Culinária requintada no Centro Cultural CEEE no domingo

Higino Barros
Numa época que não havia patrulha alimentar, saudosos anos 1970, quando criança, Daniel Ninov, na companhia de seus parentes, costumava caçar passarinhos e pegar rãs que se transformariam depois em nutritivas e saborosas iguarias.
Acompanhadas de muita polenta. Isso, claro, em ambiente rural, na serra gaúcha, onde os hábitos alimentares dos descendentes de colonos italianos tornam o momento da refeição não apenas um momento de repor energias no corpo. Mas também um espaço para convivência familiar, descobertas de muitos sabores e outros prazeres de uma refeição farta, nutritiva e sem pressa.
O tempo passou e Ninov veio para Porto Alegre, tocou um restaurante vegetariano nos anos 1980, abandonou essa vertente e a par de sua atividade profissional como funcionário da Prefeitura de Porto Alegre, continuou cozinhando em círculos pequenos e para amigos. Em 2013 cursou a Escola de Educação Profissional de Gastronomia Aires Scavone.
Memória alimentar

Daniel Ninov / Divulgação
Daniel Ninov / Divulgação

Na atualidade Ninov é um cozinheiro cujos pratos são louvados por quem experimentou. É um grupo pequeno, mas que aumenta a cada vez que ele vai para a cozinha. Já que essas ocasiões são certezas de culinária requintada, sabores únicos e uma combinação de beleza visual com alimentos nutritivos.
Tudo isso e um pouco mais estarão presentes no próximo domingo no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, na primeira edição do projeto Cozinha Autoral e Memória Alimentar. A ideia é oferecer num local acolhedor, acessível e onde se respira cultura, uma experiência culinária tão prazerosa que se torne inesquecível. Outras duas edições serão realizadas no final de agosto e em setembro.
Como fazer isso? Daniel Ninov, na conversa, vai dando umas pistas. Primeiro, trabalhar com produtos orgânicos, o máximo possível. Para isso é necessário ter um rede de fornecedores fiéis e variada. Conta também lançar mão da tradição familiar para fazer pratos da memória de todos que gostam de culinária italiana, porém com toques e adaptações que são truques e segredos de chefs de cozinha. Por isso, não adianta perguntar.
Comer com os olhos
Assim, por exemplo, no almoço que acontecerá no Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo será servido como prato principal um matambre que quem já experimentou, diz que é de comer ajoelhado. É uma receita que Ninov aprendeu de um “nono” italiano, no interior da Argentina, temperado com acelga. É o máximo que ele revela. A solução então é saborear essa iguaria da culinária sulista e aguardar a próxima vez.
Finalmente vem o toque da beleza, da parte de comer com os olhos. Ninov se preocupa tanto com a estética do prato que considera metade do prazer de comer, na forma do que lhe é servido. Ele é adepto da máxima que bonito é mais gostoso:
“Prezo muito o valor nutritivo do que cozinho e o visual da comida faz parte do prazer de se alimentar. É uma combinação de apelo aos sentidos em que tudo se completa. Daí vem a ideia de se fazer esse projeto num centro cultural já que não é só o sentido gustativo que é acionado. Outros prazeres são despertados e descobertos”, conclui Daniel Ninov.
culinária 2- cardápio

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