Matheus Chaparini
Na porta do Palácio Piratini, quinze homens e mulheres do Choque da Brigada Militar protegiam a sede do Executivo estadual em função de uma manifestação de servidores, marcando um ano da extinção das fundações – aprovada pela Assembleia Legislativa na madrugada de 20 para 21 de dezembro de 2016.
Enquanto as atenções estavam voltadas para o ato da Praça da Matriz, o “Cavalo de Tróia da Cultura” – como foi chamado por seus integrantes – já estava dentro da sede do poder estadual. As duas manifestações coincidiram.
Dentro do palácio, o coral Vozes do Laranjal realizava uma visita guiada. Em dado momento da visita, os artistas pedem licença para cantar. Com gaita, percussão e bocca chiusa – técnica de cantar com a boca fechada – o grupo tocou o Negrinho de Pastoreio, clássico do cancioneiro regional, resgatado por Barbosa Lessa. Em jogral, com a canção ao fundo, os artistas leram um manifesto condenando a extinção das fundações estaduais, principalmente a Fundação Piratini, responsável pelas emissoras públicas TVE e FM Cultura.

No texto, o coletivo classifica o fim da fundação como “o mais cruel silenciamento de nossa voz artística, de nossa produção intelectual e a ampliação do abismo já existente entre os criadores gaúchos e a população do estado.” O texto afirma ainda que as emissoras públicas são as únicas que “veiculam nossas músicas e nossas ideias sem restrição de credo, estilo ou ideologia” e defende a importância da fundação para a economia da cultura do estado.
Enquanto cantavam outra canção, a segurança do Palácio se dirigiu ao grupo, pedindo que deixassem o local. “Não pode cantar?”, questionou um dos artistas. “Não, não pode. Aqui, não”, respondeu o segurança.
As Vozes do Laranjal deixaram o Palácio Piratini cantando: “Alô, seu governador, se acabar com as fundações, não falo mais com o senhor.”
O reforço policial que cuidava da entrada foi surpreendido pela manifestação, que ocorria às suas costas. O governador José Ivo Sartori não estava no Palácio Piratini no momento das manifestações.
Integrando as Vozes do Laranjal, cerca de vinte artistas, entre eles, Cristiano Morales, Gelson Oliveira, Leandro Maia, Simone Rasslan, Deborah Finocchiaro, Richard Serraria, Ismael Oliveira, João Guarani, Mário Pirata, Fruet, Elinka Matusiak, Rafa Cambará, Angelo Primon e Oly Jr.
Após o ato, os artistas foram recebidos pelos servidores, na manifestação da Praça da Matriz. Em seguida, se dirigiram à sede da Fundação Piratini, onde leram o manifesto ao vivo durante o programa Cultura na Mesa. O protesto dentro do Piratini também foi transmitido ao vivo em vídeo através do Facebook por integrantes do grupo e pelo Coletivo Catarse.
“Cavalo de Tróia da cultura” faz manifestação dentro do Palácio Piratini
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Comentários
Uma resposta para ““Cavalo de Tróia da cultura” faz manifestação dentro do Palácio Piratini”
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Muito bom. Negrinho do Pastoreio não se entrega pro homi.

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