Matheus Chaparini
O fechamento do posto da Brigada Militar na esquina da avenida Osvaldo Aranha com a rua José Bonifácio – no estacionamento do Mercado Bom Fim – está gerando reclamações por parte dos moradores e comerciantes do entorno.
A unidade encerrou suas atividades nesta quarta, e segundo a comunidade, já vinha sendo pouco utilizada e não funcionava durante as 24 horas do dia há mais tempo.
Na tarde desta quarta-feira, a reportagem do JÁ foi até o posto e já não havia nenhum policial. A porta estava encostada lá dentro, sobrou apenas por parte da mobília. O prédio pertence à prefeitura e deve ser devolvido nos próximos dias.
O argumento do comandante do 9º BPM, tenente-coronel Marcus Vinícius Oliveira, para o fim das atividades é que o posto representa uma falsa sensação de segurança, pois o policial fica sozinho e não pode abandonar a estrutura para atender qualquer chamado.
“Ele vai ligar para o 190 ou chamar uma viatura, coisas que qualquer cidadão pode fazer pelo celular, sem precisar se deslocar até o posto”, observa.
Segundo o oficial, os quatro policiais que trabalhavam fixos no posto serão designados para o policiamento de rua ao longo da Osvaldo Aranha. “Quando criaram estes postos, eles eram o centro de referencia do bairro. Hoje, perdeu-se a função social deste modelo. Eu preciso que o policial esteja na rua, abordando, identificando pessoas em situação suspeita”, compara.
A mudança faz parte de um conjunto de medidas da BM que visa dar mais visibilidade às ações da corporação, além de permitir o pronto atendimento no policiamento.
Frequentadores não foram informados
Para Roberto Jakubaszko, da Associação dos Amigos do Parque Farroupilha, o principal motivo de descontentamento é a falta de comunicação prévia à comunidade.
“Estamos perplexos! Este posto foi concebido com apoio da comunidade, que se juntou, fez vaquinha, investiu e de repente fecha assim sem avisar? Merecemos um tratamento melhor”, condena.
Jakubaszko afirma que os moradores compreendem que há uma mudança na lógica do policiamento, mas sentiram excluídos do processo de decisão. “A Brigada está dando preferência a uma lógica de patrulhamento ostensivo. A gente até entende, mas gostaríamos de ter participado da discussão ou ao menos sermos avisados”, defende.
Para mostrar o descontentamento, moradores e comerciantes do Bom Fim e de bairros do entorno estão organizando um abraço ao posto nesta quinta-feira, 7, com concentração a partir das 18h.
Os manifestantes planejam também enrolar o prédio com lona preta, em sinal de luto. Está prevista ainda a interrupção do trânsito da avenida Osvaldo Aranha por cinco minutos para chamar a atenção de quem passa de carro.
O ato está sendo convocada por diversas entidades representativas dos moradores e comerciantes do Bom Fim, Rio Branco e Cidade Baixa.
Comerciantes se sentem inseguros

No posto de combustíveis que fica em frente ao antigo posto da BM a certeza é que a simples presença dos policias já coibia ações criminosas. “Só de cortarem caminho com a viatura por dentro do posto ou virem tomar um café na loja de conveniência já dava uma sensação de segurança, se via que tinha polícia por perto”, comenta um funcionário.
Rhyan de Assis é funcionário da floricultura Flora do Sul, localizada no mercado do Bom Fim, há cerca de três anos. Ele diz que a presença do posto sempre trouxe uma sensação de segurança ao local, ainda que não desse conta de cuidar do restante do parque.
“Aqui sempre foi seguro, mas na Redenção é comum ter assaltos. Meu tio já foi assaltado quatro vezes vindo para cá”, afirma Rhyan.
Na última segunda-feira, após uma tentativa de assalto na Osvaldo Aranha, o assaltante fugiu correndo armado. Na fuga, passou pelos fundos do mercado do Bom Fim e acabou sendo preso no interior do parque.
Bruno Zuanazzi trabalha no restaurante Equilibrium e conta que um policial estava começando o almoço e teve de sair correndo para ajudar na busca.
Para Zuanazzi, o fechamento do posto policial prejudica os comerciantes locais. “Vai piorar bastante. Antes o assaltante sabia que aqui ia ter polícia e não agia. Agora ele já sabe que não vai ter”, lamenta.
Comunidade condena fechamento de posto da Brigada na Redenção
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