Está aberta a temporada do livro na Praça da Alfândega

Sineta marcou abertura oficial da Feira 2006 (Fotos: Cristine Rochol/PMPA/JÁ)

Naira Hofmeister

O Armazém B do Cais do Porto se transformou, no final da tarde dessa sexta-feira, 27 de outubro, no palco do cerimonial de abertura da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre e recebeu convidados – ilustres e anônimos – da chamada ‘festa do livro’, que segue até 12 de novembro no centro de Porto Alegre.

Simpático e simples, o mestre de cerimônia, Alcy Cheuiche cumpriu sua função, atendendo às inúmeras solicitações da imprensa, deixando claro que a ordem das entrevistas era ‘por chegada’. Frei Rovílio, que se despedia do cargo, também foi muito  requerido antes do início da solenidade.

Às 17h45, uma apresentação de Taekô – um enorme tambor japonês – abriu os festejos, lembrando o país homenageado dessa edição. Alunos surdos da escola Frei Pacífico interpretaram na linguagem de sinais os hinos do Brasil e do Rio Grande do Sul.

Entre os discursos, o primeiro, do presidente da Câmara Riograndense do Livro, Valdir da Silveira, lembrou a pesquisa encomendada pela instituição – que divulga os resultados na terça-feira, 31 – sobre índices de leitura e escolaridade no Rio Grande do Sul: “Sabemos que temos um Estado leitor e realizamos a feira para incentivar a formação do público. Mas também que o saber não está ao alcance de todos”. Silveira defendeu uma “guerra em favor da educação”, dando a deixa para Presidente do Instituto Gerdau, Beatriz Johannpeter, lançar a campanha “Todos pela educação”, que enfoca a melhoria do Ensino Básico no Brasil.

Poesia nas falas dos patronos

Frei Rovílio, patrono da edição 2005 do evento, subiu ao palco para a passagem oficial do cargo a Alcy Cheuiche, que capitaneia a 52ª Feira do Livro. O religioso lembrou que o território da Praça dos Jacarandás, ou da Alfândega, é do livro, mas que a literatura não se restringe mais ao meio físico das páginas e das prateleiras. “A palavra busca espaço, e encontra no Orkut, nos blogs e em outras ferramentas da Internet”. Lembrou que nem todos sobrevivem à seleção editorial, que nem sempre se orienta pela qualidade da publicação, mas que no “palco virtual, todos são autores”.

Quando subiu ao palco, Alcy Cheuiche invocou “Vossa Excelência Mário Miranda Quintana, para, em seu nome, saudar a todos os presentes”. Cheuiche também demonstrou a habilidade da narrativa oral, herdada do pai, numa metáfora sobre a poesia e o talento do colega.

“Em outubro de 1906, três meses antes de o 14 Bis subir um pouquinho ao céu, um homem desceu voando em Alegrete e, com seu poder, atravessou as paredes de uma casa, ate chegar ao berço onde dormia um bebê de olhos azuis”. Continuou a história, revelando que o ‘anjo’ era Mercúrio, deus romano do comércio, que levou o menino ao Monte Olimpo, morada de todos os deuses. “Lá reunidos, eles decidiram o que seria feito daquela criança, que estava destinada a ser um grande entre os homens”. Ceres – divindade que representa a fertilidade – pediu que o menino fosse agricultor, Esculápio, que fosse médico. “Até que Apolo perguntou porque tanta discussão, se o garoto havia nascido poeta”.

A metáfora de Cheuiche terminou com a mensagem de que a poesia atravessa as barreiras e pediu que na Feira que nasce na beira do Guaíba, a luz do mais belo pôr-do-sol, iluminasse o evento.

Após os discursos do prefeito de Porto Alegre José Fogaça e do Governador Germano Rigotto – que entregou aValdir da Silveira um documento publicizando o patrocínio de R$ 660 mil da LIC e outros R$ 150 mil do Banrisul ao evento –, finalmente a tradicional cena que inicia a do Livro na Praça da Alfândega: o Xerife e sua sineta andaram por entre as barracas, levando aos ouvidos de todos, aquilo que já estava claro nos olhos que percorriam os títulos em exibição. Está aberta a temporada do livro na Praça da Alfândega.

Adquira nossas publicações

texto asjjsa akskalsa

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *