
Carlos Afonso, do Creative Commons e Marina Vieira, do Tangolomango são entusiastas da tecnologia para democratização da cultura e informação (Foto Naira Hofmeister/JÁ)
Naira Hofmeister
Criei, Tive Como!, além de ser o nome do 1º Festival Multimídia de Cultura Livre do Brasil é também a bandeira que muitos artistas têm levantado pela democratização de aceso à cultura e informação. O festival acontece até sábado, 22 de abril, dentro do Fórum Internacional de Software Livre, no centro de Eventos da FIERGS (Assis Brasil, 8787), em Porto Alegre.
Diariamente, a Mostra de Filme Livre (Mesmo) acontece em dois horários: 12h e 19h, com filmes para uma rápida digestão (na hora do almoço, são exibidos diversos curta-metragens) e, na noite, conta com produções de média duração que abordam o universo virtual brasileiro, como Gamer BR, sobre jogatina on-line e Ensolarado Byte, que mostra a congruência entre a música do recife e as tecnologias digitais.
Fazem parte da mostra, dez programas de meia hora, divididos em temas como Música Livre, Mídia Tática, Cinema Sem Película, Cultura Digital Brasil e Legislação Criativa. A mostra conta com a participação de representantes do Cine Falcatrua, do Espírito Santo, que organiza festivais de cinema com livre exibição e o curioso Corta-Curtas, onde o projecionista exibe o filme com a edição que bem entender.
Uma amostra do FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica – também estará sendo exibida no estande do Criei, Tive Como!, durante o FISL. O FILE é o maior e mais inovador festival brasileiro de artes digitais e irá disponibilizar em terminais de computador uma seleção especial de obras interativas que utilizam software livre.
Durante todo o Fórum Internacional de Software Livre, o Criei, Tive Como! divulga e milita pela sua causa, o rompimento com a atual legislação de direitos autorais, que, segundo os organizadores, barra o acesso à cultura e informação e, paradoxalmente à sua proposta, desestimula a criação artística. “A tecnologia pode ser uma aliada das gravadoras, editoras e players, ao contrário do que, usualmente, se acredita”, defende Carlos Affonso, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.
O ponto alto do festival acontece no sábado, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787), onde artistas multimídias que acreditam na utilização da internet como forma de divulgação cultural se apresentam num grande show. A estrela da noite será BNegão, rapper carioca que participou, ao lado do músico Marcelo D2, do Planet Hemp, banda de sucesso na década de noventa entre a garotada. Também participam do show a banda paraibana Totonho e Os Cabra, o pessoal da Comunidade Alternativa, que toca o projeto do Circo Voador em vilas carentes do Rio de Janeiro e o coletivo de artistas Mídia Sana, que apresentam sincronizações entre músicas e vídeos.
BNegão e sua banda – Os Seletores de Freqüência – disponibilizaram todas as suas composições para serem “baixadas” na Internet, num movimento avesso ao que propõe a atual legislação, pregada pelas gravadoras e pela mídia. Ao contrário do que levaria a crer o senso comum, BNegão passou a ganhar mais dinheiro e ficou conhecido por todo o mundo através da técnica. A Internet possibilitou acesso à música do rapper em todos os cantos do mundo, e resultou numa recente turnê pela Europa onde tocou em festivais consagrados ao lado de bandas como Foo Fighters, Sonic Youth e Audioslave; o legendário Brian Wilson, líder dos Beach Boys e uma apresentação clássica com a formação original do grupo Black Sabath no Rosckilde Festival, na Dinamarca.
As músicas de BNegão e Totonho e Os Cabra são licenciadas através do selo Creative Commons (www.creativecommons.org.br), onde o autor pode escolher as opções de utilização e distribuição de sua obra. “Não pretendemos abolir a Lei de Direitos Autorais, mas facilitar a forma pela qual a autorização é concedida”, observa Affonso.
Qualquer usuário da rede pode fazer donwload a partir do banco de dados do site, assim como os artistas interessados em divulgar suas obras podem acessar o endereço e disponibilizar suas obras com especificações dos usos que vão permitir.
Além da ong Creative Commons, criada nos Estados Unidos, participam da organização do festival o Tangolomango (www.tangolomango.com.br) , que realiza projetos de livre cultura pelo Brasil e o site Overmundo (www.overmundo.com.br), que funciona no sistema de colaboração de usuários e cria uma enorme rede de debate cultural.
Os ingressos para festa de sábado podem ser comprados no estande do festival, no Centro de Eventos da FIERGS, a R$ 10,00. Mas a organização explica: o valor apenas vai custear a produção, pois o evento não pretende segregar cultura e valorar obras de arte.
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