Com preços menores, Feira mantém o nível de vendas

Foi divulgado nesta terça-feira o balanço dos dez primeiros dias da Feira do Livro de Porto Alegre. Segundo o balanço, foram vendidos 209.814 publicações, um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, e para um movimento de 854 mil visitantes somando os dois primeiros finais de semana do evento. Entretanto, nem todos os livreiros estão vendo este aumento.
Andando pela Feira, pode-se notar as consequencias da redução do orçamento que caiu de R$ 3,8 milhões no ano passado, para R$ 1,8 milhão este ano. A área central, que é dedicada aos estandes institucionais e geralmente fica cheia, tem cerca de metade dos espaços vazios. Os veículos de imprensa também têm menor presença em relação aos anos anteriores. Apesar do balanço, os comentários nos corredores apontam para uma feira com menos vendas, menos movimento e menos atrativos.

O vendedor Rodrigo Nunes, da Martins Livreiro, riu da notícia sobre aumento nas vendas em relação ao ano passado / Fotos Ramiro Furquim
O vendedor Rodrigo Nunes, da Martins Livreiro, riu da notícia sobre aumento nas vendas em relação ao ano passado. Fotos Ramiro Furquim

Ivo Almansa, proprietário da Martins Livreiro, tem 38 anos de Feira e garante que o movimento deste ano está menor do que a média. Ele calcula uma redução de cerca de 10% nas vendas em relação a 2014. O vendedor Rodrigo Nunes concorda que as vendas estão em baixa. “O movimento aqui começou mesmo no feriado. Até tem circulação de gente, mas as vendas não se comparam com o ano passado.”  Segundo o vendedor, os exemplares que estão tendo mais saída na banca são reedições de livros que estavam esgotados.
Não são só os livreiros que percebem o pouco movimento. Varceli Freitas trabalha com fotografia lambe-lambe há 50 anos, há 14 faz seus retratos na Feira do Livro. Freitas afirma que aos finais de semana o movimento é bom, mas durante a semana “é uma porcaria.” “Segunda-feira eu nem trabalhei. Hoje, durante toda a tarde, fiz só três retratos”, diz o fotógrafo.
O Último Lambe-Lambe do RS, Varceli Freitas, relata movimento fraco para seus retratos durante a semana, no final de semana há melhora / Fotos Ramiro Furquim
O Último Lambe-Lambe do RS, Varceli Freitas, relata movimento fraco para seus retratos durante a semana, no final de semana há melhora. Fotos Ramiro Furquim

Para o engraxate Paulo Lopes, a Feira é sempre sinônimo de pouco movimento. “Olha em volta, quantas pessoas estão de sapato?  A Feira muda muito o público da Praça da Alfândega. O pessoal que trabalha no centro, não quer passar por dentro da Feira.” O freguês que estava sendo atendido até brincou: “Todo ano alguém tira foto do Paulo, este ano nem foto teve.”
Para o engraxate Paulo Lopes, a Feira é a pior época de movimento em seu negócio pela mudança de público, em sua maioria usuários de tênis / Fotos Ramiro Furquim
Para o engraxate Paulo Lopes, a Feira é a pior época de movimento em seu negócio pela mudança de público, em sua maioria usuários de tênis. Fotos Ramiro Furquim

Na Rua da Praia as vendas vão bem
Mas esta impressão de redução nas vendas não é compartilhada por todos. Daice Fuhr, responsável pela banca da editora L&PM, tem 35 anos de experiência na Feira e garante que as vendas deste ano estão melhores que as de 2014. “Estou super contente”, afirma. Os livros para colorir, em promoção, e os autores gaúchos são os mais buscados, além das edições de bolso, carro-chefe da empresa. Este ano a banca está localizada na Rua da Praia, no ano passado, ficava no corredor da rua Sete de Setembro. A mudança ajudou nas vendas. “Aqui pega o movimento da feira mais o movimento normal do centro. Os pocket books atraem quem está passando.”
A banca em frente, da Livraria Provincia, apostou nos saldos e o resultado agradou. “Existe a vontade de comprar, mas as pessoas estão com pouco dinheiro”, afirma Neiva Piccinini. Para ela, a Feira deste ano está sendo semelhante à do ano passado, em termos de faturamento. A quantidade de unidades vendidas cresceu, mas os leitores estão buscando livros de menor valor e negociando o preço. Quanto ao fluxo de visitantes, Neiva ve vantagem em estar na Andradas apenas de segunda a sexta. “Durante a semana, o movimento maior é aqui, sábados e domingos é na Sete de Setembro.”
Daice Fuhr, gerente da L&PM Editores, comemora aumento nas vendas com a troca de local da banca, que no ano passado era no corredor da rua Sete de Setembro, para a Rua da Praia / Fotos Ramiro Furquim
Daice Fuhr, gerente da L&PM Editores, comemora aumento nas vendas com a troca de local da banca, que no ano passado era no corredor da rua Sete de Setembro, para a Rua da Praia. Fotos Ramiro Furquim

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