Naira Hofmeister
O Parque Farroupilha é o principal palco para manifestações dos funcionários da Fundação Cultural Piratini, que passam os domingos recolhendo assinaturas para evitar a “privatização da TVE e FM Cultura”. A partir das 10h do ultimo domingo, dia 21 de outubro, novamente o grupo ergueu uma faixa na José Bonifácio para convocar a população a participar de um abaixo-assinado.
Num folder que traz o apoio do Sindicato dos Jornalistas e dos Radialistas do Rio Grande do Sul, criticam o projeto de lei encaminhado pelo governo à Assembléia Legislativa, que abre a possibilidade da transferência de gestão de serviços públicos para OSCIP’s – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. “Isso, na verdade, é uma forma de privatização”, diz o panfleto.
“Nossa principal preocupação é quanto ao modelo de comunicação que pode ser instituído diante dessa modificação”, observa o jornalista Alexandre Leboutte, representante dos funcionários no Conselho Deliberativo da Fundação Cultural Piratini. Para o jornalista, nada garante que uma Oscip mantenha a característica democrática da programação da TVE e FM Cultura.
O folder que circula durante os protestos lista os programas exclusivos que as emissoras veiculam, como o Hip Hop Sul – direcionado à comunidade rapper –, TVE Repórter, o único de grandes reportagens no Estado e vencedor de seis prêmios jornalísticos no último ano ou o TV Cine, que veicula semanalmente a produção gaúcha em curta-metragem. “As emissoras privadas já existem e trabalham segundo a lógica do mercado, da audiência, que é não é exatamente a do interesse público”, provoca Leboutte.
O Secretário da Justiça e Desenvolvimento Social, Fernando Schüler, é entusiasta da proposta levada ao legislativo, que trata da cessão de determinados serviços – hoje públicos – à Oscips, mas adianta que “o marco regulatório ainda está sob análise e o governo não iniciou nenhum diagnóstico”.
Ele acusa os funcionários da Fundação Piratini de estarem equivocados, pois o assunto demanda um estudo complexo. “É uma precipitação. Sugiro que façam uma análise cuidadosa para que saibam do que estão falando e a discussão não acabe sendo – como tudo no Rio Grande do Sul – puramente ideológica”.
Funcionários querem despartidarização do debate
Enquanto Fernando Schüler critica as manifestações dos funcionários da Fundação Cultiral Piratini que denunciam uma tentativa de privatização da TVE e FM Cultura, um dos líderes do movimento, Alexandre Leboutte elege bem as palavras que vai usar na entrevista. “Não queremos ligar os problemas a um ou outro governo, mas o fato é que a gestão de Germano Rigotto deixou a Fundação à deriva”.
Por outro lado, Leboutte acredita que a situação vivida atualmente é uma ação deliberada da gestão Yeda Crusius. “Essa precariedade justifica qualquer medida perante a sociedade”, opina.
O relato é impressionante. Sem a renovação do último concurso público e com o fim dos contratos emergenciais, restam poucos técnicos na Fundação. Apenas duas horas da programação da FM Cultura é transmitida ao vivo e os demais são gravados. O setor de jornalismo da rádio não consegue se locomover – faltam motoristas – nem fazer o noticiário intantâneo, típico de rádio.
A potência da rádio também foi reduzida à metade, assim como o sinal da TVE, que está hoje desligada de 50% das suas retransmissoras. A TVE é a segunda maior rede de televisão instalada no Rio Grande do Sul. “Imagine o valor que isso tem”, pontua Laboutte.

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