"Delação" de Delcídio paralisa o governo e tira Cunha das manchetes

PCde LESTER
Li a reportagem da IstoÉ com a “deleção premiada” do senador Delcidio Amaral por volta das 14 horas. Já era manchete na versão on line de todos os jornais.
Respondi ao amigo que compartilhara comigo: “Parece coisa plantada”.
Começa dizendo que a revista teve acesso às 400 páginas da delação premiada em que Delcidio do Amaral, ex-líder do governo no Senado, relata “com extraordinária riqueza de detalhes” o envolvimento de Lula e Dilma na corrupção.
Ditas pelo ex-lider do governo no Senado, as afirmações seriam uma bomba de sacudir o Planalto.
Mas a rigor, o relato não é revelador. Parece um requentado de várias denúncias   Lula e Dilma sabiam de tudo, presidente tentou interferir na Lava Jato, testemunhas foram caladas por influência de Lula…O que ele, Delcídio, estava pagando para Cerveró era dinheiro do empresário Bumlai a mando de Lula.
“O que ele relatou contra a presidente é gravíssimo”, diz a certa altura a reportagem.
Mas quando reproduz declarações que Delcidio teria feito não vai além disso:
“É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, afirmou Delcídio na delação. 
É a repórter que se encarrega de ser contundente em seu comentário:
 “A ação de uma presidente da República no sentido de nomear de um ministro para um tribunal superior em troca do seu compromisso de votar pela soltura de presos envolvidos num esquema de corrupção é inacreditável pela ousadia e presunção da impunidade. E joga por terra todo seu discurso de “liberdade de atuação da Lava Jato”, repetido como um mantra na campanha eleitoral. Só essa atitude tem potencial para ensejar um novo processo de impeachment contra ela por crime de responsabilidade”. 
Esse tom que percorre a matéria trai o arranjo. Um repórter que tem nas mãos 400 páginas de uma denúncia que pode derrubar a presidente não vai fazer um comentário desses.
Os documentos reproduzidos não provam nada, podem ser resultado de simples montagem.
Mas os jornais não se importaram com nada disso. Antes de ouvir Delcídio, antes de ouvir Janot a “delação” já estava em todas as manchetes.
As cinco da tarde, o senador Delcício do Amaral e o procurador Rodrigo Janot já haviam desmentido a delação.
Mas aí a crise já estava criada. “O governo está anestesiado com a delação de Amaral”, dizia portal de  O Globo” ainda oito da noite.
Enquanto isso, Eduardo Cunha saiu do foco. Os dez a zero que ele levou na votação do Supremo passaram para segundo plano.

Adquira nossas publicações

texto asjjsa akskalsa

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *