
O software de código aberto mais conhecido é o Linux (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)
Naira Hofmeister
A maior fortuna do mundo é resultado do que eles combatem: a propriedade intelectual sobre programas de computador. Bill Gates e a gigante Microsoft são os antagonistas da ideologia pregada pela Associação Software Livre.Org e disseminada em Porto Alegre, entre os dias 19 e 22 de abril, no Fórum Internacional de Software Livre, no Centro de Eventos da FIERGS.
Os visitantes dispostos a entrar num mundo de termos absolutamente técnicos e discussões herméticas podem descobrir o que há de nobre na proposta: desenvolver alta teconologia a partir do compartilhamento de informações e da criação coletiva. O aspecto mais interessante é a proposta da não propriedade intelectual e empresarial.
O software livre não necessita de registros para quem usa – pode ser baixado gratuitamente na Internet, por exemplo – e está em constante desenvolvimento tecnológico através dos códigos abertos, de onde qualquer entendido do assunto pode aperfeiçoar um programa de acordo com as necessidade locais.
O mais conhecido software livre é o Linux, que há cerca de uma década iniciou a discussão que hoje cresce exponencialmente em todo o mundo: porque uma empresa cobra sobre a inteligência que dá origem aos softwares? “Até dez anos atrás, a maioria dos PCs utilizavam softwares proprietários, porque não havia equivalente livre. Hoje, estamos proporcionando uma escolha”, justifica Sady Jacques, coordenador adjunto da Associação Software LIvre.Org.

Para o coordenador adjunto Sady Jacques, o importante é a possibilidade de escolher o software
Ele e as mais de cinco mil pessoas esperadas no evento em Porto Alegre acreditam que o desenvolvimento da tecnologia da informação é de domínio público e deve ser compartilhado na sociedade, através do uso livre de programas resultantes dessa aplicação: “Um cara que desenvolve software estudou numa escola e teve professores que auxiliaram de alguma forma em seu produto, ou seja, é o resultado do trabalho coletivo”, conclui Jacques.
Economia da liberdade
Como os programas livres de propriedade são distribuidos gratuitamente, há quem duvide da sustentabilidade do projeto Software Livre. O mito pode ser justificado apenas pela cultura capitalista em que se apoia Bill Gates, fixada no individualismo e na concorrência. Jacques explica: “Tratam-se de modelos de negócio diferentes. O Software Livre desloca a propriedade do indivíduo para o coletivo, mas permite lucros no sentido em que é o potencial humano que é valorizado. Vende-se o conhecimento, não o produto final”.
O grande desmistificador do mundo virtual é o Google, que lidera o mercado de busca na web brasileira e a plataforma de redes sociais através do site de relacionamento Orkut, dois produtos de sucesso incontestável que existem dentro da proposta de liberdade prorietária. A empresa ingressa agora no segmento de e-mail, através do G-mail, que ameaça desbancar gigantes como o Terra e AOL., de provedores tradicionais.
O consumidor deve saber que o programa é livre, mas precisa de um programador para adaptá-lo às necessidades de cada um. Este trabalho tem um custo, certamente bem mais em conta do que um programa da Microsoft, mas não é de graça. E todas as modificações no programa terão um custo. Grandes lojas como a Renner, por exemplo, já estão trabalhando em rede com software livres.
Incompatibilidades vem sendo superadas
Quando há dez anos foi lançado o Linux, o maior problema a ser resolvido era o da incompatibilidade. Os produtos proprietários possuem um código de bloqueio que não possibilitava a leitura de documentos dos softwares tradionais em plataformas livres. Entraram em ação os personagem que hoje dão medo aos usuários da rede: os Hackers.
O temor também é mito, explica Jacques, já que esse nome acabou sendo amplicado a um grupo que usa de má fé seu conhecimento, que na terminologia virtual é conhecido por Cracker. “Um Hacker é alguém que se interessa por algo, se debruça sobre isso e estuda tanto a ponto de desenvolver essa tecnologia”. Segundo o representante da Associação Software Livre.Org, os Hackers estão a serviço do bem.
Um universo a descobrir, é isso que promete aos leigos a proposta em debate na sétima edição do Fórum Internacional de Sotware LIvre. A programação pode ser acessada através do site fisl.softwarelivre.org.

Deixe um comentário