Felipe Uhr
Foi tema de discussão, no auditório do Dante Barone, na Assembleia Legislativa, o assunto “Mídia, Ideologia, Educação e Poder – A luta contra o monopólio da mídia e da reforma de Estado”. O atraso no inicio do debate e a ausência de alguns confirmados como o ex-governador Tarso Genro e o representante do Fórum Hip-Hop, MC Gaspar, não diminuiu o nível da discussão. Entre os oito convidados a falar sobre o tema, estavam o Secretario Nacional dos Direitos Humanos Rogério Sotilli e a jornalista Soraya Misleh, representante da Frente Palestina no Fórum Social.
Sotilli abriu o debate lembrando os movimentos que os Direitos Humanos estão no centro da defesa da cidadania, liberdade, criação e participação social. Criticou que atualmente, a grande mídia ataca os Direitos Humanos “quando criminaliza movimentos jovens sociais, quando criminaliza a juventude negra e imigrantes”.
Segundo ele é preciso garantir o acesso à informação para a formação de uma sociedade nova e defender que os Direitos Humanos sejam o centro disso. “ A informação nunca esteve tão capturada pelos interesses econômicos” ressaltou. Questionou a quem interessa esse tipo de informação e finalizou lembrando que ”sem Direitos Humanos não existe Democracia e sem Democracia não existe Diretos Humanos”.
Outro destaque foi a representante da Frente Palestina Soraya Misleh, que falou da situação do conflito entre Israel e Palestina. “ A grande mídia serve à classe dominante e ao capitalismo” afirmou. Segundo ela muito do que acontece no conflito é abafado pelas grandes mídias. O caráter racista e preconceituoso do lado israelense não é mostrado, segundo ela. jornalista recordou o caso dos palestinos impedidos de vir ao Fórum Social Mundial pelo cerca à cidade de Hebron e os 15 jornalistas assassinados na faixa de gaza.
Misleh destacou o drama de muitos palestinos que sofrem com a guerra. Segundo ela, Palestina que foi ocupada por Israel não é mostrada na TV, pois quando jornalistas de grandes emissoras internacionais retratam a verdade são demitidos. Por fim defendeu a Palestina dizendo que no país movimentos democráticos e sociais(LGBT, a favor da mulher e negros) também existem não só naquele país mas como em todo mundo árabe.
Outros convidados expuseram sua opinião sobre o tema à mesa. Paulo Motoryn, Coordenador da Comunicação da Secretaria Nacional da Juventude, falou da importância da mídia livre. Citou modelos de mídias alternativas e a relevância de coletivos de comunicação como alternativa. Motoryn apresentou o caso de um grupo de estudantes que montou um página, via facebook, para informar o que estava acontecendo durante as ocupações dos estudantes em São Paulo. “As vezes não são jornalistas, mas organizam coletivos de comunicação” observou.
As participantes Rosane Bertotti,Secretária Nacional de Comunicação da CUT e Rita Freire, do Grupo Colaborativo entre mídia Ciranda, também fizeram duras criticas a mídia. Rosane ressaltou que o sistema privado de Comunicação está ligado aos governos de direita. Lembrou que a grande mídia apoiou a ditadura, demoniza a esquerda e agora apoia o neo-liberalismo. Rita acusou a grande mídia privada de não dar espaço para a atividade social. “É preciso uma mídia desvinculada a governos e aos mercados” destacou.
O debate ainda teve a participação do vice-presidente do PCdo B, Walter Sorretini, que abordou as falhas nas politicas do Estado, apesar dos avanços sociais dos últimos 13 anos. Lembrou também que é preciso uma reforma no Estado brasileiro para que se avance o Projeto Nacional de Desenvolvimento. Depois vieram as participações estrangeiras. O ativista e acadêmico canadense Stephane Couture que falou sobre os casos de espionagem na internet e o livre acesso que policia ou governo devem ter as informações pessoais.
Grande mídia atrapalha o desenvolvimento social, aponta debate sobre comunicação no FSM
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