Matheus Chaparini
Diversas entidades ligadas ao esporte ocuparam as galerias do Plenário da Assembleia Legislativa para pressionar os deputados a votarem contra a proposta do governo estadual que prevê a extinção da Fundação do Esporte e Lazer do RS (Fundergs). O pacote de medidas foi enviado à Assembleia em regime de urgência, devendo ser votado no prazo de 30 dias.
Foi criada uma frente em defesa da fundação, formada por representantes da Federação Gaúcha de Judô, Federação Gaúcha de Ginástica, o Conselho Regional de Educação Física e a Associação das Federações Esportivas do Rio Grande do Sul. Alguns deputados já manifestaram apoio à frente. E uma petição pública on line foi lançada para arrecadar assinaturas da população.
O diretor técnico da Federação Gaúcha de Judô, Luiz Bayard, ressaltou a importância da Fundergs não somente em relação ao esporte, mas também para a saúde, educação e inclusão social. “A fundação viabiliza diversos convênios promovendo o esporte dentro do estado. A gente acredita que a secretaria não vai conseguir absorver toda essa demanda que a Fundergs possui hoje. Nossa manifestação é a favor do esporte.”
No plenário, o deputado Juliano Roso (PC do B) conclamou os gaúchos para defender a Fundergs de qualquer ato que resulte em seu desmonte. Enaltecendo a importância da fundação para o desenvolvimento do esporte gaúcho, Juliano Roso convocou os apoiadores da causa para um grande ato em defesa da Fundergs.
A ação está marcada para as 17h do dia 17 de agosto, próxima segunda-feira, junto ao Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE). O ato deve conter com a presença de servidores, atletas, ex-atletas, políticos e sociedade em geral. Apoiam a iniciativa diversas entidades esportivas gaúchas, como Grêmio Náutico União, Sogipa, Federação Gaúcha de Judô e Federação Gaúcha de Ginástica.
Maior parte do orçamento não vem do Governo do Estado
O ex-presidente da Fundergs, o professor Claudio Augusto Gutierrez, diz não entender o motivo para acabar com a fundação. “O Brasil está vivendo um ciclo olímpico e os estados estão aproveitando este momento para desenvolver políticas públicas de esporte. Os governos que mais investem no esporte – Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul era um deles – têm fundação. Uma fundação capta recursos de forma mais ágil do que uma secretaria de estado.”

O orçamento da Fundergs para este ano é de 20 milhões. Deste valor, apenas 3,5 milhões vem do governo do Estado. O restante é obtido através de convênios com federações esportivas, universidade, município e Governo Federal. A Fundergs realiza eventos esportivos para idosos, comunidades indígenas, crianças e jogos para-desportivos.
A Fundergs foi criada em 2001, no governo Olívio Dutra. Para Gutierrez, acabar com a fundação é jogar fora 14 anos de trabalho.
Movimento teme a privatização do Cete
Um dos temores do movimento é que a extinção da Fundergs abra caminho para que o governo privatize o Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete). Segundo Gutierrez, “se a Fundação desaparece, a chance de terceirizar o Cete é grande. No final do governo Yeda, havia um projeto de terceirização do Cete. Por esse contrato, o governo teria que repassar R$ 200 mil por mês para o gestor. Em dezembro de 2014, quando encerrei minha gestão, o Cete custava ao todo 100 mil reais por mês.”
O Centro Estadual de Treinamento esportivo é referência em preparação esportiva e é um dos locais escolhidos para o treinamento para os jogos Olímpicos e Paraolímpicos do ano que vem. O Cete conta com cinco centros de treinamento em parceria com federações: vôlei, atletismo, judô, badminton e ginástica. Este ano foi fechado o centro de futebol 7.

A estrutura do centro, aberta à população, atende cerca de 4 mil pessoas por dia e conta com pista de atletismo oficial, ginásio poliesportivo, ginásio de ginástica, ginásio de lutas, quadras de futebol, vôlei de areia e beach tênis.
“Fora o orçamento da Fundergs, só pro Cete, nós captamos 17 milhões no governo Tarso. Já foram investidos 12 milhões de reais, em uma pista de atletismo e um ginásio de lutas reformado, tem 3 milhões de reais em caixa pra reformar o outro ginásio e tem mais 4 milhões de reais do Governo Federal pra construir um novo ginásio”, afirma Claudio Gutierrez.
Entidades formam Frente Pró-Fundergs
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