O Salão de Atos da UFRGS lotou na tarde desta quarta-feira para o Grande Ato em Defesa da Democracia e da Legalidade.
O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular, ligada a PT e PC do B, e pelo Povo sem Medo, ligada ao PSol, e contou com apoio da reitoria da universidade.
A defesa da democracia e da legalidade, acima de interesses partidários, foi a tônica das falas. Bernardete Menezes, do Psol, defendeu a importância de se unir e formar “uma trincheira”.
“O Psol tem posição e lado nessa questão. Somos oposição de esquerda ao governo Dilma. Mas o que está em jogo não é partido A ou B.”
O governo de Dilma Rousseff não foi poupado de críticas pontuais. Bernardete citou a sanção recente da lei anti terrorismo por Dilma. “Nunca teve terrorismo no Brasil, essa lei é para movimento social.”
Ary Vannazi, presidente estadual do PT, também defendeu que o momento é de se deixar questões partidárias de lados.
“Não precisa gostar do PT, basta gostar do Brasil e da democracia, porque quem já viveu sob uma ditadura sabe a importância disso.” Vannazi afirmou que o objetivo é colocar 100 mil pessoas na esquina democrática no ato desta quinta.
Na ausência do reitor, que cumpre agenda fora do país, o vice-reitor, Rui Oppermann, foi quem abriu as falas. Oppermann leu uma carta da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior).
Na nota, os dirigentes repudiam “argumentos pseudo-jurídicos utilizados para encobrir interesses político-partidários, com a divulgação seletiva de elementos processuais antes da conclusão dos processos, ignorando o princípio da presunção de inocência.”
Paulo de Tarso, do Comitê Carlos da Ré, defendeu que há um golpe em curso, dado “pela mesma elite que esteve em 1954, em 61 e em 64. E o discurso agora é o mesmo.”
Ele, que foi militante da VAR Palmares durante a ditadura lamentou a necessidade de se lutar pela democracia depois de tantos anos. “Eu estava a ponto de ficar na praia, aposentado, pescando e tomando meu mate, mas a direita não quer nos deixar parados,” brincou.
“O golpe já foi dado”, afirma procurador
Domingos Dresch, procurador da República e professor de direito da UFRGS afirmou que “o golpe já foi dado, estamos vivendo um estado de excessão.”
Ele defendeu a “coragem cívica que a universidade não nega ao país.” O procurador afirmou que toda a sociedade ficou feliz ao ver, pela primeira vez na história do país, corruptos e corruptores sendo julgados e punidos por seus crimes, mas que, em algum momento, “os fins passaram a justificar os meios e passamos a ter desrespeitados direitos básicos.”
Dresch criticou ainda a ideia, difundida pela grande imprensa, de um Ministério Público unificado e afirmou que mais de mil promotores e procuradores assinaram um manifesto em defesa da democracia. “O MP da constituição de 88 não morreu na Lava Jato”, afirmou.
Pont PEDe fim do monopólio das comunicações
Raul Pont fez uma das últimas falas do evento. Ele recordou que entrou na universidade em 1964, um mês antes do golpe, que trouxe expurgos de professores e jogou na ilegalidade entidades representativas dos estudantes.
O ex-prefeito reiterou que o momento política brasileiro se constitui em golpe. “Mesmo que não tenhamos militares na rua, um golpe clássico pela força, é um golpe contra o resultado das eleições.”
Ele criticou também a condução do processo de impeachment. “Mais da metade da comissão processante se elegeu financiada por empresas investigadas na Lava Jato”, afirmou, além de defender que “delação premiada é uma vergonha.”
Para Pont, o problema maior é o sistema eleitoral brasileiro, que considerou “o principal estimulador da corrupção.” Ele criticou o voto nominal e o financiamento empresarial das campanhas.
Raul Pont encerrou sua participação afirmando que “temos que avançar na construção da democracia”. Para isso, defendeu o fim do monopólio das comunicações e criticou a rede Globo e o grupo RBS, “que são o maior câncer do país.”
Defesa da democracia e da legalidade lota o salão de atos da UFRGS
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