FEE detecta luz amarela no túnel do desemprego

A equipe técnica que levanta dados de emprego e desemprego na Fundação de Economia e Estatística (FEE) apresentou nesta quarta-feira (30) os últimos dados (de outubro de 2016), segundo os quais se pode concluir que a recessão chegou ao fundo do poço e pode ter-se iniciado uma precária recuperação do nível de emprego na região metropolitana de Porto Alegre, onde a taxa de desemprego variou de 11% a 10,8% de setembro para outubro de 2016.
Numa leitura pragmática dos dados, o economista Rafael Caumo, coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego da FEE, afirmou que houve “uma inversão do padrão de crescimento negativo da taxa de desemprego”, mas ainda é cedo para concluir que a luz observada no fim do túnel não é uma ilusão de óptica. Outros indicadores sugerem que a luz oscila de amarela a vermelha:
+ Cresce o contingente de autônomos na força de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre, mas seus rendimentos médios estão em queda
+ A massa de rendimentos na RM de Porto Alegre em setembro de 2016 caiu para o nível de setembro de 2000
+ O rendimento do trabalho assalariado (R$ 1 847) em outubro de 2016 caiu para o nível do rendimento (R$ 1 840) de 2004
+ As pesquisas detectam um fenômeno novo: estudantes largando a escola temporariamente para ajudar as famílias na busca de renda
+ Não há retomada conjuntural das atividades econômicas
+ O único setor em crescimento na RM de Porto Alegre é o de serviços, graças ao empenho de autônomos com atividade bastante visível nas ruas
Segundo a economista Irene Galeazzi, da FEE, “trata-se de uma retomada semelhante à ocorrida na década de 90”, quando a economia começava a sair da paralisia dos anos 1980 – a famosa “década perdida”.
Esses comparativos são possíveis porque a PED-RMPA tem uma série  de 24 anos de pesquisa ininterrupta na Região Metropolitana de Porto Alegre, destacou Rafael Caumo. O Rio Grande do Sul, através da PED-RMPA, é um dos poucos Estados onde há geração de dados primários com periodicidade contínua para a investigação de temas de interesse público, de modo a auxiliar e monitorar as políticas públicas. Além disso, possibilita pesquisas suplementares – caronas – a fim de investigar outros temas relevantes. “ É  a pesquisa mais antiga e reconhecida internacionalmente como instrumento científico para monitorar o mundo do trabalho. A PED possui um acervo único e público  sobre o mercado laboral da região, a maior amostra e um arranjo institucional que permite o intercâmbio de metodologia e sua aplicação na definição de políticas públicas”, complementa.
O momento de divulgação da pesquisa foi também um espaço para a defesa da manutenção da FEE, ameaçada de extinção no pacote que está sob análise da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O diretor técnico da FEE, Martinho Lazzari,  destacou que “é triste ter que explicar que a existência da FEE é importante, ainda mais num momento de crise em que a FEE pode ajudar com os gastos do governo e fortalecer políticas públicas. Tenho certeza de que sairemos mais fortalecidos”.
O economista  e professor do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Carlos Henrique Horn, chamou a atenção sobre os dados da PED que podem ser interrompidos.  “Esta é uma informação que não existirá a partir do próximo mês se houver a extinção da FEE. É falsa a ideia de que a produção de dados da FEE pode ser substituída por outras instituições. Inteligência é algo que leva muito tempo para construir e pode ser destruída em meia hora de votação. Estas tabelas que parecem simples quando divulgamos a síntese da pesquisa, têm por trás a seleção e a visita a 7.500 domicílios, a aplicação de questionários, a análise, a validação dos dados, enfim, é um trabalho minucioso, complexo e altamente necessário. Só a FEE faz”, enfatiza.
Para o diretor da Associação Brasileiras de Estudos do Trabalho (ABET), professor Cássio Calvete, causa estarrecimento e perplexidade a possibilidade de extinção da FEE. “Como o Estado vai sair da crise sem informação”? questiona o economista.

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