O jornalista Glenn Greenwald, que ouviu a denúncia planetária de Eduard Snowden sobre as escutas ilegais da NSA no Brasil escreve um longo artigo em seu site, The Intercept, no qual especula sobre as razões da viagem do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) a Washington no dia seguinte ao aceite da Câmara Federal sobre o procedimento de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
“Levantará, no mínimo, dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos em relação à remoção da presidente. Certamente, irá alimentar preocupações na esquerda brasileira sobre o papel dos Estados Unidos na instabilidade em seu país”, escreve o jornalista.
O artigo levanta suspeitas de que poderia haver interesse de setores econômicos dos Estados Unidos na derrubada da presidente, que deu prosseguimento às políticas de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, à aproximação com outros países em desenvolvimento, privilegiando relações comerciais, por exemplo, com a China.
A comprovada participação dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 alimentariam essa sensação de que há uma articulação no vizinho do norte para favorecer a derrubada de Dilma – “embora não tenha surgido nenhuma evidência que comprove essa teoria”, ressalva.
Ele mesmo, entretanto, coloca lenha na fogueira recordando que “documentos secretos e registros comprovam que os EUA auxiliaram ativamente no planejamento do golpe, e o relatório da Comissão da Verdade de 2014 no país trouxe informações de que os EUA e o Reino Unido apoiaram agressivamente a ditadura e até mesmo treinaram interrogadores em técnicas de tortura.”
Para piorar, Greenwald destaca o ” longo e recente histórico de criar instabilidade e golpes contra os governos de esquerda latinoamericanos democraticamente eleitos que o país desaprova”, mencionando, como exemplos, a tentativa de depor o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em 2002, a destituição do presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide em 2004 e o apoio da então Secretária de Estado, Hillary Clinton, ao golpe 2009 em Honduras.
visita de relações públicas
Greenwald cita uma matéria da Folha de S. Paulo na qual o diário menciona que a visita é uma tentativa de reconquistar apoio da opinião pública estadunidense sobre o processo. Segundo o jornal, Nunes viajaria aos Estados Unidos para uma “contraofensiva de relações públicas” para mostrar ao país que o “impeachment não é golpe”.
O jornalista britânico recorda que a imagem do processo de afastamento da presidente ficou bastante prejudicada depois que a imprensa estrangeira denunciou a falta de qualificação dos parlamentares brasileiros – a maioria envolvida em investigações por corrupção – para julgar a presidente.
“Apenas um mês atrás, os veículos de comunicação internacional descreviam os protestos contra o governo nas ruas de forma gloriosa, e agora destacam diariamente o fato de que os motivos legais para o impeachment são, no melhor dos casos, duvidosos, e que os líderes do impeachment estão bem mais envolvidos com a corrupção do que Dilma”, relata.
O processos seria, portanto, uma mera desculpa para apear do poder na marra os adversários que não foram superados nas urnas, aproveitando-se da atual impopularidade de Dilma.
“Políticos e partidos que passaram duas décadas tentando — sem sucesso — derrotar o PT em eleições democráticas encaminharam triunfalmente a derrubada efetiva da votação de 2014”, observa o articulista, sugerindo que o julgamento foi político.
Greenwald: viagem de senador da oposição a EUA é controversa
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