e a gasolina (30,9%). Os outros insumos são o etanol (12,5%), o querosene de avião (4,7%) e o gás natural veicular (2,2%). Restam outros 1,6%.
    Para a EPE, a poluição veicular, embora alta, não deve preocupar, pois a emissão brasileira é de apenas 2,2 t/CO por habitante, enquanto na China é de 5,4, na Europa de 7,3 e nos EUA de 17,3

  • Leilão de energia: térmicas a carvão não emplacam

    O leilão de energia nova A-5, que acabou há pouco, negociou energia a um preço médio de R$ 124,97 por megawatt-hora (MWh). Nenhuma térmica a carvão saiu vencedora. No meio da semana, a gaúcha CTSul já anunciara que não participaria, por considerar baixo o valor de R$ 140. Reivindicava R$ 160.
    O resultado foi que, dos 36 projetos habilitados, só 19 projetos competiram. A hidrelétrica Sinop, a única grande hidrelétrica a participar, vendeu energia a R$ 109,40 por MWh, um deságio de 7,3% ao preço máximo inicial estabelecido de R$ 118 por MWh. Foi arrematada por consórcio formado pela Alupar (51%) e as empresas do grupo Eletrobras, Chesf e Eletronorte.
    O leilão viabilizou 1.265,5 MW de novos projetos. No total, a competição negociou 165.233.059,2 MWh de energia em contratos que somam R$ 20,6 bilhões.
    O preço médio da energia térmica negociada no leilão foi de R$ 135,58 por MWh, deságio de cerca de 3,15% ante o preço inicial de R$ 140 por MWh. Já o preço médio de todas as hidrelétricas, no produto por quantidade, foi de R$ 114,48 por MWh.
    O leilão de energia nova A-5 contratou energia para ser entregue a partir de 2018 e contava com 3.535 megawatts (MW) em potência instalada de 36 projetos habilitados para a disputa. (Com informações da Reuters}

  • Empresas de carga aérea multadas por formar cartel

    Nem só de trens vivem os cartéis. Chegam a quase R$ 300 milhões as multas a quatro companhias de transporte aéreo de cargas, aplicadas ontem pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em sessão que durou quase cinco horas.
    As multadas foram American Airlines, ABSA Aerolíneas Brasileiras, Varig Log e Alitalia, embora a investigação do Cade tenha envolvido nove empresas. Iniciado em 2006, a partir de um acordo de leniência, o processo investiga um esquema ilícito na cobrança do adicional de combustível, com combinação de preços e datas de reajustes, entre 2003 e 2005.
    A denúncia partiu da Lufthansa, beneficiada por acordo de leniência. A Swiss Airlinews também foi beneficiada por ter colaborado com as investigações. A United Airlines teve a acusação arquivada por falta de provas. A Air France e a KLM haviam confessado a irregularidade no início do ano. As multas são proporcionais ao faturamento das companhias. O esquema não se limita ao Brasil.

  • Brasileiro quer mais regras para a TV, diz pesquisa

    Sete em cada dez brasileiros não sabem que as emissoras de televisão são concessões públicas e mesmo assim acham necessário uma melhor regulamentação do setor. Este é um dos resultados da pesquisa Democratização da Mídia, realizada pelo Núcleo de Estudos e Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo.
    A pesquisa revelou também que, apesar da expansão da Internet, a TV aberta é assistida diariamente por 82% da população. A maioria (66%) acha que os donos dos grupos de mídia defendem seus próprios interesses e os dos donos do capital.
    Mais da metade dos brasileiros não se reconhece na TV, e entende que mulheres, nordestinos e negros são tratados “quase sempre” ou “às vezes” com desrespeito.
    Quanto à possibilidade de haver mais regras para programação e publicidade na TV, 46% concordam que deva haver um “controle social”, por um conselho que represente a sociedade. Um terço defende a autorregulamentação e só 19% são a favor de que haja controle estatal.

  • "O Morro É Nosso" convida para caminhada festiva

    A previsão do clima é de um domingo de calor com sol entre nuvens neste 1º de setembro, quando o movimento O Morro É Nosso vai comemorar com uma caminhada a lei que tornou o Morro Santa Teresa área de preservação ambiental, uma área pública dos porto-alegrenses. O ponto de encontro é o belvedere da Figueira, às 10 horas da manhã (penúltima parada do ônibus TV, que parte da av. Salgado Filho).
    Os organizadores da caminhada festiva convidam para conhecer as comunidades que ali vivem, os campos, a mata nativa, a saibreira e a vista da cidade e do lago Guaíba. Recomendam usar roupas e calçados leves, levar água e lanche, chimarrão _ mais balões, cartazes, tambor…
    A nova lei é resultado da reação das comunidades e entidades focadas na ocupação da cidade. A mobilização começou em maio de 2010, quando circulou a informação de que a área estava à venda. Rapidamente surgiu o grito “o morro é nosso” e impediu o negócio.
    Desde então, em 40 reuniões, o movimento desenvolveu a proposta que contempla as moradias, a preservação ambiental e o uso público. O projeto de lei foi apresentado pela vereadora Sofia Cavedon. A lei foi finalmente sancionada em 20 de agosto.