Clientes da ‘Lanchera’ emocionam na despedida do garçom Ildo

Matheus Chaparini
Pra que serve um garçom? O que é preciso para ser um bom garçom? Quando comecei a trabalhar no ramo um colega me encorajou: “fica tranquilo, qualquer um pode ser garçom”. De fato, com alguma facilidade de comunicação e um mínimo de coordenação motora, da pra quebrar um galho. Mas a tarefa de servir vai muito além de tirar o pedido e trazer a comida, principalmente se o sujeito se propõe a trabalhar em um lugar como a Lancheria.
“Aqui, tem que ser mais que simples garçom.. Tem que trabalhar com amor, dedicação, mas acima de tudo educação”, afirma Ildo Berte, entre abraços e fotos, enquanto as pessoas vão formando uma fila na calçada e canteiro da Osvaldo Aranha para se despedirem dele.

Ildo se emocionou com homenagens
Ildo se emocionou com homenagens

Aos 47 anos, trabalhando desde os 12, ele sentiu a necessidade de tirar um tempo para ficar com a esposa e o filho de 13 anos. Mas garante que não está abandonando o bairro. “Não posso largar o Bom Fim de mão, aqui é minha família também. Eu tenho que aparecer de vez em quando pra ver se essa gurizada está dando conta do recado.”
O próximo objetivo é fazer um curso de gerenciamento de empresas, mas ele ainda não sabe se vai abrir um empreendimento próprio. “Eu tenho que pensar com calma e me preparar para, se eu for colocar algum negócio, colocar certo.”
Cenário dos anos 90
Alguém presente no evento comentou que parecia uma tarde domingo do Bom Fim dos anos 90.
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Cenário lembrou Anos 90

A mobilização começou ainda na sexta-feira, quando Thiago Jucá recebeu a notícia de uma amiga e criou um evento no facebook. “Convidei só alguns amigos mais chegados. Dali a pouco eram 200 confirmados, quando eu fui dormir já tinha passado de mil. O Ildo trata todo mundo bem, é muito carismático, merece a homenagem.”
Jucá recorda que a primeira vez em que foi atendido pelo garçom, há mais de dez anos, estava vestindo uma camiseta tricolor. “Desde então ele nunca esqueceu que sou gremista, eu chego aqui, e ele já vem falar do Grêmio”, diz.
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Thiago Jucá e Ricardo

A ideia do churrasco foi de Ricardo de Castro Ribeiro. “Eu já conhecia o Jucá, quando eu vi o evento convidei para fazer um troço espetaculoso, uma quermesse!”. O tonel foi emprestado pelo vizinho Zé do Passaporte e as contribuições espontâneas abasteceram a churrasqueira. O assador Ricardinho, 40 anos, é frequentador da Lancheria desde os 13. É um dos clientes que ainda tem o privilégio de ter conta no caderninho e afirma que já pegou até empréstimo na Lancheria.
Maria Luisa Belan ficou sabendo pela rede social e trouxe o filho Otto, de quatro anos, para dar um abraço e tirar uma foto. “O Ildo viu o Otto na barriga”, justificou.
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Shalom Hain emocionada na despedida

Shalom Hain conhece o garçom desde 1998, quando ele começou a trabalhar na Lancheria. Ela se despediu chorando e com um presente: quatro cd’s do Raul Seixas que ele queria há tempo para ouvir no carro. “Ele sempre foi meu amigo, gentil, educado, bom ouvinte, melhor papo, nunca falou mal de ninguém, nunca fez fofoca. Não vai ser a mesma coisa sem o Ildo.”

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