“O povo não é bobo. Abaixo a Rede Globo!”
Não era uma multidão cantando, eram no máximo dois mil os manifestantes reunidos em torno de um carro de som.
Mas o coro, afinado, reverberava pela parede dos edifícios que cercam a Esquina Democrática e enchia o centro de Porto Alegre com o velho bordão da esquerda.
O ato, para denunciar o golpe, foi convocado por duas frentes: “Brasil Popular” e “Povo Sem Medo”. A primeira mais ligada ao PT, a segunda a partidos à esquerda do PT.
Mais do que o protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff, o que parecia animar os manifestantes era a possibilidade de união das forças de esquerda para enfrentar o inimigo comum, agora representado pelo governo Temer.
Em cima do caminhão, o orador falava em socialismo, em “mexer na sociedade privada” e que os prédios públicos sem uso devem ser tomados pelos sem teto. Os cartazes denuncia o golpe: “O golpe veste toga”, “Fora Bolsonaro”. “Resistência democrática”. “Patrões financiam o golpe”.
Mas entre o público, nas rodinhas que reuniam velhos militantes da esquerda democrática, o assunto dominante é o desafio de retomar a luta.
“Agora temos que fazer o enterro, curtir o luto e recomeçar”, dizia o advogado Mário Madureira.
É claro o consenso: um ciclo se encerrou. Toda a esquerda foi derrotada com a queda do PT.
O desafio agora é construir a unidade, reunindo num só movimento sindicalistas, intelectuais, estudantes, agricultores.
Os atos de protesto que ocorreram nesta sexta-feira durante o dia em 17 Estados, foram o primeiro ensaio. O Dia Nacional de Mobilização e Paralisação contra o Golpe, convocado pelas duas frentes – Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, tende a ser um ponto de partida.
As manifestações foram pacíficas, mas em Vitória houve confronto com a polícia.
Pelo menos três jornalistas foram agredidos durante a manifestação. Um homem deu socos e pontapés nos profissionais, foi identificado e levado para a delegacia.
Esquerda busca unidade para enfrentar o pós-Dilma
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