Comunidades pedem recursos para a agricultura negra


O objetivo do encontro é lutar por políticas públicas para o desenvolvimento da atividade (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

Carla Ruas

Na manhã deste sábado, 26 de agosto, iniciou o Seminário Nacional de Agricultura Negra e Quilombola, que segue até domingo no auditório da Igreja Pompéia, na rua Barros Cassal, nº 220, em Porto Alegre.

O encontro discute produção, comercialização, visibilidade e cultura da agricultura negra tradicional no país. O objetivo é gerar encaminhamentos que busquem políticas públicas para o desenvolvimento desta atividade.

Entre os palestrantes estão representantes de associações de quilombolas, organizações não governamentais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),  Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Inca).

A platéia, que também participa de debates, é composta por aproximadamente 150 pessoas, a maioria integrante de comunidades quilombolas no interior do Rio Grande do Sul.

O coordenador da Federação Nacional de Quilombolas, Roberto Potácio Rosa, destaca a importância de colocar em pauta as dificuldades da agricultura negra, cujos produtos não têm visibilidade ou valor no mercado.

“Precisamos mostrar que temos mão-de-obra qualificada, conhecimentos culturais, técnicas de plantio e produtos com qualidade sem o uso do agrotóxico”.

Rosa diz que um dos principais problemas é o acesso à terra e a falta de políticas públicas de educação e saúde, que melhorem o dia-a-dia das famílias negras rurais. “Vivemos as seqüelas do passado, de um regime escravocrata que obrigou as comunidades negras tradicionais a ficaram em estágio de confinamento”.


Aproximadamente 150 pessoas participam do seminário

A coordenadora da Federação Estadual dos Quilombolas, Cledes de Souza, afirma que a principal demanda é o repasse oficial de territórios históricos que a comunidade tem direito e recursos para produzir nestas áreas.  “A meta do seminário é buscar o acesso a linhas de crédito e incentivos que outras camadas da agricultura têm”.

O grupo defende que o Pronaf – Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Rural, do Ministério de Desenvolvimento Agrário – seja estendido aos quilombos. O programa apóia a agricultura familiar com linhas de crédito e recursos para a infra-estrutura. É coordenado pelo Ministério, através da Secretaria da Agricultura Familiar.

Além das palestras e debates, a programação do seminário inclui mostra de artesanato quilombola, exposição fotográfica das comunidades quilombolas do Estado, mostra de produtos e apresentações artísticas.

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