Fiergs: “Não é o aumento de impostos que vai resolver”

Sérgio Lagranha
“Nossa economia depende da política e, na política, estamos num labirinto sem saber como achar a saída”.
Essa é a síntese do que disse o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor José Müller, nesta terça-feira, 8, durante o almoço de final de ano com a imprensa.
Para ele, o estado brasileiro não fez as reformas estruturais.
Só de juros o governo deve gastar 336 bilhões de reais em 2015, sendo que o valor de 2016 deve ser ainda maior. Ou seja, o déficit nominal do governo em 2016 pode passar dos 500 bilhões de reais.
A ênfase de seu discurso, porém, foi para a situação das finanças públicas do Rio Grande do Sul.
“O Rio Grande do Sul está um pouco pior do que o Brasil”, completou.
Müller leu trechos do documento encomendado pela Fiergs ao escritório do ex-ministro do Planejamento João Sayad e apresentado à imprensa em janeiro de 1989, sobre a situação das finanças públicas do RS.
O trabalho, ignorado e engavetado pelo governo, já relatava a crise do setor público estadual, citando como principal problema a dívida pública.
A dívida pública comprometeu a capacidade investidora do Estado gaúcho nos últimos anos.
Nos últimos 20 anos, o agronegócio gaúcho cresceu 56%, indústria 28% e a arrecadação do Estado 145%. “Portanto, não é com aumento de impostos que vamos resolver o problema. O que precisa mudar são as regras do jogo. Afinal, o que queremos para a sociedade brasileira e gaúcha? São 37 anos de déficits públicos financiados. É uma conta muito alta. Uma encrenca bastante grande. Estamos gastando mal e cada vez mais”, lamentou Müller.
Os jornalistas do Grupo RBS queriam saber a posição do presidente da Fiergs em relação ao encaminhamento do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Muller respondeu que a entidade tem em seus estatutos que seus dirigentes não podem falar em nome da entidade sobre posições partidárias. Ele preferiu lembrar que ao participar de eventos durante o ano, com empresários alemães, japoneses e mesmo numa palestra do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, todos foram unânimes em afirmar que confiam na economia brasileira e que só aguardam o fim da crise política para voltar a investir no País.
Cenários
A Unidade de Estudos Econômicos (UEE) da Fiergs elaborou três cenários possíveis para o País no próximo ano. “Vivemos a maior recessão da história da economia brasileira em 114 anos”, alertou o economista-chefe da Fiergs, André Nunes de Nunes, ressaltando que a participação da indústria de transformação no PIB brasileiro caiu de 15% para 11,4% entre 2011 e 2015. Ao fechar o ano, a queda estimada para a indústria nacional é de 7%, enquanto a gaúcha deve sofrer com perdas de 9,1%.
De acordo com a UEE, o cenário base para 2016 é de nova recessão para o Brasil, com queda de 2,5% do PIB, menos intensa que 2015 (-3,5%). Nesse cenário, o consumo das famílias tende a manter a trajetória de retração, acompanhando o aumento do desemprego e a diminuição na renda real.
No caso do Rio Grande do Sul, o cenário base contempla um recuo ainda mais significativo do nível de atividade: a queda projetada de 2,8% do PIB neste ano deverá alcançar 3% em 2016. A agricultura colherá uma safra boa (perto da recorde), mas insuficiente para impulsionar o crescimento do PIB. Além disso, a parada da atividade do setor público estadual e o risco de atraso de salários do funcionalismo deverão permanecer.
No cenário superior, uma recuperação em nível nacional pode começar lentamente e a retomada um pouco mais forte da atividade no segundo semestre indica um resultado de estagnação para o ano que vem. Dentro desse melhor cenário, o Rio Grande do Sul apresentaria uma pequena queda (-0,5%), limitada pelo ritmo da recuperação do Brasil.
No cenário inferior, não está descartada a possibilidade de a redução na atividade brasileira se intensificar. Para isso, haverá um agravamento da crise política e fiscal, bem como a total paralisia do setor público. O desemprego pode surpreender negativamente e a confiança dos consumidores e dos empresários continuará em declínio. O PIB do País fechará com uma diminuição de 4%. O contexto macroeconômico será o mesmo para o Estado (-4,5%).

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