Do xamanismo à era da informação

Naira Hofmeister

Arte e educação se unem na exposição que inaugura na sexta-feira, 31 de agosto, no Museu da UFRGS (Osvaldo Aranha, 277 – Campus Central). Visões da Terra relata o conhecimento científico produzido pelo homem ao longo de sua história sobre o planeta que habita. São dois pontos de vista: três artistas confeccionaram obras contemporâneas encomendadas para a mostra e há peças que ilustram o desenvolvimento da ciência ao longo da história da humanidade.

“Essa narrativa culmina na atualidade, em que não somos mais a maccina mundi – ou seja, a ciência como motor do desenvolvimento –, mas sim, um sistema integrado de troca de dados, a sociedade da informação”, analisa o curador científico da exposição, Rualdo Menegat.

A abordagem científica é feita através de módulos que propõem o estudo das diversas eras do conhecimento humano sobre a Terra, partindo, por exemplo, da compreensão mitológica expressa nas culturas dos povos amazônicos ou de Çatal Huyuk – cidade turca do período Neolítico. Segundo essa visão primitiva, a vida era controlada pelos deuses da natureza.

É a partir da civilização clássica que o homem passa a pensar no planeta mais cientificamente: as primeiras representações da Terra provavelmente foram feitas na Grécia, sob o modelo proposto por Anaximandro. Na oposição entre Deus e a Razão da Idade Média, vence o divino. Mas a próxima era, o Renascimento, confere qualidade ao pensamento científico. É nesse período que Charles Darwin formula a Teoria da Evolução.

“Passamos pelas eras de domínio dos dinossauros e dos mamíferos, por exemplo. Mas será que atualmente estamos diante de um tempo em que impera uma única espécie e não mais um filo?”, examina o Menegat. Atualmente a espécie humana atinge seis milhões de habitantes na Terra, a metade em ambientes urbanos.

É o impacto das cidades na estrutura do planeta que a instalação de Patrício Faria propõe debater. Através de imagens e uma mesa interativa, a obra questiona até que ponto é possível intervir na natureza sem sermos penalizados.
Quando chega ao Museu da UFRGS o visitante é recebido pelo painel composto por Mário Röhnelt, que ilustra a sobreposição das diferentes Visões da Terra que o homem construiu através da história. Para finalizar a abordagem artística da mostra, a proposta de Denise Gadelha é ilustrar as modificações da área onde hoje se encontra o Museu da UFRGS. Através da técnica de foto reticular, a artista sobrepõe imagens dos períodos mais longínquos do planeta até a idade moderna – à medida que o visitante se move, uma imagem se torna mais visível que as outras.

“Com esse diálogo, a idéia é fazer uma relação entre ciência e arte para proporcionar toda uma experiência estética e visual”, resume a curadora artística da exposição, Ana Albani.
A proposta pedagógica da mostra inclui visitas de escolas com preparação dos alunos e professores antes do encontro e acompanhamento do conteúdo absorvido. “Estamos preparados para receber qualquer faixa etária”, garante Menegat. Para agendamento, o contato deve ser feito com Maria Cristina, no telefone 3308.3034 ou www.museu.ufrgs.br.

A exposição Visões da Terra: entre deuses e máquinas, qual o lugar da humanidade no mundo em que vivemos permanece em cartaz até 31 de dezembro com entrada franca. A visitação acontece de segunda a sexta-feira, das 9h às 18 e aos sábados, das 9h às 15h.

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