Coluna Israelita "blindada" à pichações

Monumento recebeu produto especial que facilita a remoção da tinta (Fotos Naira Hofmeister)

Naira Hofmeister
A Coluna Israelita, ao lado do Instituto de Educação General Flores da Cunha, foi alvo de novo mutirão pela limpeza do SOS Monumento, coordenado pela restauradora Alice Prati. Menos de 15 horas após a higienização da última sexta-feira, 5 de maio, que retirou marcar de tintas dos últimos 3 anos, o monumento foi novamente atingido por pichações.
Alice Prati explica que entrega do monumento foi feita no final da tarde de sexta-feira e, na manhã de sábado, já estava pichado de novo. “Na verdade, estávamos esperando isso acontecer, mas eu tinha apostado que duraria até a segunda-feira. Perdi.”, lamenta Alice. A novidade desse final de semana é que, além da retirada da pintura, o monumento está impermeabilizado contra novos danos.
Uma película transparente, especialmente desenvolvida para o granito foi aplicada sobre a parte lesada, o que vai facilitar a remoção da tinta na próxima vez que for pichado. “Funciona como uma blindagem pois a tinta não entra nos poros do monumento”, esclarece Alice. Sem penetração, a pintura pode ser removida com um pano e tinner, sem a utilização de jatos de água e escovas, técnicas abrasivas que danificam a obra.
O empenho vai além. A durabilidade média do filme impermeabilizante é de 10 anos, mas a Coluna Israelita vai ser pioneira no trabalho de observação da técnica, como explica Alice: “Vamos investigar o comportamento do material durante o sol, chuva, frio e calor, por exemplo”. Já existem estudos da Prefeitura para aplicação do produto na chaminé da Usina do Gasômetro, um dos pontos preferidos pelos mais ousados pichadores.
Alice Prati e seu equipe acreditam que o vandalismo não e só uma disputa de gangues e que, ao contrário do que se espera, grafites e pichações são feitas pelas mesmas mãos: “Existe um mercado de apostas aonde uma pichação em Porto Alegre, pode valer até trinta mil reais”, acusa.
As evidências apontam o caminho feito por Alice. Segundo a restauradora, os próprios grafiteiros admitem fazer ilegalmente as pinturas e não é incomum encontrarem as mesmas assinaturas em monumentos agredidos em em murais de grafite. Ouro ponto levantado por Alice é que entre as categorias não há disputa por espaços públicos: “Onde há pichações, não se grafita em cima”, conclui.
O cerco se fecha
Além do projeto de SOS Monumento, desenvolvido pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), em parceria com o Atelier Alice Prati de Restaurações e com apoio de empresas privadas, outras propostas têm sido levantadas para resolver a questão.
A primeira, que parte da restauradora, é manter a linha dura com quem comete as ações ilegais: “Pichação é crime!”, lembra Alice. Para ela, as penas deveriam ser mais rígidas, ao contrário do que defende a legislação atual, onde quem e pego pichando cumpre penas alternativas, como a limpeza da tinta ou o pagamento de cestas básicas.
O monitoramento eletrônico também deve apertar o cerco contra os pichadores. A expectativa de Alice é que dentro de 60 dias sejam instaladas câmeras de vigilância, gerando imagens 24 horas por dia para o página de Internet do projeto. Também em um mês deve estar inaugurada a sede dos laboratórios do SOS Monumento, num casarão da Zona Sul.

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