Dia decisivo em Brasília: "Ninguém sabe aonde vai parar"

Segunda feira, 21 de setembro, dia de grandes expectativas em Brasília.
Aguarda-se a Reunião de Coordenação, aquele grupo de conselheiros políticos da presidente Dilma, onde se anunciará o corte nos ministérios. Espera-se uma confusão generalizada.
A voz corrente  é que não há qualquer estudo. A reforma sai da cabeça dela, concebida na semana passada.
Nenhum analista político arrisca um prognóstico. Não se fale de jornalistas ou cientistas sociais das universidades, que são observadores externos ao cenário. A perplexidade atinge o pessoal de dentro, as raposas, aqueles velhos e membros de todos os governos.
A sensação é de que se inicia um movimento descontrolado, que ninguém sabe onde vai parar.
Quatro cenários se apresentam como possibilidades, traçados por uns e outros.
O mais plausível é a continuidade do governo, a trancos e barrancos. Como disse Delfim Neto na entrevista publicada hoje no “O Estado de S. Paulo”: os que a elegeram que se redimam e pensem melhor para votarem certo em 2018.
É um caminho cheio de sobressaltos.  Algumas outras possibilidades: Eduardo Cunha admite o pedido de impeachment e o governo (leia-se Lula e o PT) terá de derrubar o processo político no plenário, ou embargar na Justiça; E aí vem outro impeachment e mais outro, pelo menos um por ano. Um inferno, Dilma sangra.
Outro cenário possível é o da judicialização.
Com a aceitação do pedido de investigação sobre as contas da campanha de Dilma, o processo no TSE entraria em tramitação, reabrindo a análise dessas contas.
De dezembro para cá mudou tudo, ou seja, aquelas prestações de contas convencionais do passado, verdadeiras contas de chegar, cairiam por terra, pois até as pedras das estradas sabem que as documentações não resistiriam a uma análise minuciosa.
Cassada a chapa Dilma/Temer, assume o segundo colocado. Entretanto, também a campanha de Aécio não passaria no crivo. Também cairia. Com isto, anula-se a eleição por falta de vencedor habilitado, pois é elementar que a coligação PT/PMDB, imediatamente impugne a chapa adversária. Diante da evidência do resultado desse outro julgamento e, ainda, sufocado pelo tumulto de uma vitória no tapetão, o mais provável é que Aécio Neves desista de se defender, renunciando à posse até que o TSE julgue suas contas.
Anulada a eleição, assume o presidente da Câmara de Deputados com prazo de 60 dias para realização de novo pleito. Neste caso, os partidos terão de apresentar novas chapas, com as seguintes restrições: Dilma e Aécio serão inelegíveis, pois com a condenação de suas campanhas caem no capítulo de fecha limpa. Como a nova lupa da Justiça Eleitoral vai ler as letras miúdas, também qualquer outro candidato estará vulnerável. Por exemplo: Marina não resiste à análise aprofundada das contas de Eduardo Campos. E assim por diante. Talvez só a Luciana Genro passe nesse exame, pois bispos e verdes também teriam de explicar muitas coisas.
No passo seguinte os partidos se verão com o problema de encontrar candidatos, pois também os governadores são inelegíveis porque não haverá espaço no tempo para cumprirem as exigências de desincompatibilização. Desse jeito, no cenário atual, sobrariam Lula e Serra. Ou, ainda, Joaquim Barbosa? Com isto já tem gente dizendo que o mais provável será que o presidente do Congresso (Renan Calheiros) tome à dianteira e convoque uma constituinte (exclusiva, sem poderes legislativos) para reavivar o parlamentarismo e, ainda, limpar a Carta Magna dos entraves da Constituição de 1988 à governabilidade.
Um terceiro cenário contempla o emparedamento da presidente, algo parecido com a tutela do PMDB (Ulisses Guimarães) a José Sarney. Até já tem nome: a sarneização de Dilma.
Neste caso o PT passaria para segundo plano e o PMDB assumiria o comando do governo.
Tal colmo nos tempos de Sarney: um ministério forte, um líder inconteste e o presidente conformando-se a um papel secundário, com funções cerimoniais.
Neste caso Dilma ficaria com a incumbência de representar o País, comparecer a inaugurações, visitar escolas. O ministério e o partido governariam de fato.
Entretanto, como diz a lei, ela sempre terá de assinar. A caneta dela ainda terá seu papel.
O quarto cenário contempla a renúncia. As pessoas próximas garantem que ela não tomará essa decisão. Dizem que é a sério quando fala, na sua linguagem muito própria, “não faço a renúncia”, o que, na concepção dramática dos nossos tempos de republiqueta era enunciado como “só morto deixo o Catete”.
Ninguém concebe um cenário com golpe de estado. Pelo contrário, as forças armadas são a garantia das instituições. Nada poderá ser feito ao arrepio da lei.

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