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  • Professores começam o ano letivo com paralisação e protesto

    Mais de 500 professores realizaram na tarde desta segunda-feira uma marcha pelo centro de Porto Alegre.
    O ato marcou o Dia Nacional de Paralisação em defesa da Educação, chamado pelo CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação).
    O parcelamento dos salários, anunciado pelo Governo do Estado na última sexta-feira, 26, às vésperas do início do ano letivo na rede estadual, foi o principal alvo da marcha, mas não o único..
    Os professores acusam o governo do estado de promover um desmonte da educação pública.
    Entre as pautas da categoria estão o do piso nacional, as más condições físicas das escolas e a falta de segurança, o falta de professores em sala de aula..
    Segundo o sindicato, 5 mil professores aprovados em concurso aguardam nomeação.
    Outro ponto que vem sendo criticado pelos professores é a obrigatoriedade, imposta pela Secretária de Educação, do ensino religioso para os três anos do Ensino Médio.
    Segundo o sindicato, 5 mil professores aprovados em concurso aguardam nomeação.
    A manifestação iniciou com concentração no Largo Glênio Peres.
    Com um calor de mais de 30 graus, os manifestantes buscavam espaços de sombra em frente à prefeitura e ao Mercado Público.
    Por volta das 14h30, os professores partiram em caminhada pela avenida Mauá.
    O destino final era o Palácio Piratini, mas no caminho a marcha parou em frente à Secretaria Estadual da Fazenda, “a primeira estação da incompetência”, classificavam os manifestantes ao microfone.
    “Eu vou fazer um bingo / quem ganhar eu tenho dó / o prêmio é o Feltes / ganha com uma pedra só”, cantavam os professores.
    O secretário da Educação, Vieira da Cunha, também não foi poupado e a canção ganhou mais uma estrofe: “Quem não ganhou nada / não fiquei de bobeira / porque na segunda pedra / você leva o Vieira”
    A caminhada seguiu até o Palácio Piratini, onde o sindicato realizou o que chamou uma aula de cidadania ao governador José Ivo Sartori.

    Na chegada ao Piratini, professores fizeram uma vaia ao governador Sartori / JÁ
    Na chegada ao Piratini, professores fizeram uma vaia ao governador Sartori / JÁ

    Sindicato foi ao Ministério Público contra contratos emergenciais
    A presidente do sindicato chegou ao carro de som quando a caminhada já havia iniciado. Elenir Schürer justificou seu atraso: “Nós estávamos no Ministério Público denunciando os contratos emergenciais do governador Sartori, quando temos 5 mil aprovados em concurso esperando nomeação.”
    A visita foi um primeiro contato, para cobrar do MP o cumprimento de uma decisão da Justiça, de 2006, que proíbe o governo de fazer contratações emergenciais para servidores de escolas. “Se tem 300 vagas, são 300 nomeações”, defendeu Elenir Schurer, que afirmou ainda que no ano passado mais de seis mil professores deixaram a rede pública.
    Mobilização nacional prevê greve de três dias em março
    A marcha integrou do Dia Nacional de Paralisação em Defesa da Educação, chamada pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), como parte da luta pelo pagamento do piso nacional. Participaram do ato, representantes dos professores e funcionários de escolas públicas de diversos estado como Santa Catarina, apraná, São Paulo, Sergipe e Pernambuco.
    O representante pernambucano afirmou que a situação da educação no Rio Grande do Sul é usada pelo governo do seu estado como argumento para não atender as reivindicações dos professores. “Um estado com o histórico de luta como o Rio Grande do Sul não pode servir como um exemplo negativo na educação”, defendeu o professor
    O calendário de mobilização da CNTE prevê ainda uma greve nacional nos dias 15, 16 e 17 de março. A principal reivindicação é o pagamento do piso nacional. O movimento é contra a terceirização, a reorganização por meio de enturmação e a entrega das escolas às organizações sociais. No dia 18 de março, o Cpers deve realizar uma assembleia geral no Gigantinho.
    Antes da marcha, manifestantes buscavam espaços de sombra em frente à prefeitura / JÁ
    Antes da marcha, manifestantes buscavam espaços de sombra em frente à prefeitura / JÁ

  • Prefeitura sonega informações sobre o preço da passagem, afirma economista

    Matheus Chaparini
    Em setembro de 2015, o economista Andre Augustin, da FEE (Fundação de Economia e Estatística) fez um pedido à prefeitura, via lei de acesso à informação.
    Ele queria acessar as planilhas apresentadas pelas empresas com os custos que compõem a passagem de ônibus.
    “Em julho, a prefeitura já sabia que seria R$ 3,45 mais o reajuste. Mas eles não queriam divulgar, uma informação que deveria ser pública ”, argumenta Augustin, que vem apontando diversas irregularidades relativas ao transporte público de Porto Alegre em seu blog.
    A resposta ao pedido foi: “A prefeitura (…) comunica que a EPTC informa que estas informações estão disponíveis no site da prefeitura”. M
    Não estavam. Augustin, então, entrou com recurso. Deveria receber um protocolo em até três dias, mas novamente nada.
    Depois de alguns dias, o economista recebeu um email da chefe de gabinete da EPTC, Jussandra Rigo, passando a bola para a Secretaria da Fazenda. Mais um pedido de informações sem resposta.
    Em janeiro deste ano, um novo pedido foi feito via site da prefeitura e, desta vez, respondido. Assinada pelo presidente da Comissão Especial de Licitação da Secretaria Municipal da Fazenda, José Otávio Ferreira Ferraz, a resposta dizia que Augustin poderia acessar a documentação.
    Mas havia um detalhe: em pleno 2016, a prefeitura alegava não ter os documentos digitalizados, apenas em papel. Augustin teria que pagar a impressão: “Informo que o valor da cópia no ano de 2016 é de 0,30 UFM x R$ 3,6501= R$ 1,10 a unidade. Visto que são 1420 folhas o custo do fornecimento destas cópias é R$ 1.562,00”, respondeu Ferraz.
    ¨Depois de me enrolar por cinco meses, a prefeitura quis me cobrar mais de R$ 1.500 para prestar as informações que seriam usadas para calcular a tarifa.”
    Na última segunda-feira, quando finalmente as planilhas foram divulgadas, ainda era difícil fazer a  verificação pois os documentos publicados foram escaneados, logo, não há como selecionar os dados no computador. Quem quiser conferir os números que compõe a tarifa, precisa copiá-los, dígito por dígito.
    “Se as informações existem, são públicas, estão acessíveis em formato digital e se não há nenhuma irregularidade no processo licitatório nem no cálculo da passagem, então por que escondê-las?”, pergunta o economista.
    Empresas superestimam os custos
    O preço da passagem do transporte público de Porto Alegre é definido através de um cálculo bastante complexo.
    Em resumo, divide-se o custo para rodar um quilômetro pelo IPK, que é a média de passageiros por quilômetro. Ou seja, quanto maiores os custos ou quanto menor o IPK, mais alto fica o valor da tarifa.
    A planilha de custos é composta por todas as despesas das empresas prestadoras do serviço, isso inclui tributos, gastos variáveis (combustível, lubrificantes e rodagem), despesas administrativas, depreciação da frota, peças, acessórios e a remuneração do serviço.
    Os fatores que mais pesam são os gastos com pessoal e com combustível. Na licitação, de julho passado, as empresas apresentaram suas planilhas. Além das mesmas empresas que já operavam o serviço antes do edital, apenas uma inscrita, a Stadtbus, de Santa Cruz, eliminada ainda nos critérios técnicos.

    Gráfico da composição da tarifa, divulgado pela prefeitura
    Gráfico da composição da tarifa, divulgado pela prefeitura

    A partir da planilhas, as empresas chegaram ao custo unitário em cada um dos seis lotes licitados. Todas muita próximas ao valor-teto fixado pela prefeitura  – a diferença não chega a um centavo. Os dois valores mais baixos foram justamente da empresa desclassificada.
    Analisando a planilha, o economista André Augustin encontrou algumas diferenças de valores difíceis de se explicar. Por exemplo, o valor do combustível.
    Semanalmente, a ANP (Agência nacional de Petróleo) faz um levantamento do preço dos combustíveis em diversas cidades brasileiras, consultando postos e distribuidores. A ANP define maior valor, menor valor e valor médio. Segundo Augustin, antes do edital, a prefeitura utilizava o valor médio da ANP, enquanto algumas cidades chegam a utilizar o menor valor.
    “A ANP determina o menor valor. Tu quer comprar mais caro? Compra, mas o prejuízo tem que ser teu, não pode repassar para a passagem”, critica Augustin.
    No período entre 5 e 11 de julho, quando foram entregues os envelopes do edital, o valor mais alto para o litro do diesel S10, utilizado nos ônibus, era de R$ 2,53. Na semana anterior, o mais alto era R$ 2,58. Ainda assim, o valor apresentado pelo consórcio Mob, responsável pela bacia da Zona Norte, chegou a R$ 2,68, ou seja, 15 centavos mais caro do que o maior valor encontrado pela agência em Porto Alegre.
    O mesmo consórcio chega a apresentar dois valores diferentes para o preço do diesel. O consórcio Bacia Leste Sudeste foi o vencedor dos lotes 5 e 6, que atendem a região leste. No lote 5, o valor apresentado é R$ 2,57, no lote 6, o melhor preço da concorrência, R$ 2,48.
    Deve se levar em consideração que as empresas de transporte coletivo consomem muito combustível e têm, agora, a garantia de operação do serviço por pelo menos 20 anos, o que poderia ajudar a barganhar o preço do diesel com as distribuidoras.
    Outro dado que apresenta bastante variação é o coeficiente de consumo de combustível, que é quanto gasta cada modelo de ônibus utilizado no transporte coletivo. Até 2015, a prefeitura estabelecia um valor de referência, geralmente com pouquíssima variação. No início de 2014, após um ano de muita mobilização popular contra o aumento da passagem, a prefeitura reduziu em cerca de 3,6% os coeficientes de consumo, mas alguns voltaram a subir em 2015.
    ceoficientes-combustível
    Coeficientes de consumo de combustível quase não variavam até 2014

    Um dado chama a atenção. O ônibus do tipo especial, com motor traseiro, ar condicionado e câmbio automático consumia, em 2014, 0,43 l/Km. No ano seguinte, o mesmo veículo passou a gastar 0,75 litro para andar um quilômetro. Nas planilhas apresentadas na licitação, o coeficiente de consumo do mesmo veículo é 0,86 l/Km.
    Pelos números, em dois anos, o mesmo veículo dobrou o consumo de combustível.
    “Como está hoje, a empresa não tem nenhum incentivo de tentar baixar seus custos, porque tudo é repassado para os passageiros”, conclui o economista André Augustin.
    Conforme dados divulgados pela prefeitura, a remuneração do serviço, que é o lucro das empresas, corresponde a 5,56% do valor da passagem. Mas Augustin pondera: “se os custos são superestimados, os lucros são maiores.”

  • Redes subterrâneas: "Prefeitura tem que cumprir ou mudar a lei”

    Essa foi a conclusão do vereador Tiago Duarte (PDT) após reunião da Cedecondh (Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Pública) da Câmara de Vereadores na tarde desta terça-feira.
    O objetivo era iniciar uma discussão a respeito da lei das redes subterrâneas, aprovada em 2007, sancionada pelo então prefeito José Fogaça, que tinha Fortunati como secretário do Planejamento Municipal, e até hoje não saiu do papel.
    Duarte, presidente da Comissão, destacou a importância da fiscalização dos vereadores para que a lei seja aplicada. “Vamos ter que tomar alguma medida neste sentido: o executivo vai ter que se mexer para entrar em acordo com a lei. Ou então ele que sofra esse desgate e mude a lei.”
    Para o vereador, o principal empecílio para a implantação é o custo, ainda não calculado.
    Duarte defende que se trata de um investimento a longo prazo. “O que hoje é o barato acaba saindo caro no futuro. Se a rede não é subterrânea, o custo de manutenção é maior e vai onerar as empresas, os consumidores e o poder público, como ocorreu recentemente”, defendeu.
    O custo elevado também é a principal barreira apontada pelos representantes das empresas de telefonia, internet e tv a cabo. Custo este que, fatalmente, recai sobre o consumidor.
    Jaime Borin, da Oi, apontou também uma questão técnica: os prédios mais antigos não têm entrada para redes subterrâneas e teriam que realizar obras de adequação. Segundo Borin, outras cidades esbarram neste mesmo ponto. “A prefeitura de Canoas tentou implementar nas três quadras do calçadão e desistiu, pois os prédios não se adequaram.”
    A vereadora Monica Leal (PP) citou o caso de países europeus, com edificação tão antigas quanto as do centro histórico de Porto Alegre e que conseguiram migrar para o sistema de cabeamento subterrâneo. “Tem que ter um jeito. O que não podemos é cruzar os braços e dizer que é impossível.”
    Alberto Kopittke (PT) afirmou que a tendência é que catástrofes naturais como a ocorrida no final de janeiro se tornem cada vez mais comuns e que é necessária uma “indução de planejamento estatatégico, que obviamente não é de curto prazo. E esta iniciativa tem que partir do poder público.”
    O encontro contou com a presença de representantes das empresas e de órgãos públicos, como Smam (Secretaria Municipal do Meio Ambiente), CEEE (Companhia estadual de Energia Elétrica), EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), Procon e DIP (Departamento de Iluminaçao Pública).

    Reunião contou com vereadores, representantes de órgãos públicos e das empresas / Ederson Nunes / CMPA
    Reunião contou com vereadores, representantes de órgãos públicos e das empresas / Ederson Nunes / CMPA

    DIP garante que parques já estão adaptados
    O texto da lei 10.337 previa que até março de 2010 todas as redes de eletricidade e transmissão de dados fossem subterrâneas no Centro da cidade a nas praças e parques. Segundo o representante do DIP (Departamento de Iluminação Pública), o engenheiro Luis Fernando Colombo, nas praças e nos parques os fios de iluminação já são todos enterrados.
    Em relação ao centro, o representantes da Ceee, Cristiano Almeida Rosa, afirmou que as redes foram projetadas para serem subterrâneas.
    A lei prevê ainda que em passeios e vias públicas densamente arborizados o prazo para a implantação fosse definido através de um Decreto Municipal, o que nunca ocorreu. Em caso de não cumprimento, por parte das empresas, o texto prevê uma multa diária que pode ultrapassar os R$ 90 mil
    “Não basta enterrar, tem que ter planejamento”
    O diretor executivo do Procon de Porto Alegre, Cauê Vieira da Silva, manifestou preocupação em relação às redes enterradas no caso de inundação. Silva levantou também a necessidade de que as redes tenham fácil acesso para manutenção.
    O representante dos consumidores ponderou que a instalação das redes não tem como ser aplicada a curto prazo, desta forma, é primordial a identificação dos cabos pelas empresas. Segundo ele, é possível encontrar até 50 cabos diferentes em um mesmo poste. A maior dificuldade seria identificar os pequenos provedores.
    “A responsabilidade da manutenção das redes é das empresas, elas ganham para isso.”

  • Despejo acaba com centro cultural alternativo no Bom Fim

    “Este espaço poderia ser um centro cultural”, diz a faixa estendida entre duas palmeiras no canteiro da avenida Osvaldo Aranha, próximo ao viaduto da Conceição.
    De fato, o número 418 foi um centro cultural, durante um ano e meio, até a última quarta-feira, 17, quando dois oficiais de Justiça e dez brigadianos chegaram ao local sem aviso prévio. Não houve violência física.
    Na manhã desta segunda-feira, os ex-moradores da Kuna Ocupação Libertária puderam entrar para recolher seus pertences e dar o último adeus ao local que abrigou suas atividades artísticas desde outubro de 2014.
    A casa está sendo demolida e o terreno será alugado para ampliar o estacionamento vizinho. Na frente vai ficar só a fachada do prédio do início do século passado, que é tombada.
    O local que oferecia atividades culturais gratuitas, como oficinas de músicas, teatro, circo e língua estrangeira.
    O despejo da Kuna ocorreu na quarta-feira passada, quando dois oficiais de Justiça e dez brigadianos chegaram ao local sem aviso prévio. Não houve violência física.
    Nesta terça, os proprietários do local, permitiram que os ocupantes voltassem para buscar o restante de seus pertences. Não deu para levar tudo, mas o essencial foi resgatado.
    A maior parte da mobília foi colocada em um pequeno caminhão de mudanças e levada para a ocupação Saraí.
    O restante, bem como os próprios moradores, deve se espalhar por outras ocupações da cidade.
    Antes de abrigar a Kuna, a casa estava desativada há mais de 10 anos. Antes disso, havia sido a sede do Tablado Andaluz.
    Para chamar atenção para o despejo, foi montada, do outro lado da avenida, uma espécie de mini ocupação provisória.
    A entrada e saída do que sobrou da casa era controlada por dois rapazes fortes de calça jeans e camisa preta. Educadamente, impediram a tentativa da reportagem de entrar para fazer fotos. Um dos seguranças informou que trabalhava “indiretamente” para os proprietários do terreno, embora nenhum deles soubesse informar quem era o dono.
    O imóvel pertence à Cerâmica Taquari Construções LTDA, com sede em Bento Gonçalves, na serra gaúcha. A decisão do despejo  foi tomada pela juíza Marlene Marlei de Souza, da 12ª Vara Cível do Foro Central.

    O que ainda resta da casa, só pode ser fotografado através da janela / JÁ
    O que ainda resta da casa, só pode ser fotografado através da janela / JÁ

  • Sábado é o último dia para recarregar o TRI sem aumento

    Logo após o anúncio da prefeitura de que a passagem de ônibus em Porto Alegre vai subir para R$ 3,75 a partir de segunda-feira, começou uma corrida pela recargas dos cartões de passagens. Na tarde desta sexta-feira, os usuários formaram uma longa fila no posto de recarga na rua Uruguai, no centro. O movimento foi atípico, para um dia de fevereiro.
    Neste sábado, 20, o posto de recargas vai abrir excepcionalmente, das 9h às 14h. É a última oportunidade para recarregar o cartão TRI pagando R$ 3,25 ou R$ 1,62, no caso da passagem estudantil. O funcionamento normal do posto é de segunda a sexta, o dia extra é motivado pelo aumento da passagem.
    Quem recarregar o cartão de passagens até sábado, terá a passagem cobrada sem aumento durante o período de 60 dias.

  • Restauração da Ponte de Pedra é mais uma obra paga pelo Zaffari

    Felipe Uhr
    A obra de restauro da Ponte de Pedra, no Centro Histórico de Porto Alegre, é mais uma empreitada paga pelo grupo Zaffari e Bourbon como contrapartida à construção de novos supermercados na capital.
    A rede varejista pagará R$ 587,9 mil pela reforma, que inclui um reforço na estrutura, além da recuperação estética do monumento. Na última quarta-feira (17), foram colocados os tapumes para proteger o local.
    O valor estava originalmente destinado para a reurbanização do Belvedere Ruy Ramos, que proporciona uma das melhores vistas da cidade no alto do Morro Santa Teresa. Porém, foi transferido por decisão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam).
    “A obra no Belvedere Ruy Ramos era para Copa, resolvemos substituir pela Ponte de Pedra que era uma cobrança do Ministério Público”, admite o titular da pasta, Mauro Moura.
    O Termo de Compromisso firmado por Zaffari e prefeitura de Porto Alegre, no qual consta o rol de contrapartidas previstas para a cidade (entre elas a reurbanização de diversas praças, construção de ciclovias e até a renovação do canteiro central do Parque da Redenção), prevê que a “Smam, a seu critério, pode incluir outros locais, substituindo os listados”.
    Para formalizar a alteração, será assinado um Termo de Conversão que altera o compromisso inicial. O novo documento pode ser apresentado ao final da prestação de contas.
    Belvedere ficou sem recursos

    Uma das mais belas vistas de Porto Alegre teve sua reurbanização cancelada | Arquivo JÁ
    Uma das mais belas vistas de Porto Alegre teve sua reurbanização cancelada | Arquivo JÁ

    Com a alteração no rol de contrapartidas do Zaffari, o projeto de reurbanização do Belvedere Ruy Ramos foi paralisado. Não há qualquer previsão de realização. “Ficamos sem recursos”, revela o secretário do Meio Ambiente, Mauro Moura.
    A obra no morro Santa Teresa era uma das contrapartidas do Grupo Zaffari e Bourbon relativos à construção do Bourbon do Força e Luz, na rua Doutor Alcides Cruz, no bairro Santa Cecília.
    Além do projeto urbanístico paisagístico do belvedere, haveria a construção de um prédio comunitário.
    A Ponte de Pedra não consumirá a totalidade dos recursos que haviam sido destinados a Santa Teresa. Parte do dinheiro também foi destinado para o estudo do projeto de revitalização da Orla, que já está em execução.

  • Caso CEEE: a maior fraude gaúcha completa 20 anos em segredo

    Neste domingo, dia 14, completa 20 anos a ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul para apurar o desvio de R$ 79,9 milhões em uma licitação para construir 11 subestações de transmissão da CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica.
    A ação reúne 37 volumes e 80 anexos, está na 2ª Vara da Fazenda Pública em Porto Alegre e corre em segredo de Justiça (Processo nº 10502694894).
    Em valores atualizados, o desvio chegaria aos R$ 800 milhões – quase 20 vezes o prejuízo causado ao Detran/RS, conforme apuração da “Operação Rodin”, que incriminou 39 pessoas.
    É a maior fraude já cometida contra o patrimônio público no Rio Grande do Sul, dentre as mais de 200 Ações Civis Públicas ajuizadas pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, do MP, que estão em andamento no judiciário gaúcho.
    Os dois contratos fraudados foram assinados em 1987, no governo Pedro Simon. A ação foi ajuizada em 1996, depois de uma das mais longas e rumorosas Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI) instaladas na Assembleia gaúcha.
    CPI foi primeira a apontar corruptores
    A fraude contra a CEEE, denunciada pela então secretária estadual de Minas e Energia, Dilma Rousseff, foi alvo de uma CPI na Assembleia Legislativa do RS, em 1995. Tumultuada, a CPI só foi concluída no ano seguinte, mas foi a primeira no país que apontou as empresas que promoveram a corrupção de funcionários públicos. A Comissão revelou em detalhes como agentes das empresas, organizadas em dois consórcios, agiam, alguns com trânsito livre dentro da companhia.
    A CPI, que teve como relator o deputado Pepe Vargas (PT), deu origem a uma Ação Civil Pública, ajuizada em 1996  pelo Ministério Público Estadual que estimou em R$ 79 milhões o prejuízo à estatal de energia. Houve fraude no edital, na licitação e nos contratos, segundo o MP.
    Na ação, são réus 11 empresas e 23 pessoas físicas. Entre as empresas estão a Alstom e a Siemens, as duas envolvidas nas fraudes do metrô de São Paulo.
    Entre as pessoas físicas, o principal acusado é Lindomar Rigotto, ex- assessor da diretoria financeira da CEEE, irmão do ex-governador Germano Rigotto. Lindomar foi assassinado num assalto em fevereiro de 1999, no litoral gaúcho.
    A história completa da falcatrua na estatal e os demais fatos que motivaram uma reportagem no jornal JÁ – como a morte de uma dançarina, do próprio Lindomar e ações judiciais movidas pela família Rigotto contra os poucos veículos de imprensa que ousaram publicar sobre o assunto – pode ser conferida em artigos assinados pelo jornalista Luiz Claudio Cunha para o Observatório da Imprensa e, com muito mais detalhes, no livro Uma Reportagem, Duas Sentenças – O caso do jornal JÁ.
    http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/o-jornal-que-ousou-contar-a-verdade/
    ​http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/como-calar-e-intimidar-a-imprensa/ 
     
     

  • Melo faz balanço dos estragos do temporal; oposição diz que falta plano de emergência

    O vice-prefeito Sebastião Melo participou hoje de uma sessão na Câmara de Vereadores para tratar dos estragos causados pela temporal do último dia 29 e das providências tomadas pela prefeitura.
    Melo afirmou se tratar de uma situação de exceção e que não haveria como prever a dimensão antes do ocorrido. “Em 37 anos em Porto Alegre, eu nunca tinha visto nada assim”, afirmou. O vice e o secretariado apresentaram alguns números relativos aos estragos causados.
    Foram mais de cinco mil árvores derrubadas ou danificadas, somando sete mil toneladas de madeiras recolhida até agora. O número de operários, segundo Melo, chegou a 1.400, incluindo funcionários da prefeitura, equipes terceirizadas contratadas emergencialmente, além de militares e apenados do regime semiaberto.
    Em um primeiro momento, a prioridade foi restabelecer o fornecimento de energia elétrica e água, em seguida, desobstruir as ruas e calçadas. Agora, o foco é nos parques. O vice-prefeito afirmou que diversas equipes já trabalham no Parque da Redenção e que o trabalho deve ser concluído em quatro ou cinco dias. Segundo o vice, em 90% da cidade, os trabalhos estão bem encaminhados.
    “A Prefeitura, em um processo de governança, está cumprindo o prometido, que era dar um geralzão na cidade em 15 dias”, defendeu Melo.

    Melo e secretários avaliaram os estragos do temporal do dia 29 / Elson Sempé Pedroso / CMPA
    Melo e secretários avaliaram os estragos do temporal do dia 29 / Elson Sempé Pedroso / CMPA

    Vereadores de oposição criticam falta de plano de emergência
    Após a exposição do vice-prefeito, vereadores de situação e oposição se alternaram na tribuna. Entre as principais críticas, a dificuldade de se obter informações junto à prefeitura e a falta de um plano de emergência.
    A vereadora Sofia Cavedon (PT) lamentou que, entre os secretários presentes, não houvesse nenhuma mulher e fez uma série de questionamentos. “Temos um inventário do trauma que sofreu a vegetação urbana? Qual o principal motivo de queda das árvores? Que tipo de árvores? Qual a capacidade da Smam e do Dmlu, há anos sem concurso?”, indagou. Cavedon citou ainda a recente nota dos técnicos da Smam, que apontam para um sucateamento da instituição.
    Fernanda Melchionna (Psol) criticou a falta de um plano de emergência e sugeriu a formação e treinamento de brigadas de cidadãos voluntários para atuar nos bairros. A vereadora chamou atenção também para o processo de terceirização da Smam, que considera pouco transparente.
    Mônica Leal (PP) engrossou o coro da situação, elogiando a resposta da prefeitura à catástrofe, e reafirmando se tratar de um caso excepcional.  A vereadora aproveitou o espaço para criticar o PT, que esteve à frente da prefeitura durante dezesseis anos.
    O momento mais agitado da sessão foi a fala do vereador Idenir Cecchim (PMDB). Após elogiar o governo, que na sua opinião foi “rápido, unido e sério” para lidar com o problema, e criticar os “conselhões” criados pelos governos petistas, o vereador direcionou as críticas aos cidadãos presentes nas galerias.
    “Onde estão os ecologistas que não estão ajudando a recuperar a cidade?” questionou, recebendo vaias dos presentes, e completou:  “Não vamos dar minutos de fama para vocês, vamos conversar sobre coisas sérias.” A vereadora Sofia Cavedon se manifestou, afirmando que seu colega se dirigia de forma “ofensiva e desrespeitosa” aos cidadãos presentes nas galerias. Cecchim afirmou que Cavedon tentava tolhir seu direito de manifestação na tribuna.

  • Chineses querem financiar ferrovia que atravessa o Brasil

    Por conta do carnaval e da má vontade com tudo o que vem do governo, a imprensa não deu atenção à viagem de uma comitiva chinesa pela região onde passará a Ferrovia Transoceânica.
    Projeto de R$ 30 bilhões, a ferrovia pretende ligar os dois oceanos, Pacífico e Atlântico, atravessando o Brasil. É considerada por muitos “uma quimera”.
    Mas a verdade é que ele tem avançado, com rapidez para os padrões chineses.
    Pacientes negociadores, os chineses trabalham sempre com projetos a longo prazo e dificilmente desistem no meio do caminho.
    Agora, no início de fevereiro, foi dado mais um passo: três governadores – Pedro Taques, do Mato Grosso, Tião Viana, do Acre , Confúcio Moura, de de Rondônia – assinaram um protocolo de intenções para levar adiante o projeto em seus respectivos Estados.
    Participaram do evento o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, e um grupo de 23 empresários chineses que percorreram as cidades que serão beneficiadas com a implantação da Ferrovia Transoceânica.
    O protocolo é resultado de um acordo assinado pela presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, no último dia 19 de maio.
    Foram 35 acordos, na verdade. Um deles prevê o estudo de viabilidade da Ferrovia Transoceânica.
    A China quer aumentar os negócios na América Latina, e facilitar o acesso à produção brasileira, principalmente de soja, sem depender do Canal do Panamá, que tem forte influência dos Estados Unidos. Mas para se tornar realidade, o projeto tem que enfrentar desafios de engenharia, ambientais e políticos.
    Em 2014, a China importou de Mato Grosso produtos no valor de US$ 4,9 bilhões, soja principalmente.
    Brasil e Peru têm um sonho antigo de unir as costas dos Oceanos Pacífico e Atlântico. A China era o ingrediente que faltava para esse sonho se realizar.
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    Os presidentes do três países assinaram um memorando de entendimento, em julho de 2014, para construir a ferrovia transcontinental.
    O acordo trilateral foi firmado entre os Ministério de Transportes e Comunicações do Peru, Ministério de Transportes do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e de Reforma da China.
    Uma saída pelo Pacífico, aproximaria o Brasil da região com o crescimento mais rápido do planeta: a Ásia.
    Para o Peru, facilitaria o transporte de produtos que chegam pelo Atlântico e de outros que são negociados com países do Cone Sul.
    Para a China, haveria uma redução no custo de transporte da produção agrícola e mineral importada dos países latino-americanos. O cálculo inicial indica uma queda de US$ 30 no preço da tonelada de grãos exportada.
    Entre as grandes commodities exportadas para China estariam a soja proveniente do Centro-Oeste e do Pará, no Brasil, e a rocha fosfática, matéria-prima para a indústria de fertilizantes.
    Este mineral é retirado da mina de Bayóvar, no deserto de Sechura no Peru, tido como um dos maiores depósitos na América do Sul com capacidade para 3,9 milhões de toneladas por ano.
    A produção satisfaz, principalmente, a demanda de mercados do Brasil, América do Norte e Ásia.
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    Custo financeiro
    O custo estimado de uma estrada de ferro de 5.300 km ligando Peru e Brasil, que levaria seis anos para ser construída, é da ordem de 10 bilhões de dólares.
    O presidente da Associação de Empresas Chinesas no Peru (AECP), Gong Bencai, já anunciou que a China International Water & Electric Corporation (CWE) é uma das interessadas no projeto.
    A CWE é uma subsidiária da China Three Gorges Corporation (CTE) e uma das maiores companhias do gigante asiático tendo experiência em obras de hidrelétricas, rodovias e ferrovias em mais de 30 países.
    Segundo a VALEC – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.,  empresa pública controlada pela União, a Ferrovia Transcontinental – sob a sigla EF-354 – foi planejada para ter aproximadamente 4.400 km de extensão em solo brasileiro, entre o Porto do Açu, no litoral do estado do Rio de Janeiro e a localidade de Boqueirão da Esperança (Acre).
    Do lado peruano, o traçado ainda não está definido. Uma das propostas seria construir uma linha férrea transcontinental Brasil-Sul do Peru (Fetras) que uniria Madre de Dios, Cusco, Puno e Arequipa, no Peru, a Rondônia, no Brasil.
     

  • Silvana Covatti é a primeira mulher na presidência do Parlamento gaúcho

    A deputada Silvana Covatti (PP) assumiu na tarde desta terça-feira a presidênciada  Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. É a primeira mulher no comando da
    Casa do Povo em 180 anos de história.
    A parlamentar foi o quarta mais votada nas últimas eleições, com 89.130 votos.
    Durante a posse ela destacou que não deixará de usar o diálogo. Também salientou da importância de cada deputado deve superar o “dualismo e rusgas naturais” para o embate político. Por fim, concluiu que está “determinada em honrar principalmente as mulheres que represento, as mulheres que nem sempre têm sua importância reconhecida, afirmo que me sinto preparada, disposta e comprometida a presidir o Poder Legislativo do Estado do Rio Grande do Sul”.
    A nova mesa diretora da Assembleia será integrada pela deputada Silvana Covatti, na presidência, Adilson Troca (PSDB, 1º vice-presidente), Álvaro Boesio (PMDB, 2º vice-presidente), Zé Nunes (PT, 1º secretário), Juliana Brizola (PDT, 2ª secretária), Marcelo Moraes (PTB, 3º secretário) e Liziane Bayer (PSB, 4ª secretária), como titulares.

    No início da solenidade, o deputado Edson Brum, que presidiu a Assembleia em 2015, apresentou termo de renúncia, conforme acordo entre as bancadas que prevê um ano para cada presidente à frente do Legislativo, uma vez que o Regimento Interno da Assembleia prevê um período mínimo da dois anos de mandato na presidência.