Felipe Uhr
Em uma chuvosa tarde de quinta-feira (28) e após oito dias de greve, os municipários de Porto Alegre decidiram – de forma unânime, mais uma vez – dar prosseguimento à paralisação, que teve início ainda no dia 13 de maio, com atos que duraram 48 horas e antecederam a declaração do estado de greve, no dia 20.
O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) exige a reposição integral do reajuste de 8,17%, sem o parcelamento que propõe a Prefeitura, e desaprova o corte da folha ponto dos grevistas.
A determinação dos servidores em manter os serviços parados expõe, entretanto, uma insatisfação ainda maior com a Prefeitura. A professora Claudia Ferreira, 24 anos de funcionalismo, diz que não se trata apenas de aumento salarial. “Estamos aqui representando um contexto muito maior”, explica.
Ela trabalha na Escola de Educação Infantil Bento Gonçalves, no Bairro Partenon e cita, por exemplo, as más condições do colégio que hoje atende a 90 crianças em turno integral. “Nosso trabalho de educação poderia ser muito melhor se tivéssemos mais recursos” reclama.
Sua colega de trabalho, Daniela Fernandes, apoia, mesmo estando apenas há seis meses na escola. “A greve é válida para quem está a mais tempo, mas também é importante pra quem está chegando, para que não se tenha prejuízo no futuro”, argumenta, em referência às perdas provenientes da retirada do chamado “efeito cascata” – o pagamento de reajustes salariais também sobre os benefícios, considerado irregular pela administração municipal e que recaem sobre funcionários com mais tempo de carreira.
Já para o funcionário da Secretaria Municipal de Administração (SMA), o desenhista Roger Denis, com 25 anos de serviços prestados, há uma postura radical da atual gestão.
“Acenamos nosso descontentamento desde o final de abril e não foi feito nada. Já era pra ter sido resolvido”, reclama.
Professor Mauro: “é o jeito que podemos lutar”
Desde 1977 lecionando Educação Física – e a partir dos anos 90, exclusivamente em escolas municipais – o professor Mauro Marques orgulha-se da trajetória combativa dos trabalhadores da Prefeitura. “Participo de greves desde 1979, é a forma como podemos lutar. Cada um pega o seu medo e se junta contra o governo”, comenta.
Ele entende que não há outra forma de garantir os direitos do trabalhador: “Nenhum chefe pergunta para o funcionário se ele quer aumento. Não há valorização voluntária”, acredita.
Sua escola – cujo nome é Vereador Antônio Giúdice – tem cerca de 1200 alunos. Mas lá, diferente do que ocorre na Bento Gonçalves, o problema não é infraestrutura. “Temos condições boas de trabalho. É mérito da direção, que sabe captar esses recursos” salienta.
De qualquer maneira, ele criticou a Prefeitura pelo que considera falta de diálogo. “Esse governo tem esse jeito”, condena.
Sexta-feira será de greve geral
Nesta sexta (29), o Simpa adere à greve geral convocada pelas centrais sindicais em todo o País.
A próxima assembleia será na terça-feira da semana que vem, mas já amanhã será realizada a primeira reunião entre municipários e Prefeitura para negociar exclusivamente uma saída para o efeito cascata.
Os grevistas também preveem fazer corpo a corpo com o prefeito José Fortunati, acompanhando sua agenda durante o próximo sábado (30).
Greve mantida: municipários expõem suas insatisfações
Escrito por
em
Adquira nossas publicações
texto asjjsa akskalsa

Deixe um comentário