Sergio Lagranha
O 5º Fórum Brasil Coreia em Ciência, Tecnologia e Inovação, realizado pela Universidade do Vale do Sinos(Unisinos), chegou ao seu final nesta sexta-feira, 14, alcançando seus objetivos, conforme o coordenador e professor do programa de pós-graduação em Computação Aplicada da Unisinos, Rodrigo Righi. “O Fórum Brasil Coreia faz parte da estratégia da Unisinos em tornar-se uma instituição global de pesquisa que observa padrões internacionais de excelência visando à promoção do desenvolvimento regional.”
Segundo o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada (Pipca) da Unisinos, Cristiano André da Costa, o Fórum é de extrema importância para cada vez mais aproximar o Brasil, que busca desenvolver semicondutores, da Coreia do Sul, que possui grandes empresas na área de Tecnologia da informação (TI). “É uma forma de conciliar especialidades complementares”, acrescenta.
O foco na saúde do 5º Fórum foi ainda mais significativo, conforme Costa, porque a TI passou a transformar a forma como o paciente é tratado ao aperfeiçoar e antecipar os diagnósticos dos médicos, proporcionando um atendimento mais rápido nas emergências, reduzindo custos.
O Fórum é um evento institucional da Escola Politécnica Unisinos, que foi lançada em outubro de 2012, durante o 2º Fórum Brasil-Coreia, com objetivo de reunir cursos e projetos de várias áreas, integrar ensino, pesquisa aplicada e extensão. O decano da Escola Politécnica Unisinos, Carlos Moraes, explica que, desde o início do Fórum, em 2011, a ideia era unir a cadeia de semicondutores com a área de TI.
Importância da chegada da HT Micron
O Fórum Brasil Coreia chegou a sua quinta edição com a relação entre o Rio Grande do Sul e Coreia do Sul já consolidada. O CEO do Parque Tecnológico São Leopoldo (Tecnosinos), Luiz Maldaner, ressalta que a fábrica de encapsulamento de semicondutores HT Micron (joint-venture formada pela gaúcha Parit Participações, que controla a Altus e a Teikon, e pela coreana HanaMicron), a maior sala limpa da América do Sul, está a pleno, operando em larga escala, contribuindo para a pesquisa da Unisinos. “Além disso, também o Instituto de pesquisa em Semicondutores da Unisinos e o mestrado nessa área são uma realidade.”
Ele salienta, ainda, que o Tecnosinos sedimentou uma parceria com parques tecnológicos coreanos, em especial com o DedeokInnopolis, em Daejeon, com o qual mantém um programa anual de intercâmbio de informações e de treinamento de pessoas.
Para atrair investidores o governo federal criou o incentivo fiscal Padis – Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores, que estimulou a instalação no Tecnosinos da HT Micron. A chegada da HT Micron foi um dos fatores que impulsionou a discussão voltada para a temática dentro da universidade. A cadeia de semicondutores tem se mostrado estratégica para o desenvolvimento do Brasil e o fato da Coreia do Sul ser referência na área estimulou a parceria entre as universidades coreanas e a Unisinos.
Em outubro de 2013 foi realizada a entrega, pela Unisinos à HT Micron, do prédio da fábrica de semicondutores, construído junto à universidade. Em março de 2014 aconteceu a abertura comercial. Outras empresas estão em fase de definição para entrar no Tecnosinos também nessa área de semicondutores. Em razão disso, a Unisinos sentiu a necessidade de formar massa crítica. Para intensificar a atuação nessa área foi criado o mestrado em Engenharia Elétrica, onde uma das linhas de pesquisa é em manufatura eletrônica e encapsulamento, além da criação de cursos de graduação como as Engenharias Eletrônica, de Materiais e Química. E para complementar as parcerias com universidades estrangeiras, como as coreanas Hongik, SKKU, Kaist e a empresa Hana Micron e também nos Estados Unidos, com um dos mais importantes institutos de tecnologia, Georgia Tech.
Para alinhar esse conceito com pesquisa, inovação e tecnologia, a universidade criou os Institutos Tecnológicos, preparados para prestar serviços técnicos e dar suporte para empresas e organizações em suas atividades de pesquisa. Os itts dividem-se em cinco: ittFuse, itt Chip, ittFossil, ittNutrifor e itt Performance.
Estruturados com equipamentos de alta tecnologia, os institutos tecnológicos são amparados pelo NITT Unisinos – Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia – e atuam como parceiros de empresas e organizações, contribuindo para a competitividade e sustentabilidade do estado e do país.
Internet do futuro
A abordagem da NovaGênesis para uma Internet do futuro, explorando os benefícios na área da saúde, foi o tema da palestra do professor adjunto do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), um centro de excelência em ensino e pesquisa na área de Engenharia, de Minas Gerais, Antonio Alberti, mestre e PhD pela Unicamp e por um ano pesquisador visitante no ETRI, na Coreia do Sul. Hoje, Alberti é arquiteto chefe do projeto de Tecnologias de Comunicação e Informação (ICT) Convergente NovaGenesis.

Em sua palestra realizada durante o Fórum Brasil Coreia explicou que a Internet do Futuro envolve projetos que procuram repensar a arquitetura da Internet, como seria se fosse feita nos dias atuais. Toda essa tecnologia já está influenciando fortemente a área da saúde. A ciência médica e a engenharia tecnológica estão cada vez mais integradas. Alberti ressalta que existirão mais processos automáticos, sem tanta interferência das pessoas e cada vez mais inteligência artificial.
Segundo ele, no futuro a convergência homem-máquina será ainda mais estreita, quando o paciente terá redes de dispositivos no próprio corpo, trabalhando de forma coordenada para monitorar a saúde ou mesmo combater uma doença. Com a telemetria, que permite a medição e comunicação de informações, o médico saberá online se o paciente precisa de complexo B, por exemplo. Tudo isso, envolverá cuidados com a segurança da informação.
Tem novidades, conforme Alberti, que são para cinco anos e outras de mais longo prazo. Alguns cenários para 2030, 2040 mostram a maior convergência homem-máquina, um organismo cibernético, ciborgue. “Neste ponto nos aproximamos da ficção científica, mas muito dela está se tornando realidade. Parte da biologia combinada com tecnologias computacionais como, por exemplo, implantes com órgãos artificiais que terão nós de computação que irão monitorar a interação com a biologia. Máquinas muito pequenas conectadas em rede que poderão monitorar ou manter funcionando um órgão com problema. Enfim, toda a relação entre computação e biologia.”
No futuro será possível fazer uma terapia genética, que visa suplementar com elos funcionais aqueles com problemas, e monitorar o resultado. Para esses casos serão utilizados nós de computação micrométricos. No longo prazo, Alberti acredita que vamos misturar as novas tecnologias no próprio corpo.
Entre os exemplos, exoesqueleto robótico que permite os movimentos de uma pessoa lesionada, órgãos artificiais, softwares biológicos, máquinas andando na corrente sanguínea. A pessoa passará a ser parte máquina, com a tecnologia no interior do corpo. O paciente poderá ter um agente inteligente que irá acompanhar todo o funcionamento do sistema artificial, que estará monitorando o real. Ele vai cruzar as informações como se fosse tivesse um big data próprio (conjunto de softwares que fazem análises complexas a partir de grandes bases eletrônicas de dados) que avisará a necessidade da marcação de uma consulta médica.
A NovaGenesis é uma nova arquitetura de Internet a partir do zero. A sua denominação foi escolhida porque essa Internet será tão diferente da atual que pode ser visto como um novo começo digital. O projeto tem vários parceiros, e a Unisinos é um deles. Tem um grupo de pessoas no mundo trabalhando nesta nova arquitetura de informações que integra ingredientes de Internet do Futuro como Internet das Coisas, redes cognitivas e inteligência artificial. A proposta é encontrar uma tecnologia mais flexível e segura, que resolva os problemas e responda aos desafios da web contemporânea.
Monitoramento global de saúde
Outro palestrante do Fórum Brasil Coreia, o indiano Dhananjay Singh, presidente da Divisão Global de Tecnologia da Informação e professor assistente no Departamento de Engenharia Eletrônica da Universidade Hankuk de Estudos Estrangeiros, de Seul. Sua palestra foi sobre “Monitoramento Global de Saúde”.

Para ele, existem diversos cenários práticos, como os sinais vitais das pessoas, quando utilizam computação vestível – onde gadgets estão diretamente conectados com usuário -, acompanhando seus dados em tempo real. Existem também hospitais inteligentes, onde é possível integrar com a Internet das Coisas e também carros inteligentes que podem ser equipados. Em caso de acidentes o hospital está conectado com câmaras possibilitando a telemedicina. “Tudo isso precisa de uma infraestrutura forte de monitoramento, foco da minha palestra”, explicou.
Ele citou outro tipo de monitoramento de pessoas idosas. Essas pessoas podem morar em casas inteligentes com diversos sensores que acompanham qualquer problema, como um tombo, batimentos cardíacos. Todos esses dão serão enviados em tempo real para o médico ou determinado hospital que automaticamente poderá enviar uma ambulância atender o idoso. “ A ideia é de integração e monitoramento”, disse Singh.
Para isso, as pessoas deverão usar sensores biomédicos, como pulseiras, que enviarão uma quantidade de dados, entre eles os sinais vitais e temperatura. A questão é como passar esses dados via Internet. Singh afirma que existe uma tecnologia da Internet das Coisas chamada 6 LoWPAN que é utilizada na casa do paciente para pegar os dados dos sensores e envia-los através de um modem, tanto para uma Internet tradicional, como para uma mais moderna, chamada versão 6. De posse desses dados, o médico pode decidir pela internação imediata do paciente, ou agendar uma consulta.
No aspecto global, Singh olha os cenários de integração de escritórios, escolas, casas e hospitais inteligentes. Tudo isso será conectado através de uma tecnologia chamada Content-Centric Networking (CCN), ou redes centradas no conteúdo. “Deveremos retirar a Internet que conhecemos hoje baseada em TCP e IP, protocolos de comunicação em rede, e pensar numa nova arquitetura de rede através do CCN e da computação em nuvem, que conseguirá monitorar todos esses ambientes em tempo real.
Singh acredita que o Monitoramento Global de Saúde é muito importante principalmente em países pobres em relação a desastres. Ele cita o exemplo do Nepal, onde este ano um terremoto matou mais de 3,7 mil pessoas e deixou dezenas de milhares sem comida, água ou abrigo. “Várias pessoas poderiam ser notificadas de suas localizações, ou seja, um monitoramento global para acha-las. Para isso, o Monitoramente Global precisa ser utilizado por governos.”
Fórum consolida relação do RS com Coreia do Sul em Tecnologia da Informação
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