Depois da ventania, vendaval de podas assola Porto Alegre

GERALDO HASSE
Depois do vendaval que derrubou árvores em Porto Alegre no dia 29 de janeiro, os funcionários da CEEE e de outras instituições se sentiram no direito (e até no dever) de praticar o que José Lutzemberger denominava “poda bárbara”.
A maioria da população entende e apoia o corte indiscriminado de galhos e ramos, pois tem consciência de que os fios (de eletricidade, telefonia e TV a cabo) são mais importantes do que a arborização.
Nem é o caso de perguntar quem veio antes – as árvores ou os fios? Mas é pertinente perguntar se não chegou a hora de estabelecer um plano diretor de arborização e paisagismo do perímetro urbano de Porto Alegre.
Atualmente pelo menos a metade das árvores das ruas da capital é inadequada para o paisagismo urbano, daí o conflito com o cabeamento eletro-eletrônico.
Nos parques, praças e ruas predominam os espécimes vegetais de grande porte que representam fonte permanente de riscos para pessoas e de prejuízos para os proprietários de carros, imóveis e postes de fiação.
A arborização é fundamental para amenizar a temperatura, oxigenar o ambiente e reduzir a poluição sonora, mas nem na zona rural se pode dispensar o bom senso na hora de escolher o que plantar perto das moradias.
Umbu na porteira? Tudo bem, mas paineira não é recomendável perto de telhados.
Em Porto Alegre a Prefeitura e os moradores plantam árvores-gigantes debaixo da fiação. Angico, pau ferro, tipuana, sibipiruna, abacateiro, ipê, espatódea, plátano, grevílea, guapuruvu, figueiras, flamboyant, mangueiras – nada disso deveria ser plantado nas calçadas, mesmo naquelas em que não há postes. Em parques e praças, tudo bem.
Para calçadas com postes de fiação, podem ser plantadas, com um adensamento capaz de prover o sombreamento das calçadas, sem risco de acidentes graves com os pedestres, as seguintes árvores: araçazeiro, bico-de-papagaio, cafeeiro, camelieira, chuva de ouro, bauinia (pata de vaca), bergamoteira, extremosa, hibisco, jasmineiro do Havaí, laranjeira, leiteirinho, leucena, limoeiro, manacá, pitangueira, quaresmeira.
A arborização e a fiação são compatíveis, mas é preciso ter critério e iniciar um programa de fomento ao paisagismo consciente.
Uma boa fonte de orientação é o livro Cadastro Fotográfico da Vegetação de Porto Alegre, produzido pela Secretaria de Meio Ambiente de Porto Alegre.
Publicado em 2011, é um trabalho de 430 páginas coordenado pela arquiteta Cleida Maria da Cunha Feijó Gomes, que listou centenas de vegetais identificáveis por fotos e descrições minuciosas.

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