Cacique: “Quero mais respeito” (Foto: Carla Ruas/JÁ)
Carla Ruas
Moradores do bairro Tristeza prometem agitar o movimento contra a presença dos índios Kaingang no Parque Natural Morro do Osso. Eles não querem que a comunidade indígena more na entrada do parque, apesar da permissão da Justiça Federal. “Vamos nos reunir para ver como agir” disse ontem ao JÁ o publicitário Alfredo Fedrizzi, que no sábado passado teve um incidente com o cacique Jaime Alves, quando passeava no parque.
Sócio-diretor da Escala Comunicação & Marketing, Fedrizzi estava acompanhado de sua filha de 16 anos e segurava dois cães da raça Fila, que são treinados para proteger a sua mansão nas proximidades do parque. Ao entrar na área verde pela rua Padre Werner, onde os índios tem as suas casas de madeira, os cachorros chamaram a atenção das crianças indígenas.
O publicitário diz que apenas pediu para que elas não chegassem perto porque os animais poderiam morder. Mas o cacique entendeu como uma ameaça. “Vi ele dizendo para saírem de perto se não ia soltar os cachorros. As crianças só estavam brincando”,diz.
Na volta da caminhada, o chefe da tribo abordou Fedrizzi para saber porque ele tinha ameaçado as crianças. “Fui mostrar quem manda na tribo e pedir mais respeito”, justifica o cacique. A conversa acabou em bate boca e acusações. “Ele ameaçou chamar a policia e eu disse: então chama”, afirma Jaime. Só que a Brigada Militar demorou mais de uma hora para chegar no local.
Enquanto isso, a filha de Fedrizzi foi para casa chamar a mãe. O publicitário queria ir embora, mas o cacique disse para ele ficar. “Se ele chamou a polícia tinha que ficar até eles chegarem”, diz. Ambos realizaram boletim de ocorrência. O índio por “maus tratos às crianças” e o empresário por um suposto seqüestro relâmpago. “Fui impedido de sair”, justifica.
Briga de vizinhos?
O episódio reflete o clima tenso entre índios e moradores, que começou com a ocupação da tribo em 2004. Na época, o secretário do Meio Ambiente, Beto Moesch, entrou em atrito com os índios e foi agredido.
Com o apoio do secretário e das associações de bairro, os moradores alegam que “o parque é para todos” e que eles não tem direito de morar ali. “O cacique disse que eu tinha que pedir permissão para entrar no parque”, protesta Fedrizzi.
Do outro lado, Jaime discorda: “Só pedi mais respeito quando ele passar por aqui”. Ele lembra que muitos moradores do bairro tristeza “sempre cumprimentam quando passam pela tribo”.
Os índios alegam que o Morro do Osso, uma área de alto valor imobiliário, tem resquícios de artefatos de índios, e, portanto, poderia ser transformado em reserva indígena. A Justiça Federal autorizou no inicio do ano que eles permaneçam onde estão enquanto é realizado um laudo antropológico. A justiça também negou o pedido da Secretaria Municipal do Meio Ambiente para que as crianças fossem retiradas das suas famílias. A secretaria disse que elas andavam de pés descalços, e por isso estariam mal cuidadas.

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