Matheus Chaparini
Um cortejo do movimento Cultura pela Democracia movimentou a região central de Porto Alegre na manhã deste domingo (17). Cerca de duas mil pessoas saíram da frente do auditório Araujo Vianna, passaram pelo Brique da Redenção e caminharam até a Praça da Matriz, local que abriga o Acampamento da Legalidade e da Democracia.
É lá que se concentram os que se posicionam contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Dois telões foram instalados para acompanhar a votação da comissão de impeachment na tarde deste domingo.

A concentração começou às dez da manhã, com cerca de cem pessoas abrigadas nas poucas áreas de sombra em frente ao Auditório Araújo Vianna, protegendo-se do sol que já era forte àquela hora.
No rádio, os comentaristas políticos especulavam sobre o resultado da votação, afirmando que o governo está se desmobilizando e dando como quase certa a vitória do impeachment.
O principal fator de dúvida era o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), uma informação vinda de uma reunião na última madrugada dava conta de que o deputado, que já havia mudado seu voto em favor do governo, teria mudado novamente de ideia, levando seu voto e de seus apoiadores pra o lado da oposição, o que foi negado mais tarde.
O público foi crescendo mais perto da hora da caminhada. Às 11h20, quando o cortejo partiu, mais de mil pessoas seguiam a bateria e a charanga pela Osvaldo Aranha gritando “fascistas, golpistas, não passarão”. O grupo passou pelo Brique da Redenção aos cantos de “não vai ter ódio, vai ter arte.”
Megafone humano: impeachment é golpe

Na esquina da José Bonifácio com a João Pessoa, o movimento organizou um megafone humano. O coro defendia que “este impeachment é golpe” e seguiu a manifestação: “Este impeachment quer retirar direitos dos trabalhadores, quer vender a Petrobras, quer privatizar o SUS, quer acabar com o Prouni. Não ao golpe contra os trabalhadores.”
No local, a marcha encontrou o carro de som e seguiu em direção à Praça da Matriz, passando pelas avenidas João Pessoa, Salgado Filho e Borges de Medeiros. O canto puxado ao microfone, acompanhado pela bateria e pelas vozes dizia “ai, com jeito vai, a Dilma Fica, o Cunha cai.”
Perto da uma da tarde o movimento chegou à Praça da Matriz, cantado “vem, vamos embora que esperar não é saber.”
Ataques à Dilma são machismo

Militante da Articulação de Mulheres Brasileiras, Carla Batista acredita que há um componente de machismo por trás do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Ela aponta como exemplo a linguagem utilizada pelos opositores da presidente, que segundo ela muitas vezes é desrespeitosa. “Se assemelha à fala dos homens quando querem diminuir, achincalhar uma mulher.”
“A Dilma é competente. Criticam características nela que não apontam nos políticos homens, como o fato de ser carrancuda ou de não ser boa em falar o público”.
Carla defende a presença das mulheres da política, “espaço que durante muito tempo foi interditado para as mulheres.”
A militante diz ainda que está acompanhando as especulações sobre o resultado da votação na Câmara e que acredita que o impeachment não passa. “Está mudando muito nas últimas horas, mas eu acredito que não vai ter golpe.”
Críticas ao Partido dos Trabalhadores

Em frente ao Araújo Viana, durante a concentração para o cortejo, Marcelo Rocanto montou uma pequena banca e vendia bandanas com o já clássico bordão “não vai ter golpe, vai ter luta”.
Ele procurou fazer um material que defendesse a democracia mas que não falasse do partido. “Minha intenção é barrar o golpe, não militar pelo partido.”
Sua principal crítica é a falta de participação da militância nos últimos anos. “O partido chegou ao poder e achou que poderia governar sozinho”, afirma Marcelo, que já foi militante do PT.
Ele fez crítica também ao que chamou de “alinhamentos com a direita” principalmente nas políticas em relação ao agronegócio e ao meio ambiente.
Marcelo conta que já trabalhou produzindo material de campanha para o PT. Havia largado a serigrafia, mas retomou a atividade de forma caseira, especialmente para fazer as bandanas.
Em duas noites, produziu 250 unidades, que vendia por R$ 5, “um valor simbólico”, afirmou.
Além do bordão contra o impeachment, estampavam o pano vermelho imagens representativas dos movimentos de mulheres, de Che Guevara, Zumbi dos Palmares, além de uma imagem defendendo os direitos humanos e o programa Mais Médicos, “duas coisas que se o governo cair acabam no mesmo dia”, afirmou.
Contrários demonstraram bom humor

Durante a caminhada foram registradas algumas manifestações contrárias. Foram poucos episódios, todos pacíficos e respondidos de forma bem humorada, como o da moradora de um edifício na Salgado Filho que, em lugar da panela, batia em uma forma de pudim.
Na marquise de um prédio na avenida João Pessoa, um homem batia com uma colher em uma panela, com uma bandeira do Brasil e uma camiseta preta nas mãos.
No prédio ao lado, um morador protestava na janela com uma grande bandeira de Portugal e a camisa da seleção brasileira de futebol. A inusitada manifestação gerou diversos comentários irônicos entre os participantes de cortejo. Um senhor concluiu com um grito: “larga, colônia!”.
Cortejo reuniu duas mil pessoas contra o impeachment na Capital
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