Com queda nas matrículas, PUCRS demitiu um professor por dia em julho

Matheus Chaparini
Uma sequência de demissões durante o recesso escolar neste mês de julho vem surpreendendo os professores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Foram 25 dispensas nos 25 primeiros dias de julho, segundo estimativa do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro/RS). E o número pode chegar a uma centena.
De acordo com o diretor do Sinpro/RS, Amarildo Cenci, todas as demissões passam pelo sindicato e, para facilitar os trâmites burocráticos, são feitos agendamentos junto à entidade.
No caso da PUC, foram feitos 130 agendamentos, o que não significa necessariamente 130 demissões, pois pode haver mais de um agendamento para um mesmo professor. Em reunião a direção teria estimado entre 50 e 100 as rescisões. Na próxima semana, o sindicato deve divulgar números definitivos.
Cenci lamenta que o perfil dos profissionais demitidos até agora são os que possuem maior nível de qualificação, maioria com doutorado e alguns com mais de 30 anos de universidade, alguns com salários maiores. “Não temos a menor dúvida de que esta rotatividade, que retira do posto de trabalho pessoal mais qualificado, gera um prejuízo na qualidade do ensino.”
Em nota, a PUCRS informa que ainda não tem números consolidados sobre as demissões de professores. “Estamos em período de transferências, reingresso de estudantes. Isso impacta no número de turmas e de alunos, um dos fatores que determinam a composição do nosso quadro docente”.
O período de matrícula para os veteranos encerra nesta sexta-feira, 28, e as aulas do segundo semestre começam no dia 2 de agosto. Há ainda um período de complementação de matrícula até o dia 10 de agosto.
A universidade atribui os desligamentos a medidas de ajuste necessárias diante do cenário político-econômico do país e à redução do número de estudantes.
A PUC ressalta ainda que 40% dos seus alunos têm acesso a algum benefício estudantil, como o Fies ou o Prouni, programas que vem sofrendo reduções nos valores concedidos pelo governo federal, nos últimos anos.
Há um clima natural de nervosismo entre os docentes das faculdades e os alunos. Na Faculdade de Comunicação Social, a Famecos, uma das mais conceituadas do país, professores demitidos manifestam-se nas redes sociais para despedirem-se dos colegas e alunos.
Alguns com larga experiência como Marquinhos Vargas, professor da PUC por vinte anos, titular das cadeiras de telejornalismo e história do jornalismo, comunicou seu desligamento na segunda-feira, através do Facebook.
“Hoje, dia 24 de julho de 2017, para minha profunda tristeza, esta relação que cultivei com tanto carinho e empenho foi cortada unilateralmente”, disse, em meio a um extenso texto em que fez homenagens e agradecimentos.
Outros docentes da Comunicação devem ser cortados até a metade de agosto. Circulam pelo menos duas listas com os nomes dos próximos a terem os contratos rescindidos. Nada oficial.
A Famecos é uma das faculdades que sofrerão mais cortes de professores devido à redução drástica no número de novas matrículas de estudantes. O valor da mensalidade para 23 créditos (de oito a dez cadeiras, aproximadamente) de um curso de comunicação custa cerca de R$ 2,2 mil.
No Estado, 43 demissões por dia 
A redução no quadro docente universitário não é exclusividade na PUC gaúcha. As principais instituições de ensino superior privado no Estado tiveram que demitir nos últimos anos.
“O caso da PUC é o que se apresenta neste momento. Em 2015, a Unisinos demitiu quase 200 professores, de um quadro de cerca de 1.200; a Uniritter fez um grande ajuste também em outro ano. A PUC foi adiando este processo e, curiosamente, vem em um momento que o quadro econômico parece estar estabilizando”, afirma Amarildo.
Levantamento realizado pelo Sinpro/RS aponta uma pequena elevação no número de desligamentos proporcionalmente deste mês em relação a julho do ano passado. Desde o início do mês foram 1080 rescisões de professores do ensino superior no estado (média de cerca de 43 por dia) contra 1183 ao longo de todo o mês de julho de 2016 (cerca de 38 por dia).

Adquira nossas publicações

texto asjjsa akskalsa

Comentários

Uma resposta para “Com queda nas matrículas, PUCRS demitiu um professor por dia em julho”

  1. Avatar de Sergio Furtado Cabreira
    Sergio Furtado Cabreira

    Quando a extrema-direita golpeou Dilma Roussef em 2016 e Lula em 2018, muitos acharam que o país iria apenas “mudar de governo”
    Mas o fascismo e o fundamentalismo messiãnico evangélico etão arratando inexoravelmente, a Nação para o caos.
    Primeiro fomos nós… agora, estão vindo buscar outros!
    Sergio F. Cabreira – Paleontólogo e Cientista.
    EX-ULBRA.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *