Felipe Uhr
Pouco depois das quatro horas da tarde desta sexta-feira, assim que a presidente do Cpers, Helenir Schurer, anunciou o fim da greve do magistério público estadual, alguns professores localizados próximos ao palco iniciaram uma confusão, contrariados com a decisão da direção do sindicato.
O que se viu e ouviu foram insultos, arremessos de cadeiras, garrafas de plástico e as tradicionais bandeiras amarelas do Cpers. Péssimo exemplo da maior categoria de servidores públicos do Estado.
Aos repórteres, os professores mais exaltados justificaram que nas duas apurações a maioria decidiu pela permanência da greve.
Assembleia lotada
No começo da tarde quando começaram a chegar os professores de todas as regiões do Estado, era nítido o clima tenso. Já na fila para entrar no Pepsi on Stage deu confusão com seguranças que tentavam impedir a entrada de grande grupos de uma só vez.
Professores contrários à continuação da greve pediam apoio ao movimento unificado de todas as categorias de servidores públicos: “Temos que permanecer unidos ao demais servidores pois, do contrário, vamos fazer o que?”
Já, os que estavam a favor da permanência da greve argumentavam que voltar as aulas representava apoiar os projetos do governo Sartori: “Se não mantivermos a greve vamos nos enfraquecer e é isso que o Sartori quer”.
Nesse ambiente, seis mil professores entraram em uma fila indiana na casa de shows. Cerca de mil educadores assistiram à assembleia através de telões, do lado de fora.
Aqui não tem história, greve até a vitória
Começaram os discursos dos professores, cada um expondo o seu ponto de vista sobre a permanência ou não da paralisação. A cada manifesto era visível uma maior euforia por parte daqueles a favor da continuação da greve. Toda vez que falavam os que pediam o fim da greve, muitos viravam-se de costas rechaçando a opinião. Depois, foram apresentadas as oito propostas que deveriam ser votadas. Enquanto o orador lia as proposições, professores rasgavam as folhas recebidas e gritavam em alto e bom som: ‘Aqui não tem história, greve até a vitória”.
A primeira proposta decidia se a categoria continuaria a unidade com os demais servidores. Passou com ampla maioria, sem discussões ou resmungos. A segunda, a mais relevante, dizia o seguinte: Suspender a greve no dia 11 de setembro e retornar ao Estado de Greve acompanhando o Movimento Unificado dos Servidores e instituindo como dias de luta, com greve, nos dias 15 e 22 setembro e todos os outros dias que tenham votações de Projetos que ataquem os direitos dos servidores e realizar Ato Unificado com trabalhadores do campo e da cidade. Aí, iniciou o momento de mais apreensão do pleito.
Quando a presidente Helenir pediu que os favoráveis ao fim da greve levantassem seus crachás, uma animada professora da atual direção, com sua bandeira do Cpers, comentou com uma colega ao ver muitas mãos para cima: “ganhamos de novo e ganhamos fácil”. Logo, em seguida, foi a vez dos favoráveis da greve a estender seus punhos para cima. A professora baixou a bandeira. Foi pedido para que mostrasse a votação de quem estava fora. A decepção foi maior ainda. A presidente exclamou: “Vamos repetir a votação”. Vieram as vaias. Repetido o mesmo processo, a presidente decretou: “ entendemos que por maioria a greve acaba e continua o apoio ao Movimento Unificado”.
Foi quando acabaram as gentilezas. Professores revoltados derrubavam as grades e corriam em direção ao palco. Meia dúzia de seguranças tentavam apaziguar os ânimos. Um grupo, descontente com o resultado anunciado, desferia palavras de baixo calão. A presidente tentou seguir com as demais demandas mas não conseguiu. Ao som de “conta, conta!” a presidente anunciou o fim da assembleia. Foi vaiada novamente. Estava encerrada a plenária e a paralisação dos professores.
Presidente diz que venceu a maioria
No final da reunião, Helenir argumentou que não havia mais condições de comandar a plenária e por isso encerrou antes de votar as demais propostas. Quando questionada se a classe estava dividida, ela foi taxativa: “Não, isso é uma turma de professores aqui de Porto Alegre, e não, do Interior” argumentou. A mobilização segue como planejado, os professores voltam a trabalhar na segunda e reúnem-se na terça para protestar contra os projetos do governo Sartori que serão apreciados pelo Legislativo. A oposição e muitos professores discordam.
Oposição critica postura da direção
Defendendo a manutenção da greve, a professora Neida Oliveira lamentou a postura da direção: “Foi um equívoco muito grande da categoria”. Neida ressaltou que seu grupo começará, a partir da segunda-feira, uma nova mobilização da categoria. “Não apoiamos nem a direção, nem esse grupo que atirou cadeiras aqui hoje”. Ela ressaltou que nunca viu uma direção encerrar a votação sem que houvesse contagem voto a voto, já que houve paridade na votação e que há um setor da vanguarda radical muito engajado na luta e que a direção não soube conversar com ele.
Outra líder de um dos grupos da oposição, a ex-presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, disse que vai tentar impugnar o resultado da assembleia. Segundo ela, a atual direção esta enfraquecendo a classe dos professores. A contagem foi um dos erros questionados pela professora: “ Ela deveria ter contado e mantido a ordem da assembleia como sempre foi feito” criticou.
Ao final da plenária, eram visíveis muitos professores cabisbaixos. Alguns diziam que não sabiam mais o que fazer. A categoria saiu bem dividida.
Confira algumas imagens da assembleia do Cpers:








Divididos, professores estaduais decidem encerrar greve
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