higino barros
Nessa quarta-feira, dia 27, estarão sendo celebrados os 17 anos de existência de um programa de rádio que já virou tradição na cidade e uma medida de como, às vezes, Porto Alegre pode ser sofisticada, cosmopolita e bem sucedida em alguns aspectos culturais, como a música.
O programa “Sessão Jazz”, da Rádio Cultura FM, comandado pelo jornalista Paulo Moreira, é o autor da façanha, comemorado com a pompa e circunstância que merece.
Na quarta-feira, a partir das 20 horas, no London Pub (José do Patrocínio, 964, Cidade Baixa), o programa será transmitido ao vivo do local, tendo Paulo Moreira como mestre de cerimônias.
Mais uma vez, como tem acontecido nos aniversários anteriores, a casa deverá estar cheia.
Afinal, quem gosta de jazz sabe que o Sessão sempre foi sinônimo de bom gosto, rigor na escolha do repertório do programa e conhecimento de causa de quem fala.

Assim, vão desfilar no palco da casa dois grupos que representam a nova geração de músicos portoalegrenses – o Jazz à Pampa e o Marmota Jazz – que têm em Paulo Moreira uma referência e um guardião do que se faz de melhor do gênero, na aldeia. Outros músicos que costumam frequentar a cena jazzística da capital gaúcha estão sendo esperados e devem se juntar para animadas jam sessions.
Encanto instrumental
Pelos microfones do Sessão Jazz já passaram, praticamente, todos os músicos de jazz do Estado, do País e muitas atrações internacionais, que se apresentam em Porto Alegre. Um comentário é recorrente em todos, principalmente os de fora daqui. Eles ficam absolutamente encantados com a existência de um programa de música instrumental com duas horas de duração, no qual podem mostrar com calma seus trabalhos.

O exemplo está no comentário da pianista Bianca Gismonti, filha de Egberto Gismonti, ao participar do programa no último 16 de julho. Ela deixou registrado na sua página do Facebook: “o programa Sessão Jazz, coordenado pelo Paulo Moreira (na FM Cultura de Porto Alegre, de segunda a sexta, das 20h às 22h), é simplesmente incrível! 2 horas de pura música, amizade e fluidez. Amamos participar, obrigada, Paulo!”.
Da parte dos ouvintes, o entusiasmo é parecido, já que o “jeito Paulo Moreira de ser” é garantia de entrevistas bem conduzidas, memória musical e rigor nas pesquisas.
Mas nem sempre foi assim. O programa já esteve ameaçado de extinção e foi graças à iniciativa de seus ouvintes que permaneceu na grade de programação da Rádio Cultura FM, emissora do governo estadual. O Sessão Jazz começou em 1999, inicialmente com uma hora de duração, substituindo um espaço de jazz que já havia na rádio, mas sem entrevistas, e gravado.
Paulo Moreira começou a trabalhar na emissora em janeiro de 1999, como detentor de cargo de confiança, no governo Olívio Dutra, e uma semana depois propôs à direção da rádio na época um programa nos moldes do que existe hoje. O programa estreou em julho e foi ganhando respeito, admiração e ouvintes até que veio a troca de governo em 2003, novo comando na Fundação Piratini, da qual a rádio faz parte, e a decisão da dispensa do responsável pelo Sessão Jazz e a extinção do programa.
Três ouvintes
Três ouvintes fiéis do programa, no entanto, não deixaram isso ocorrer: Cláudia Moreira (nenhum parentesco com Paulo), Ernesto Seidel e Alexandre Ludwig protestaram publicamente contra a decisão e organizaram um abaixo-assinado para que ela fosse revertida.
Em pouco tempo, o endereço eletrônico da Fundação Piratini estava abarrotado de mensagens de apoio ao programa. Com apelos de produtores culturais, músicos e ouvintes de todo o país.
O Sessão Jazz retornou com a apresentação do seu criador e a partir de 2004 ganhou duas horas de duração.
Protagonista, na linha de frente da cena jazzística da capital gaúcha, Paulo Moreira considera que a partir de 2005 houve um crescimento desse gênero musical no Rio Grande do Sul, que se reflete no maior número de músicos identificados com jazz, maior número de casas noturnas que abrigam programação voltada ao gênero e número crescente de festivais.
Ele se lembra de iniciativas pioneiras como o clube Take Five, da pianista Ivone Pacheco, que desde os anos 1970 marca presença na cidade, a abertura de bares como o Café Fon Fon, dos músicos Luizinho Santos e Bety Krieger, e o Café Odeon, além de outras locais que sempre foram abrigos de ouvintes e executores de jazz: “O jazz feito no Sul sempre teve qualidade. Agora chegou o momento de ter mais visibilidade. Há toda uma nova geração de músicos, oxigenando a cena atual, que há dez anos estaria tocando rock, mas que optou pelo gênero, por uma conjunção de fatores – como maior facilidade de intercâmbio entre os músicos, mais acesso a partituras, mais possibilidade de estudo em grandes centros musicais e o interesse do público, disposto a consumir música instrumental, um nicho sempre difícil de ser bem sucedido na indústria cultural. Fico feliz de fazer parte dessa história, mas ela é muito fruto do trabalho de um monte de gente que transitou com paixão por essa trilha sonora”, conclui Paulo Moreira.
Festa para quem toca nos 17 anos do Sessão Jazz
Escrito por
em
Adquira nossas publicações
texto asjjsa akskalsa

Deixe um comentário