Gaúchos lêem mais na juventude

Naira Hofmeister

Pela primeira vez na história do Brasil um estado pesquisa os hábitos de leitura da população. De acordo com o IBOPE – contratado pela Câmara Riograndense do Livro (CRL) para levantar os dados – o Rio Grande do Sul lê quase cinco vezes mais que o resto do país. Enquanto a taxa nacional é de 1,8 livro por ano, no Estado, esse número cresce para 5,5. Estudos semelhantes na América Latina indicam que o índice de leitura no continente é de 2,4 livros ao ano.

Há ainda outros dois apontamentos destacáveis: 50% dos entrevistados disseram que sua maior motivação é o prazer que a leitura proporciona e ainda que a exigência escolar é um dos responsáveis pela manutenção hábito, que diminui com o avanço da idade. “O incentivo também vem de pais leitores e dos professores”, lembrou o presidente da CRL, Waldir da Silveira. Do público geral da pesquisa, 12% lê para a escola ou universidade, mas a porcentagem aumenta para 35% entre aqueles com até 15 anos, caindo para 21%entre os 16 e 24 anos.

A pesquisa apontou também que a maior parte da população gaúcha ou lê diariamente ou não costuma ler: ambas opções obtiveram índices de 27%, cada. Entre os objetos de leitura, empate técnico: 70% recorre à jornais, 65% às revistas e 62% se dedicam aos livros. Apenas 21% dos entrevistados procuram leitura no mundo virtual.

A metodologia do retrato realizado no Rio Grande do Sul foi desenvolvida pela Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (CERLALC) e será aplicada a outros estrados brasileiros e ainda na Colômbia, México e Venezuela. A Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) pretende implantar uma pesquisa semelhante em toda América Latina e no Caribe.

O relatório divulgado com a pesquisa, assinado por Luis Bernardo Peña Borrero – representante da OEI – faz questão de salientar que esse é um ‘estudo-piloto’. O termo talvez justifique a escolha do reduzido universo de pesquisados: numa população que ultrapassa os 10 milhões de habitantes, foram aplicados 1008 questionários, em 60 dos 496 municípios gaúchos. A amostragem foi definida através de cotas sociais estipuladas pelo IBGE, como a repartição entre homens e mulheres, grau de instrução, idade e renda familiar. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Auto-ajuda não está entre os preferidos

Contrariando o que editores e listas de mais vendidos afirmam, os livros de auto-ajuda obtiveram apenas o 11º lugar entre os assuntos preferidos pelos leitores do Rio Grande do Sul, num total de 9%. Uma explicação razoável é a de que, em primeiro lugar, com24% estão os livros de religião. Livros infantis, romance, contos e poesia, empatam na segunda colocação, com 20% cada um.

Outra constatação é que a maior parte da população lê livros emprestados. Um terço dos entrevistados, obtém literatura nas bibliotecas e outro terço, pede a amigos ou conhecidos. Aqueles que vão às compras somam 32% do universo pesquisado.

Pesquisa deve influenciar políticas públicas

O estudo vai servir de balizador para as sugestões que a CRL pretende fazer ao novo governo na área de educação e cultura. A discussão deve ser centralizada na polêmica das bibliotecas: “Há mais de 20 anos não temos um programa de atualização do acervo estadual”, condenou Waldir da Silveira. A última aquisição feita por um governador ocorreu na gestão de Antônio Britto (1994-1998), que criou a Estante do Autor Gaúcho nas escolas estaduais, com 30 volumes de literatura regional.

Segundo os dados da pesquisa, as bibliotecas são referência importante, principalmente para jovens leitores. 35% dos entrevistas costumam freqüentar bibliotecas. O número mais que duplica, quando o universo da pesquisa é reduzido à população com menos idade: entre 11 e 15 anos, 86% utilizam o serviço de empréstimo de livros. Em compensação, pouco mais da metade dos entrevistados (56%) com nível superior de instrução têm esse costume.

Mais do que ampliar e atualizar os acervos bibliotecários, a CRL defende que a popularização da biblioteca só vai acontecer a partir da criação de pequenas salas de leitura e empréstimo de livros: “Não adianta esperarmos por grandes prédios que têm alto custo, qualquer espaço pode receber uma biblioteca comunitária”, sustentou Waldir da Silveira.

Silveira anunciou a intenção da CRL de apresentar um projeto nesse sentido: “Vamos instituir bibliotecas em igrejas, sindicatos, condomínios. Em qualquer espaço vago, devemos disponibilizar acesso aos livros”.

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