Escolhidos os integrantes do Conselho do Morro do Osso

Lara Ely, especial para o JÁ

Na noite da última terça-feira, 10, cerca de trinta pessoas estiveram reunidas na sede da AABB Porto Alegre para definir os integrantes do novo Conselho Consultivo do Parque Natural do Morro do Osso. Questões como o cercamento do parque, a desapropriação de terrenos e a presença indígena estarão na pauta dos encontros do grupo, formado para atuar em um período de dois anos. Com o objetivo de apresentar as características da área e definir quem serão os novos “guardiões” do Parque, o evento contou com a presença do Secretário Municipal do Meio Ambiete, Beto Moesch e o músico Hique Gomez.

Para interar a todos os presentes da situação, a bióloga Maria Carmem Bastos apresentou as características naturais do Parque. “O Morro do Osso tem uma área total de 127 há. Além de seu enorme valor paisagístico, abriga diversos habitats, como campo, campo pedregosos, vassoural e matas. A flora local é representada por mais de 400 espécies. Destas, 137 são árvores, 18 são de campo e 28 são ameaçadas de extinção. Apesar de não ser um morro reconhecido pela diversidade de fauna, o morro abriga 5 espécies de mamíferos, 127 aves, 10 répteis,12 anfíbios, 9 moluscos e diversos insetos, entre os quais 104 espécies de borboletas”, explicou.

Carmem explicou ainda que Unidades de Conservação, como o Morro do Osso,  representam 1,87% do território brasileiro. Nelas, é admitido apenas o uso indireto de recursos naturais, como pesquisas, educação ambiental, trilhas e ecoturismo. Entre os eventos que ocorrem no parque, estão mutirões, passeio ciclístico, abraço ao morro, festival de pandorga, semana da primavera. As visitas são acompanhadas pela bióloga ou pelos guarda-parques e suportam o limite de 40 pessoas por dia. As visitas guiadas ocorrem às 4ª, 6ª e sábados, pela manhã e tarde. Atualmente são 5 guardas monitorando o local, e entre suas atividades está a manutenção das trilhas. Entre os problemas ambientais apresentados pela bióloga, foram destacados a erosão nas trilhas e as queimadas.

Política ambiental

Conforme o Secretário Municipal do Meio Ambiente Beto Moesch, o mesmo processo do Conselho do Parque Natural do Morro do Osso está acontecendo na Reserva Ecológicas do Lami e no Parque Saint Hilaire. “Conseguir uma militância ecológica permanente é muito difícil. O que queremos é  simplesmente organizar a participação da sociedade”, afirmou.

Durante a escolha dos participantes, algumas entidades tiveram que ficar de fora da composição oficial, devido ao número restrito solicitado pela lei. “Como são conselhos consultivos, o nome da entidade constar ou não na ata será mera formalidade. O voto não é o mais importante. O melhor é a opinião. O importante é que as pessoas participem”.

Na oportunidade, o Secretário falou também sobre a urgência de mobilização popular para a organização de eventos culturais, envolvendo atividades artísticas. “Até quando seremos governados pelo judiciário?” – provocou, sugerindo que a população espera muito dos homens das leis e pouco faz pela sua própria cidade. Entre as idéias transmitidas pelo político, a realização de exposição de fotos, shows musicais, teatro é viável e oportunizaria a participação do público de toda a cidade. “Temos que fazer Porto Alegre conhecer o Morro e sua história”, completou.

Quem apoiou Moesch foi o músico Hique Gómez, que integra a Associação de Moradores do 7º Céu. Manifestando interesse em organizar atividades deste cunho no Parque, Hique propôs “chamar amigos para atrair as pessoas, fazendo Porto Alegre conhecer e valorizarem este local”.

Como  será o Conselho

O Conselho Gestor Consultivo foi determinado pelo Plano de Manejo. Lançado em 2006, o documento determina o regramento do parque. Foi elaborado pela UFRGS e aprovado através de diversas reuniões da administração do parque com ONG´s e entidades públicas.

Estabelecido  pelo artigo 29 da Lei Federal 9985 do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o Conselho tem como funções a elaboração do regimento interno, o acompanhamento da sua implantação, a busca de integração do parque com instituições e moradores do entorno e a manifestação sobre possíveis obras causadoras de impacto. Farão parte deste conselho 12 instituições da sociedade civil (entre as quais 3 ONG´s ambientais, 3 ONG´s de cunho social ou esportivo, 4 associações de bairro e 2 instituições de ensino) e 12 órgãos públicos.

Os presentes na reunião encarregaram-se de indicar nomes, que serão posteriormente escolhidos pelo Secretario Beto Moesch. As indicações, feitas através de consenso, privilegiaram as associações de bairro do entorno (Centro Comunitário do Desenvolvimento, Associação dos Moradores do 7º Céu e Associação Comunitária dos Residentes no Liberal), entidades ambientalistas, (INGA, MIRASERRA, SAALVE e ASCIVIL) e entidades sociais e esportivas (ONG Caminhadores,  Grupo de Escoteiros Passo da Pátria,  Associação Atlética Banco do Brasil e Associação dos Ciclistas da Zona Sul). O que faltou foi a participação de entidades de ensino, que serão procuradas pela Smam.

As próximas reuniões, que são abertas ao público e ainda não tem local definido, ficaram marcadas para as seguintes datas: 08 de Maio, 12 de Junho, 10 de Julho, 14 de Agosto, 11 de Setembro, 09 de Outubro, 13 de Novembro e 11 de Dezembro.

O que dizem dos usuários

Moradora do Jardim Isabel há 32 anos, a advogada Marília Azevedo acredita que o local precisa de mais atenção das autoridades. “Precisamos de mais fiscalização e alguém muito forte no controle para resolver questões como a desapropriação dos terrenos, a expulsão dos índios e a demarcação dos limites”, afirmou.

Já o presidente da Associação Atlética Banco do Brasil, cuja sede localiza-se em área vizinha ao Parque, aposta no investimento privado, sem esperar pela ação das autoridades. “A AABB participa das reuniões para formação do Conselho com o objetivo de contribuir para o que está ao seu alcance. Uma empresa socialmente responsável tem que voltar seus olhos para as polêmicas que estão próximas a ela, e não tentar solucionar os problemas do resto do mundo”, afirmou Luís Antônio Brum Silveira.

Existem ainda, aqueles que dependem do local para sas atividades de ecoturismo.  Para o  Presidente ONG Caminhadores, Rotechild Prestes, que utiliza o morro uma vez por mês, “as principais necessidades do Morro do Osso são o cercamento da área, a demarcação das trilhas, melhor capacitação dos guarda-parques para o uso de equipamentos de resgate (como bússola, mapas e gps) e um mapa para que o visitante possa fazer a trilha auto guiada.” Ele utiliza o parque para a realização de trilhas junto aos 30 voluntários da ONG.

O programa Ecoturismo Acessível Para Todos, destinado as pessoas com deficiência  física em cadeira de rodas, é realizado no parque do Morro do Osso, com o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente há mais de 4 anos. Interessado na formação de um grupo de voluntários que cuide do parque, Rotechild é um dos possíveis integrantes do grupo que será formado na próxima terça-feira. “Independente de estar ou não no Conselho, vamos  continuar usando o parque, porque somos o único projeto deste tipo no país, e de interesse das três secretarias municipais (Meio Ambiente, Acessibilidade e Turismo) e sempre colocado em  evidência cada vez mais o parque natural do Morro do Osso no fora e dentro  Brasil”.

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