Documentos do DOPS gaúcho estão no Comando Militar do Sul

Geraldo Hasse
Depois da sacada do jornalista Flavio Tavares sobre os simulacros de democracia vividos pelos brasileiros em diversos momentos da História, o que mais impactou o público presente ao evento de lançamento das três revistas JÁ sobre a ditadura de 1964/85, no auditório da ARI, sábado, 26 de outubro, foram as revelações do advogado Jair Krischke sobre o destino dado ao fichário do DOPS gaúcho.
“Alguns dos presentes devem se lembrar que em 1982, no governo Amaral de Souza, os arquivos do DOPS foram queimados publicamente”, disse Krischke, completando: “Mas antes disso todos os documentos foram microfilmados…” Sim!
E onde foram parar os microfilmes?
“Estão no quinto andar do QG do Comando Militar do Sul”, afirmou o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos. Estão supostamente bem guardados mas não podem ser consultados por ninguém. “Por lógica e lei, deveriam estar no Arquivo Público do Estado”, afirma Krischke, salientando que em 1995 o general  Zenildo de Lucena, ministro do Exército no primeiro governo FHC (1995-98), opinou que os arquivos dos Dops estaduais deveriam ser devolvidos… Como a opinião não virou ordem nem lei, ficou por isso mesmo. Na documentação do DOPS gaúcho existe até material sobre a repressão durante o Estado Novo (1937/45), nome oficial da ditadura varguista.
O Exército como guardião de documentos sobre a repressão política que, em grande parte, ele mesmo comandou, é mais um paradoxo a confirmar a simulação denunciada por Flavio Tavares e atribui dimensões de tragédia à luta dos militantes dos direitos humanos para fechar o caixão da ditadura, que permanece aberto após “o resultado pífio”, segundo Krischke, dos levantamentos realizados pela Comissão Nacional da Verdade durante o primeiro governo da presidenta Dilma. “A Comissão foi um traque”, disse Krischke
Quando o editor do JÁ, Elmar Bones, lembrou que a ditadura expurgou milhares de estudantes, professores e pesquisadores, provocando um buraco nas universidades, Krischke contou um episódio relacionado com sua militância pelo resgate de documentos pertinentes à violação das liberdades fundamentais. “Consta que na UFRGS não há documentos sobre os famosos IPMs (inquéritos policiais militares) do início do governo militar pós-64”, contou ele, “mas recentemente fui avisado de que haviam sido doados à nossa universidade milhares de livros e papeis pertencentes a um velho professor falecido”.
Vasculhando esse material, Krischke encontrou cópias de atas de cassação de professores, o que por si só confirma duas coisas: 1) as cassações não eram simples atos administrativos das Forças Armadas – tramitavam dentro da universidade e contavam no mínimo com o apoio de gente de peso nas universidades; 2) sempre é possível recuperar documentos que comprovam o mau caráter da ditadura 64/85, que “não foi apenas militar”. Em nome da OAB, Krischke microfilmou as atas.

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