A palavra é estranha: gentrificação é um processo de revalorização de área de determinada área de uma cidade que tenha sido desvalorizada com o tempo. O processo gera uma revitalização, mas, em casos extremos, pode promover a substituição de uma população tradicional por outra, de maior poder aquisitivo, ou por negócios de um mesmo perfil, criando os chamados “bairros temáticos”.
O conceito vem sendo utilizado em estudos acadêmicos sobre a cidade desde a década de 60. Alguns exemplos clássicos são os bairros Greenwich Village e Soho em Nova Iorque e o El Born, em Barcelona. Paulo Roberto Soares é morador do Bom Fim há dez anos. Além disso é doutor em geografia urbana pela Universidad de Barcelona, professor da UFRGS e membro do Observatório das Metrópoles. Ele enxerga no bairro indícios do que se tem chamado atualmente de gentrificação hipster.
É possível explicar rapidamente o que é gentrificação?
A cidade é viva, então ela vai se transformando ao longo dos anos. O próprio Bom Fim tem suas modificações, se formos voltar no tempo. Neste processo de transformação da cidade, algumas áreas são valorizadas, outras são desvalorizadas. Quando uma área entra em decadência, depois de uma ou duas décadas ela volta a ser valorizada. Esse retorno da valorização chamamos de gentrificação.
Como se deu este processo ao longo do tempo?
Costumamos dividir em três ondas. Primeiro momento, anos 70, estados unidos, eram os artistas, designers, o pessoal da moda, que ocuparam os bairros do sul de Manhattan e fizeram a mudança de perfil do bairro. Eram casas antigas, que estavam baratas e foram aumentando seu valor imobiliário. Nos anos 90, eram os yuppies, o pessoal do mercado financeiro. E agora, neste período que estamos vivendo, são os chamados hipsters, o pessoal do capitalismo cognitivo, da economia criativa. É um grupo social, um grupo cultural que atua em determinadas áreas, mas não é uma coisa assim ‘vamos gentrificar esta área’, é um processo que vai acontecendo.
Quais as características da área para que ocorra este processo e suas consequências?
Geralmente são bairros centrais. Em São Paulo, está acontecendo em Santa Cecília, no Rio de Janeiro, é mais na região de Santa Tereza. São bairros acessíveis, onde tu não depende do carro e que já têm uma vida urbana, uma vida de bairro. Essa gentrificação aproveita essa vitalidade e esse é o lado interessante da coisa: ter uma relação com a vida do bairro, não destruindo a vida que existe no local. O que se discute em alguns artigos é quando este processo avança muito e tu começa a eliminar a vida do bairro em favor deste processo.
No Bom Fim mesmo, havia um sólido comércio de móveis na Osvaldo, tem cada vez menos. Tem aquele edifício empresarial onde era o cinema, aquilo ali é completamente fora da relação da trajetória do bairro. Quantos comércios de calçada poderia ter ali que tu colocou tudo em um edifício. Isso não e bom pro bairro, esterilizou um pouco a paisagem urbana.
Tem outros exemplos em Porto Alegre?
No Quarto Distrito está havendo um processo de retomada, tem o pessoal do Vila Flores, no bairro Floresta. Temos outros processo de valorização em Porto Alegre, como Petrópolis e Menino Deus, mas não é bem uma gentrificação, é uma valorização imobiliária.
O que são os chamados bairros temáticos?
Há alguns casos, como o bairro El Born, em Barcelona, onde tem até um movimento dos moradores que permanecem que é contra o bairro temático. Acaba o bairro todo se dedicando a uma atividade econômica mais lúdica, de entretenimento, e o bairro perde a vida urbana. Por exemplo, na Cidade Baixa, teve um boom. Aquele monte de bares na João Alfredo, aquela vida noturna, mas já está entrando em decadência, não é como era há 5 ou 10 anos. Daí acaba sendo isso do bairro temático: de dia um deserto, de noite superlotação.
Mas também é difícil o poder publico, os agentes econômicos e os agentes sociais manejarem, gerenciarem este processo. E também o mercado funciona: abre uma casa noturna, outra quer abrir também porque todo mundo vai ali.
“Gentrificação hipster” no Bom Fim
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Comentários
3 respostas para ““Gentrificação hipster” no Bom Fim”
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Ele não sabe o conceito de gentrificação. Não é uma área ser valorizada, isso é positivo, obviamente. Depois de dizer isso, ele diz que o que acontece no quarto distrito não é isso. Aí a pessoa está realmente sem saber o que dizer. Gentrificação é a mudança de caracteristicas e/ou cultura de um determinado lugar por causa da mudança para lá de pessoas mais ricas, assim deslocando os moradores originais para periferia do bairro ou para outras partes da cidade por causa do aumento do custo de vida da área.
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Você está dizendo que um dos melhores professores do país em Geografia Urbana e coordenador do Observatório das Metrópoles não sabe o que é o conceito de gentrificação? Sério, serião? Menos, bem menos, gurizão.
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Mas você pode ler os livros do Neil Smith, se tiver com dúvidas.
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