Dez ex-diretores do Dmae se reuniram no começo da tarde desta terça-feira, 08/08, no Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS) para falar sobre as intenções do prefeito Nelson Marchezan Júnior em atrair a iniciativa privada para investir no saneamento e esgoto da cidade.
Todos eles defendem a manutenção do departamento sobre controle estatal. O ex-diretor Guilherme Barbosa foi o primeiro a falar. Segundo ele, a “privatização” ou concessão para a iniciativa privada irá aumentar a tarifa, perder a qualidade no serviço, além da falta de investimento. Barbosa lembrou que a ideia de reunir os ex-diretores partiu dele e do ex-prefeito, vereador e também ex-diretor, João Antônio Dib. “É um grupo pluripartidário, queremos fortalecer o Dmae”.
O grupo de ex-diretores irá pedir uma reunião com o prefeito Nelson Marchezan e pedir que retire o projeto. Um espaço na Câmara de Vereadores também será solicitado.
Dib era o ex-diretor mais antigo presente. Lembrou da criação do Dmae durante o governo Loureiro da Silva e das grandes realizações feitas pelo departamento na área do saneamento. E assim foi, um por um, o ex-diretores foram se alternando, recordando um pouco da época em que estiveram a frente do departamento.
Wilson Ghinatti trouxe um documento de 1944, quando o então diretor de esgotos da cidade reclamava da dificuldade no setor mas que na época foram procuradas soluções. “O prefeito tem de mexer no que está dando errado, não no Dmae”, declarou ele, lembrando que na sua época a Prefeitura instalou esgoto em 63 vilas irregulares.
Carlos Alberto Petersen ressaltou a tarifa social, hoje uma referência. “Na época se cobrava o uso de 20 metros cúbicos para quem usava quatro, nós mudamos isso”.
Para Dieter Wartchow e Augusto Damiani, a atual gestão tenta sucatear não apenas o Dmae, como o DEP e o DMLU. “Há um afastamento dos departamentos de suas atividades”, criticou Warchow, que também salientou que a intervenção do setor privado em serviços básico tira a autonomia dos governantes. Os ex-diretores também questionaram o prefeito quanto aos recursos provenientes para investimentos.
Marchezan já declarou publicamente que o Dmae precisa de 2,7 bilhões de reais para investir em saneamento e que a prefeitura não possui esses recursos. Damiani rebateu: “Esse é um planejamento para 20 anos”. Arnaldo Dutra lembrou que em 30 anos a rede de esgoto e saneamento pulou de 2% para 80%.
Flavio Presser, atual diretor-presidente da Corsan, criticou a concessão no setor: “Saneamento é interesse público e deve ter gestão pública”. Carlos Todeschini salientou que em sua época já houvera uma tentativa universal de “comodotizar” a água, assim como é o petróleo, e que o Dmae serviu de exemplo durante o Fórum Mundial da água.
Último gestor deixou R$ 78 milhões em caixa
Antônio Elisandro foi o último a falar. O ex-diretor criticou fortemente o prefeito: “Ele que conheça o Dmae antes de falar”. Segundo Elisandro, o Dmae tinha em caixa em dezembro de 2016 R$ 76 milhões e o departamento reduziu de 223 para 83 milhões a dívida. “Também conseguimos a fundo perdido, recuperar trinta e oito milhões do Prodes (Programa de Despoluição das Bacias Hidrográficas da Agência) que virão em três anos, são mais de cem milhões para investir”, ponderou.
Ex-diretores do DMAE querem que Marchezan retire projeto de privatização
Escrito por
em
Adquira nossas publicações
texto asjjsa akskalsa

Deixe um comentário