
Naira Hofmeister
No primeiro sábado de abril, o público que circulou na Feira de Agricultores Ecologistas da Coolméia levou um susto. Um informe da FAE chamava os freqüentadores a participarem de um abaixo assinado “para manter a autonomia” da Feira, ameaçada pela Secretaria Municipal de Indústria e Comércio “que determinou que a Banca do Seu Carneiro seja excluída”. Augusto Carneiro vende livros sobre ecologia na feirinha de sábado há 18 anos.
Uma das pioneiras da cooperativa, Glaci Campos Alves, explica que há um mês, a SMIC vem multando feirantes com irregularidades na permissão – por exemplo, aqueles que não cadastraram auxiliares, mas que possuem mais de um atendente. A fiscalização também identificou barracas sem alvará de funcionamento. Uma dela é a de livros, na qual trabalha Augusto Carneiro.
Confuso, o ambientalista ataca a SMIC. “Eles estão fazendo uma coisa muito misteriosa”. E garante que pedir ajuda ao Secretário de Meio Ambiente, Beto Moesch. Glaci acredita que o problema não deve ser personalizado em um ou outro participante, mas sim no papel cultural que a feira desempenha: “A questão não é se o Carneiro fica ou não. Buscamos apoio da população para provar que não funcionamos como uma feira tradicional”.
Do lado da SMIC ninguém se entende. Enquanto o diretor de fiscalização Léo Antônio Bulling garante que Carneiro vai seguir participando – mesmo sem a permissão oficial – Irapuama May, que coordena o setor de licenciamento de ambulantes diz que o caso está sendo analisado. “Ele corre o risco de ficar fora, pois nunca teve um documento da Prefeitura legalizando sua situação”.
Mesmo admitindo que Carneiro é “folclórico” na feirinha da Coolméia, ela diz que a decisão não está tomada. Acrescenta ainda que não há mais espaço para admissões novas, pois o limite de feirantes oficializados já está atingido. Hoje a Feira de Agricultores Ecológicos da Coolméia possui cerca de 40 bancas autorizadas pela SMIC, divididas em duas quadras na Av. José Bonifácio.

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