Bom Fim: comunidade vai ao governador pedir reabertura de posto da BM

Matheus Chaparini
O fechamento de um posto da Brigada Militar no parque Farroupilha está gerando uma mobilização intensa entre moradores e comerciantes do Bom Fim, em Porto Alegre.
Houve uma manifestação no final da tarde de quinta-feira (08) e um pedido de reunião com o governador já foi encaminhado ao Piratini para tentar achar uma saída para o problema.
“O bairro tem uma circulação de 90 mil pessoas durante a semana e mais de 140 mil aos sábados e domingos. Só isso já justifica a necessidade de se ter um posto fixo. É uma população maior do que muita cidade do interior”, comparou o presidente da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim, Carlos Alexandre Randazzo.
A BM designou uma unidade móvel para o parque, porém a reportagem do JÁ constatou que ela enfrenta os mesmos problemas argumentados pela corporação para encerrar as atividades do posto fixo – possui apenas um policial de plantão que utiliza o telefone particular para chamar uma viatura em caso de necessidade.
Pior, no micro-ônibus adaptado não há banheiro para o guarda, que sofre também com o calor no interior do veículo.
Diante da situação, a saída da comunidade foi um protesto que reuniu dezenas diante do prédio que abrigava a antiga unidade na quinta-feira para pedir a “reabertura já!”, que eram as palavras de ordem ditas no ato.
Os manifestantes colocaram uma lona preta ao redor do posto, em sinal de luto, e deram um abraço simbólico ao posto policial, desativado no dia anterior.
Motoristas foram solidários ao ato

Grupo promoveu um abraço ao prédio e interrompeu o trânsito da Osvaldo Aranha | JÁ
Grupo promoveu um abraço ao prédio e interrompeu o trânsito da Osvaldo Aranha | JÁ

Durante alguns minutos, o grupo de manifestantes trancou o trânsito da avenida Osvaldo Aranha para chamar atenção da população. A intervenção contou com a compreensão dos motoristas. Vários passavam buzinando e gritando mensagens de apoio.
Apenas um motociclista impaciente tentou furar o bloqueio. “Se quiser, pode passar por cima”, argumentou Cláudio Freitas, conselheiro da região centro do Orçamento Participativo.
O impasse foi resolvido pacificamente.
A principal queixa da comunidade foi a falta de diálogo do poder público, que não comunicou previamente sobre o fim das atividades do posto.
Para Nara Maria Jurkfitz, moradora do bairro desde 1967, o fechamento foi arbitrário. “É mais um ato que demonstra a falta de ação do governo com relação à segurança.”
Guarda Municipal pode ser alternativa
Durante a manifestação, algumas ideias surgiram em relação ao que fazer com o prédio, que pertence à prefeitura de Porto Alegre. Uma saída possível seria a Guarda Municipal assumir o posto.
“É uma alternativa, mas não é a melhor. A solução é o retorno da Brigada”, opinou o vereador Valter Nagelstein (PMDB), cuja base eleitoral é a comunidade judaica do bairro.
Representante da Associação dos Amigos do Parque Farroupilha, Roberto Jakubaszko, fez coro à ideia e levantou ainda outras possibilidades, como a própria comunidade assumir o posto, através das associações. “Não podemos é ficar com esse posto parado e desocupado”, observou.
Nagelstein disse que a Câmara de Vereadores está à disposição para tentar uma solução no âmbito municipal, mas não descartou buscar medidas judiciais que obriguem o Governo do Estado a alocar recursos na Segurança Pública.
Posto foi conquista da comunidade
Moradora antiga do bairro, Nara contribuiu financeiramente com a obra | JÁ
Nara contribuiu com a obra | JÁ

Durante a manifestação, eram distribuídos panfletos informando a população sobre o fechamento. Para além da questão da segurança, havia um desconforto com o fim das atividades porque o posto policial era “o marco do movimento comunitário do bairro”, segundo o texto.
O prédio foi erguido em 1987, através da mobilização dos moradores e comerciantes. “Construímos com o dinheiro da comunidade, o pessoal se cotizou, não teve quem não participasse”, afirmou a moradora Nara Maria Jurkfitz.
Em 2004, a unidade foi reformada, novamente com recursos da população local.  Até mesmo um telefone celular foi doado, criando uma linha direta com os policiais de serviço.
“Muitas ocorrências eram atendidas diretamente, sem passar pelo 190”, recordou o presidente da associação, Carlos Alexandre Randazzo.
Bairros vizinhos se somam à pressão
Além das associações de amigos do bairro de do Parque Farroupilha, o movimento é composto por diversas entidades do Bom Fim e até de outros bairros.
“O posto era uma referência, oferecia segurança não só do Bom Fim, mas aos bairros do entorno”, argumentava o presidente da associação, Carlos Alexandre Randazzo.
Veja a lista completa dos integrantes do movimento:
Associação dos Amigos do Bom Fim
Associação dos Amigos do Parque Farroupilha
Associação dos Permissionários do Mercado Bom Fim
Associação dos Amigos da Avenida Venâncio Aires
Grupo Vizinhança na Calçada (Cidade Baixa)
Associação dos Amigos da Cidade Baixa
Conselho Tutelar (Micro 8)
Conselho de Usuários do Parque Farroupilha
Conselho Comunitário de Segurança do Bairro Bom Fim
Direção da Escola Estadual Anne Frank
Conselho Escolar do Anne Frank
Grupo de Moradores da Avenida Cauduro
Grupo de Empresários e Moradores do Bom Fim

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