Cinema desbitolado e gratuito


Na parede lateral de um prédio foi projetado o longa-metragem Da Janela do Meu Quarto
(Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

Naira Hofmeister

Com o lema “Abra seu coração: desbitole-se”, os quatro organizadores do Cine Esquema Novo pretendem, pela terceira vez, romper as barreiras de produção da sétima arte, colocando todo o tipo de filme no mesmo saco, sem tornar a expressão pejorativa.  Película 35, 16mm e Super 8 concorrem lado a lado com formatos digitais desde a primeira edição, em 2003, e, a partir desse ano os filmes também não serão mais separados por gênero: “Eu assisti aos 67 filmes selecionados para a competição e procurei assuntos que levassem uns aos outros para organizar as sessões, mas mesmo dentro dessa sistemática, os filmes não são comparáveis em si”, pontua Gustavo Spolidoro, curador da mostra desde a 1ª edição. Em 2006, serão 83 sessões gratuitas nas salas P. F. Gastal da Usina do Gasômetro, Santander Cultural e nas salas universitárias da capital, além de exibições públicas como a que antecedeu o início do festival, nos dias 29 e 30 de abril e 4 de maio. Na noite da última quinta-feira, quem passou pela esquina da avenida Santana com a Venâncio Aires foi surpreendido por uma inusitada sessão de cinema.

Na parede lateral de um prédio em frente ao Colégio Militar, foi projetado o terceiro e último trecho do longa-metragem Da Janela do Meu Quarto, do artista Cao Guimarães, numa prévia do que será a mostra Noutras Janelas, que vai veicular quatro outras obras de Guimarães em espaços públicos e aleatórios da cidade, segundo os organizadores, “para provocar uma reflexão sobre como o espaço interfere na experiência do cinema”.


Os organizadores do festival: Morgana Rissinger, Gustavo Spolidoro e Jaqueline Beltrame

Mesmo com a distância de oito andares entre a calçada e a “tela” de cinema, que prejudicou o áudio do filme, quem passava pelo lugar parava alguns minutos para acompanhar a atração e, invariavelmente admitia: “Mas que idéia bacana, né?”. Foi a materialização do espírito experimentalista que levou os quatro organizadores do festival – Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame, Morgana Rissinger e Álisson Ávila – a tomarem a iniciativa: “A gente encheu o saco de festivais quadrados e pensamos num que gostaríamos de ser convidados a assistir”, explica Morgana Rissinger, da Comunicação.

Organizando um festival anárquico

O experimentalismo do festival diz respeito às idéias inovadoras da organização das sessões, balizadas por um critério subjetivo, ao contrário das tradicionais divisões de gêneros, bitolas e formatos. “Se fizéssemos uma mostra exclusiva de filmes experimentais, estaríamos reduzindo o festival, mesmo porque, dentro do experimentalismo há muita repetição e clichê”, revela Spolidoro. Morgana complementa: “não seria desbitole-se”.  O expectador, portanto, pode esperar de tudo, “menos filmes normais”.

Sem os parâmetros técnicos para guiar os jurados, tanto a seletiva, que elegeu os 140 filmes do festival, como a competição, ganham ares complexos. Jaqueline Beltrame, da produção do festival conta que uma enorme carta é enviada ao júri, explicitando a intenção do festival: “Premiamos os mais criativos, os mais originais”. A prova do rompimento com a tradição dos grandes festivais são as premiações, onde, figuram categorias como Melhor Experimentação Sonora, ao invés de Melhor Som.

Além das premiações concedidas pelo júri, os melhores médias e curtas-metragens escolhidos pelo público também recebem troféu. O espectador vai ser responsável por escolher também a melhor produção da Mostra Sala de Aula, onde concorrem filmes universitários ou de cursos de formação.

Ainda haverá a mostra Cine Esquema Novo, onde os organizadores do festival – todos da cena cinematográfica de Porto Alegre – irão exibir seus próprios filmes, em sessões que iniciam à meia-noite. Também está na programação a mostra Cinema de Artista e os quatro filmes da mostra de Longas-Metragens, sem competição.

O Cine Esquema Novo acontece a partir de segunda-feira, 8, até o domingo, 14 de maio, com diversas sessões diárias, separadas por assunto, nas salas P. F. Gastal, Cine Santander, Sala Redenção e Auditórios da escolas de comunicação da ESPM, Famecos (PUC) e da Fabico (UFRGS). Todas as atividades têm entrada franca e o lançamento do festival acontece na segunda-feira, 8, às 20h, na Usina do Gasômetro.

Acompanhe diariamente a programação do fesival na Agenda do Jornal JÁ.

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