Higino Barros
A greve dos professores da rede pública estadual completou 30 dias nessa segunda-feira com o acirramento de ânimos entre os docentes, alunos que ocupam escolas estaduais e governo estadual. O Cpers/Sindicato convocou para quarta-feira, dia 8, uma grande manifestação em frente ao Palácio Piratini, com a participação dos estudantes e subiu o tom das críticas ao governador Sartori nas propagandas do movimento, divulgadas nas emissoras de Comunicação de Porto Alegre.
Na publicidade, o Comando de Greve acusa o governador Ivo Sartori de não fazer nada e nem estar interessado no fim da paralisação do magistério. Culpa ainda o governador pelo agravamento nas condições da educação pública e por desrespeitar a comunidade escolar. Sartori, por sua vez, embora sem citar nomes, aproveitou a posse do novo secretário da Educação, Luis Antônio Alcoba de Freitas, nessa segunda-feira para alfinetar o Cpers:
“Espero que as famílias e as instituições do estado nos ajudem a mediar o diálogo com os alunos que estão ocupando as escolas. Mas, preciso lamentar que grupos políticos e sindicais estejam usando menores para sua estratégia de combate. Todos sabem que a comunidade escolar quer a volta às aulas e o governo está do lado da comunidade. Nós reconhecemos as dificuldades e não podemos deixar o sistema educacional seja vítima da disputa política”, afirmou Sartori.
Considerando que Sartori é despreparado para governar e gerir conflitos, além de desconhecer a autonomia dos estudantes no episódio das ocupações das escolas, o Comando de Greve do Cpers divulgou uma nota oficial repudiando as declarações do governador. A posição de Sartori sobre as relações do alunos, entidades sindicais e políticas é classificada de leviana pela nota.
Nota de repúdio às declarações de Sartori
O governador Sartori quando critica o CPERS e lamenta o uso político de estudantes, durante a posse do secretário de Educação, Luiz Antonio Alcoba de Freitas, demonstra o seu total desconhecimento do que está acontecendo no Rio Grande do Sul em relação à educação. Além de desconhecimento, o que não se concebe para alguém que queira dirigir um Estado, ele demonstra total desrespeito aos estudantes ao não atribuir a eles capacidade de ter visão crítica e posicionamento claro em relação as condições da educação pública em nosso Estado, das políticas que o governo tenta impor à sociedade gaúcha e também da capacidade de organização e de autonomia. Além disso, Sartori é extremamente leviano ao atribuir ao CPERS o uso desses estudantes politicamente. O CPERS é um Sindicato que há 71 anos luta e tem responsabilidade com os educadores e a educação pública. O governo Sartori não é o primeiro que passa por uma greve, mas com certeza é o primeiro que demonstra tamanho despreparo de governar e gerir conflitos. Em seu discurso, Sartori fez duras críticas aos professores grevistas e aos alunos que mantém às ocupações. Vejamos se ele tem razão: Educadores que ganham 30% do que deveriam receber do Piso Salarial Profissional Nacional, alunos que convivem com goteiras, falta de luz, choque elétricos dentro das escolas, devido à falta de manutenção das instituições, e falta de merenda por causa do repasse das verbas. Estas são apenas algumas das razões que foram determinantes para a greve e as ocupações. Além da preocupação prioritária que é a privatização da educação, através do PL 44 e do PL 190 que é uma verdadeira mordaça que impede a livre expressão do pensamento na escola pública.
O governo fala da preocupação com os alunos que estão perdendo aula por causa da greve dos educadores. Qual a resposta do governo para a comunidade escolar sobre a falta de professores em muitas escolas do Estado, desde março, e que até hoje não chegaram nas instituições? Esta falsa preocupação de Sartori tem, única e exclusivamente, o objetivo de tentar desacreditar um movimento legítimo, sério e com o reconhecimento e o apoio da grande maioria da comunidade escolar. Sartori não combate efetivamente a sonegação e não revisa os incentivos fiscais (você sabia que a cada 30 segundos é sonegado um Piso Salarial do Magistério?). Demonstra, assim, querer um Estado a serviço dos grandes empresários e sem responsabilidade com as políticas públicas, pois para eles tudo pode, mas para o povo nada pode. Nós do CPERS repudiamos veementemente essa postura do governador Sartori e seus aliados. Não podemos deixar de dizer que essa postura nos envergonha profundamente, pois o Rio Grande do Sul sempre foi motivo de orgulho para o povo gaúcho e hoje nós nos sentimos apequenados pela forma que o governo Sartori trata uma ação legítima que é a da greve, um direito constitucional, e das ocupações frente a sua intenção de destruir a escola pública. Chamamos a comunidade escolar para aumentar a pressão em defesa de uma escola pública de qualidade e com educadores valorizados e estudantes respeitados!
O Comando de Greve do CPERS convoca a todos educadores a participarem do Ato Estadual Unificado com os estudantes, nesta quarta-feira, dia 08. A iniciativa ocorrerá em Porto Alegre com concentração às 13h em frente à sede do CPERS (Av. Alberto Bins, 480). Após a concentração, os educadores partirão em caminhada até a Secretaria da Fazenda para denunciar a falta de respeito do governo Sartori (PMDB) com a categoria e o descaso com a educação pública. “Vamos mostrar para o governo Sartori que a nossa greve está a cada dia mais forte e mobilizada. Exigiremos do governo propostas para as nossas reivindicações”, afirma a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.
Cresce tensão entre professores em greve e governo estadual
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