Encontro entre o passado e o presente da cerveja gaúcha

Prédio será ocupado pela Dado Bier  (Fotos Edson Vara/Divulgação)

Naira Hofmeister

Era o único dos prédios projetados por Theodor Wiederspahn para a Cervejaria Bopp em 1910, ainda desocupado desde a inauguração do Shopping Total, em maio de 2003. Na construção funcionava o coração da cervejaria, pois eram nos três pavimentos – que totalizam 950m² – que tonéis, tanques e fermentadores fundiam malte, lúpulo e água para a produção da bebida. Em todo o prédio detalhes denotam a importância do local, como as imagens dos homens bebendo entalhadas nas grades ou a enorme escultura de Gambrinus, o deus da cerveja, que brinda com os visitantes na parte externa da construção.

Depois de oito anos desativado, quando em 1998 a Brahma – que sucedeu as cervejarias Bopp, Continental e Ritter na produção local – fechou as portas, a construção reencontra sua vocação original através de uma parceria com a Dado Bier, que pretende implantar ali um restaurante temático. “É sem dúvida uma oportunidade única no mundo, pois estamos fundindo o passado e o presente da cerveja em Porto Alegre”, comemora Eduardo Bier Corrêa, proprietário da microcervejaria inaugurada há 11 anos.

O edifício será ocupado por um bar-restaurante, com cozinha coordenada pelo Edevaldo Nunes, responsável pelo comando das cozinhas dos restaurantes Dado Bier. Além da metragem interna, outros 500m² de varanda serão ocupados pelo novo empreendimento, que deve custar cerca de dois milhões à cervejaria. Em julho de 2007 deve estar concluído. “Nos próximos 90 dias começaremos as obras”, garante Eduardo Bier Corrêa.

Através de um resgate arquitetônico, o local vai servir como memorial da cerveja, contando a história da produção local da bebida e da relação do espaço com a população. Ao ser inaugurada, a Cervejaria Bopp foi considerada a mais vasta edificação de cimento armado do Brasil. Além do projeto do alemão Theodor Wiederspahn, que inclui uma torre, arcos e cúpulas, a fachada possui ornamentos e relevos executados pela equipe de escultores de João Vicente Friederichs.

Detalhes arquitetônicos da fachada, como a torre e a escultura de Gambrinus

A atividade de meio século que a Brahma desenvolveu no espaço levou o empresário a procurar a AmBev – Companhia de Bebidas da América, que absorveu a marca gaúcha,  para participar do projeto: “Seria inadequado esse lugar ser Dado Bier, se foi a Brahma que marcou história aqui”, lembra. A parceria, no entanto, ainda não foi oficializada.

Em 1924, a Cervejaria Bopp – que funcionava desde 1911 – se tornou Cervejaria Continental, empresa constituída pela fusão das cervejarias Bopp Irmãos, Bernardo Sassen e filhos e sucessores de Henrique Ritter, tradicionais famílias cervejeiras, sendo na ocasião aumentada e dotada de modernos recursos técnicos. Em 1946, a Cervejaria Continental, então o maior grupo cervejeiro do Rio Grande do Sul, foi adquirida pela Brahma, permanecendo ativa até 1998.

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